DEU NO BLOG POR ESCRITO;(DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Há vagas na legião presidencial

O governo Temer demonstra especialização para escolha de ministros com base na teoria do balão de ensaio ou da simples indecisão mesmo.

Superado o caso Imbassahy, que ficou dois meses em modo espera e teve resultado positivo para o governo, deu-se o inverso com ministro aposentado do Supremo Carlos Velloso.

Da explicação inicial de que o presidente o convidara para “ajudar a salvar o Brasil” à recusa da vaga no batalhão de heróis, foram umas três semanas. Um progresso.

Uma lambança que a experiência repele

Temer e Velloso somam 157 anos de idade, o que põe em dúvida a explicação dada pelo ex-presidente do STF para a desistência ou, vá lá, recusa ao convite.

Com tanta experiência, não deixariam vazar negociações para o Ministério da Justiça, especialmente nesta hora amarga da segurança pública, sem que houvesse certeza de um desfecho favorável.

Os motivos alegados por Velloso – a pendência de dezenas de contratos de seu escritório de advocacia e a opinião familiar contrária – teriam existido mesmo antes que Temer pensasse em recrutar sua força hercúlea.

Uma pista: a ética fez parte da decisão

Velloso pode ter deixado uma pista ao dizer que sua decisão decorreu de “compromissos de natureza profissional e, sobretudo, éticos”, conceito que tem duplo sentido, não só o dos contratos do advogado.

O cargo de ministro da Justiça, o mais antigo entre os auxiliares presidenciais no Brasil, exige um desempenho republicano de quem o exerce, não manipulação política vulgar.

É mais crível que Velloso, mesmo sendo amigo de Temer há décadas, não tenha gostado da configuração que lhe foi reservada no projeto de salvação nacional, sendo mais razoável a penumbra que o risco ao prestígio longamente acumulado.

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Ivete Sangalo – Ivete Do Rio Ao Rio(Samba Enredo Grande Rio) Turnê Acústico Em Trancoso – SP

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Postado pela leitora, ouvinte e amiga do peito do BP, Mariana Soares, em seu endereço no Twitter:

“A Grande Rio vem aí cheia de Axé, com Ivete…Não é minha escola do coração, mas terá minha torcida”. (Mariana Soares)

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A torcida do Bahia em Pauta também. Viva!!! BP agradece pela dica, Mariana.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

O “Jornal do Brasil” vai voltar às bancas.

A afirmação é do empresário Omar Peres, que fechou neste mês negócio com Nelson Tanure, antigo controlador da empresa.

O objetivo é vender diariamente cerca de 30 mil exemplares do “novo JB”, um dos marcos do jornalismo brasileiro dos anos 1950 até os anos 1990.

Inicialmente, a publicação terá dois cadernos, um com 16 páginas e outro com seis, e aos domingos ganhará uma edição ampliada com 24 páginas no primeiro caderno.

“Gosto de investir em ícones que ficaram na alma das pessoas e da sociedade. Por isso, nunca morrem. Acho que o ‘JB’ é a mesma coisa. Faz parte da alma desta cidade.”

Ex-dono de uma afiliada da Rede Globo em Minas Gerais ( de Juiz de Fora), o empresário é proprietário de restaurantes tradicionais do Rio, como La Fiorentina e Bar Lagoa. Sua última aquisição foi o Piantella, reduto de políticos em Brasília.

Executivo do antigo Banco Nacional nos anos 1970 nos EUA, ele tem também negócios no setor imobiliário na capital fluminense.

Segundo Peres, o “JB” será vendido apenas nas bancas cariocas. Não haverá assinaturas. A primeira edição sairá em maio.

“As pessoas sentem falta do jornal e queremos resgatá-las. Faremos um produto carioca que fale do Rio, que ofereça uma visão do Brasil e do mundo, mas que tenha informações exclusivas sobre o que acontece aqui”, afirma o empresário.

A Redação vai funcionar na avenida Rio Branco, no centro da cidade, e deve contar com 30 profissionais. “Vamos ter gente importante escrevendo”, acrescentou.

Os jornalistas não vão produzir conteúdo para as editorias de Esporte e Internacional. “Vamos usar o material das agências. A maior parte dos assuntos de Brasília também virá dessa forma”, disse Peres, que deve assinar na próxima semana o contrato para usar a marca;

Há um ano planejando a investida, ele não comenta sobre os valores envolvidos na aquisição do diário.

