DO G1/O GLOBO

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu adiar, para data ainda indefinida, as decisões sobre um novo pedido de prisão do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e sobre pedido da defesa para que ele seja autorizado a retomar as atividades parlamentares.

As duas questões estavam na pauta desta terça-feira (20) da Primeira Turma da Corte, formada por cinco ministros, mas o relator do caso, Marco Aurélio Mello, disse que ainda vai decidir individualmente sobre um novo pedido de Aécio para levar o processo para o plenário do STF, formado por 11 ministros.

Só depois disso o ministro vai levar o pedido de prisão e o de retorno às funções de senador para decisão colegiada, na Primeira Turma ou no plenário do STF.

Antes de adiar a definição sobre Aécio, os ministros decidiram, por 3 votos a 2, converter em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica a prisão preventiva da irmã e do primo senador, Andrea Neves e Frederico Pacheco, e de Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zeze Perrella (veja mais informações ao final desta reportagem).

Advogado

Na saída do plenário, o advogado Alberto Toron, responsável pela defesa de Aécio Neves, disse que, primeiro, o ministro Marco Aurélio terá que analisar de quem é a competência de analisar o pedido (se da turma ou do plenário) e depois o mérito.

“Estimamos que já na próxima semana o ministro Marco Aurélio poderá trazer isso para a Turma”, disse. “Cronologicamente, a questão da definição da competência antecede o mérito do julgamento sobre a prisão e o afastamento das atividades legislativas do senador Aécio Neves”, explicou Toron.

Para ele, a decisão da Primeira Turma de determinar a prisão domiciliar de Andrea Neves, Mendherson Souza Lima e Frederico Pacheco foi “justa” e deverá ter impacto a favor do senador afastado.

“Nós acreditamos que a decisão proferida hoje é marcadamente uma decisão justa, como disse o ministro Fux. Evidentemente que a soltura dos corréus se reflete sobre o senador Aécio e nós esperamos que o pedido de prisão seja efetivamente afastado pela corte”, afirmou.

Gilmar Mendes, “porta-voz de interesses que buscam barrar Lava Jato”

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Gilmar Mendes disse que é preciso impor limites à Lava Jato.

A entidade que reúne quase todo o Poder Judiciário reagiu acusando-o de tentar proteger os corruptos.

Leia a nota:

“A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS), congregando mais de 40 mil juízes e membros do Ministério Público, tendo em vista as declarações feitas pelo Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, com críticas a atuação de juízes e promotores no que chamou de “momentos de disfuncionalidade completa” do Poder Judiciário e do Ministério Público, vem manifestar seu repúdio a qualquer tentativa de desqualificação do importante trabalho que o Judiciário e o Ministério Público estão realizando.

O Ministro Gilmar Mendes, mais uma vez, se vale da imprensa para tecer críticas a decisões judiciais, o que faz em frontal violação ao art. 36 da Lei Orgânica da Magistratura, que proíbe a membros do Judiciário manifestarem, por qualquer meio de comunicação, juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças.

Ao chamar de abusivas investigações e prisões processuais que foram decretadas pelo Poder Judiciário, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, a requerimento do Ministério Púbico, Gilmar Mendes abandona a toga e assume a postura de comentarista político, função absolutamente incompatível para quem integra o Supremo Tribunal Federal.

Magistrados ou membros do Ministério Público, ao exercerem suas funções constitucionais, simplesmente estão aplicando as leis aos casos que lhe são submetidos, podendo suas decisões ou denúncias serem revistas ou questionadas dentro do devido processo legal.

O que não é admitido e não pode ser tolerado é que um magistrado, qualquer que seja ele, se valha do cargo e do poder que titulariza para ser porta-voz de interesses que, em última análise, buscam, a qualquer custo, barrar os avanços das investigações e punições a todos aqueles que nas últimas décadas sangraram os cofres públicos do País.

A Operação Lava-Jato é um marco no processo civilizatório do Brasil e por isso qualquer tentativa de obstrução contra ela não será permitida pelo conjunto dos cidadãos brasileiros.

