Ivanka Trump e Donald Trump, em janeiro passado. AFP

DO EL PAÍS

Pablo Ximénez de Sandoval

Los Angeles

A filha do presidente dos Estados Unidos, Ivanka Trump, terá uma sala própria na Ala Oeste da Casa Branca, segundo confirmou o Governo, o que expressa um reconhecimento aberto do papel que ela vem desempenhando como primeira-dama de fato e principal ponto de apoio do presidente desde que este tomou posse, há dois meses. Ivanka Trump, 35 anos, se junta, assim, ao seu marido, o empresário Jared Kushner, que já havia levantado suspeitas ao ser nomeado como assessor sênior do presidente Donald Trump.

A confiança de Trump na filha, como assessora, é total e evidente desde o primeiro dia de mandato. Ivanka já tinha uma presença maior na campanha eleitoral do que sua madrasta, Melania Trump. Em dezembro passado, ela estava presente na primeira reunião que o pai teve como presidente eleito com um líder estrangeiro, o japonês Shinzo Abe, em sua casa em Nova York. O entorno de Trump não reagiu às insinuações de nepotismo.

O episódio mais recente do mesmo gênero ocorreu na semana passada, quando Ivanka Trump se sentou ao lado da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante uma reunião bilateral em Washington. Nunca foi esclarecida totalmente, porém, a função da filha do presidente nessas ocasiões.

Ao receber um local próprio para ficar dentro da Casa Branca, Ivanka, que tem sido uma espécie de sombra do presidente em todos os eventos públicos, confirma ser um dos pilares da Administração Trump e que o círculo de confiança mais íntimo do mandatário se limita a seus filhos, a seu genro e ao estrategista-chefe do Governo, Steve Bannon.

Um advogado que trabalha para a Primeira Filha, Jamie Gorelick, confirmou a vários veículos de comunicação, em Washington, que Ivanka terá uma sala na Ala Oeste, mas não será contratada formalmente pelo Governo, da mesma forma que o seu trabalho não receberá nenhum título oficial. Gorelick disse que Ivanka estará submetida às mesmas normas éticas que os funcionários da Administração. Terá acesso a informação privilegiada e um telefone oficial. Segundo afirmou esse advogado ao site Politico, a função de Ivanka será atuar como “os olhos e os ouvidos” do presidente.

Não há nenhum precedente recente de uma Administração em que algum membro da família do presidente dos EUA tenha tido tanta influência na Casa Branca como ocorre com o casal Kushner-Trump. Há leis federais contra o nepotismo que proíbem a nomeação de familiares para cargos no Governo. Os advogados do Departamento de Justiça, porém, deram aval legal para a indicação de Kushner alegando que o presidente goza de uma autoridade especial para efeito da nomeação de sua equipe. O advogado da filha de Trump afirmou, por sua vez, que a área jurídica da Casa Branca está de acordo com o novo estatuto atribuído a Ivanka.

Essa nomeação ameaça erguer novas suspeitas sobre os potenciais conflitos de interesses em torno da família Trump no poder. O presidente afirma ter deixado todos os negócios nas mãos dos filhos e não manter nenhum tipo de comunicação com eles em relação às decisões que tomam nesse terreno. Em um tuíte, ele atacou a rede de lojas Norstrom por ter deixado de vender a marca de roupas e acessórios de Ivanka Trump. A Nordstrom encerrou o contrato alegando que a marca não atendia às expectativas comerciais. A conselheira da Casa Branca Kellyanne Conway apareceu depois na televisão conclamando os telespectadores a comprarem produtos de Ivanka Trump, fazendo um tipo de promoção expressamente proibido por lei.

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