Marcelo detona Dilma: “ela sabia”


DO G1

O empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira Odebrecht, afirmou em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início de março que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia da “dimensão” das doações por meio de caixa 2 feitas pela empresa à campanha da petista à reeleição.

A informação foi divulgada pelo site “O Antagonista” e confirmada posteriormente pela TV Globo.

O executivo falou ao TSE como testemunha nas ações que tramitam no tribunal pedindo a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer por suposto abuso de poder político e econômico na eleição presidencial de 2014.

Em nota, a ex-presidente Dilma negou as informações, chamou a declaração de “leviana” e pediu que o empresário comprove o que disse ao tribunal (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Ao ser questionado pelo juiz auxiliar Bruno César Lorencini sobre se teria conversado com Dilma a respeito da campanha de 2014, Marcelo Odebrecht negou.

Ele, porém, disse que a então presidente e candidata à reeleição sabia da “dimensão” das doações e que os pagamentos não constavam da prestação de contas do PT.

“A Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem doá… quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa dois para [o marqueteiro] João Santana. Isso ela sabia”, disse Odebrecht no depoimento.

Questionado novamente sobre as doações, dessa vez pelo ministro Herman Benjamin, Marcelo Odebrecht afirmou:

“O que Dilma sabia era que a gente fazia, tinha uma contribuição grande – a dimensão da nossa contribuição era grande, ela sabia disso – e ela sabia que a gente era responsável por muitos pagamentos para o João Santana. Ela nunca me disse que sabia que era caixa 2, mas é natural, é só fazer uma… ela sabia que toda aquela dimensão de pagamentos não estava na prestação do partido”, disse o empresário.

Ele reiterou, em outro momento do depoimento, que nunca ouviu de Dilma que ela sabia que os repasses eram feitos de forma irregular.

“Eu não sei especificar o momento em que eu tive essa conversa com ela, mas isso sempre ficou evidente, é que ela sabia dos nossos pagamentos para o João Santana. Isso eu não tenho a menor dúvida”, complementou.

Em depoimento ao TSE, Marcelo Odebrecht afirma que Dilma sabia de repasses de caixa dois

Lula e Palocci

Marcelo Odebrecht afirmou no depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci foram os responsáveis por arrecadar dinheiro para a campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010.

Durante o depoimento, o empreiteiro narrou que, a partir de 2011, quando Dilma já exercia seu primeiro mandato, a petista passou a tratar da “relação” do PT com a Odebrecht.

Antes, segundo ele, quem cuidava da arrecadação para o partido era Palocci e, durante a campanha de 2010, Lula.

“Ela [Dilma] começou a cuidar, digamos assim, da relação – porque 2010 ela praticamente nem olhou as finanças, acho que todos os pedidos de doação foram feitos por Lula, Palocci, ela nem se envolvia em 2010”, afirmou o ex-presidente da Odebrecht.

Em nota (leia a íntegra ao final desta reportagem), o Instituto Lula informou que o ex-presidente “jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim”.

Campanha à reeleição

No depoimento, Marcelo Odebrecht disse ao ministro que “inventou” a campanha de Dilma à reeleição em 2014. Como exemplo, disse que os valores a serem doados para a equipe da petista foram definidos por ele.

“A campanha presidencial de 2014, ela foi inventada primeiro por mim, tá? E… eu não me envolvi na maior parte das demais campanhas, mas a… a eleição presidencial foi… eu conheço ela… os valores foram definidos por mim”, afirmou o empresário.

Além disso, Odebrecht afirmou que em 2014 a ex-presidente orientou a empresa a concentrar todos os recursos que seriam doados ao PT para a campanha dela à reeleição.

O empresário disse, porém, que, antes disso, Dilma nunca havia pedido “nada para ela”.

Segundo ele, em uma conversa com Guido Mantega, o ex-ministro relatou a ele: “Marcelo, a orientação dela [Dilma] é que todos os recursos de vocês vão para a campanha dela. Você não vai mais doar para o PT, você só vai doar para a campanha dela, basicamente para as necessidades da campanha dela: João Santana, Edinho Silva ou esses partidos da coligação”.

Contrapartida

Em outro trecho do depoimento, ele disse que a empresa doou R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na eleição de 2014, mas não precisou quanto do valor foi doado por meio do caixa oficial e quanto entrou via caixa dois.

