DEU NO POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Já dá para ver Bruno na Prefeitura

Por alguns, a expressão “ato falho” é usada para designar um erro qualquer de uma pessoa, tendo o vulgo se encarregado da difusão da novidade semântica.

Mas a repórter Tatiana Mendonça, da revista Muito, aplicou-a corretamente em recente matéria com o vice-prefeito Bruno Reis.

Foi quando, sobre a formação da chapa em que se elegeu, assim classificou uma resposta de Bruno, que “nunca escondeu de ninguém o desejo de ser prefeito da cidade”.

Ora, sabe-se que ele é vice, e só será prefeito se ACM Neto renunciar para disputar o governo do Estado – ou na hipótese mais remota de candidatar-se em 2020 e vencer.

Portanto, pelo que se poderia chamar de uma traição psicológica, Bruno revelou o que se julga oculto, embora depois venha a se constatar que, como disse o poeta, “terá sido o óbvio”.

fev
22
Posted on 22-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-02-2017


Pater, no jornal A Tribuna (ES)

fev
22


Raí de Souza, um dos condenados nesta segunda.
R. M. REUTERS

DO EL PAÍS

María Martín

Rio de Janeiro

Exatamente nove meses depois da divulgação do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos em uma favela do Rio, a Justiça acaba de ditar as primeiras sentenças. A 2ª Vara Criminal Regional de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, condenou nesta segunda-feira a 15 anos de prisão a dois dos cinco envolvidos diretamente com o crime. Raí de Souza e Raphael Assis Duarte Belo deverão cumprir 15 anos de prisão em regime fechado, considerados culpados por estupro de vulnerável e por produzir, reproduzir ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

Raí de Souza, de 22 anos, manteve relações sexuais consentidas com a vítima na madrugada do crime e estava preso desde o 30 de maio. Raí chegou a se apresentar na delegacia sorrindo e debochando no seu primeiro depoimento e negou ter participado do estupro, mas a investigação demonstrou que depois do sexo consentido, horas depois, ele chegou a segurar a vítima enquanto outros a tocavam, o que o levou a responder por estupro, além de responder ainda por gravar e divulgar imagens da menor, hoje acolhida em um programa de proteção à vítima. O celular de Raí, aliás, foi chave nas pesquisas que permitiram identificar os participantes e resgatar os vídeos e as mensagens trocadas com outros envolvidos para combinar seus depoimentos.
Cronologia do caso

21 de maio: De madrugada, a vítima de 16 anos vai com uma amiga num baile funk na comunidade do Barão, na zona oeste do Rio. Ali se encontra com Raí e Lucas. A adolescente manteve relações sexuais consentidas com Raí em uma casa abandonada da comunidade, enquanto sua amiga ficava com Lucas. Por volta das 10h da manhã, Lucas, Raí e a amiga abandonam a casa deixando a adolescente no local. Encontrada pelo traficante Moisés Camilo de Lucena, o Canário, foi levada para o local conhecido como abatedouro, onde aconteceu o estupro.

22 de maio: À noite, Raí aparece no abatedouro e, acompanhado de Raphael Belo, o Perninha e Canário, abusam da jovem e a gravam desacordada. A vítima declarou que o dois homens a seguravam enquanto outros dois a estupraram.

24-25 de maio. Os vídeos começam a se espalhar e chegam à família da jovem.

26 de maio. A adolescente presta seu primeiro depoimento ao delegado Alexandre Thiers, que acabou sendo afastado do caso no dia 29 de maio por constranger a vítima com questionamentos sobre as preferências sexuais da jovem. O novo destino de Thiers, que está de férias, ainda não foi definido.

27 de maio: A jovem presta mais depoimentos e Lucas Perdomo e Raí se apresentam na delegacia.

30 de maio: A Polícia Civil monta uma operação para prender seis envolvidos no crime. Raí e Lucas, que foi liberado depois por falta de provas, são detidos. Os demais estão foragidos.

31 de maio: A vítima entra no programa de proteção a testemunhas e abandona o Estado, sob outra identidade, com a família.

