BOA TARDE!!!

DO EL PAÍS

Pablo Guimón

Londres

A primeira-ministra Theresa May afirmou, na manhã deste domingo, que os três ataques terroristas realizados nos últimos três meses em território britânico estão unidos pela “ideologia do islamismo extremista”. Em pronunciamento feito à frente do número 10 da Downing Street, após uma reunião extraordinária de seu comitê de segurança, May anunciou que haverá uma reestruturação na estratégia antiterrorista do Governo para “derrotar uma das grandes ameaças do nosso tempo”.

Suas declarações foram feitas doze horas depois do novo atentado ocorrido no centro de Londres, em que três homens atropelaram com uma van dezenas de pedestres ao lado da London Bridge, avançando, em seguida, até as imediações do Borough Market, onde esfaquearam vários inocentes. O ataque deixou sete mortos além dos três terroristas e 48 feridos, alguns dos quais ainda se encontram em estado grave, segundo confirmou a própria primeira-ministra. Doze pessoas foram presas neste domingo, segundo a polícia, por terem relação com o ocorrido.

“Não podemos achar que as coisas podem continuar como estão”, disse May. “Derrotar esta ameaça é um dos grandes desafios do nosso tempo”, afirmou, “e não podemos vencê-la apenas com uma intervenção militar”. Trata-se, segundo May, de uma ideologia que entende “equivocadamente” que “os nossos valores são incompatíveis com o islamismo”. Para a primeira-ministra, é necessário combatê-la convencendo as pessoas de que nossos valores são melhores.

May defendeu também a necessidade de não entregar aos terroristas “o espaço de que necessitam para crescer”. E isso, acrescentou, lhes é proporcionado pela internet. A primeira-ministra fez um apelo para que se aumentem os esforços da comunidade internacional para controlar o extremismo na internet. “E, dentro de casa, devemos fazer tudo que pudermos para diminuir os riscos trazidos por esse extremismo online”, afirmou, referindo-se à proposta que levou à reunião do G7 no mês passado em Taormina (Itália).

Segundo a ministra, é necessário, ainda, negar aos extremistas “esse espaço seguro no mundo real”. É preciso combater o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, disse May, mas também dentro de casa. “Há uma tolerância excessiva com o terrorismo dentro da nossa casa”, afirmou. “Temos de ser mais contundentes no momento de identificar e de apontar [essa tolerância com o extremismo] no setor público e em toda a sociedade”.

Por último, May defendeu a necessidade de reestruturar a estratégia antiterrorista “a fim de garantir à polícia os meios de que ela necessita”. “Devemos aumentar o tempo de duração das detenções por crimes relacionados ao terrorismo, e é o que faremos”, anunciou.

A primeira-ministra afirmou que os acontecimentos recentes mostram que os autores dos atentados “copiam uns aos outros”. “O terrorismo alimenta a si mesmo, e os autores passam à ação não com base em planos cuidadosamente preparados, mas sim copiando uns os outros”, acrescentou.

O ato deste sábado foi o terceiro atentado terrorista em território britânico em menos de três meses. Há 12 dias, um terrorista suicida acionou uma bomba na saída de um show de Ariana Grande em Manchester, deixando 22 pessoas mortas. Em 22 de março, houve, em Londres, um atentado que guarda muitas semelhanças com o incidente deste sábado. Naquela ocasião, um homem atropelou dezenas de pedestres na ponte de Westminster e depois se jogou contra o muro do Parlamento. Cinco pessoas morreram, além do terrorista. Nesse mesmo período de 72 dias, a polícia, segundo o ministério do Interior, conseguiu impedir a efetivação de outros cinco atentados.

O ataque junto à ponte de Londres se deu a poucos dias das eleições gerais, marcadas para a próxima quinta-feira. A primeira-ministra confirmou que a campanha, suspensa pelos principais partidos, será retomada nesta segunda-feira e que as eleições serão realizadas como o previsto, pois “não se pode permitir que a violência interrompa o processo democrático”.