Roberto Carvalho Veloso

Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE)

Coordenador da Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS)

Jayme Martins de Oliveira Neto

Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)

Guilherme Guimarães Feliciano

Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

(ANAMATRA)

Norma Angélica Cavalcanti

Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP)

Elísio Teixeira Lima Neto

Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT)

Clauro Roberto de Bortolli

Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM)

Angelo Fabiano Farias da Costa

Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT)

José Robalinho Cavalcanti

Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR)

Fábio Francisco Esteves

Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios

(AMAGIS DF)


Juan Goytisolo em 1976. Antonio Gabriel

DO EL PAÍS

OPINIÃO/PEDRA DE TOQUE

Esse obstinado Don Juan

Mario Vargas Llosa

Ocorreu no início dos anos sessenta, em Paris, quando eu e Juan Goytisolo nos víamos de vez em quando. Não sei como chegou às minhas mãos aquela revista do regime, com um ótimo artigo na primeira página, Esse Obstinado Don Juan, acusando-o de atiçar todas as conspirações que se tramavam na França contra a Espanha de Franco. Levei o artigo e o lemos juntos em um bistrô de Saint Germain. Poucas vezes voltei a vê-lo tão contente, ele, que era geralmente tímido e reservado. Aquela diatribe lhe confirmava que estava na linha certa: a dissidência e a rebeldia já eram sua carteira de identidade.

Embora ele fosse cinco anos mais velho, tivemos a mesma formação intelectual, marcada pelo existencialismo francês e pela tese de Sartre sobre o compromisso; sim, escrever era agir, a literatura podia empurrar a história rumo ao socialismo sem por isso render-se ao stalinismo, como (queríamos acreditar) estava fazendo a revolução cubana. Seus primeiros romances, os melhores que escreveu, Juegos de Manos, Duelo en el Paraíso, Fiestas, La Resaca, La Isla, mostravam um realismo voluntarioso, transparente, bem trabalhado, e uma intenção crítica que acertava o alvo. Depois, na segunda metade dos anos sessenta, contagiado pelas teorias de Roland Barthes e congêneres que dissecariam a literatura francesa da época, decidiu mudar brutalmente de forma e conteúdo. Em Señas de Identidad, Reivindicação do Conde Julião, Juan Sin Tierra, Makbara e outros livros, tentou se reinventar literariamente, ensaiando uma prosa rebuscada e litúrgica, de frases longas e estruturas gasosas, nas quais as incertas histórias pareciam pretextos para uma retórica sem vida. Acredito que se equivocou, e é provável que, desses livros impossíveis, só reste a memória das imprecações contra a Espanha, recorrentes e mal-humoradas.

O ódio de Juan contra a Espanha era muito parecido com o amor; apesar de suas vociferações contra o país onde nasceu e do qual se exilou durante grande parte de sua vida, acompanhava o dia a dia de suas circunstâncias, seus eventos políticos, suas fofocas literárias, frequentava seus clássicos com amor de erudito, defendia Américo Castro com unhas e dentes contra Claudio Sánchez-Albornoz e resgatava alguns de seus autores esquecidos, como Blanco White, em ensaios esplêndidos. Durante alguns anos, se recusou a acreditar que a Transição houvesse mudado o país e instaurado uma verdadeira democracia; afirmava, com sua característica teimosia, que tudo aquilo era uma frágil aparência sob a qual continuavam mandando os mesmos de sempre.

Felizmente, continuou escrevendo essas reportagens e livros de viagem que havia iniciado com Campos de Níjar, La Chanca e Pueblo en Marcha. Seus relatos e viagens por Sarajevo e os Bálcãs, Turquia, Egito, Palestina, Chechênia eram documentados e ágeis, originais, análises geralmente precisas, embora sempre apaixonadas.

Os melhores livros que escreveu e que serão lidos no futuro como um testemunho excepcional sobre um período particularmente obscurantista da história da Espanha são Coto Vedado (1985) e En los Reinos de Taifa (1986). Corajosos e comoventes, neles revela sua vida secreta, suas pulsões mais íntimas, a difícil descoberta de sua identidade sexual. A homossexualidade é apenas um dos dados que figuram nessa catarse controlada. Há vários outros, entre eles sua fascinação baudelairiana pela sujeira urbana, pelos bairros lúmpen e rufianescos, pelos personagens marginais, malditos, como seu admirado Jean Genet, o ladrão que saqueava alegremente as casas dos esnobes que o convidavam para jantar e ouvi-lo se gabar de suas transgressões. Quem lhe teria dito que o destino consertaria as coisas para que os enterrassem juntos, no cemitério espanhol de Larache, em Marrocos.

Juan Goytisolo foi o primeiro escritor espanhol de sua época a se interessar pela literatura latino-americana, a ler e promover os novos romancistas e, com a ajuda de sua esposa, Monique Lange, que trabalhava na editora Gallimard, tê-los traduzidos ao francês. Foi, também, um dos primeiros a compreender que a literatura em língua espanhola era uma só e a se esforçar para reunir novamente essas duas comunidades de escritores das duas margens do oceano, que a Guerra Civil espanhola havia separado e mantido incomunicáveis. Uma das mentiras que circulavam sobre ele é que, por preconceitos políticos, havia sido uma muralha que freou as traduções de escritores espanhóis na França. Sei que não foi assim, e que, em muitos casos, como o de Camilo José Cela, por quem não podia sentir qualquer simpatia, recorreu às influências que tinha para que fosse traduzido.