1 de junho: Rafael Belo é preso após se apresentar na delegacia. O inquérito continua com ordens de busca e apreensão e perícias no lugar do crime e nos materiais apreendidos.

17 de junho: O inquérito conclui com a participação de cinco pessoas no estupro e acusação de mais dois jovens por divulgar às imagens.

Raphael Belo, de 41 anos, era o cinegrafista do crime e o rosto dele aparece em uma das fotos tomadas junto à vítima desacordada e num dos vídeos introduzindo objetos na vagina da menor. Na época da prisão dos então suspeitos, a delegada responsável pela investigação, Cristiana Bento, surpreendia-se com a incapacidade dos envolvidos de enxergar um crime nas suas ações. “O último depoimento que eu peguei do Raphael, ele me disse que ela estava dormindo, mas que quando ela acordou eles pararam de mexer nela. Quando lhe perguntei se a menina fosse sua filha ele disse: ‘Deus me livre”, disse Bento em entrevista ao EL PAÍS em junho.

Além de Raphael e Raí, deveria responder pelos mesmos crimes um terceiro acusado, identificado como Moisés Camilo Lucena, o Canário, suposto traficante que está foragido desde o crime e que foi identificado pela vítima como um dos homens que a segurou durante a violação. A investigação apontou que mais um rapaz estava no quarto durante o estupro, mas, por ser menor, ele responderá separadamente. O quinto participante, também foragido, é o chefe do tráfico da comunidade onde o crime aconteceu, Sergio Luiz da Dilva, o Da Russa. Não há provas de que Da Russa tenha participado, mas foi indiciado pelo crime de estupro por ele ter conhecimento do que estava acontecendo, pois o quartel-general do tráfico fica do lado do lugar conhecido como abatedouro, onde a menina foi estuprada.

Outros dois jovens, Michel Brasil e Marcelo Miranda, de 20 e 18 anos não responderão pelo estupro de vulnerável, mas sim por serem os primeiros a divulgar as imagens que deram a volta ao mundo. Os processos correm na Justiça Federal pelo caráter “transnacional” do seu crime _pessoas de vários lugares poderiam acessar as imagens criminosas por meio da Internet.

O caso teve repercussão internacional e incendiou o debate sobre a cultura do estupro no Brasil. A delegada Bento afirmou na época que o crime, que provocou forte comoção e marchas de mulheres em várias cidades, passará à história porque fez a sociedade pensar “sobre o conceito e a cultura de estupro” no Brasil, que busca “culpar a vítima ou despenalizar o agressor”.


A jurista Eliana Calmon. Andressa Anholete


DO EL PAÍS

Gil Alessi

São Paulo

Não é de hoje que a jurista Eliana Calmon, de 72 anos, polemiza com seus pares da magistratura. Em 2011, quando ocupava o cargo de corregedora nacional de Justiça, ela afirmou que “bandidos de toga” estavam infiltrados no Judiciário. A declaração a colocou em rota de colisão com associações de juízes e magistrados, e posteriormente ela disse ter sido mal interpretada: “Eu sei que é uma minoria. A grande maioria da magistratura brasileira é de juiz correto”. Seis anos depois, com o país mergulhado no escândalo de corrupção da Petrobras, que mobiliza juízes de diversas instâncias com processos da Operação Lava Jato, Calmon volta à carga, e afirma que é preciso apurar a responsabilidade do Judiciário no caso.
A jurista Eliana Calmon.
A jurista Eliana Calmon. Andressa Anholete

Baiana de Salvador – terra natal da empreiteira Odebrecht, bastante criticada pela jurista-, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça. Em 2014, filiada ao PSB, tentou sem sucesso uma vaga no Senado Federal, e posteriormente anunciou apoio ao candidato tucano Aécio Neves, que disputou e perdeu a presidência naquele ano. Veja a entrevista concedida por Calmon ao EL PAÍS por telefone.

Operação da PF atinge clã do senador Edison Lobão por propina em Belo Monte

Pergunta. Como você avalia a Lava Jato até o momento?

