Protesto contra Temer em Copacabana neste domingo. JULIO CESAR GUIMARAES REUTERS

DO EL PAÍS

Maria Martin

Rio de Janeiro

A praia de Copacabana mudou de cores neste domingo. Cenário principal dos protestos anti-PT que ajudaram a derrubar a presidenta Dilma Rousseff, o calçadão, um dos mais famosos do mundo, acolheu milhares de pessoas sob a neblina e o lema “Fora Temer” e “Direitas Já”. Convocado por sindicatos e partidos de esquerda, o ato, que começou às 11h da manhã, promete se estender até a noite com performances de Caetano Veloso, Criolo, Milton Nascimento, Mano Brown e Maria Gadú.

A manifestação foi um exercício de união das diferentes correntes da esquerda, que busca a ocupação das ruas e nomes além do ex- presidente Lula, líder da corrida eleitoral, segundo as pesquisas. Essas forças sabem que a pressão das ruas é a única forma de conseguir que o Parlamento não eleja o próximo presidente, no caso de uma destituição do presidente. Fora algumas divergências, vários pontos em comum são inegociáveis para os manifestantes: Temer não pode continuar a ser o mandatário máximo da nação; o Congresso, com cerca de 60% dos seus deputados condenados ou investigados, não tem legitimidade para escolher um novo presidente; a luta não termina com uma eleição direta, mas com a derrubada das reformas liberais que dominam a agenda política em Brasília.

Os manifestantes defenderam também suas diferenças e, sobretudo, a preocupação pela falta de alternativas que lhes representem. O casal formado pela servidora pública Regina Rangel, 47, e o analista de sistemas Rogério Costa, 41, curtia junto o espetáculo, mas com apenas um lema em comum: “Fora Temer”. Rogério está preocupado pelos efeitos que pode ter na credibilidade do Brasil um mudança da Constituição e preferiria “aguentar” um candidato não eleito pelo povo do que uma eleição direta, pois não saberia em quem votar. “Eu gostaria de ver a Joaquim Barbosa na eleição. É uma encruzilhada, porque eleição direta eu acho que não é a solução, mas indireta é ainda pior”, diz. Sua mulher Regina, simpatizante do PT, concorda que chegar às eleições direitas pode ser um caminho de pedras, mas prefere as dificuldades a relegar a escolha ao Congresso. Se pudesse, ela votaria em Lula. “Não vejo como esses parlamentares corruptos podem eleger um presidente”, afirma.

No caso de Temer deixar a presidência, seja via renúncia, cassação ou impeachment, a Constituição prevê que as eleições sejam feitas pelo colégio eleitoral (513 deputados e 81 senadores). Uma eleição direta depende de uma alteração da Constituição, alternativa já relatada em duas propostas que precisariam ser votadas pelo Congresso.

“Uma grande parte dos parlamentares que podem dirigir o rumo do país estão sendo investigados, qual a coerência disso?”, questiona a produtora cultural Vera Schröeder, de 43 anos. “O movimento de Direitas Já é muito válido, muito mais do que o Parlamento escolher o novo presidente. O problema da falta de candidatos que nos representem, seja agora como em 2018, não é suficiente para não defender a eleição direita”, completa a educadora Renata de Oliveira, 39.

Às 16h, o ator Wagner Moura apareceu como mestre de cerimônias e levantou o público, aos gritos de “1, 2 3 4 5.000, queremos escolher o presidente do Brasil”, com Mano Brown, Pedro Luiz, Criolo, e Milton Nascimento na retaguarda do trio elétrico. “Esta não é uma festa da esquerda ou da direita”, disse Moura antes de começarem as atuações artísticas da tarde, “é uma festa pela democracia”.

Be Sociable, Share!

Comentários

Vanderlei on 29 Maio, 2017 at 7:56 #

Qualquer solução fora da constituição é um atentado a democracia. As eleições já estão marcadas para 2018 e ponto final. Até lá cumpre-se a constituição. Ou o Brasil é uma republica bananeira?


Taciano Lemos de Carvalho on 29 Maio, 2017 at 8:26 #

É bonito! É bonito! Viva o povo na rua!

Feio mesmo sãos os governo$ e o nosso (que é só dele$) congre$$o ‘jbsiano’. Taí, inventei uma palavra. E que bem define a grande maioria dos nossos (só dele$) $enadore$, deputado$, governadore$ (16 é maioria), presidente$, ministro$. E vamos parar por aqui, pois a carne no Brasil é fraca. E podre. Muito podre.


Daniel on 29 Maio, 2017 at 19:47 #

Vanderlei tem razão! Triste de quem participou de um fracassado ‘showmicío’ regado a discursos embusteiros e hipócritas!

Aliás, o esforço deste El País para distorcer, atacar e ridicularizar tudo que não estiver de acordo com os ditames da esquerda jurássica, cada dia assume um grau mais patético.

Nos EUA seriam de ponto considerados o mais valoroso representante das “Fake News”.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos