Sergio Moro UESLEI MARCELINO REUTERS


DO EL PAÍS

Opinião

A Lava Jato avança de verdade

Juan Arias

A Lava Jato colocou pela primeira vez na mira não apenas políticos com nome e sobrenome, mas todo um partido, o PP (Partido Progressista), acusado de improbidade administrativa, pedindo a devolução para os cofres de Estado de 2 bilhões de reais. É uma novidade na guerra contra a corrupção. Isso, junto com a condenação do ex-presidente do Congresso Eduardo Cunha a 15 anos de prisão, tudo no mesmo dia, revela que a Lava Jato não demonstra sentir medo frente às possíveis manobras que, contra ela, parecem estar tramando no Congresso com o debate sobre uma lei de responsabilidade que, aprovada nesse momento e às pressas, pode ser vista como uma tentativa de amarrar as mãos dos juízes em sua luta contra a corrupção. A decisão de pedir a condenação de todo um partido e de 10 de seus líderes políticos significa que o juiz Moro e sua equipe avançam de verdade e que o resultado final de suas investigações ainda é difícil de adivinhar.

O PP aparece no grande esquema de corrupção que surgiu do escândalo da Petrobras como um dos que apresenta talvez maior número de políticos acusados. No entanto, no jogo de xadrez político em que se movem as investigações, o PP não deixa de ser um satélite da cena principal. Pelos mesmos motivos que se pede a condenação do PP, a Lava Jato poderá pedir também a do PMDB e, sem dúvida, a do PT, acusado de ter sido o motor e idealizador do grande esquema de corrupção para se perpetuar no poder. Os outros partidos teriam sido convidados do grande banquete.

Aqueles que já criam hipóteses de que a prisão de Cunha e o primeiro pedido de condenação de um partido são apenas os entreatos do grande objetivo de chegar a Lula e seu partido, o PT, como responsável máximo da trama de corrupção, se perguntam até onde quer chegar a Lava Jato. À extinção dos partidos? O promotor Deltan Dallagnol se antecipou ao afirmar que não pretendem “paralisar a ação política”, mas “agarrar os corruptos pelo bolso”. Isso em teoria, porque na prática, poderia levar à dissolução de algumas forças políticas como ocorreu na Itália nos anos 90 com a Operação Mãos Limpas. Decapitados os partidos de seus maiores líderes, para os quais é pedida a perda de cargos e direitos políticos, e com a obrigação de devolver esses valores colossais como multa, para muitos poderia significar um golpe mortal.

Mas a frase de Dallagnol de que a Lava Jato pretende “agarrar os corruptos políticos pelo bolso” terá um forte eco na opinião pública. É só olhar as redes sociais para observar que o mantra das pessoas nas ruas é “que devolvam o que foi roubado”. E isso inclui os políticos como pessoas e os partidos como organizadores. O mínimo que se pode dizer é que a Lava Jato, que sabe que conta com o capital do forte apoio da sociedade na luta contra a corrupção, quis marcar seu território na guerra já nem dissimulada, entre a justiça e uma classe política que é vista como encurralada e no banco dos réus.

Teremos que esperar os próximos passos da Lava Jato e do Supremo para saber o que está sendo preparado para a eleição presidencial do ano que vem, porque as águas não podem estar mais revoltosas e qualquer surpresa é possível. No dia 10 de maio, pela primeira vez, Lula vai se sentar no banco dos acusados para ser interrogado como réu pelo juiz Moro. Talvez seja um ensaio de até onde pode chegar isso que foi chamado de “o fim do mundo” e que ameaça, sobretudo, ser o fim de uma era e de uma classe política. A grande incógnita é quem poderá herdar seus despojos e quem vai ganhar destaque depois do campo arrasado em que se está transformando a política brasileira. Não é um momento fácil nem indolor para o Brasil embora, como já escrevemos outras vezes, depois de cada pôr do sol sempre espera um novo amanhecer.

Se duvida, vá e confira. Garanto que você jamais esquecerá esta estrada de encantos rasgando os Estados Unidos . Na parte da Califórnia, a Route 66 é muito mais do que um sonho.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

Depois de condenar mais de 130 pessoas a um total somado de 1.362 anos, a Operação Lava Jato dirige suas baterias contra um partido político. A força-tarefa que comanda há três anos as investigações em Curitiba apresentou nesta quinta-feira uma ação de improbidade administrativa contra o Partido Progressista (PP) para tentar reaver 2 bilhões de reais aos cofres públicos. A ação também pode levar à suspensão de direitos políticos de dez filiados do partido, assim como à perda de seus direitos a aposentadoria especial. E, a julgar pelo que disseram os procuradores em entrevista coletiva, o PP não deve ser o único partido confrontado formalmente pela Lava Jato.