Resposta. A Lava Jato foi um divisor de águas para o país. A partir dela vieram à tona as entranhas do poder brasileiro, e sua relação com a corrupção em todos os níveis de Governo. Mas para que tudo isso fique muito claro, seja passado a limpo de fato, precisa se estender para todos os poderes. Muitos fatos envolvendo o Executivo e o Legislativo vieram à tona, mas o Judiciário ficou na sombra, é o único poder que se safou até agora.

P. Você acha que membros do Judiciário também tiveram um papel no escândalo de corrupção?

R. O que eu acho é o seguinte: a Odebrecht passou mais de 30 anos ganhando praticamente todas as licitações que disputou. Enfrentou diversas empresas concorrentes, muitas com uma expertise semelhante, e derrotou todas. Será que no Judiciário ninguém viu nada? Nenhuma licitação equivocada, um contrato mal feito, que ludibriasse e lesasse a nação? Ninguém viu nada? Por isso eu digo que algo está faltando chegar até este poder. Refiro-me ao Judiciário como um todo, nas três instâncias. Na minha terra, na Bahia, todo mundo sabia que ninguém ganhava nenhuma causa contra a Odebrecht nos tribunais. O que eu questiono é que em todas estas décadas em que a empreiteira atuou como organização criminosa nenhum juiz ou desembargador parece ter visto nada… E até agora nenhum delator mencionou magistrados.

P. Mas não existe um corporativismo no Judiciário que dificultaria processos contra os magistrados?

R. Os juízes exercem atividade jurisdicional para serem isentos. Ponto. É o seguinte: o juiz de primeiro grau é processado perante o próprio tribunal. O de segundo grau é processado pelo Superior Tribunal de Justiça, e os ministros pela Suprema Corte.

P. Como vê a indicação do senador Edison Lobão (PMDB-PA), investigado pela Lava Jato, para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado?

R. Um presidente que está com seu ibope tão baixo quanto está o Michel Temer deveria ser mais cauteloso. Do ponto de vista jurídico nada impede que ele articulasse com a bancada do PMDB no Senado para colocar o Lobão na presidência. Mas em razão do envolvimento dele no processo da Lava Jato melhor seria que ele ficasse de fora. Por outro lado, a decisão era da bancada do partido, que é majoritária, então isso é normal. Se não fosse o Lobão ia botar quem? Está todo mundo comprometido. Você fecha o olho e pega um parlamentar… Pegou um corrupto! Pegou outro, corrupto!
Eliana Calmon em sua residência.
Eliana Calmon em sua residência. Andressa Anholete

P. O que achou da indicação do ministro da Justiça licenciado, Alexandre de Moraes, para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal?

R. Eu gostei da indicação. Aí todo mundo me pergunta “ah, mas o Moraes é político!”. Olha, eu gostei porque conheço ele e conheço os outros que foram cotados para assumir a vaga… E aí você conclui o que quiser. Esta história dele ser político, ora, eu conhecia os outros candidatos e não tinha ninguém bobo. Todos no STF têm inclinações políticas. Não é por amizade que apoio o nome dele. O que acontece é que ele é jovem e muito talentoso, tem livros maravilhosos sobre direito. É brilhante como intelectual e como militante na advocacia. Agora, se ele vai vender a alma ao diabo ou não, aí temos que ver…

P. Enquanto os processos da Lava Jato na primeira instância avançam com rapidez, no STF o ritmo é diferente. O que provoca essa lentidão na Corte Suprema?

R. O processamento das ações nos tribunais anda a passos de cágado. Não é só o Teori Zavascki ou o Edson Fachin [ex-relator e atual relator da Lava Jato no STF] que são responsáveis por isso. A tramitação do processo é muito lenta, e é óbvio que aqueles que detêm foro especial não têm interesse em fazer com que o processo, com que essas ações penais andem rápido. A legislação é cruel, há uma dificuldade de fazer andar esses processos. Veja na primeira instância, por exemplo: o Sérgio Moro recebe uma denúncia, e ele faz um juízo de valor, acolhendo ou não. Se acolheu, o denunciado já se torna réu. Agora no foro especial, quando o relator recebe a denúncia, ele nem inicia a ação penal. Ele abre uma intimação para que o indiciado na denúncia venha se defender. Só depois dessa defesa é que ele leva para a corte. Isso estende muito o processo, é muito demorado. E só depois disso começa o processamento.