Na política, seguimos trajetórias bastante parecidas. Após o grande entusiasmo pela revolução cubana dos primeiros anos, veio a decepção e a ruptura com o caso do poeta Heberto Padilla. Ambos tivemos contato com ele e conhecíamos sua profunda identificação com a revolução; as acusações absurdas do agente da CIA contra ele nos revoltaram e nos levaram a escrever (em meu apartamento em Barcelona, ao lado de Luis Goytisolo, José María Castellet e Hans Magnus Enzensberger) o manifesto que consumaria nossa ruptura com a Cuba castrista e a grande divisão do que parecia, até então, a sólida fraternidade entre os romancistas latino-americanos. Lembro-me daquela época, que foi a da revista Libre (que ele incentivou e era financiada por Albina du Boisrouvray), dos manifestos incansáveis e das conspirações incessantes, como um jogo infantil jogado por nós, os adultos, sem percebermos que tudo o que fazíamos não era grande coisa, pois as decisões realmente importantes eram tomadas muito longe de nós, nesse coração do poder político ao qual os verdadeiros escritores nunca chegam (nem deveriam se aproximar).

Quando Monique morreu e Juan foi morar em Marrakesh, praticamente deixamos de nos ver. Tínhamos reuniões esporádicas, sempre cordiais, e eu continuava a lê-lo, com interesse os seus ensaios literários, e com bastante esforço seus textos criativos. Seus artigos no EL PAÍS indicavam que, apesar do passar dos anos, continuava idêntico: combativo, dissonante e arbitrário. Em nossos raros encontros, me animava a ir visitá-lo e me oferecia um passeio inesquecível por sua amada praça Djemaa el Fna, onde se alternavam os contadores de histórias e encantadores de serpentes.

Só depois de sua morte soube da agonia de seus últimos anos, desde que quebrou o fêmur ao cair numa escadaria do café, naquela famosa praça, à qual costumava ir à tarde para ver o sol se afundar nas montanhas azuis; de seu sofrimento físico e de suas dificuldades econômicas. E dos problemas para encontrar um túmulo laico, como ele queria, em um país onde os cemitérios são obrigatoriamente religiosos. Conhecendo-o, penso que este final indisciplinado, enredado e tragicômico não o teria desagradado: de alguma forma, refletia sua maneira contraditória de ser e sua vida traumática e peripatética. Juan, amigo, descanse em paz.

“Quartier Latin”: todo o charme de uma canção , de um recanto e de uma cidade imbatíveis.A voz, a emoção e o romantismo de Ferré, para completar.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jun
20


Rocha Loures era identificado em Brasília como uma pessoa próxima de Temer,
de quem foi assessor. – Divulgação/Rodrigo Rocha Loures

DO G1/O GLOBO

BRASÍLIA — O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu relatório parcial das investigações da Polícia Federal no inquérito do qual o presidente Michel Temer faz parte. Para os investigadores, houve crime de corrupção. A conclusão leva em consideração, além dos indícios e de outras provas, duas conversas entre o diretor da JBS Ricardo Saud e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures que já foram periciadas e ajudam a reforçar os indícios de crime.

Procurada, a Polícia Federal não comentou o relatório e nem quis se manifestar. Foi pedido ainda um prazo adicional de cinco dias para apresentar uma conclusão sobre o crime de obstrução de Justiça. Esse tempo será usado para concluir a perícia no audio da gravação do dono da JBS Joesley Batista com o presidente Temer. A PF teria optado por ser mais cautelosa nesse ponto.

O prazo inicial dado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, foi de dez dias. Depois, a pedido da PF, foram concedidos mais cinco dias. Agora, o ministro vai decidir se estende ainda mais o prazo.

JANOT OPINA CONTRA ARQUIVAMENTO

Michel Temer é investigado pela Procuradoria-Geral da República, que deve oferecer denúncia contra eles nos próximos dias com base na delação dos donos e executivos da JBS. Na semana passada, a defesa de Temer pediu o arquivamento do inquérito, argumentando que não havia elementos probatórios mínimos na investigação para justificar a apresentação de denúncia.