“Cento e cinquenta [milhões]. […] Nós tínhamos uma relação intensa com o governo. Essa relação intensa, ela gerava também a expectativa de que a gente fosse um grande doador. Então, eu, para não ser pego de calças curtas, eu sempre tentava negociar com meus empresários um valor que, na hora que viesse essa demanda do governo, eu tivesse, da parte deles, uma segurança de que esse recurso haveria”, explicou o empresário.

Desse valor, segundo o depoimento, R$ 50 milhões seriam uma “contrapartida específica” à aprovação em 2009, pelo Congresso, de uma medida provisória que beneficiava diversas empresas do setor.

A medida provisória 470/2009, conhecida como MP do Refis, foi editada pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Nesse caso desses cento e cinquenta, tem um detalhe específico que é o seguinte: cinquenta milhões, desses cento e cinquenta, de fato, veio em cima de um pedido, de uma contrapartida específica, de um tema que é de 2009. Então, em 2009, houve, de fato, para esse caso, uma contrapartida específica para a aprovação de um projeto de lei que atendia a várias empresas. E esses cinquenta milhões vieram com um pedido para a campanha de dois mil e dez. Só que acabou não indo para a campanha de 2010, não sendo utilizado na campanha de 2010, e acabou sendo utilizando na campanha de dois mil e quatorze”, afirmou.

Segundo Odebrecht, o acerto para a doação de R$ 50 milhões foi feito diretamente com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

O empresário disse que Mantega era o responsável no governo Dilma por tratar de doações com as empresas. Antes, durante o governo Lula, o responsável por tratar de pagamentos ao governo e ao PT era o também ex-ministro Antônio Palocci, de acordo com Marcelo Odebrecht.

“Então, você estava no meio de negociação para discurtir Refis, várias empresas. Eu não sei que tipo de abordagem eles fizeram com as outras empresas, não tenho conhecimento. Sei que, no meu caso específico, em… em uma dessas reuniões, acho – porque eu tinha reuniões com outras empresas, eu tinha algumas reuniões a sós – em uma delas, ele [Guido Mantega] anotou no papel e disse: ‘Olha, Marcelo, eu tenho a expectativa de que você contribua para a campanha de 2010 com cinquenta milhões’. Isso foi com o Guido”, disse.

De acordo com o ex-presidente da Odebrecht, o valor acabou ficando para 2014 porque, segundo ele, Mantega só se envolveu diretamente e passou a solicitar recursos para o PT a partir de 2011, “quando o Palocci saiu da Casa Civil”.

“Até então, era com o Palocci a maior parte dos pedidos que tinha o PT”, complementou.

Conta do PT na Odebrecht

No depoimento, Marcelo Odebrecht disse que o PT tinha uma conta corrente na empreiteira que era utilizada, inclusive, para pagamentos que deveriam ser feitos ao marqueteiro João Santana.

De acordo com o empresário, a conta foi administrada inicialmente pelo ex-ministro Antônio Palloci e, em um segundo momento, por Guido Mantega.

Segundo Odebrecht, a conta, embora administrada por petistas, tinha como principal objetivo atender às necessidades da Presidência da República, primeiro de Lula e depois de Dilma.

“Quando eu digo PT é com a Presidência, quer dizer, Guido… Não tinha envolvimento, não tinha nada a ver com a relação dos meus outros empresários – certo? – com o PT. Não tinha relação, por exemplo, com o [João] Vaccari, algumas vezes a pedido de Palocci ou Guido, a gente ajudou o Vaccari a fechar a conta do PT. Mas o Vaccari foi e pediu para eles, eles me pediram e eu autorizei, porque saiu da conta. Mas não tinha relação [com o PT]”, disse no depoimento.

‘Amigo’

De acordo com a reportagem do “Antagonista”, confirmada pela TV Globo, documentos apresentados pela Odebrecht ao TSE apontam que houve movimentação financeira na conta corrente mantida pela empreiteira e vinculada ao PT.

A movimentação teria sido feita entre outubro de 2013 e março de 2014 pelo ex-presidente Lula.

Em uma planilha enviada ao tribunal, há três codinomes vinculados à conta: “Itália”, “Amigo”, e “Pós Itália”. Segundo Marcelo Odebrecht, os codinomes se referiam, respectivamente, a Antônio Palocci, Lula e Guido Mantega.

Na planilha, há dados sobre o saldo em 22 de outubro de 2013, que era de R$ 71 milhões. Em 31 de março de 2014, o saldo da conta era de R$ 66 milhões.

