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Postado em 26-03-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-03-2017 00:04

DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

São Paulo

O pesadelo que assombrou o mercado da carne brasileiro após a deflagração da Operação Carne Fraca, há pouco mais de uma semana, parece estar passando. A investigação sobre um esquema de fraude e propina que envolve ao menos 21 frigoríficos jogou sombra sobre todo o setor e levou a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) a calcular uma queda de 20% nas exportações do setor neste ano. China, Hong Kong, União Europeia, Coreia do Sul e Chile anunciaram a suspensão temporária das compras dois dias após a operação. A Coreia do Sul voltou atrás no dia seguinte e, neste sábado, o Ministério da Agricultura celebra em nota a “reabertura total” do mercado chinês à carne brasileira. Horas depois, o Governo adicionou Chile e Egito ao rol de mercados reabertos.

Na nota assinada pelo ministro Blairo Maggi, o Governo diz que a liberação chinesa — o maior mercado para a carne brasileira — “trata-se de atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e uma vitória de nossa capacidade exportadora”. “Nos últimos dias o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Itamaraty e a rede de embaixadas do Brasil no exterior trabalharam incansavelmente para o êxito que se anuncia hoje”, celebra o ministro.
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Segundo o Governo brasileiro, “a China nunca fechou o mercado aos nossos produtos, mas apenas tomou medidas preventivas para que tivéssemos a oportunidade de oferecer todas as explicações necessárias e garantir a qualidade da nossa inspeção sanitária”. A notícia vem em boa hora para evitar a perda de mercado, já que países como a Argentina enxergaram oportunidade na crise da carne brasileira para tomar mercado do vizinho.

Apesar da boa notícia internacional — que ainda não foi confirmada oficialmente pelo próprio Governo chinês —, as reverberações da Operação Carne Fraca parecem longe do fim. As investigações seguem — 33 servidores do Ministério da Agricultura foram afastados — e nesta sexta-feira os frigoríficos paranaenses Souza Ramos, Transmeat e Peccin foram instruídos a recolher as carnes e seus produtos distribuídos a supermercados — e mesmo aqueles já vendidos aos consumidores.

Preocupado com os impactos da crise da carne para a economia local, o Governo brasileiro tem destacado que os problemas identificados pela Operação Carne Fraca são pontuais. O presidente Michel Temer voltou a tocar no assunto na sexta-feira, quando disse que a carne brasileira é “forte” durante cerimônia de entrega de casas do programa Minha Casa, Minha Vida.

Neste sábado, Temer fez questão de se manifestar mais uma vez sobre o assunto, desta vez em nota, para dizer que “a decisão do governo da China de reabrir o seu mercado à proteína animal produzida no Brasil é o reconhecimento da confiabilidade de nosso sistema de defesa agropecuária”. “Nosso país construiu grande reputação internacional neste segmento. E o posicionamento chinês é a confirmação de todo trabalho de esclarecimento levado a termo pelo governo brasileiro nestes últimos dias em todos os continentes”, disse Temer, que destacou um agradecimento especial ao presidente Xi Jinping. “Estamos plenamente confiantes que outros países seguirão o exemplo da China”, finalizou o brasileiro.

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