Conservatória: a Cidade das Serestas

ARTIGO

Culto à música acima da política

Lúcia Jacobina

Neste último sábado de maio, numa cidadezinha localizada no Interior do Rio de Janeiro, a música, através de seus cantores e instrumentistas, propiciou aos visitantes, entre os quais me incluí junto com amigos, distanciar-se momentaneamente do demolidor noticiário televisivo para cantar a plenos pulmões seresta, choro e samba-canção, nos festejos do “Dia do Seresteiro”, em Conservatória. A cidade continua a corresponder àquela destinação que dizem ser a origem de seu nome:por seu excelente clima e pela proteção das montanhas, foi o território escolhido como refúgio pelos índios Araris para se recuperar de doenças que dizimavam outras tribos, antes de eles próprios sucumbirem ao extermínio dos invasores e, por isso mesmo, denominado “Conservatório dos índios”.

A tradição da seresta foi ali iniciada no século passado por um grupo de violeiros apaixonados desfilando pelas ruas da cidade para cantar e declamar poemas dedicados a suas amadas. Essacantoria terminou agradandoa vila inteira, tanto que perdura até hoje, nas noites de sexta e sábado e nas manhãs de domingo.Durante a caminhada, violeiros vão parando de porta em porta para homenagear os moradores, cujas casas são identificadas não com placas numéricas, mas com o nome da canção preferida dos proprietários. Essa é a programação oficial, o que não impede que vários restaurantes tenham música ao vivo no almoço e jantar e que algumas pousadas ofereçam também aos seus hóspedes canto e instrumental durante as refeições.

O turismo é atualmente elemento propulsor da economia local, que já viveu a prosperidade do cultivo do café e hoje sobrevive de música e artesanato. A fama de suas serenatas foi se propagando e não somente os cariocas e paulistas, mas turistas das mais diversas procedências visitam a cidadezinha que parece ter parado no tempo, com seu calçamento originário feito de pedras de pé-de-moleque e seu casario colonial do século XVIII. Situada na Serra do Rio Bonito, a altitude lhe propicia também um clima ameno, principalmente no outono e no inverno.Dentre as atrações do culto à música, há o Museu da Seresta, com um acervo variado de pertences de Vicente Celestino e Gilda Abreu, Nélson Gonçalves, Herivelto Martins Jorge Goulart e Nora Ney, Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito, compositor carioca de inesquecíveis sucessos, dentre os quais se destacam “O Mundo é um Moinho” e “Folhas Secas”.

A comemoração do “Dia do Seresteiro” revelou-se uma excelente oportunidade para prestigiar o elenco de artistas locais, composto de excelentes cantores e compositores que, apesar do talento, não teve oportunidade de se tornar conhecido do grande público, fato lamentável porque todo ele integrado por vozes privilegiadas e exímios instrumentistas relegados ao anonimato no resto do Brasil.Triste ironia do destino que premia uns e posterga outros sem explicação convincente. Mas um detalhe não passou despercebido, artistas e público reunidos em Conservatória naquela oportunidade louvavam a verdadeira música e as tradições brasileiras, como uma manifestação autêntica e legitimamente popular, sem estar contaminada pelo nocivo patrocínio político que mais desfigura do que incentiva. A animação estava presente nas ruas, praças, bares, restaurantes; ali a bebida era da livre escolha do cliente, sem a ostensiva presença do capital e os profissionais da política não tiveram oportunidade de utilizar o evento para promoção pessoal. Em Conservatória, a música não cedeu o palco para a política.

Um último registro deve ser feito a fim de completar a descrição do leque de atrações da cidade onde parece que se respira música no ar. Um apaixonado cultor da sétima arte instalou no quintal de sua casa um espaço de nostalgia, o Cinema Centímetro, cuja sessão única acontece todos os sábados eexibe clips de musicais americanos dos anos 50 e 60. A edificação constitui uma réplica reduzida do antigo Cine Metro Tijuca, inaugurado no Rio de Janeiro em 1941 e demolido em 1977. Essa volta no tempo, está assegurada também pelos objetos originais do antigo cinema, como móveis, tapetes, lustres, bilheteria, projetores e até a carrocinha de pipoca, como se vendia antigamente para ser consumida fora da sala de projeção. Lá dentro, o ambiente induz o espectador a se concentrar no som e nas imagens da tela, habitat perfeito para o cinéfilo.