O processamento das ações nos tribunais anda a passos de cágado

P. Temer foi muito criticado por ter nomeado Moreira Franco, citado dezenas de vezes na Lava Jato, para um ministério. Acha correta a nomeação?

R. Eu acho que se o Ministério Público com base em fatos incontroversos faz uma reclamação formal contra um ministro, eu entendo que não deveria ser nomeado. Ele [Temer] deu aquela desculpa meio esfarrapada [que afastaria quem fosse denunciado] mas a nação teve que engolir. No final de contas é a mesma situação que ocorreu com o Lula, mas dessa vez em decisão monocrática o ministro Celso de Mello avaliou que ele poderia tomar posse.

P. O juiz Sérgio Moro tem sido muito criticado desde o início da Lava Jato pelo que alguns consideram como sendo um abuso nas prisões preventivas. Como você vê essa questão?

R. O Moro é muito dinâmico, conhece muito este processo específico, uma vez que ele acompanha o caso e seus desdobramentos desde o início. Isso dá celeridade ao processo, e acho que isso é algo que deve ser aplaudido. Quanto às críticas envolvendo prisões preventivas, a culpa é do STF que não julga os pedidos de liberdade feitos pela defesa. Em última instância, os pedidos de habeas corpus cabem ao Supremo.

Daniel e Maria Luiza Jobim, momento maravilha no esquenta do BP!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Esse tempo é meu

Nove partidos, entre grandes, médios e inexpressivos, tiveram cassado o tempo no rádio e TV porque não dedicaram 20% da propaganda ao incentivo à participação feminina na política.

Curioso é que partidos que mais se empenharam pela “reparação de gênero”, como PT e PCdoB, estão entre os punidos.

O motivo é simples: em nome do politicamente correto, são criadas as percentagens feministas e as vagas nas chapas são preenchidas mesmo que isso não corresponda à realidade política, com candidatas “laranjas”.

Mas quando se trata de distribuir, de alguma forma, o precioso tempo na televisão, que se danem os princípios, as cúpulas masculinas não abrem mão da precedência.

fev
21
Posted on 21-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-02-2017


Pelicano, no jornal Bom Dia (SP)

fev
21
Posted on 21-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-02-2017

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Quando o delator de Cabral chorou

As relações entre criminosos são espantosamente baseadas em… lealdade.

Durante os depoimentos de delação premiada, os irmãos Renato e Marcelo Chebar, foram firmes o tempo todo, disse a O Antagonista um dos procuradores da Lava Jato fluminense.

Renato, no entanto, fraquejou, chorou mesmo, quando foi perguntado sobre a relação de confiança entre eles e Cabral.

O investigador quis saber como Cabral tinha garantia de que eles devolveriam todo o dinheiro que guardavam no exterior (US$ 80 milhões só do ex-governador e outros US$ 20 milhões de outros membros da ORCRIM).

O que aconteceria se os dois morressem, perguntou o procurador?

Segundo Renato, os dois tentavam evitar riscos. Nunca viajavam no mesmo avião, por exemplo.

“Mas, e em uma situação hipotética, o que aconteceria, se vocês dois morressem?”, insistiu o procurador.

Segundo Renato Chebar, essa seria a única possibilidade de Cabral levar calote.

O delator afirmou que era totalmente leal ao ex-governador, e que não existia a possibilidade de ficar com o dinheiro dele. Disse, ainda, que a decisão de colaborar com a Justiça, foi a última alternativa, “última mesmo”. E caiu no choro.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

PF NO PELOURINHO

A Polícia Federal em Salvador deflagrou nesta manhã a Operação Conversão, para combater o “câmbio ilegal” operado por empresas de turismo no Pelourinho. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.

Carnaval da PF

Agentes apreenderam documentos e mídias, alem de “diversos valores em moeda estrangeira”. Houve também o flagrante de mais uma empresa que operava o serviço sem autorização.

.

