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Postado em 28-03-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-03-2017 00:13


Teresa González fez da calçada uma venda onde tem até camisinha.
M. R.


DO EL PAÍS

Teresa González fez da calçada uma venda onde tem até camisinha. M. R.
Marina Rossi

Santa Elena de Uairén (Venezuela)

Em uma ponta de Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana que faz fronteira com o Brasil, a instrutora de dança Teresa González, 28, montou uma pequena banca. Ali, ela vende pó de café, açúcar, medicamentos, sabão em pó, macarrão e sabonetes. Parte desses produtos são brasileiros, comprados a um preço mais baixo do outro lado da fronteira na cidade de Pacaraima, em Roraima. “O macarrão não, porque o nosso macarrão é melhor”, diz, orgulhosa. Mas o preservativo, sim. Por 1.500 bolívares (cerca de 1,40 reais), é possível comprar uma unidade do pacotinho roxo com o símbolo do Ministério da Saúde brasileiro e os dizeres “venda proibida”. “Eu não vendia, mas tem um hotel aqui na frente e sempre vinha gente perguntar se tinha”, conta Teresa. “Aí eu vi gente distribuindo em Pacaraima, peguei e coloquei à venda”.

Na banca de Teresa, montada de improviso na calçada do outro lado da rua onde mora, há uma máquina de contar cédulas de dinheiro. O que não significa que a professora de dança lucra muito com o que vende. Essas máquinas são um item básico em Santa Elena, cidade com cerca de 30.000 habitantes, a mais de 1.200 quilômetros de Caracas. A inflação é tamanha que para comprar um saco de pó de café produzido na Venezuela é preciso desembolsar 80 notas de 100 bolívares.

Na noite anterior, a caixa de um bar pesava pequenas pilhas de notas para conferir o pagamento da conta. A balança faz as vezes do contador de cédulas, do mesmo jeito que bolsas e mochilas substituem uma carteira. Não há espaço num bolso de calça para levar as cédulas suficientes para tomar umas cervejas no final do dia. Para pagar a conta de um almoço para quatro pessoas em um restaurante, foram deixadas quatro pilhas de cédulas sobre a mesa para somar os 87.000 bolívares da conta. Cerca de 21,75 reais por pessoa.
Quantidade de notas necessárias para pagar um almoço para 4 pessoas: cerca de 21, reais por pessoa. ampliar foto
Quantidade de notas necessárias para pagar um almoço para 4 pessoas: cerca de 21, reais por pessoa. M. R.

Perto dali, num supermercado administrado por chineses, um homem carregava um balde enorme, desses de lixo, no ombro. Levava até uma sala e voltava com ele vazio para o caixa, onde a atendente contava as notas na máquina e as colocava no balde, enchendo o latão novamente. Não há espaço no caixa para tantas cédulas.

No final do ano passado, o presidente Nicolás Maduro anunciou que tiraria de circulação as notas de 100 bolívares para tentar frear o aumento do dólar norte-americano no mercado paralelo. A escassez de cédulas provocou diversos protestos no interior do país e ao menos uma pessoa morreu. As notas seguem circulando, valendo cada vez menos.

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Comentários

Vanderlei on 28 Março, 2017 at 8:07 #

Faltam alimentos e os venezuelanos já começam a passar fome. A moeda está tão desvalorizada que a tendência é ser extinta, e o governo ficou sem dinheiro para fabricar dinheiro. A criminalidade explodiu e é uma das piores do mundo, sendo que o salário mínimo é inferior ao que recebem os cubanos. A população venezuelana está caminhando da pobreza para a miserabilidade. Esta é a realidade!


Daniel on 28 Março, 2017 at 21:04 #

Mais um exemplo do maravilhoso sistema socialista/comunista, aquele que se jacta de combater a “exploração do capital” e a “desigualdade social”…


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