“Acendeu as luzes. Cruzes! Que flagra, que flagra, que flagra!!!
BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Lula comanda seu “regimento” no comício
da transposição na Paraíba…


…e uma cena de “O Incrível Exército de Brancaleone”.

ARTIGO DA SEMANA

Lula, Dilma e o rio: O Exército Brancaleone no Nordeste

Vitor Hugo Soares

Mal (ou bem?) comparando, só faltou, no domingo passado, o grito de guerra “Branca! Branca! Branca!, Leon, Leon Leon”, para a extemporânea encenação político eleitoral misturada com patético e desesperado ataque à Lava Jato e ao juiz Sérgio Moro se completar, no esturricado sertão nordestino, no final do verão brasileiro de 2017. O ambiente fica cada vez mais parecido – principalmente depois da Operação Carne Fraca – com o cenário medieval da fabulosa comédia do cinema italiano, “O Incrível Exército Brancaleone”.

Basta observar, com um mínimo de atenção e distanciamento crítico e ideológico, para logo se constatar: o que se tem visto nas últimas semanas na localidade de Monteiro, e em áreas próximas na Paraíba, Pernambuco e Ceará, não passa – apesar de todos os penduricalhos e disfarces jornalísticos, geopolíticos, antropológicos e intelectuais – da mais completa e deslavada imitação do memorável filme de Mario
Monicelli – uma notável paródia a Dom Quixote, que satiriza também a própria situação da Europa no século XI.

No cinema, Brancaleone (magnificamente encarnado por Vittorio Gasman) e os quatro miseráveis famintos que acabam se tornando seu exército de desesperados “confrontam boa parte das grande polêmicas da Baixa Idade Média. Percorrendo o longo caminho até Aurocastro no lombo do pangaré Aquilante (referência ao Rocinante de Quixote”, como sintetiza um crítico de cinema.

No caso da comédia nacional do século XXI, temos no centro do cenário – ou no palanque principal, para ser mais exato -, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao seu lado, a mandatária deposta Dilma Rousseff (uma espécie de representação feminina de Sancho Pança) na encenação com dois propósitos: um, declarado, de “fazer a inauguração popular das obras de transposição das águas do São Francisco (visivelmente exangue e, em alguns trechos de seu leito, já devastado e sem água para ele próprio se manter vivo); outro implícito, de demonstração de força política preservada no Nordeste).

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu um lugar carregado de simbolismo para lançar de vez sua pré-candidatura à presidência em 2018”, diz o jornal espanhol El Pais em reportagem sobre o fato.
E acrescenta: o petista reuniu uma multidão no sertão da Paraíba em uma espécie de comício, onde Dilma afirma que “há interessados em impedir que ele se candidate”, numa referência velada às ações que responde na Justiça, incluindo as da Operação Lava Jato. E ainda nem se conhecia o teor devastador do depoimento de Emílio Odebrechth ao TSE, segundo o qual a ex-mandatária sabia da “dimensão” das doações por meio de Caixa 2 feitas pela empresa que ele presidia até ser preso e condenado pelo juiz Sérgio Moro, à campanha da petista à reeleição.

Em volta do palco em Monteiro, o regimento de curiosos somados a militantes, chamados de “multidão” pelos oradores e mestres de cerimônia, parecem tão fora da realidade quanto os que os estimula a gritar palavras de ordem do tipo “Lula lá” e “É golpe”. Melancólica expressão farsesca das multitudinárias manifestações políticas realizadas pela militância petista e seus aliados nos anos de mando Lula – Dilma.

Tudo isso ao sol fervente do fim do verão, na beira de uma obra inacabada – prevista para custar R$ 4 bilhões, mas que já engoliu mais de R$ 8 bilhões desde o seu lançamento em 2007. Desde então, irriga fortunas de muita gente e sucessivas campanhas eleitorais; municipais, estaduais e presidenciais. Dias antes da “festa de Lula”, fora precariamente entregue à população em outro comício (regado a farta propaganda), pelo mandatário da vez, Michel Temer, acompanhado de ministros, parlamentares, líderes regionais e claque providenciada pelo claudicante governo do PMDB e grupos que o apoiam.