Nesta segunda-feira, o procurador-geral, Rodrigo Janot, enviou ao STF parecer contrário ao pedido de arquivamento do inquérito. Janot argumentou, no entanto, que só vai analisar o pedido mais a fundo quando receber a conclusão das investigações da Polícia Federal. Com o material em mãos, o procurador-geral vai decidir se arquiva ou se apresenta denúncia contra Temer perante o STF.

“Assim, considerando que os autos do inquérito ainda não aportaram a esse Tribunal — já que ainda não foi finalizado o prazo assinalado, a Procuradoria-Geral da República aguardará o recebimento das peças de informação para analisá-las, juntamente com os argumentos aqui expendidos”, escreveu o procurador.

AÇÃO CONTRA JOESLEY

A defesa de Temer entrou hoje com uma ação por calúnia, injúria e difamação contra o dono da JBS, Joesley Batista, na 12ª Vara Federal de Brasília. O motivo é a entrevista concedida pelo empresário à revista “Época”, na qual acusa Temer de chefiar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. Segundo Joesley, Temer não fazia cerimônia para pedir-lhe dinheiro em nome do PMDB e que o presidente articulava uma campanha para estancar a operação Lava-Jato.

Michel Temer também divulgou, nesta segunda-feira, um vídeo nas redes sociais no qual diz que “criminosos não sairão impunes”. Ele não citou o empresário Joesley Batista.
A delação que compromete o presidente
Joesley Batista, dono da JBS, fez acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e ajudou a revelar um esquema de pagamento de propinas que envolveu Michel Temer
A JBS é a maior produtora de proteína animal do planeta
Joesley negociou pagamentos a políticos em troca de favorecimento para sua empresa, a JBS
Joesley Batista
(Dono da JBS)
GRAVAçÃO
Joesley gravou Michel Temer em um diálogo onde o presidente indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS).
Joesley também disse a Temer que era necessário manter um bom relacionamento com Eduardo Cunha, inclusive com pagamentos ao operador Lúcio Funaro para que ambos ficassem calados.
PROPINA
MESADA
Diante da informação, Temer incentivou:
Michel Temer
(Presidente)
INDICAçÃO
Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo
uma mala com
R$ 500 mil enviados por Joesley
Rodrigo da
Rocha Loures
(Deputado afastado)
Eduardo Cunha
(Ex-deputado)
Lúcio Funaro
(Operador)

TEMER TAMBÉM FOI GRAVADO

Em depoimento após delação premiada, Joesley Batista disse aos investigadores que o Temer era o destinatário final da mala com R$ 500 mil entregue a Rocha Loures. O dinheiro foi devolvido pelo ex-deputado, que também atuou como assessor da Presidência. Rocha Loures está preso.

Temer também é investigado por obstrução à Justiça. O presidente foi gravado por Joesley em uma conversa no Palácio do Jaburu, que não foi registrada na agenda oficial da Presidência. No encontro, o dono da JBS disse que estava “de bem” com Eduardo Cunha na cadeia, “todo mês”, e Temer respondeu: “tem que manter isso, viu?”. O diálogo foi interpretado pelos investigadores como uma tentativa de comprar o silêncio do ex-deputado.

Na mesma gravação, Joesley disse a Temer que estava “segurando” dois juízes e obtinha informações de investigações contra ele porque pagava a um procurador da República. Nas gravações, o presidente responde: “bom, bom”. Temer foi questionado por não repreender o empresário, que relatava crimes.

Temer não nega o conteúdo da conversa. No entanto, o presidente desqualifica a integridade do aúdio, o que levou a gravação a ser periciada pela Polícia Federal.

Na entrevista à “Época”, o dono da JBS garantiu que a gravação não foi manipulada. Por outro lado, um perito contratado por Temer disse que, segundo uma análise preliminar, o áudio tinha “70 pontos de obscuridade”.

jun
20
Posted on 20-06-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-06-2017


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Cunha: “De onde vem o poder de Joesley?”

Preso, Eduardo Cunha escreveu mais uma carta. Dessa vez para comentar a entrevista de Joesley Batista à Época.

A Folha publicou alguns trechos:

“Ele (Joesley) fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes, em 2006 e 2013. Mentira! Ele apenas se esqueceu que promoveu um encontro que durou horas, no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia, na sua residência (…) entre eu, ele e Lula, a pedido de Lula, a fim de discutir o processo de impeachment (….) onde pude constatar a relação entre eles e os constantes encontros que eles mantinham.”

“Lamento ter exposto a minha família à convivência com esse perigoso marginal, na minha casa e na dele.”

“É estranho que, mesmo atacando o governo, ele ainda seja o maior beneficiário de medidas (…) tais como a MP 783 do Refis.”

