Herman Benjamin: infatigá na busca das provas e da verdade…


..Marcelo e Emílio: condutores da “manada de elefantes da Odebrecht”

ARTIGO DA SEMANA

Do TSE à Papuda: elefantes e fios desencapados em Brasília

Vitor Hugo Soares

“O pau que bate em Chico deve bater também em Francisco”, proclama o ministro-relator, Herman Benjamin, escandindo calmamente cada palavra, com destreza de hábil esgrimistas verbal, apesar da rouquidão causada pela gripe inclemente que o ataca há dias, além de adversários explícitos ou mal disfarçado à sua volta, que o interrompem a cada instante para levá-lo à exaustão. Ou fazê-lo fraquejar na apresentação de indícios, provas e argumentos na relatoria do processo, sem precedentes na história da justiça eleitoral brasileira, pedindo a cassação da chapa Dilma (PT)-Temer (PMDB), nas presidenciais de 2014. O ex-vice, agora encastelado no poder, balança, mas faz das tripas coração para não desabar e recebe sinais de que as manobras parecem dar resultados, a deduzir pela decisão da maioria dos julgadores (4 a 3) de retirar do processo as provas arrasadoras da delação da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura.

Sem gritos, sem chiliques, sem presepadas (para usar uma expressão típica do baianês), Benjamin protesta. E cita o ministro Gilmar Mendes, sentado ao seu lado, na presidência do julgamento transcendente. “Essa ação não poderia existir sem a inclusão da matriarca chefe dessa manada de elefantes predadores das savana, que é a Odebrecht”. E relata com fatos, gráficos e depoimentos, longos anos ininterruptos de atuação corrupta e corruptora do mega-império do setor privado, em amplo e irrestrito conluio com governos, políticos, gente de altos e baixos escalões do poder público, como vai ficando cada dia mais flagrante para a sociedade brasileira, e para o mundo, nestes dias temerários de circulantes malas recheadas de propinas, ou a título de régias “aposentadorias” pa gas aos donos do poder, para quando a queda acontecer, se acontecer.

Quinta-Feira junina, 8, segundo dia do julgamento da chapa Dilma-Temer, no Tribunal Superior Eleitoral. Em Brasília, desde a reabertura dos trabalhos na corte eleitoral, os choques são freqüentes, contínuos e atingem até mesmo quem se protege calçado em sapatos com reforçadas solas de borracha. É nítida, desde a véspera, a tensa sensação de cargas elétricas de altas voltagens, soltas no ambiente já bastante carregado do Tribunal, e em todo o seu entorno, no planalto central do país. Tensão que se amplifica à medida que o julgamento avança para o seu clímax, na sexta-feira, 9, da trezena do glorioso Santo Antônio, padroeiro da minha aldeia nordestina na beira do Rio São Francisco, cujos devotos (e ateus que acreditam em milagre s, a exemplo do jornalista que assina este artigo), acreditam capaz de operar coisas as mais surpreendentes. Principalmente, quando se trata da palavra e da capacidade de resistência aos embates. Mas essa é uma história que, pelo andar do andor , vai exigir novos capítulos.

Pisa-se com muito cuidado e preocupação. Não só na sala de julgamento do TSE, mas em muitos outros ambientes da capital do poder. Mesmo que muitos não enxerguem – além de elefantes de patas e trombas ameaçadoras, – há também muitos fios desencapados submersos e espalhados por diversos lugares, assim como, perigosamente, acontece nas cidades em dias de temporais. No entanto, observando a cobertura, através de um canal privado de TV, o jornalista percebe com alguma nitidez um destes fios de alta tensão, sem a devida capa protetora, “largado” no meio do julgamento.