Ao tempo em que acompanho as manobras políticas, às custas do sacrificado rio da minha aldeia, no agreste nordestino, escuto em Salvador, capital da Bahia, os alertas do governo estadual petista de Rui Costa, sobre dificuldades no abastecimento de água, pela Embasa, seguidos de pedidos para a população economizar o líquido, jogando a culpa na seca, histórico vilão de maus governos sustentados pela propaganda. Quase “absurdado”, palavra da hora para resumir o espanto diante dos desmandos em todas as áreas, assisto, da janela do meu apê, em Itaigara, bairro classe média, a movimentação de “carros-pipas” botando água nos tanques dos prédios, escolas e etc. O inusitado me transportou, estarrecido, ao tempo da minha infância, em Macururé, em pleno coração do chamado Polígono da Seca. – Meu divino São José! Meu glorioso Santo Antonio, – rogava-se então, para enfrentar tal agrura.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, repito a irônica frase dos franceses, nesta semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água. E relembro, também: o São Francisco é o rio da minha aldeia. Nasci em um antigo arraial, pequena localidade na sua margem baiana, a apenas 6 km de distância da cidade pernambucana de Cabrobó, no chamado Marco Zero da obra de transposição, que, vigilantemente, acompanho desde o primeiro dia.

Tudo o que se relaciona ao rio que me viu nascer, me toca de perto e, apaixonadamente, me emociona. Espero jamais ficar alheio à sua morte ou ser cúmplice dos que exploram, roubam e estão matando “o maior rio genuinamente brasileiro”, como aprendi na escola, “ao pé dele”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


“Branca, Branca, Branca. Leon, Leon, Leon!!!”

BOM DIA!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
25


Polícia Federal sediou gravações do filme.
Divulgação

DO EL PAÍS

Breiller Pires

São Paulo

A colaboração da Polícia Federal com um filme sobre a Operação Lava Jato provocou a insatisfação de membros do Partido dos Trabalhadores (PT) e, sobretudo, de Luiz Inácio Lula da Silva. Na última quinta-feira, a defesa do ex-presidente enviou uma petição ao juiz Sérgio Moro em que reivindica o sigilo de imagens que teriam sido repassadas por autoridades aos produtores do longa “Polícia Federal: a lei é para todos”. De acordo com o advogado Cristiano Zanin, a produção obteve acesso ilegal a filmagens captadas por um agente da Polícia Federal durante a condução coercitiva de Lula com o intuito de reconstituir a cena, que deve compor o desfecho da obra.

“Os vídeos, que teriam sido entregues a terceiros, mostram a residência, a intimidade e a coleta de depoimento do ex-presidente Lula”, disse Zanin em um seminário sobre a Lava Jato promovido pelo PT nesta sexta-feira, em São Paulo, onde atribuiu o vazamento à PF. “É uma situação muito grave. Em vez de zelar pelo material confidencial, aparentemente as autoridades o entregaram à produtora do filme, que é alinhado às ideias dos acusadores do ex-presidente e detém um material que a Constituição Federal considera privado.”

Na petição, os advogados de Lula citam trechos de entrevistas em que os produtores do filme revelam ter tido acesso a vídeos para auxiliar na reconstituição de passagens da Operação Lava Jato. Além do sigilo, eles solicitam à produtora New Group Cine & TV LTDA, responsável pelo projeto cinematográfico, que não utilize as imagens da condução coercitiva. Ainda no evento do Partido dos Trabalhadores, Zanin afirmou que a suposta divulgação pela Polícia Federal é “mais uma prova de que os processos da Lava Jato não observam garantias legais”.

Ao jornal O Globo, o produtor Tomislav Blazic negou ter recebido vídeos da Polícia Federal. Em entrevista ao UOL, em maio do ano passado, entretanto, ele contou que teve acesso a “informações de bastidores” sobre a Lava Jato fornecidas pela PF, que cedeu suas instalações em Curitiba para as filmagens e prestou consultoria à produção. Blazic também afirmou que o filme, que custou 15 milhões de reais e tem lançamento previsto para agosto, é apartidário.