Fundado em 1891, o “Jornal do Brasil” teve a sua última edição impressa no dia 31 de agosto de 2010. A edição online permanece no ar.


Trump durante comício como presidente AFP

DO EL PAÍS

Pablo de Llano

Melbourne (Florida)

Com múltiplas frentes de batalha abertas, a principal sendo a sombra da conexão de sua administração com o Kremlin, Donald Trump voltou neste sábado à trincheira em que se sente mais confortável, o comício-show. Milhares de seguidores o aguardavam num hangar do aeroporto de Melbourne-Orlando (Flórida), e o Comandante-Chefe, também performer-chefe, surgiu numa cena milimetricamente executada. O nariz do Air Force One veio pela frente do hangar: lento, majestoso, com música épica a todo volume.

Parou, a porta do avião se abriu, houve suspense por alguns minutos, e finalmente Trump saiu, acompanhado por sua esposa, Melania, aclamado por seus fiéis, para descer a escada de desembarque diretamente para o palco e fazer um discurso de 45 minutos em que desfiou os conhecidos tópicos de seu nacional-populismo –“Fazer a América grande outra vez”, “defender nossa fronteira”, “dar trabalho de novo a nossos mineiros”, “dar segurança a nossas vizinhanças”, “proteger nossos maravilhosos cidadãos”, “expulsar os terroristas”– e insistiu nos ataques ao que definiu na sexta-feira como “o principal inimigo do povo norte-americano”, os meios de comunicação. “Têm sua própria agenda, e a agenda deles não é a de vocês”, disse ao devotado público que compareceu ao hangar, um local, nas palavras do presidente, “cheio de patriotas trabalhadores”.

De terno e sem gravata, enérgico, estrondoso, o presidente voltou ao papel de candidato em campanha para eletrizar suas massas e lhes repetir que devem fazer ouvidos moucos aos “meios desonestos”. “São parte importante dos problemas deste sistema corrupto”. Afirmou que informam “sem fontes” e que “em muitos casos inventam” as notícias, apesar dele mesmo ter admitido em sua tempestuosa entrevista coletiva quinta-feira, uma hora de embate direto com os repórteres, que as revelações publicadas pelos meios saem de gargantas profundas do próprio sistema que lidera.

Em seu terceiro fim de semana seguido na Flórida, onde fica em sua mansão-clube de elite Mar-a-Lago, suntuoso casarão de estilo mourisco espanhol que sua equipe chama de “Casa Branca de Inverno” (embora Trump tenha criado na manhã de sábado num tuíte um estranho novo apelido, “A Casa Branca Sulista”), o presidente tentou se reconectar a seus partidários, a sua onda política, “um movimento”, disse, “nunca visto neste país e quiçá em nenhum outro lugar”. Suas bases o ovacionavam. A lua de mel de Trump com sua América, uma América real e grande, majoritariamente branca e de classe média, continua. “Apesar de todas suas mentiras, não conseguiram nos vencer”, “e prosseguiremos ganhando e ganhando”.

Assim como muitas pessoas da costa Leste descem à Flórida para desfrutar do Sol, o presidente Trump baixou neste fim de semana para injetar trumpismo no cenário do poder. Longe por um par de dias de Washington, essa fria capital tão pouco ao seu gosto, que desde o início de sua campanha comparou a “um pântano” que se encarregaria de “drenar”, Trump deixou que seus ouvidos fossem acariciados ouvindo seu povo gritar, outra vez: “Drene o pântano! Drene o pântano!”.