A assessoria de Lula diz que o ex-presidente “não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros se referem a ele como ‘amigo’, que essa planilha nem esse apelido são de sua autoria ou do seu conhecimento.”

Doação para instituto

Além dos depoimentos, os ex-executivos entregaram documentos ao TSE para ilustar o que relataram ao ministro.

Em um desses documentos, disponibilizado pelo ex-diretor do Departamento de Operações Estruturadas Hilberto Mascarenhas, há o registro de uma doação de R$ 4 milhões da Odebrecht, feita em 2014. Ao lado do valor da doação, aparece escrito: “Doação Instituto 2014!”.

A reportagem do “Antagonista” afirma que o valor foi destinado ao Instituto Lula, entidade que representa o ex-presidente.

O departamento que era chefiado por Mascarenhas ficou conhecido como setor de propinas da Odebrecht.

Em nota, o Instituto Lula informou que todas as doações, incluindo as da Odebrecht, foram “devidamente registradas, com os nomes das empresas doadoras e com notas fiscais emitidas”. Além disso, as notas “foram entregues para a Receita Federal em dezembro de 2015 e já tornadas públicas há mais de 1 ano”.

O que disseram os citados

Dilma Rousseff

Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de imprensa de Dilma:

NOTA À IMPRENSA

Não adianta lançarem novas mentiras contra Dilma Rousseff

A respeito de informações publicadas nesta quinta-feira, 23, sobre um supostas declarações, avisos e afirmações atribuídas ao empresário Marcelo Odebrecht, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. A ex-presidenta Dilma Rousseff não tem e nunca teve qualquer relação próxima com o empresário Marcelo Odebrecht, mesmo nos tempos em que ela ocupou a Casa Civil no governo Lula.

2. É preciso deixar claro: Dilma Rousseff sempre manteve uma relação distante do empresário, de quem tinha desconfiança desde o episódio da licitação da Usina de Santo Antônio.

3. Dilma Rousseff jamais pediu recursos para campanha ao empresário em encontros em palácios governamentais, ou mesmo solicitou dinheiro para o Partido dos Trabalhadores.

4. O senhor Marcelo Odebrecht precisa incluir provas e documentos das acusações que levanta contra a ex-presidenta da República, como a defesa de Dilma solicitou – e teve negado os pedidos – à Justiça Eleitoral. Não basta acusar de maneira leviana.

5. É no mínimo estranho que, mais uma vez, delações sejam vazadas seletivamente, de maneira torpe, suspeita e inusual, justamente no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral, órgão responsável pelo processo que analisa a cassação da chapa Dilma-Temer, está prestes a examinar o relatório do ministro Herman Benjamin.

6. Espera-se que autoridades judiciárias, incluindo o presidente do TSE, Gilmar Mendes, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, venham a público cobrar a responsabilidade sobre o vazamento de um processo que corre em segredo de Justiça.

7. Apesar das levianas acusações, suspeitas infundadas e do clima de perseguição, criado pela irresponsável oposição golpista desde novembro de 2014 – e alimentada incessantemente por parcela da imprensa – Dilma Rousseff não foge da luta. Vai até o fim enfrentando as acusações para provar o que tem reiterado desde antes do fraudulento processo de impeachment: sua vida pública é limpa e honrada.

ASSESSORIA DE IMPRENSA

DILMA ROUSSEFF

Luiz Inácio Lula da Silva

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Instituto Lula:

O ex-presidente Lula teve seus sigilos fiscais e telefônicos quebrados, sua residência e de seus familiares sofreu busca e apreensão há mais de um ano, mais de 70 testemunhas foram ouvidas em processos e não foi encontrado nenhum recurso indevido para o ex-presidente.

Lula jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim e isso será provado na Justiça. Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros se referem a ele como “amigo”, que essa planilha nem esse apelido são de sua autoria ou do seu conhecimento, por isso não lhe cabe comentar depoimento sob sigilo de justiça vazado seletivamente e de forma ilegal.

Todas as doações para o Instituto Lula, incluindo as da Odebrecht estão devidamente registradas, com os nomes das empresas doadoras e com notas fiscais emitidas, foram entregues para a Receita Federal em dezembro de 2015 e já tornadas públicas há mais de 1 ano.