Quem interpretará o ex-presidente Lula é o ator Ary Fontoura. Em 2016, ele teceu críticas públicas ao PT e a Dilma Rousseff, além ter militado pelo impeachment da então presidente – assim como Marcelo Serrado, que fará o papel do juiz Sérgio Moro. O ator participou de manifestações contra o governo Dilma e, em uma das ocasiões, saiu às ruas vestindo uma camisa estampada com a foto do personagem que irá incorporar no cinema. Serrado não esconde sua admiração por Moro e se encontrou pelo menos três vezes com o juiz para buscar referências para o papel. Tanto ele quanto Fontoura estiveram na sede da PF em Curitiba durante as gravações para conhecer mais a fundo as investigações da Lava Jato.

Integrantes do PT se manifestaram sobre o filme no seminário do partido, alegando que o vazamento das imagens faria parte de uma nova investida do juiz Sérgio Moro para espetacularizar as acusações contra Lula. O ex-presidente, que discursou no fim do evento, também demonstrou irritação ao comentar sobre o repasse das gravações. “Entraram em minha casa com uma câmera de filmar no peito e já entregaram as imagens para um filme. Não podemos aceitar esse tipo de abuso de autoridade.” Lula ainda aproveitou para convocar os parlamentares petistas para uma ofensiva contra o que chamou de “excessos” da Justiça, pressionando pela aprovação do projeto de lei criticado por juízes e procuradores em tramitação no Senado. “É importante mostrar o outro lado da Lava Jato. O PT tem obrigação de brigar um pouco mais por essa causa no Congresso Nacional. A gente não pode deixar de aprovar a lei de abuso de autoridade, porque ninguém está acima das instituições. Vou nessa briga até o fim.”

DO EL PAIS

Jan Martínez Ahrens

Washington

Donald Trump fracassou. O grande negociador, o dealmaker, o homem que pode tudo, sofreu, por intermédio de seu próprio partido, a maior humilhação de sua presidência. A votação da reforma da saúde na Câmara dos Representantes foi suspensa in extremis diante do medo de não conseguir maioria suficiente. De nada serviram suas ameaças aos congressistas nem sua bravata de manter o sistema atual, o Obamacare. Os falcões do Freedom Caucus, 36 congressistas republicanos herdeiros do desestabilizador Tea Party, se encastelaram no não e fizeram o presunçoso bilionário sentir o verdadeiro preço da política.

A derrota é de Trump. Ele havia assumido a liderança da batalha e ele, apesar de ter maioria na Câmara dos Representantes, foi incapaz de dobrar seus próprios correligionários. Reuniu-se com eles e fez concessões enormes, incluindo a eliminação dos serviços básicos de saúde. Mas não conseguiu convencê-los. E quando, num gesto de força, decidiu partir para o confronto e adiantar a votação para sexta-feira, perdeu o controle e teve de adiar sua primeira prova parlamentar.

Com uma popularidade muito baixa (apenas 37% aprovam sua gestão), terá de digerir o fracasso e abrir uma nova e dolorosa negociação. O caminho será longo. Os republicanos moderados temem perder sua base eleitoral e os falcões temem trair sua ideologia. A conciliação é complexa. Se a lei vira para o lado mais social, os ultraconservadores voltarão aos velhos tempos. Mas se assumirem as exigências radicais, baseadas numa redução drástica dos serviços mínimos de saúde, então a proposta fracassará na próxima instância, o Senado. Lá, um grupo de notáveis republicanos com capacidade de bloqueio já deixou claro que não aceitará nenhuma reforma que reduza a cobertura já oferecida. E se conseguir superar esse obstáculo, a lei ainda deverá ser referendada por um comitê conjunto e, finalmente, pelo voto de ambas as Câmaras.