Precisava ouvir isso. Sua semana tinha sido um martírio. Na segunda-feira seu conselheiro de Segurança Nacional, o general Michael Flynn, demitiu-se, por ocultar do Governo informações sobre suas conversas com o embaixador russo. Na terça-feira o jornal The New York Times abriu mais essa ferida, publicando que vários membros da campanha do presidente tinham tido contato com altos funcionários da espionagem de Moscou. Na quarta-feira seu indicado para secretário do Trabalho, Andrew Pudzer, um Midas do fast food, demasiadamente exposto por um velho escândalo matrimonial e por ter empregado em sua casa uma imigrante sem documentos, jogou a toalha e renunciou a tentar ser confirmado pelo Senado.
Trump e a primeira-dama
Trump e a primeira-dama AP

Na mesma quarta-feira levou mais uma bofetada, cortesia do The Wall Street Journal, que revelou que os serviços de inteligência estão ocultando segredos porque temem que o presidente os filtre. Na quinta-feira, o homem que ele queria como substituto de Flynn, o vice-almirante da reserva Robert Haward, disse-lhe que não. Foi o dia em que aconteceu a entrevista coletiva de 77 minutos em que desancou os meios de comunicação, que acusou do mesmo que os meios e boa parte da opinião pública, não só democrata como também republicana, o acusam: de estar “fora de controle”. Na sexta-feira respirou um pouco ao ver confirmado seu nomeado para a Agência de Proteção Ambiental e ficou ainda mais satisfeito ao cunhar seu novo insulto aos meios de comunicação: “O inimigo do povo”.

Era essa a carga do Donald Trump que neste sábado fez na Flórida seu primeiro comício como presidente dos Estados Unidos, o primeiro episódio do que promete ser uma campanha permanente, uma presidência inteira subindo no ringue. Diante de seu público tomou ar e voltou ponto a ponto às ideias que ganharam sua confiança e sua ilusão. Protecionismo econômico – “compre norte-americano, contrate norte-americano” –, criação de empregos “como vocês nunca viram”, aumento do gasto militar, menos impostos e regulamentações empresariais, braço firme da polícia, medidas severas contra a imigração ilegal – com “um maravilhoso muro”– e a promessa de uma América “grande” e “segura” frente às ameaças que a cercam. Os “cartéis transnacionais” que trazem a droga “que envenena nossa juventude”, os terroristas que querem se infiltrar pelas fronteiras para cometer atentados. “Queremos gente que possa compartilhar as tradições de nosso país”, afirmou, “não gente que traga ideias muito ruins.”

Esta semana se espera que o presidente torne a apresentar, algo suavizada após ter sido congelada pelo sistema judicial, sua agressiva ordem executiva para a paralisação preventiva da entrada de refugiados e de imigrantes de sete países de maioria muçulmana. Neste sábado na Flórida adiantou que analisa a ideia de criar áreas seguras na Síria para que os sírios que sofrem com a guerra possam se abrigar sem que os Estados Unidos tenham que acolhê-los. Acrescentou que a conta ficará a cargo dos opulentos países petrolíferos do Golfo Pérsico. Detalhe muito alinhado com suas críticas às nações da Otan por – em sua opinião – não aportarem dinheiro suficiente à coalizão militar.

Depois de se remuniciar entre os seus, voltou a seu paraíso de Mar-a-Lago. Na segunda-feira regressará a Washington, onde há vazamentos aos borbotões. Trump terá que pôr a gravata e calçar as botas de borracha. O pântano o espera.

fev
20
Posted on 20-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-02-2017


Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)


Frases da semana: “Recebi p… nenhuma”
4

O que foi dito em meio a um sistema que foi feito para não funcionar:

“Claro que não. Recebi porra nenhuma. Certo? Essa é a expressão (risos). Se você quiser colocar isso (risos)… Porra nenhuma.”

(Jader Barbalho, negando a O Antagonista ter recebido propina da obra de Belo Monte)

“O sistema é feito para não funcionar.”

(Luís Roberto Barroso, que decidiu levar ao plenário do STF uma proposta para restringir o foro privilegiado)

“Eu tenho subscrito uma visão crítica do chamado foro privilegiado por entendê-lo incompatível com o princípio republicano, que é o programa normativo que está na base da Constituição brasileira.”

(Edson Fachin, relator da Lava Jato)

“Se alguém converter-se em réu, estará afastado.”

(Temer, sobre como lidará com integrante do seu governo enrolados na Lava Jato, mas sabendo que dificilmente um deles se tornará réu durante o seu mandato)

“Não estamos a julgar o acusado, até aqui simples acusado, muito embora já crucificado pela opinião pública.”

(Marco Aurélio Mello, ao apoiar a libertação do “já crucificado” Eduardo Cunha)

“Fui pessoalmente conversar com ele. Fiz um apelo para que retirasse e retirou.”

