Michel Temer: dias de meditação na Base de Aratu…


´…onde Marcela e Michelzinho passearam no barco da Marinha

ARTIGO DA SEMANA
Temer, de Aratu ao Jaburu: privacidade ou destino?
Vitor Hugo Soares

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), deixou a Bahia na noite de terça-feira. Depois de descansar com a família, na Base Naval de Aratu, no feriado do carnaval, um ritual de mandatários brasileiros que vem de FHC. Temer pegou o voo de retorno, à Brasília, já meio encoberto pela sombra silenciosa anunciadora da chegada da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, que caiu este ano no primeiro dia de março. Tempo de recolhimento, meditação e penitência – para os católicos – quando ainda se observava o silêncio dos retiros espirituais neste período.

O dono do poder da vez deixou o território soteropolitano nos estertores da folia, em homenagem aos 50 Anos da Tropicália, quando ainda repercutia intensamente o grito de “Fora Temer”, da banda e bloco “Baiana System”- a nova coqueluche do carnaval e outras paradas pan-etílicas locais e nacionais – reproduzido pela multidão em festa nas ruas da capital baiana. “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, diriam irônicos franceses entre si, em tempo menos cavernosos no entorno da Torre Eiffel.

Sem dizer uma palavra, de público, e com o mesmo ar enigmático e cenhos franzidos que apresentava ao desembarcar para os quatro dias de repouso, no recanto escondido sob os exuberantes resquícios que sobraram em anos seguidos de devastação da Mata Atlântica, o presidente deixou a Cidade da Bahia. A primeira dama, Marcela, e o filho Michelzinho, que o acompanhavam na visita, ainda foram vistos e fotografados passeando, debaixo de chuva de verão, na lancha da Marinha, nas imediações da praia de Inema e em deslumbrantes localidades do entorno da Baia de Todos os Santos. A exemplo do que acontecia com a mandatária afastada, Dilma Rousseff, e família, em outros carnavais.

Quanto a Temer, ninguém conta tê-lo visto fora da “casa de repouso presidencial” em Aratu, ou que algum político ou amigo dileto do rei posto tenha aparecido por lá para uma conversa – como era comum ser registrado nas eras Fernando Henrique Cardoso (PSDB) , Lula e Dilma (PT), antigos hóspedes do lugar. Nem mesmo o ministro baiano Antonio Imbassahy, tucano, ou ACM Neto, (DEM), amigo e aliado dileto, prefeito da capital e já em explícitos testes de prestígio nas ruas, para tentar desalojar o atual ocupante petista do Palácio de Ondina, Rui Costa, nas eleições de 2018 para o governo do estado. Costa, por sua vez, diz que só ficou sabendo da visita “na última hora”. E não apareceu, nem na chegada, nem na saída do visitante.

Ah, sabe-se de ouvir dizer, que, em Aratu, o presidente fez reflexões políticas sobre o despedaçamento e os riscos que cercam sua equipe de primeiro escalão do governo (com a polícia e a justiça no encalço de vários de seus integrantes) a começar pelo ministro – chefe da Casa Civil e amigo do peito, Eliseu Padilha, já de molho por questões de saúde. E decidiu pela escolha do senador do PSDB paulista, Aloysio Nunes, para comandar o Itamaraty, à frente do Ministério das Relações Exteriores, em substituição a José Serra. Uma tacada certeira na cabeça do bolivarianismo da América Latina e de posicionamento crítico diante do comportamento errático e ofensivo do magnata “republicano” Donald Trump, à frente dos Estados Unidos. < /span>

Nada disso, no entanto – ou talvez por isso mesmo – impediu que o mandatário deixasse a cidade de todos os santos e de quase todos os pecados, não só sob o preocupante e incômodo ecoar dos gritos de guerra das ruas de Salvador e de outras praças carnavalescas do Brasil – a exemplo do que registrou com destaque o Jornal Nacional, da Rede Globo – , cercado de dúvidas e insinuações que pipocam aqui e ali, em maldosos e irônicos terreiros da esquentada e polarizada política baiana. Um murmúrio, que não quer calar: teria o dedo ou a voz de algum vidente, pai de santo ou ialorixa de algum terreiro baiano metido na repentina decisão de trocar o recém reformado Palácio da Alvorada pelo Jaburu, como residência presidencial. Ou tudo não passa de simples intuição feminina, sexto sentido da jovem primeira dama, que teria convencido o marido na busca de maior privacidade familiar, a exemplo da oferecida nestes dias de fevereiro na base militar da Bahia. A conferir.
Um pitaco de vidente ou de respeitável orixá, não seria nada inusitado em se tratando de política e de poder, na Bahia e no Brasil. De uma forma ou de outra, os ares amenos da praia de Inema teriam contribuído para a decisão de mudança da família presidencial do Palácio da Alvorada. No fim do descanso, Temer, Marcela e Michelzinho voaram direto de Aratu para o Jaburu.

E se o assunto é crença e destino (político ou pessoal), é sempre bom lembrar de Ulysses Guimarães, antes do ponto final deste artigo. A Sorte é o quarto mandamento do Decálogo do Estadista que o Senhor Diretas instituiu e deixou para a posteridade. No enunciado, diz Ulysses: “Azarado não pode ser estadista. Como o general que, embora tenha todas as qualidades, se perder a batalha não ganha estátua. Antes de lhe entregar o bastão de general, Napoleão investigava se seu soldado tinha sorte”.

Fico por aqui, mas sei que sempre haverá alguém mais curioso com a pergunta engatilhada: “mas que diabo isso tem a ver com Temer e seu governo?” . Isso eu não sei, responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 4 Março, 2017 at 21:08 #

“Temer faz rodízio entre investigados da Lava Jato na liderança do governo”

Presidente confirma ida de Romero Jucá para a liderança do governo no Senado e a indicação de André Moura como representante do Planalto nas discussões do Congresso. Vaga deixada por ele na Câmara é ocupada por Aguinaldo Ribeiro. Os três são acusados de crimes no STF

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/temer-faz-rodizio-entre-investigados-da-lava-jato-na-lideranca-do-governo/


Cida Torneros on 5 Março, 2017 at 14:18 #

Napoleao realmente perguntava se o guerreiro era pessoa de sorte.

Não adiantaria nada ser um bravo lutador se não fosse agraciado pela sorte. É fato que aos azarados sobram as infelizes pseudo coincidências de episódios repetidos quando tudo emperra e parece andar pra trás.

Consolo ou lamento? Aos golpistas sobram a dura aplicação das leis ou o destino irreversível do julgamento histórico.

De qualquer modo, nosso pseudo presidente da República não seria um soldado de Napoleao . Talvez perdesse a batalha para o rigoroso inverno russo ou quem sabe para um grande Carnaval de gritos Fora Temer.

Em resumo este artigo tem tudo a ver com a busca e risco. Seria ganhar na loteria da nau dos insensatos.

Homens sortudos são escolhidos e como dizem os ciganos ou videntes. As cartas não mentem jamais. Jogo roubado se dissolve com cartas na mesa.

Nesse caso brasileiro há excesso de cartas marcadas e profusão de povo insatisfeito ou desiludido.

Mas se o povão tiver sorte sairá do embroglio dessa crise de política e valores.

Voltemos ao lar. A paz de um lar humilde e honesto. Que os seres de bem salvem a nação e espantem tanto azar!


Taciano Lemos de Carvalho on 5 Março, 2017 at 17:05 #

Mas ele é um cara de sorte. Escapou do naufrágio da Docas de Santos


Taciano Lemos de Carvalho on 5 Março, 2017 at 17:07 #

…das Docas…


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