Odebrecht

Leia abaixo a íntegra da nota da Odebrecht:

A Odebrecht não se manifesta sobre o teor de eventuais depoimentos de pessoas físicas, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça. A empresa está implantando as melhores práticas de compliance, baseadas na ética, transparência e integridade.

Guido Mantega e Antônio Palocci

A defesa de Guido Mantega e de Antônio Palocci disse que não vai cometer a “leviandade” de comentar trechos de depoimentos sem conhecer a íntegra do que foi dito ao TSE.

Os craques de Tite brilharam no estádio centenário de Montevidéu, e deu goleada histórica no carimbo da seleção de todas as copas, para a Copa da Rússia. Viva e som na caixa, grande Jackson.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Craques festejam grande triunfo no Uruguai

DO PORTAL TERRA BRASIL

Nem mesmo a segunda melhor seleção das Eliminatórias da Copa do Mundo, que só havia conquistado vitórias em casa, foi capaz de frear o Brasil de Tite. Jogando no histórico Estádio Centenário, na noite desta quinta-feira, a equipe nacional conquistou uma importante virada sobre o Uruguai, por 4 a 1, e chegou ao seu sétimo triunfo consecutivo no torneio.

O resultado deixou a vaga no Mundial da Rússia bastante encaminhada – pela projeção de Tite, a classificação já está assegurada, ainda que não matematicamente. A Seleção Brasileira passou a somar 30 pontos ganhos, na liderança disparada das Eliminatórias, contra 23 do segundo colocado Uruguai.

Para triunfar novamente, o Brasil precisou provar ter poder de reação em Montevidéu. O time visitante viu Marcelo falhar logo no começo da partida, forçando o pênalti do goleiro Alisson sobre Cavani na sequência do lance. O próprio centroavante converteu a cobrança. Paulinho, contudo, liderou a virada com três gols. Neymar também contribuiu com a goleada com uma bela conclusão por cobertura.

O embalado Brasil terá o Paraguai pela frente já na terça-feira, em Itaquera, estádio do Corinthians. No mesmo dia, o

O jogo – Preocupado em não deixar o Uruguai confortável para atacar já nos primeiros minutos, o Brasil procurou manter a bola nos pés, trocando passes em seu campo defensivo. Neymar foi além. Aos três, o atacante do Barcelona arrancou de antes do meio-campo e acionou Philippe Coutinho, que cruzou da direita. Coates furou, mas Roberto Firmino também.

Pouco depois, Cavani mostrou o oportunismo que o centroavante brasileiro não teve. Marcelo foi displicente ao fazer um recuo curto, com o peito, para Alisson, e o astro uruguaio correu para ficar com a bola. Só não fez o gol porque foi derrubado pelo goleiro. Pênalti. Ele mesmo cobrou, aos nove minutos, e colocou os donos da casa em vantagem no marcador.

O gol já no princípio de partida criou o ambiente que Tite temia. Com a sua torcida inflamada nas arquibancadas do Centenário, o Uruguai ganhou tranquilidade para jogar no contra-ataque, como gosta de fazer. Do outro lado, a Seleção Brasileira viu os espaços para as suas investidas diminuírem sensivelmente.

Paulinho, então, resolveu encurtar o caminho para o gol. Aos 18 minutos, o volante do chinês Guangzhou Evergrande recebeu a bola de Neymar, carregou pelo meio e soltou o pé de fora da área, acertando o ângulo, quase sem chances de defesa para o goleiro vascaíno Martín Silva.

Com a igualdade, o Brasil voltou a se sentir à vontade para impor o estilo de jogo que havia proposto no princípio da partida, com muita movimentação de Neymar. No ataque, quem destoava era Renato Augusto, pouco participativo. E, na defesa, o Uruguai proporcionou mais um susto antes do intervalo. Aos 36, Vecino cabeceou perigosamente para fora após falta batida por Sánchez.

No segundo tempo, com o jogo mais brigado, o Brasil conseguiu se sobressair outra vez. Aos sete minutos, Firmino se redimiu da furada do início do jogo ao girar bem na entrada da área antes de finalizar. Martín Silva deu rebote, e Paulinho foi rápido para aproveitar e anotar o seu segundo gol no Centenário.

Atrás no placar, o Uruguai se viu obrigado a se lançar ao ataque, acuando o time de Tite. O técnico Óscar Tabárez tentou colaborar com a pressão dos seus comandados com a troca de Rolán, o jogador que escolheu para substituir o suspenso Luis Suárez, por Stuani.