(Eunício Oliveira, pressionado a pedir a Romero Jucá que retirasse a PEC que blindava Maia e o próprio Eunício)

“As prisões provisórias não podem durar ad eternum.”

(Alexandre de Moraes, gastando seu latim em campanha para ser aprovado para o STF)

“A vida pública do presidente é reveladora de seu compromisso com a liberdade de imprensa.”

(Alexandre Parola, negando que houve censura aos jornais que publicaram a tentativa de chantagem de um hacker a Marcela Temer)

“O problema é que ficou muito confuso agora. Como eu faço?”

(Rodrigo Maia, sobre o retorno das Dez Medidas Anticorrupção para a Câmara. Um dia depois, ele resolveu que a Câmara checaria a veracidade dos 2 milhões de assinaturas)

“Não vou falar com vocês. Vocês me adoram.”

(Gleisi Hoffmann, a O Antagonista, pagando com ingratidão a quem sempre lhe deu a mão)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Ladrões invadem prefeitura do Rio

Sete ladrões invadiram, agora à tarde, a sede administrativa da prefeitura do Rio, no centro da cidade.

Munidos de maçaricos, renderam os seguranças e arrombaram três caixas eletrônicos instalados no térreo.

Os bandidos permaneceram cerca de uma hora no local.

Que fase…

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES

A sabatina vem aí

Em observações anteriores sobre a relação do virtual ministro do Supremo Alexandre de Moraes com a ética, foram esquecidos os sucessivos plágios em obra que se supunha guardada por sólida erudição.

A indicação de Moraes é uma das frentes da batalha que a máquina viciada do poder no Brasil trava loucamente na busca da sobrevivência e da preservação de seus melhores espécimes.

Será um prazer ouvi-lo, ao vivo, terça-feira, inquirido ao menos por senadores com autoridade para questioná-lo, que são poucos – pouquíssimos quando se considera que o debate se dará numa comissão.

Alexandre de Moraes reúne todas as condições para não ser ministro do Supremo Tribunal Federal, desde a contradição de sua própria tese do impedimento até os encontros constrangedores com senadores que o julgarão e depois poderão ser julgados por ele.

Jamais houve caso de rejeição a uma indicação do presidente da República para o Supremo, mas, se à sociedade e à opinião pública só resta a fé, tenhamo-la de que a corte não será deslustrada por esse convívio.

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Charles Aznavour – Comme ils disent – 1972.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

Mulherengo e jogador, passou de aspirante à sucessão a jurado de morte pelo irmão e líder norte-coreano

Macarena Vidal Liy

“Não temos onde nos esconder. A única maneira de escapar é escolher o suicídio”. Com estas palavras, Kim Jong-nam suplicou, numa carta de 2012, a seu irmão maior, o líder supremo norte-coreano Kim Jong-un, que suspendesse a ordem permanente para matá-lo, de acordo com a Coreia do Sul. Cinco anos mais tarde, numa mensagem inequívoca contra possíveis adversários do regime, o filho mais velho do “Querido Líder” Kim Jong-il foi assassinado num aeroporto da Malásia.
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Sua vida foi tão romanesca quanto sua morte. Fruto, em 1971, da relação extraconjugal de seu pai com a atriz Song Hae-rim, então casada, passou seus primeiros anos com a avó. Kim Jong-il queria escondê-lo para evitar provocar a ira do fundador da dinastia, Kim Il-sung, que desaprovava o romance. Pouco via o pai. Para estudar, foi enviado primeiro à Suíça, depois a Moscou. Lá, aprendeu a ter fluência em inglês e francês e a desfrutar o que chamava de “liberdade” e outros, de “boa vida”. Seu gosto pela vida noturna vem dessa época.
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Finalmente, com as notícias de comportamentos escandalosos que chegavam da Europa, o jovem Kim foi chamado de volta à Coreia do Norte. Lá se tornou, durante um tempo, o queridinho do pai e até mesmo o favorito para a futura sucessão. Até que Kim Jong-il começou a prestar mais atenção aos filhos menores, Kim Jong-chul – guitarrista de talento e descartado como herdeiro por causa de seus gostos, que o pai considerava demasiado afeminados – e Kim Jong-un.

