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Postado em 23-03-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 23-03-2017 00:55


Tobias Ellwood, ao centro, de terno, tenta salvar a vida do polícia ferido. Twitter/James Mitchinson

DO JORNAL “PÚBLICO” (LIBOA)

Manuel Louro

No Palácio de Westminster realizava-se o que parecia ser apenas mais uma sessão parlamentar. A ordem de trabalhos ia da estratégia para a indústria ao “Brexit”, passando pelo segundo referendo à independência da Escócia. Os deputados preparavam as suas intervenções e a primeira-ministra, Theresa May, alinhava a resposta às críticas da oposição. Mas o debate foi interrompido, os deputados colocados em segurança e May retirada do local Sob segurança máxima. O terror chegava às portas do Parlamento. E de lá sairia o herói do dia.

Várias pessoas foram atropeladas na Ponte de Westminster e um polícial foi esfaqueado já nos jardins do Old Palace Yard, que circunda o Parlamento. Foi o deputado conservador e sub-secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido Tobias Ellwood, cuja segurança é garantida todos os dias pelo mesmo polícial, que primeiro socorreu a vítima. Iniciar várias manobras de reanimação, incluindo respiração boca a boca, e travar a hemorragia, aplicando pressão nos ferimentos, foram as primeiras prioridades do herói de Londres, conta quem testemunhou o episódio ao jornal britânico Telegraph. E aí permaneceu até que as equipes de emergência chegaram ao local. Depois foi visto, sozinho, com as mãos ensanguentadas, dirigindo-se para o edifício dos Negócios Estrangeiros. Horas mais tarde soube-se que o polícial morrera; o seu nome, como o de outros envolvidos na tragédia, não foi identificado.

Anos antes de entrar na política, Ellwood iniciou, em 1991, uma carreira militar que terminou em 1996 com a patente de capitão. A vida de político e a de militar cruzaram-se à porta do Parlamento – possivelmente, as aptidões que adquiriu durante os anos passados no regimento de infantaria do Exército Royal Green Jackets, contribuíram para o sangue frio e o impulso de socorro à vítima que sucumbia diante dele esta quarta-feira.

O terrorismo não é algo novo na vida de Tobias Ellwood. Em 2002, os atentados de Bali, na Indonésia, fizeram 202 mortos. Um deles foi Jonathan Ellwood, professor numa universidade no Vietnam e irmão do mais recente herói de Londres.

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