Não adiantou. Aos 29 minutos, Neymar fez a diferença na hora em que a Seleção Brasileira tentava conter o ímpeto do Uruguai. Miranda deu um bico para a frente, e o atacante do Barcelona deixou Coates para trás na velocidade, invadiu a área e concluiu com muita categoria, por cobertura, na saída de Martín Silva.

DO EL PAÍS

Gil Alessi

Brasília

O presidente Michel Temer obteve na quarta-feira uma vitória no Congresso com a aprovação, na Câmara dos Deputados, de um projeto que flexibiliza as leis trabalhistas, ampliando as possibilidade de terceirização dos trabalhadores e de contração temporária, que passou de três para até nove meses. Foi um pequeno passo na agenda estratégica do Planalto, que, com ampla base de apoio parlamentar, busca implementar uma série de mudanças e reformas de cunho liberal e impacto macro e micro econômico. De acordo com os governistas e apoiadores, o objetivo é atrair investimentos, empregos e manter a inflação sob controle, enquanto opositores e críticos veem precarização de direitos em um momento de crise. A vitória, que deve agradar o empresariado e investidores, dá algum fôlego e tempo até que o Governo costure apoio para uma batalha considerada mais dura, a da reforma da Previdência.
Câmara aprova terceirização
Oposição protesta em votação da lei de tercerização. Z. Ribeiro/Câmara dos Deputados

A pressa do Governo de entregar parte do seu pacote de reformas ficou clara na votação e discussão da terceirização. Parte dos parlamentares não sabia exatamente quais pontos do projeto – que veio do Senado – haviam sido mantidos pelo relator, Laercio Oliveira (SD-SE). Deputados do PT chegaram a criticar a anistia a multas aplicadas às empresas que violam leis trabalhistas, ponto que constava no texto original, mas que foi posteriormente retirado por Oliveira. O relator chegou a afirmar que “há muita desinformação” com relação ao assunto. “Se falou em precarização, mas a terceirização não é um fato novo, querem fazer parecer que o Governo de Michel Temer está criando um novo regime de contratação”, disse. Se houve falta de informação, Oliveira não colaborou para jogar luz na questão. Ao invés de apresentar um relatório consolidado, o deputado apenas elencou quais artigos do projeto deveriam ser mantidos, o que gerou confusão no plenário. Um deputado do PC do B chegou a garantir para a reportagem que “esse projeto NÃO trata da terceirização, e sim do trabalho temporário”. Na realidade o texto contemplava ambos os assuntos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisou suar a camisa para conseguir aprovar o projeto, apresentado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso há 19 anos. Ele foi criticado pela oposição por colocar em pauta este texto antigo para beneficiar a agenda de Temer e contornar o Senado, onde um projeto de teor semelhante e considerado até menos duro, aprovado pela Câmara em 2015, aguarda análise. Em um dia marcado pela posse do ministro Alexandre Moraes no Supremo Tribunal Federal, a base aliada teve dificuldade de conseguir quórum no plenário durante a tarde. O próprio presidente da Casa se ausentou da sessão várias vezes para se reunir com líderes das bancadas.

Maia tentou iniciar os trabalhos por volta das 13h, mas deputados do PT e do PSOL obstruíram a votação por horas – fizeram discursos e questões de ordem para que o processo não andasse. Os parlamentares afirmaram que o ex-presidente Lula pediu ao Congresso a retirada do projeto. Como o texto havia sido encaminhado ao Legislativo pelo Executivo, o pedido do petista invalidaria a matéria, de acordo com parte da oposição. Maia rebateu a tese afirmando que como a Câmara e o Senado já havia votado a matéria, ela não era mais do Governo, e sim do Congresso. “O senhor vai judicializar a questão se continuar por essa linha”, disse o deputado petista Bohn Gass (RS).

Mas mesmo com uma base sólida e maioria no Congresso, a tarefa do Governo de tirar do papel as reformas, que precisam ser aprovadas pelo Legislativo, não tem se mostrado fácil. Nos últimos dias o Governo teve que ceder com relação a alguns pontos da reforma da Previdência, a menina dos olhos do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Após pressão de deputados e senadores, Temer, ao lado de seu primeiro escalão, anunciou na terça que os servidores estaduais e municipais estariam fora das mudanças propostas. Ele já havia sido inclusive alvo de fogo amigo por parte do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, que afirmou que o Governo havia “criado dificuldades” para a aprovação da reforma.

