Eleições limpas ou o teste da farinha já

Janio Ferreira Soares

Encontro o sempre bem-humorado Tico, gay assumido e com um raciocínio, como diria um amigo antenado, “absurdamente the flash”, caminhando numa rapidez anormal. Nos cumprimentamos e lhe pergunto o motivo de tanta correria. Ele, sem perder a verve, cantarola “me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios…”, e antes que eu me anime a seguir com os versos da canção, completando: “qual, não tem de quê, eu também só ando a cem!”, ele diz que está indo fazer uns exames médicos para começar num novo emprego. Desejo-lhe boa sorte e ele me puxa num canto como se fosse dizer uma coisa seríssima e indaga: “você tem algum conhecido na clínica?”. Quando me preparo para responder acreditando na veracidade do fato, o gaiato emenda: “É que eu tô muito nervoso porque soube que hoje é o dia do teste da farinha e aí já viu, né?, é pau na certa!”.

Rimos muito e antes dele sumir na poeira das ruas, conclui: “Moro devia era fazer esse teste com uns bonitinhos da Lava-Jato que querem se candidatar pra se livrar da cadeia. Aposto que a maioria ia tremer na base! A propósito, escreva algo sobre isso, mas cuidado, hein, pois alguns leitores podem não gostar!” (aproveito e abro este parêntese para dizer aos defensores dos políticos citados que é melhor parar por aqui, pois fã que sou dos escritos de Jorge Amado, João Ubaldo, Fernando Vita, Juan Pedro Gutierrez, Carlos Zéfiro, Boccaccio e demais penas que diante de um bom mote tendendo à esbórnia nunca vacilaram, seguirei a sugestão, até porque o que essa turma fez – somado ao atual momento “reizinho da toga preta” de Gilmar Mendes – transforma este texto numa fábula de Esopo. Saudemos, pois, a mandioca!).

Antes, quero dizer que diante das opções: 1) Temer fica; 2) Temer sai e o congresso elege alguém; 3) Diretas Já; cravo na terceira, com uma ressalva: nenhum dos envolvidos pode participar da eleição. Porém, pela sinalização do TSE, a tendência é partirmos para a esculhambação geral da nação, fato que me fará aderir mais ainda à proposta de Tico. Aliás, já tenho até uma ideia da marca que será estampada nas camisetas e cartazes do movimento, que terá desenhos de Lula, Aécio, Serra, Dilma, Alckmin e afins completamente nus diante de uma bacia, com a frase: Farinha Já, Meu Pilão Primeiro, onde cada um, com seu farinheiro na mão, espera a vez de se acocorar para carimbar sobre o produto, como direi… aquela recôndita parte do corpo que nunca viu a luz do sol, cujo molde será minuciosamente avaliado por peritos com lupas a laser, que no final darão o veredito atestando – ou não – a existência da prega-mestra, devidamente acompanhada dos raios secundários que comandam todo o mecanismo furicular do candidato em questão. E que vença o melhor. Se Gilmar deixar

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

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