Por G1, com informações do Fantástico

a

Em delação premiada, o empresário Alexandre Margotto, que é ligado a Lúcio Bolonha Funaro – apontado como operador financeiro de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e hoje preso na Operação Lava Jato – revela mais detalhes da ligação do ex-ministro Geddel Vieira Lima com um suposto esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal.

A delação do empresário, que foi homologada pelo juiz Vallisney Oliveira, da décima Vara Federal de Brasília, foi obtida com exclusividade pelo Fantástico.

A delação revela também o suposto envolvimento do empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, com as operações irregulares no banco federal. E também uma surpresa: o delator conta que esse escândalo revelou ao menos uma pessoa honesta, um personagem que se recusou a praticar corrupção.

Lúcio Bolonha Funaro, conhecido da Justiça desde as investigações do Mensalão e já definido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como “alguém que tem o crime como modo de vida”, era quem ajudava a pensar o esquema e a administrar o dinheiro. Ele cobrava propina e fazia repasses. O empresário Alexandre Margotto trabalhava diretamente com Funaro, que está preso no presídio da Papuda, em Brasília.

Em delação premiada, Margotto deu mais detalhes de como funcionava o esquema de corrupção montado dentro da Caixa Econômica Federal, e que já havia sido delatado pelo vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias do banco, Fábio Cleto, indicado para o cargo por Eduardo Cunha.

De acordo com Alexandre Margotto, o grupo de Cunha operava com Fábio Cleto e também com Geddel Vieira Lima, ex-secretário de Governo de Michel Temer, filiado ao PMDB, que na época era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa.

A ligação de Geddel com o esquema foi revelada em janeiro, durante a operação Cui Bono, da Polícia Federal. Nessa época, ele já tinha deixado o governo em meio a denúncias de uso do cargo para benefício próprio. Os depoimentos dele foram gravados em vídeo pelo Ministério Público, em Brasília.

Margotto contou que Funaro tinha grande influência sobre Geddel na Caixa. “Não faço ideia. Quando eu cheguei no escritório já tinham esse relacionamento. Segundo o Lúcio, ele mandava no Geddel”, declarou.

Margotto contou ainda na delação premiada que, para Lúcio Bolonha Funaro, Geddel era mais eficiente para o esquema do que Fábio Cleto, com quem Funaro chegou a brigar e ameaçar de morte.

De acordo com o depoimento, Funaro ganhou muito dinheiro com Geddel. “Somente o que Lúcio me comentava, que ganhava mais dinheiro com o Geddel do que com o próprio Fábio”, disse o empresário.

Alexandre Margotto chegou a descrever como era feita a divisão da propina, que era separada com base em percentuais. A maior parte do dinheiro deveria ir para Eduardo Cunha, mas outros politicos, como Geddel e Henrique Eduardo Alves, também do PMDB, que foi presidente da Câmara e ministro dos governo Dilma Rousseff e Michel Temer, são citados como destinstários da propina.

Em um trecho da delação, um procurador pergunta para Margotto: “20 [%] entre você, o Fábio Cleto e o Lúcio Funaro, os 80% [restantes] ficariam com?”. E a resposta de Margotto: “Eduardo Cunha, segundo Lúcio Henrique Alves e aliados”. Segundo ele, Cunha receberia 70% e “distribuiria para os outros políticos, como Geddel também”.

No caso do desvio de verbas da Caixa para financiar projetos do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, por exemplo, Margotto citou os valores da propina que foram acertados para cada um. Essa obra foi financiada com recursos do fundo de investimento do FGTS, gerido por um conselho com participação da Caixa.

O procurador insiste para saber os valores: “Como era acertado o percentual da propina, sabe dizer? Desse caso do Porto Maravilha?”.

Margotto responde: “No escritório, a parte do Lúcio que era os 20%, eu me recordo muito bem que eram os R$ 280 mil, onde eu ficaria com R$ 56 mil, Fábio com R$ 56 mil e o Funaro com o restante. E os 80% de um milhão e meio, um milhão e 560 [mil], tem que fazer a conta direitinho, pra Eduardo Cunha”.