Após o recuo do Governo os Estados, que também teriam que implementar as novas regras de aposentadoria ao seu quadro de funcionários caso vingasse o plano original, se viram livres para aprovar ou não suas próprias reforma. Temer minimizou a questão, e disse que “surgiu com grande força [na reunião com os líderes das bancadas] a ideia de que deveríamos obedecer a autonomia dos Estados”, e disse que impor às unidades federadas a reforma seria uma “invasão de competência”. Rodrigo Maia afirmou que a mudança na reforma anunciada reduz “70%” da pressão que os parlamentares estavam sentindo em suas bases eleitorais, e consequentemente facilita a aprovação do projeto.

“É mais um projeto que se soma no rol de precarização a que estão sujeitando os trabalhadores”, criticou Chico Alencar (PSOL-RJ).


DO EL PAÍS

Pablo Guimón

Londres / Madri

O grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) reivindicou, nesta quinta-feira, a autoria do atentado em Londres, que deixou mais de 40 pessoas feridas e cinco mortos na quarta-feira, entre eles o autor do ataque nas redondezas do Parlamento britânico e da ponte de Westminster.

Khalid Masood é o homem que matou nesta quarta-feira três pessoas (inicialmente, chegou a ser divulgado que eram quatro mortos) no atentado de Westminster. Ele nasceu no Reino Unido e foi monitorado por algum tempo pelos serviços de inteligência britânicos, informou nesta quinta-feira a primeira-ministra Theresa May no Parlamento. A mandatária britânica não revelou a identidade do agressor que desencadeou o pânico em pleno centro político e turístico de Londres antes de ser abatido a tiros pela polícia, mas afirmou que ele havia sido investigado por possuir relações “extremistas”.

Embora May não tenha se estendido sobre isso, a principal hipótese dos investigadores é de que o atacante se “inspirou no terrorismo internacional islamista”, como confirmou nesta quinta-feira o ministro da Segurança do país. O agressor, segundo especialistas em luta contra o terrorismo ouvidos pela rádio estatal, seria uma das 3.000 pessoas que se encontram sob monitoramento da Scotland Yard ou do MI6, que, no entanto, não têm condições materiais de segui-las diariamente. A prioridade imediata é descartar a possibilidade de que o ataque fizesse parte de um plano mais amplo. A polícia investiga o círculo de pessoas próximas ao atacante, suas viagens recentes, suas comunicações e sua atividade na Internet.

Nesta madrugada, a polícia britânica realizou uma operação na cidade de Birmingham, no centro da Inglaterra, onde o terrorista alugou o automóvel que usou como arma, um 4X4 da marca Hyundai. Mark Howley, diretor da Scotland Yard, confirmou que oito pessoas foram detidas depois da realização de buscas em seis casas de Birmingham, Londres e outros pontos do país. A polícia não dispõe de nenhuma informação que leve a se pensar em uma ameaça iminente enquanto se realiza a investigação.
Khalid Masood é identificado como o autor do atentado em Londres, reivindicado pelo Estado Islâmico

Das 40 pessoas feridas no ataque, 29 continuam hospitalizadas na capital, sete delas em estado grave. Os quatro mortos, segundo a Scotland Yard –que anunciou inicialmente cinco mortes–, são o policial Keith Palmer, um pai de família de 48 anos que fazia a vigilância do Parlamento; a britânica originária da Galicia Aysha Frade, de 43 anos, professora de espanhol em Londres; e um homem de cerca de 50 anos, cuja identidade não foi revelada pela polícia; além do próprio terrorista.

Depois de lançar o veículo contra as pessoas e sair dele, o atacante conseguiu penetrar nos jardins do Old Palace Yard, adjacentes à Câmara, antes de ser abordado por policiais, um dos quais (Keith Palmer) foi atingido com uma faca entre 12 e 15 centímetros. Em seguida, um colega do agente atirou várias vezes no terrorista. Acredita-se que este agia sozinho, embora não se descarte que pudesse ter algum cúmplice.