A tensão é paradoxal. O mesmo Obamacare que agora divide os republicanos, durante anos os uniu. Desde que em 2010 o presidente democrata foi adiante com seu projeto, os conservadores o consideram um compêndio dos males da esquerda. Pouco importa que a cobertura tenha sido estendida a 20 milhões de pessoas ou que tenha vetado a prática cruel das seguradoras de recusar ou explorar pacientes com doenças anteriores. Para os republicanos, o sistema desenvolvido por Obama ataca a raiz da sua ideologia: amplia a burocracia federal, aprofunda o déficit e acaba com a liberdade de escolha.

Trump, com instinto político, soube monopolizar esse mal-estar. Na campanha e como presidente bateu impiedosamente na criatura de Obama e anunciou que seria ele e mais ninguém que iria sacrificá-la. E assim o encenou. No começo de março, quando o líder republicano na Câmara dos Representantes, Paul Ryan, apresentou o projeto alternativo, o presidente se apropriou dele. Depois do fracasso judicial do seu veto migratório e com as chamas do escândalo russo a cercá-lo, a reforma da saúde se tornou sua grande válvula de escape e sua primeira prova parlamentar.

O projeto apadrinhado por Trump se define por eliminar a obrigatoriedade do seguro de saúde, congelar o programa para os mais desfavorecidos e acabar com o sistema fiscal que alimenta a rede assistencial. A desconstrução é profunda, mas não completa. Continua proibindo as seguradoras de recusar um paciente com doenças anteriores e dá prazos para desmantelar a obra do antecessor. O resultado é um híbrido que não satisfez a ânsia de liquidar dos radicais, mas tampouco cumpriu a promessa de Trump de garantir a cobertura universal.

O Escritório de Orçamento do Congresso, um organismo apartidário cujos estudos gozam de reconhecimento geral, estabeleceu que a aplicação do plano republicano implicaria deixar 14 milhões de pessoas sem cobertura médica no próximo ano e 24 milhões em uma década, elevando a população sem cobertura a 52 milhões. Também significaria um aumento das apólices de 15% para 20% nos próximos dois anos. Tudo isso foi desmentido pela Casa Branca, que tomou como única referência para o estudo a economia que seria obtida pelo seu projeto: 150 bilhões de dólares (cerca de 467 bilhões de reais) em uma década.

Para os radicais, nada disso serviu. Sua obsessão é que o seguro médico fique mais barato e que se reduza o peso do Estado na vida civil. Para esse fim, exigiram que fossem eliminados do projeto os chamados serviços essenciais de saúde incluídos por lei nas apólices e que abarcam a medicina preventiva, o atendimento de emergência, a internação hospitalar, a saúde mental e a maternidade.

A exigência era praticamente suicida. Como lembrou Paul Ryan, assumi-la implicaria que a reforma nunca poderia passar pelo filtro do Senado, onde a maioria republicana é exígua (52 contra 48) e os moderados já anunciaram que rejeitariam uma lei desidratada até esse ponto.

A última tentativa de conciliar ambos os interesses não deu resultado. Embora Trump tenha aceitado a impopular redução dos serviços, os ultraconservadores avaliaram que continuava sendo excessivo o intervencionismo estatal na área da saúde. Ao chegar a esse ponto, qualquer passo seguinte implicaria incendiar a ala moderada. A capacidade de manobra havia sido esgotada. O negociador tinha fracassado e teve de adiar a votação.

mar
25
Posted on 25-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-03-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)

mar
25
Posted on 25-03-2017
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Janot pede mais 60 dias para investigar Dilma e Lula

Rodrigo Janot devolveu ao STF o inquérito que investiga obstrução de Justiça envolvendo Dilma Rousseff, Lula, Aloizio Mercadante, José Eduardo Cardozo, além de Marcelo Navarro e Francisco Falcão, do STJ.

O procurador quer mais dois meses para apurar o caso – nesse tempo, Marcelo Odebrecht será ouvido. Ele pede também para que o processo continue a tramitar no Supremo, informa o Estadão.

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