Impossível não notar, em meio a tanta beleza, a falência visível do estado duramente atingido pela corrupção, na pobreza do comércio local, nas vias de acesso precárias, na impossibilidade até de sacar dinheiro nos caixas eletrônicos dos bancos destruídos pelo banditismo. Fiel a sua tradição, entretanto, a cidade permanece um testemunho da resistência do povo brasileiro honesto, alegre e realizador.

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.


Michel Temer gesticula ao lado de Rodrigo Rocha Loures
durante ato em maio de 2014 em Curitiba. Getty

DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

“Eu duvido que ele faça uma delação. E duvido que ele vá me denunciar”, especulou o presidente Michel Temer em entrevista publicada pela revista Istoé horas antes de o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures ser preso pela Polícia Federal em Brasília. Quando Temer concedeu a entrevista, Loures, a quem o presidente se referia como “uma pessoa decente”, ainda não havia sido preso. O peemedebista, que completou em maio um ano no comando do país, disse que Loures não tem motivo para delatá-lo, “porque não seria verdade”, mas emendou: “Nunca posso prever o que pode acontecer se eventualmente ele tiver um problema maior, e se as pessoas disserem para ele, como chegaram para o outro menino, o grampeador (Joesley): ‘Olha, você terá vantagens tais e tais se você disser isso e aquilo’. Aí não posso garantir”.

É nessa situação de incerteza que o presidente vai enfrentar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima terça-feira o processo que pode cassar a chapa em que foi eleito junto com a ex-presidenta Dilma Rousseff. Essa incerteza se soma à sensação de que os investigadores da Operação Lava Jato vão se aproximando cada vez mais de Temer, já constrangido publicamente pela divulgação de uma gravação em que manteve conversa pouco republicana com o empresário Joesley Batista, do grupo J&F. Tido como “homem de confiança” do presidente, Rocha Loures foi preso neste sábado após ser flagrado pela polícia correndo com uma mala de dinheiro, já entregue à polícia.

Loures não é o primeiro homem próximo a Temer a cair nas teias da Lava Jato. Desde o início de seu Governo, o presidente vem assistindo a assessores ou políticos próximos sucumbirem às investigações. O primeiro deles foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi forçado a deixar o Ministério do Planejamento logo nos primeiros dias de Governo, por conta da publicação de gravações feitas pelo ex-senador Sérgio Machado. Meses depois, seria a vez de Geddel Vieira Lima, muito próximo a Temer, deixar a Secretaria de Governo após polêmica com o então ministro da Cultura, Marcelo Calero. Essa baixa, pelo menos, não se pode atribuir à Lava Jato.

Apenas um mês depois de Geddel ser abatido por fogo amigo, o assessor especial da presidência José Yunes renunciaria ao seu posto Governo após seu nome ser citado em delação de um ex-diretor da Odebrecht. Mais recentemente outro assessor de Temer foi exonerado, mas apenas depois de ser preso. Tadeu Filippelli foi detido sob a acusação de participar de um esquema de corrupção nas obras de reforma do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, para a Copa do Mundo. Esses dois foram diretamente afetados pela maior operação policial da história do Brasil.

É nessa situação, cercado por todos os lados, que o presidente, cuja investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin, enfrenta nesta semana o TSE. Para aqueles que acreditam que o veredicto da corte dependerá da força política do presidente no momento do julgamento, a notícia de que um dos assessores mais próximos de Temer foi preso não é alvissareira para o chefe do Palácio do Planalto. Ainda mais quando o próprio presidente demonstra receio em relação a uma possível delação premiada de Rocha Loures.

Sorria ( e pense)! No Bahia em Pauta!

BOM DOMINGO

(Gilson Nogueira)

jun
04


Lula e Gleisi no congresso nacional do PT

DEU NO PORTAL TERRA BRASIL

O PT ratificou neste sábado seu respaldo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indiciado em cinco causas penais, e exigiu a renúncia do presidente Michel Temer, também investigado por casos de corrupção.

No encerramento de seu 6° Congresso Nacional, o PT também renovou seus quadros e elegeu como nova presidente a senadora Gleisi Hoffmann, investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava-Jato.

Na mesma situação estão outros dirigentes históricos do PT, como o marido de Gleisi, Paulo Bernardo Silva, e o próprio Lula, que viu hoje sua situação jurídica agravada pelo Ministério Público, que pediu que seja condenado à prisão por “corrupção passiva qualificada” em um das cinco causas penais abertas contra eles.