Sua queda definitiva em desgraça veio em 2001: foi surpreendido com um passaporte falso da República Dominicana ao tentar entrar no Japão, acompanhado por duas mulheres e uma criança. Segundo disse aos funcionários da imigração japonesa, queria que seu filho visse a Disneylândia em Tóquio. O “Querido Líder” explodiu em fúria.

Dois anos depois, Jong-nam se mudou para Macau, a cidade onde passaria a maior parte do tempo até sua morte. Mulherengo (sabe-se que teve duas esposas e muitas amantes) e apreciador de casinos, sempre disse não ter interesse algum em participar da política de seu país. Preferia sua “liberdade”, de acordo com a jornalista japonesa Yoji Gomi, que conheceu por acaso num aeroporto e à qual contou muita coisa sobre sua vida numa série de e-mails e duas entrevistas.

Mas em seus comentários a Gomi e a outros meios de comunicação Jong-nam também havia manifestado sua oposição ao sistema dinástico implantado em seu país. Considerava imprescindível fazer reformas para que a Coreia do Norte pudesse sobreviver, mas também pensava que as reformas implicariam necessariamente na queda da dinastia. Seu irmão Jong-un –acreditava–, era apenas um fantoche nas mãos de outros mais poderosos.

Esses comentários representaram o fim da retribuição que recebia no exílio por parte da Coreia do Norte, e também podem ter decretado sua sentença de morte. Em 2012, segundo os serviços secretos sul-coreanos, Kim Jong-un emitiu uma ordem permanente para executá-lo. Um agente norte-coreano que desertou reconheceu que tinha iniciado um plano para matá-lo num acidente. Esse plano não deu em nada, mas as ameaças devem ter sido suficientemente fortes para levar Jong-nam a escrever ao irmão pedindo clemência.

Sem sucesso, aparentemente. A trama, com ecos de atividades de espionagem da Guerra Fria, é digna de um filme de Jason Bourne. Por volta das oito horas da manhã da segunda-feira, dia 13, Kim aguardava no saguão do terminal do Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur para pegar um voo que o levaria de volta a Macau, onde morava. Duas mulheres jovens, uma delas vestida com uma camisa branca de manga com as letras LOL, se aproximaram dele e borrifaram seu rosto com um líquido.

Enquanto as supostas assassinas fugiam num táxi, o irmão mais velho de Kim Jong-un ainda conseguiu pedir ajuda no balcão de informações e explicou confusamente o que havia acontecido. Na clínica do aeroporto começou a sofrer convulsões. Duas horas após o suposto ataque, morreu na ambulância a caminho do hospital.

Os serviços secretos sul-coreanos imediatamente acusaram agentes da Coreia do Norte pelo assassinato.

A primeira prisão foi anunciada na quarta-feira: a jovem da camiseta branca foi presa ao tentar sair do país com um passaporte vietnamita. Sua companheira, de nacionalidade indonésia, Siti Aisha, e o namorado desta, cidadão malaio, caíram nas mãos da polícia um dia depois. Aisha, de acordo com o chefe da polícia indonésia, contou que acreditava de boa fé estar participando de um reality show com câmeras escondidas.

No sábado, pela primeira vez, foi anunciada a prisão de um cidadão norte-coreano, identificado como Ri Jong-chol, de 46 anos.
Cidadão sul-coreano assiste a um programa informativo na televisão no qual aparece uma das mulheres que supostamente assassinaram Kim Jong-nam no aeroporto na Malásia.
Cidadão sul-coreano assiste a um programa informativo na televisão no qual aparece uma das mulheres que supostamente assassinaram Kim Jong-nam no aeroporto na Malásia. JEON HEON-KYUN EFE

A Coreia do Norte reclamou o corpo. Mas não divulgou a morte aos seus cidadãos, o que ocorreu apenas três dias antes dos festejos do aniversário de nascimento de Kim Jong-il.

O acontecimento ameaça se transformar numa verdadeira disputa diplomática real entre Kuala Lumpur e Pyongyang. A Malásia reivindica, para devolver o corpo, que sejam entregues amostras de DNA dos familiares de Kim. A Coreia do Norte disse que não reconhecerá, quando forem anunciados, os resultados da autópsia que os legistas malaios fizeram no cadáver. Foi, diz o embaixador Kang Chol, “feita sem nossa autorização e sem que estivéssemos presentes”.

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