Segundo o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, o objetivo da ação ajuizada no dia 22 de março é desestimular a prática futura de crimes. A medida é inspirada na Lei Anticorrupção, que prevê sanções para empresas, mas não para partidos políticos — o PP é a primeira legenda a ser formalmente responsabilizada. Questionado por jornalistas em uma entrevista que retomou de forma mais discreta o uso do PowerPoint — muito criticado quando da apresentação de denúncia contra o ex-presidente Lula —, Dallagnol disse que “é possível e vai ser avaliado no momento oportuno” a sanção a outros partidos. Além do PP, PT e PMDB protagonizam os ilícitos que a Lava Jato revela ao país desde 2014.

E por que logo o PP foi o primeiro partido a ser confrontado formalmente? Os procuradores explicaram que as investigações sobre os ilícitos na Petrobras começaram a partir da diretoria de Abastecimento da estatal, que estava vinculada ao PP por meio de seu então diretor, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. As primeiras ações de improbidade da operação — que tiveram como alvo agentes públicos e empresas — estavam vinculadas a essa diretoria, justificaram os membros da força-tarefa. E, ainda segundo os procuradores, a ação divulgada nesta quinta-feira foi “um amadurecimento natural das investigações”.

No caso do PP, os investigadores tratam de dois esquemas de desvios de verbas da Petrobras — um deles envolve contratos vinculados à diretoria de Abastecimento, enquanto o outro se refere a benefícios em prol dos interesses da Braskem, empresa do Grupo Odebrecht. São mencionadas na ação 11 pessoas, entre elas o ex-deputado Pedro Corrêa (que foi condenado tanto pelo mensalão quanto pelo caso Petrobras) e os deputados federais Nelson Meurer (PP-PR) e Arthur Lira (PP-AL). As provas apontam integrantes da bancada do PP na Câmara como beneficiários de propinas no âmbito da Petrobras — alguns deles teriam recebido “mesada” de R$ 30 mil por mês, por mais de sete anos.

Os procuradores da Lava Jato destacaram que a ação foi apresentada de modo a não prejudicar o “exercício pleno da atividade partidária”, ressaltando que não houve pedido de bloqueio do fundo partidário. “Valores do fundo partidário não podem ser penhorados. Oferecer essa ação não é uma opção. É seguir a lei. E a lei deve valer para todos. Pessoas jurídicas devem estar sujeitas a sanções dessa lei de improbidade. Existem várias provas de que o partido incorreu nessas práticas por meio dessas lideranças e foi beneficiado”, justificou Dallagnol.

O PP foi base do Governo Dilma Rousseff — servindo inclusive como anteparo contra o impeachment por algumas semanas — e, após a queda da presidenta, virou base do Governo Michel Temer, com direito a comandar o Ministério da Saúde. O atual líder do Governo na Câmara, aliás, é do PP: o ex-ministro do Governo Dilma (Cidades) Aguinaldo Ribeiro. Além dos danos ao próprio partido, portanto, a ação divulgada nesta quinta-feira deve aumentar o clima de tensão em uma Brasília já assombrada pela iminente divulgação da nova lista de políticos investigados pela Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

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31
Posted on 31-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2017

ou
Mário Alberto, no blog do jornal esportivo LANCE

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Posted on 31-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Cunha adere ao mesmo chororô de Lula e companhia

Após ser condenado a 15 anos e 4 meses de prisão, Eduardo Cunha afirmou que o juiz Sergio Moro “quer se transformar em um justiceiro político”, informa a Folha. O ex-deputado também repetiu a ladainha de sempre: Moro quer usá-lo como “seu troféu em Curitiba”.

Do Complexo Médico Penal, Cunha escreveu: “Esse juiz não tem condição de julgar qualquer ação contra mim, pela sua parcialidade e motivação política”.

Curioso isso… Os petistas juram que a Lava Jato persegue o PT e a Lula. O Cunha jura que Lava Jato persegue a ele. O PP também estaria sendo perseguido pela Lava Jato?

É uma perseguição total, ou nenhuma perseguição?

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