Margotto também falou da intimidade de Lúcio Funaro com Joesley Batista, presidente da J&F, que controla, entre outras empresas, o frigorífico JBS. Ele confirmou duas informações já dadas à Justiça por Fábio Cleto.

Para mostrar que o empresário tinha grande intimidade com integrantes do esquema, Margotto relatou uma viagem ao Caribe de Funaro, Joesley e Cleto, acompanhados das namoradas. E uma casa que Joesley teria dado a Funaro, localizada em São Paulo (SP), que, segundo Margotto, valeria mais de R$ 20 milhões.

“Mas conta a história dessa casa. Quanto você sabe dessa casa?”, questiona o procurador. No que Margotto responde: “que ela foi feita para o pagamento de dívida de propina. E o Lúcio me falava que inclusive não só casa mas que já chegou a cogitar de ficar com o jato, já chegou a cogitar de ter outros tipos de pagamento que não em espécie. Mas sei que a casa foi uma delas”.

Alexandre Margotto também disse, no depoimento ao Ministério Público, que Funaro ofereceu a Joesley facilidades na Caixa Econômica Federal. “Eu tenho o vice-presidente da Caixa, ele vai atender às suas demandas com o menor prazo possível, e tudo o que for dentro do que for possível ele vai fazer sob os nossos comandos”, declarou.

Na delação premiada, o empresário confirmou ainda o que já tinha sido revelado por outro delator, Fábio Cleto. Segundo Margotto, Geddel e Cleto foram fundamentais para tornar viável uma operação de compra de debêntures da Eldorado Celulose pelo fundo de investimento do FGTS. A Eldorado pertence ao grupo J&F, e já é investigada desde a operação Sepsis, da Polícia Federal, a mesma que levou Funarno à prisão.

O empresário Alexandre Margotto revelou também quanto seria pago em propina. “O Lúcio me comentou que ia cobrar 3%. E que ele ia repassar”. O procurador do Ministério Público pergunta: Das duas operações?”. Margotto, por sua vez, disse: “De cada uma. Entre 2,5% e 3%, é o que ele me disse que ia cobrar”.

Margotto também afirmou que Joesley Batista queria ter influência sobre o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, um cargo estratégico para seus negócios.

Segundo o delator, Joesley queria colocar um nome de confiança dentro do governo federal. Margotto, em negociação com Funaro e Eduardo Cunha, indicou Flávio Turquino. Isso foi em agosto de 2013 e houve protesto contra a nomeação política para um cargo sempre ocupado por técnicos do Ministério.

À primeira vista, a estratégia deu certo e Turquino foi nomeado. Mas, segundo Margotto, depois Turquino não aceitou as condições do esquema. E com menos de dois meses pediu demissão. É a primeira vez que uma delação revela que alguém foi honesto.

“Alguma operação que eu não sei te dizer, o Flávio ficou absurdado. Falou ‘não vou fazer’. ‘Tenho uma família, não preciso de dinheiro, eu prezo por fazer as coisas certo. Não quero estragar o nome da minha família'”, disse Margotto, na delação premiada. O Ministério Público questiona: “Trocaram ele?”. Alexandre Margotto responde que ele próprio pediu para sair.

Acusados negam

A defesa de Geddel Vieira Lima afirmou o cliente não mantém qualquer contato com Alexandre Margotto e reafirmou a conduta correta de Geddel. Disse ainda que irá prestar esclarecimentos assim que tiver acesso aos autos, e que o cliente está à disposição da Justiça.

Henrique Eduardo Alves negou que tenha recebido propina, e disse que a acusação do delator é absurda e irresponsável.

A J&F reitera que suas relações comerciais com Lúcio Furnaro são lícitas, legais e devidamente documentadas. Sobre os assuntos que estão sob investigação, a empresa esclarece que está à disposição do Ministério Público Federal e da Justiça caso haja algo a acrescentar. A J&F esclarece ainda que Joesley Batista não teve e não tem qualquer relação com Alexandre Margotto.

A Caixa Econômica Federal afirmou que está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações em curso.

Pages: 1 2 3 4 5 6 7 ... 19 20

  • Arquivos

  • Fevereiro 2017
    S T Q Q S S D
    « jan   mar »
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728