“Ele também é o grande beneficiário da MP 784, da leniência com o Banco Central e com a CVM, onde as suas falcatruas no mercado de capitais, as atuais e as passadas, poderão obter o perdão e ficarem impunes.”

“A pergunta que não quer calar é de onde vem o poder dele, que mente, ataca o governo e ainda se beneficia dos atos do governo que o deixam mais rico e impune?”

“(Joesley) mente para obter benefícios para os seus crimes, ficando livre da cadeia, obtendo uma leniência fiada, mas desfrutando dos seus bilionários bens a vista, tais como jatos, iate, cobertura em NY, mansão em St. Barts, além de bilhões de dólares no exterior, dentre outros.”

“Espero que o STF reveja esse absurdo e bilionário acordo desse delinquente.

DO EL PAÍS

Javier Martín

No domingo se choraram os mortos e nesta segunda-feira se lançam as críticas contra os governantes. Um total de 63 mortos e 135 feridos, segundo o último balanço divulgado pelos veículos de comunicação portugueses, não pode ser atribuído apenas à força da natureza. Os prefeitos das cidades mais afetadas reclamaram de ter ficado desprotegidos durante horas.

O líder da oposição, o ex-primeiro-ministro conservador Pedro Passos Coelho, afirmou depois de se reunir com membros da Defesa Civil que prefere adiar a exigência de eventuais responsabilidades até que a tragédia seja superada.

Para o Partido Socialista do primeiro-ministro António Costa, a tragédia chegou em plena tramitação parlamentar da chamada “lei do eucalipto”, que propõe acabar até 2030 com o cultivo desse tipo de árvore, cujos galhos secos são bastante inflamáveis. O grupo de pressão ecologista Quercus emitiu um comunicado atribuindo os incêndios a “erros de administração florestal e más decisões políticas” de vários Governos nas últimas décadas. Segundo o Quercus, os organismos oficiais não fizeram o suficiente para coordenar a prevenção de incêndios florestais, uma crítica compartilhada pelos afetados, que alegam que a chegada de mais de 1.000 bombeiros que não conheciam o terreno não foi administrada de forma eficiente.
Autoridades portuguesas sob críticas por causa da tragédia pulsa en la foto

A coordenadora do Bloco da Esquerda, fundamental na formação de Governo de António Costa, afirmou nesta segunda-feira que a única prioridade é apagar o fogo e curar todos os feridos o quanto antes. “O tempo de avaliar o ocorrido e fazer as críticas pertinentes chegará mais adiante”, acrescentou.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, lançou nesta segunda-feira um apelo para que se concentrem todos os esforços no combate às chamas, em vez de se discutir as causas do incêndio e as possíveis responsabilidades pela tragédia. “A prioridade agora é o combate ao fogo e o apoio às vítimas e às famílias”, assinalou o chefe de Estado no centro de operações instalado na localidade de Avelar.

Costa falou na noite de domingo, em meio a montanhas devastadas e acinzentadas, para explicar que o objetivo primordial dos trabalhos de resgate é salvar vidas, e depois as casas. Suas palavras foram dirigidas aos líderes dos municípios afetados, que se sentiram desprotegidos quando mais necessitavam da ajuda estatal. As casas de Caniçal, da Figueira e de muitas outras aldeias arderam sem que nenhum bombeiro aparecesse por ali. Não há homens suficientes para combater as chamas que no domingo voavam e nesta segunda-feira brotam da terra.

“A topografia é o mais importante, para mim o vento ocupa um segundo plano”, explica Aitor Soler, oficial do corpo de bombeiros de Madri. Ele chegou à localidade de Chá de Álvares com 32 homens e nove veículos. “O vento gira 360 graus, às vezes isso é bom, outras vezes é ruim, mas a topografia é terrível. Nunca vi nada igual. O acesso é correto, mas depois as inclinações são muito profundas. Hoje não há fogo, mas a terra está quente, fumegante, e se alcançar outro vale, começa de novo.”

A segunda-feira correu estranhamente calma, como nos filmes de terror, com o silêncio que precede o susto. A temperatura caiu, chove ocasionalmente, há menos vento, mas os hidroaviões não puderam decolar por causa das nuvens de fumaça, e a terra está muito quente. Na noite de domingo, o fogo irrompeu por Gois e surgiram focos pelos montes de Coimbra, Leiria e Castelo Branco.

O balanço se mantém em 63 mortos, mas os bombeiros indicam que há mais, dizem que embora tenham aparecido mais cadáveres, não há novas cifras.

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