Metaforicamente refiro-me ao carro preto da Polícia Federal, acompanhado de reforçado comboio de segurança, que conduz o ex-deputado Rocha Loures, da sede da PF no Distrito Federal, para uma cela no complexo penitenciário da Papuda, a uns 30 quilômetros de distância do Palácio do Planalto, onde há pouco tempo “o homem da mala” trabalhava na secretaria particular do presidente Michel Temer, e por onde circulava com plena intimidade e total desenvoltura. Esse perigo evidente torna mais fácil entender o temor que paira dentro e fora do complexo palaciano (Planalto, Alvorada e Jaburu), apesar de todo otimismo que o mandatário tenta vender em seus mais recentes pronunciamentos. Ou nos sorrisos presidenciais que mais parecem rictus, nas imagens publicadas dentro e fora do Brasil.

Por falar em resistência, fios energizados e choques, o relator “não sucumbe”, apesar dos insidiosos apartes de alguns de seus pares, somados aos sucessivos ataques da gripe e seus derivados incômodos – tosse, coriza , rouquidão e mal estar. Herman Benjamin resiste, talvez inspirado no modelo de outro juiz exemplar, que surpreendentemente aparece sentado na primeira fileira de cadeiras, no auditório do julgamento, na sede do TSE: o ministro aposentado Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-relator de processo histórico da justiça brasileira: o Mensalão. Que Barbosa levou à termo apesar dos dolorosos e lancinantes ataques da coluna.

Provavelmente, a presença de Joaquim Barbosa no tribunal, – que ele também presidiu, – depois de mais de três anos de sumiço, (sem sair da memória popular, como atesta seu notável desempenho de aprovação nas pesquisas de preferência, entre prováveis postulantes à presidência, em 2018) terá significado que vai muito além do natural interesse jurídico. Mas ainda está distante do parco entendimento deste jornalista. Quem quiser, arrisque o seu palpite. A conferir.

O relator termina a sua exposição e dá o seu voto pela cassação da chapa Dilma-Temer, antes mesmo da suspensão do julgamento na hora do almoço.

Antes de seu previsível desfecho, com o voto dos demais ministros, O Globo publica um curto e certeiro comentário: “Na sessão desta tarde, os demais ministros vão proferir seus votos. A expectativa é por um placar de 4×3 pela absolvição da chapa. Não à toa, o acertado pelo plenário é que cada ministro só fale por 20 minutos. Não há muito o que dizer depois do voto histórico de Herman Benjamin”.

Nada a acrescentar, qualquer que seja o resultado.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 10 junho, 2017 at 10:45 #

Temos a manada de elefantes da Odebrecht. Essa subjuga outras manadas famintas que procuram “alimentos” (principalmente verdinhos) em partidos, Petrobras, Eletrobras, Nuclebras, frigoríficos, bndes. São tantas a manadas que o Estado está morrendo de inanição. Não suporta mais ser chupado.


Taciano Lemos de Carvalho on 10 junho, 2017 at 17:07 #

O jacaré, o gato e o julgamento do TSE nas asas do WhatsApp

É peludinho, anda nos telhados, bebe leite, tem bigodinho, brinca com novelo de lã, tem 4 patas e faz miau. O que é isso Gilmar Mendes?

Resposta: Não há evidências de que seja um gato. Voto pela exclusão do bigodinho e digo que é um Jacaré.

Mas excelência, jacarés não bebem leite nem sobem em telhados…

Resposta: esses dados foram divulgados somente depois da petição inicial e quando alguém já tinha colocado o jacaré no telhado.

E o fato de ele beber leite?

Resposta: sob pressão as pessoas fazem coisas inimagináveis.


Taciano Lemos de Carvalho on 10 junho, 2017 at 17:14 #

Ainda do WhatsApp

Nova súmula vinculante do TSE:
“São consideradas desproduzidas as provas produzidas, caso interfiram no que não devem interferir”


Taciano Lemos de Carvalho on 10 junho, 2017 at 18:00 #

Leia a íntegra de nota oficial assinada pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia sobre a suspeita de espionagem do Executivo contra Fachin, ministro do STF

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=346279


Taciano Lemos de Carvalho on 10 junho, 2017 at 18:01 #

Nota de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, sobre a suspeita de espionagem do governo contra o ministro Fachin

http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/nota-do-procurador-geral-da-republica


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