No momento do atentado, Theresa May estava no Parlamento, onde se realizava a sessão semanal de perguntas feitas por parlamentares à primeira-ministra. A mandatária foi escoltada para fora do local sem maiores consequências. May convocou em seguida uma reunião do comitê de emergências Cobra, que inclui seus principais ministros, além de altos funcionários da Defesa e da Segurança, para avaliar a situação.
Um ferido é ajudado por várias pessoas na ponte de Westminster, Londres. TOBY MELVILLE (REUTERS) / EPV

No final da tarde, diante do número 10 da Downing Street, a primeira-ministra leu uma nota em que qualificou o atentado de “um ataque terrorista nauseabundo e depravado”. Ela confirmou que o nível de alerta oficial no Reino Unido continua sendo “severo”, o segundo mais alto de uma escala de cinco, o mesmo que já vem sendo mantido, há algum tempo, no país.

“O local do ataque não foi acidental”, disse May. “Os terroristas escolheram para atacar o coração da nossa capital, onde pessoas de todas as nacionalidades, religiões e culturas se reúnem para celebrar os valores da liberdade, da democracia e da liberdade de expressão. As ruas de Westminster, que abrigam o Parlamento mais antigo do mundo, estão imbuídas de um espírito de liberdade que ressoa em alguns dos lugares mais distantes do planeta. E os valores que o nosso Parlamento representa –a democracia, a liberdade, os direitos humanos e o império da lei— merecem a admiração e o respeito das pessoas livres. Por isso se torna um alvo para aqueles que rechaçam esses valores”.

A primeira-ministra anunciou que o Parlamento retomaria nesta manhã de quinta-feira o seu funcionamento normal, assim como toda a cidade. “Avançaremos todos unidos. Jamais nos renderemos ao terror. E nunca permitiremos que as vozes do ódio e o mal nos dividam”, concluiu. As redes sociais, durante toda a tarde desta quarta-feira, ficaram repletas de mensagens de solidariedade com o hashtag #WeAreNotAfraid (“Não temos medo”).

O primeiro-ministro da França, Bernard Cazeneuve, confirmou que entre os feridos se encontram três estudantes franceses, entre 15 e 16 anos de idade, que faziam uma visita escolar a Londres. Dois deles estão em estado grave. O Ministério das Relações Exteriores da Romênia confirmou que há dois de seu país.

Nesta quarta-feira, completou-se um ano desde os atentados em Bruxelas, que deixaram 32 mortos e mais de 300 feridos. O ataque reacendeu na memória de muitos britânicos os atentados jihadistas de julho de 2005 em Londres, que deixaram meia centena de mortos.

Líderes de vários países prestaram solidariedade e apoio à população britânica. O Governo do presidente dos EUA, Donald Trump, condenou o atentado e ofereceu total apoio ao Reino Unido para capturar os responsáveis. O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, escreveu no Twitter que “a Espanha está com o povo britânico”. O ministro do Interior da Itália, Marco Minniti, convocou para esta quinta-feira as forças de segurança e os serviços de inteligência do país com vistas à reunião de cúpula europeia que se realiza neste sábado em Roma.

mar
24
Posted on 24-03-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-03-2017


Myrria, no jornal A Crítica (AM)

Sarah Fowlkes, de 27 anos, professora numa escola em Lockhart, no Texas, pode enfrentar uma pena até 20 anos de prisão depois de ter sexo com um aluno de 17 anos.

Depois de ser emitido um mandado de detenção, a professora de biologia, que foi imediatamente suspensa do seu cargo, entregou-se algumas horas depois de festejar o seu aniversário com o marido.

Além do caso em si, Sarah tornou-se viral nas redes sociais devido à sua atitude depois de ser detida. Na sua “mugshot” (fotografia tirada na delegacia) sorriu, ao invés de mostrar um semblante mais carregado ou conformado.

Polícia de Lockhart

De acordo com o Telegraph, as autoridades encontraram mensagens de carater sexual trocadas entre a professora e o jovem de 17 anos.

No Texas é crime uma pessoa maior de idade manter relações sexuais com uma menor de 18 anos, não sendo considerado o consentimento como condição atenuante de pena.

Segundo o Telegraph, um caso deste tipo, entre um docente e um estudante, é mesmo um crime de segundo grau, que pode ser punível com uma pena até 20 anos de cadeia.

O Houston Chronicle diz que foi um administrador da escola que contactou as autoridades e as informou sobre uma relação inapropriada entre um aluno e um professor.

“Os pais confiam-nos as suas crianças todos os dias e isso é algo que não levamos de forma ligeira”, afirmou a superintendente Susan Bohn. “A segurança dos estudantes é a prioridade mais importante. Não vamos tolerar qualquer comunicação ou contato impróprio entre alunos e professores”, acrescentou.

  • Arquivos