Também é investigado o senador Lindbergh Farias, que disputou a presidência do PT com Hoffmann, eleita com 60% dos votos dos 593 delegados.

Em relação a Lula, o PT exigiu em um dos seus documentos o fim da “perseguição judicial” contra seu fundador, sobre a qual, e na mesma linha que o ex-governante, assegurou que obedece a “planos da direita” para impedir que volte a ser candidato presidencial nas eleições previstas para outubro de 2018.

O próprio ex-presidente insistiu em sua inocência em um breve discurso durante o encerramento do congresso do PT.

“Em qualquer lugar do mundo, a Justiça precisa ter provas para poder julgar ou condenar alguém. Mas no Brasil de hoje, é você que tem que demonstrar que é inocente”, declarou Lula.

Mesmo diante desse cenário, Hoffmann disse logo após ser eleita como a primeira mulher presidente do PT que o partido não planeja fazer uma autocrítica, como exigem até algumas das suas facções internas.

“Não somos organização religiosa, não fazemos profissão de culpa, tampouco nos açoitamos. Não vamos ficar enumerando os erros que achamos para que a burguesia e a direita explorem nossa imagem”, destacou a senadora.

Temer, que é alvo de uma investigação no STF pelos supostos delitos de corrupção passiva, obstrução à justiça e participação em organização criminosa, foi o alvo preferido em todos os discursos durante o congresso do PT, que exigiu sua renúncia ou destituição.

Nos documentos aprovados no evento foi estabelecido que, em caso da queda do governante, o PT pressionará por eleições diretas e não aceitará que seja o Congresso, como estabelece a Constituição, que escolha seu sucessor.

Nesse sentido, o PT já apresentou um projeto de emenda constitucional para permitir essa eleição direta em caso de ausência do governante nos três últimos anos do mandato, como é o caso.

No entanto, o PT e a oposição são minoria no Congresso, em que há uma muito clara maioria a favor da eleição indireta, e que também rejeita a possibilidade de modificar a Constituição.

Nos documentos aprovados hoje, o PT aceitou implicitamente que a emenda que propõe não será aprovada e proibiu de forma expressa que os seus deputados e senadores participem de uma eventual eleição indireta.

Diferente de Lula, classificado como “perseguido político”, o PT considera que contra Temer existem “provas cabais” que o implicam em atos de corrupção.

Em coincidência com o encerramento do Congresso Nacional do PT, a polícia prendeu hoje o deputado Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer diretamente vinculado ao caso pelo qual o presidente é investigado.

Segundo o líder do PT na Câmara de Deputados, Carlos Zarattini, essa detenção mostra que “o governo acabou ” e que a crise que cerca Temer “já é insustentável”, razão pela qual o partido deve iniciar “o mais rápido possível” uma “forte campanha” para levar o país a eleições diretas.

jun
04
Posted on 04-06-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-06-2017


Jarbas, no Diário de Pernambuco (PE)


Fachin cita Gilmar: “Há confissão sobre existência e conteúdo da conversa, suficiente para comprovar o fato”

O ministro do STF Edson Fachin citou a decisão de Gilmar Mendes sobre o áudio de Lula e Dilma Rousseff de 2016 para justificar o uso da gravação de Joesley Batista com Michel Temer na decisão de acatar o pedido de prisão de Rocha Loures, o homem da mala do atual presidente.

Eis o trecho reproduzido pelo Globo:

“Quanto a alegação de ilicitude na gravação em razão de suspeitas de que seu conteúdo teria sido corrompido, compreendo prematura qualquer consideração a respeito diante do fato segundo qual a perícia oficial ainda não foi concluída. Ainda que se possa partir desse pressuposto, considero assistir razão ao eminente ministro Gilmar Mendes, quando, ao apreciar situação análoga, por ocasião da decisão sobre a medida cautelar em mandado de segurança 34.070, em que se discutia a validade de áudio captado entre a então presidente da República e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em momento que já não mais vigorava decisão judicial amparando a gravação, com acerto, assentou, sem grifos no original que (…) ‘no momento, não é necessário emitir juízo sobre licitude da gravação em tela. Há confissão sobre existência e conteúdo da conversa, suficiente para comprovar o fato’.”

Quem mandou os presidentes confessarem, não é mesmo?

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