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Postado em 26-02-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-02-2017 00:08

DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Temer: um mandato definitivamente em risco

Produto de um entendimento em parte tácito, em parte, explícito, que envolveu o setor político, as classes econômicas e mesmo altas instituições nacionais, o governo Michel Temer se esvai na queda sucessiva de ministros citados ou investigados por corrupção.

O que antes poderia ser definido como “caso pontual”, embora alguns já tivessem ocorrido, tornou-se uma onda gigante do surfe radical. São engolidos os ministros mais próximos de corpo e alma do presidente, ele próprio um “citado”, vendo a crise chegar cada vez mais perto.

No texto “Temer, Lula e a ‘salvação nacional’”, de 04/05/16, fizemos referência às “forças congregadas em torno de Temer (…) que contribuirão, necessariamente, como estratégia, para um upgrade do país num momento particularmente incerto e ameaçador”.

Em 31/05/16, na nota “Demissão de ministro ‘faz parte’ do plano”, prevíamos para o presidente “consagração final, caso não sucumba sob acusação pessoal incontestável, como tantas que têm ocorrido no Brasil moderno, e isso venha a determinar uma cassação ‘política’ de sua chapa pelo TSE”.

Se não andou o processo contra a chapa Dilma-Temer, isso não se deve somente à clássica morosidade da Justiça no Brasil, mas a um posicionamento da corte eleitoral, como outros, semelhantes, que têm tomado o STF e seus ministros em prol da “governabilidade” do país.

O quadro adquire nova conotação com o verdadeiro desmonte a que se assiste no governo. A dúvida é se será possível manter um presidente cercado por uma quadrilha em nome dos indicadores da economia ou se o país seguirá sua marcha de livrar-se dos corruptos, ainda que seja o Congresso a eleger o sucessor.

Da volubilidade tucana

Vale sempre lembrar que a ação no TSE foi movida pelo PSDB, quando adversário. Aliados pró-impeachment, os tucanos torcem agora para sua tese ser derrotada na Justiça.

Conspiração sepultada

O desenrolar da Operação Lava-Jato vai jogando mais terra sobre a tese desesperada do PT, de que havia uma conspiração em marcha para acabar o partido.

O crescente envolvimento de nomes importantes do PMDB, e até do PSDB, levando o supostamente insuspeito José Serra a pular fora, mostra que ainda não há clareza sobre o destino final de tudo isso.

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Comentários

Rosane Santana on 26 Fevereiro, 2017 at 7:09 #

Caro Luís, em minha opinião, Temer não cai. Para as tais forças de sustentação do governo Temer, às quais vc se refere no início de seu artigo, pouco interessa o combate à corrupção, porque elas próprias são o suprassumo dos desvios. Basta ver o que devem ao erário, fruto de sonegação. O que verdadeiramente importa é a capacidade de aprovação da agenda reformadora no Congresso, o q o governo tem conseguido. O combate à corrupção é agenda do marketing que galgou a classe média a partir da LavaJato, mas que as forças de apoio ao governo e o próprio governo continuam buscando formas de controlar, e encontram dificuldades num processo q esta internacionalizado por muitas razões, na era da globalização, e também é politicamente instrumentalizado por forças externas interessadas em macimizarem a exploração deste país colonial. Bjos.


Rosane Santana on 26 Fevereiro, 2017 at 7:10 #

maximizarem


luis augusto on 26 Fevereiro, 2017 at 7:42 #

Beleza, Ró. Vou usar. Obrigado.


Daniel on 26 Fevereiro, 2017 at 13:22 #

É apenas a minha (pobre) análise, mas vejo que a maioria das “crises” do governo Temer são puramente pueris e não- factuais. Em um contexto de “pós- verdade” parece que os fatos não importam mais.

Nesss sentido, centra- se fogo em tudo que aparenta “malvadeza” e conluio com a corrupção – ainda que não tenha base oficial – e se esquece a recuperação econômica, a independência da política externa e a entrada em pauta de importantes reformas que estavam na fila há 20 anos e pavimentarão um país equilibrado e sustentável pelos próximos 40.

É pena que muitos não enxerguem assim e prefiram apostar na pauta alternativa. Aquela que é alimentada pela turma que deixou o poder, após 14 anos desastrosos, e parte da manada do “todos são iguais”…


Carlos Volney on 26 Fevereiro, 2017 at 17:38 #

Então, voltamos ao maniqueísmo – “os meus estão certos” – malgrado os flagrantes, qualquer que sejam eles, o outro é que não serve.
Para mim, respeitando o direito ao ponto de vista contrário do outro, só por absoluta ausência de senso crítico e capacidade de análise, por paixão partidária ou ideológica, pra não imaginar coisa pior aqui, pode-se achar que um grupo chefiado por Temer, composto por Geddel, Padilha, Jucá, Renan, e que tais, vai realmente impor ética, seriedade e promover coisas melhores para um Brasil de todos.
Relembrando que sempre condenei aqui o PT por ter se tornado uma quadrilha ao se aliar a gente como os acima citados.
É só a minha opinião…


Taciano Lemos de Carvalho on 27 Fevereiro, 2017 at 0:11 #

Que o mandato de Temer está definitivamente em risco é uma constatação. Mas com tantos interesses dos grupos de apoio do presidente, tantos os formados por corruptos, quantos os integrados pelos conservadores, todos eles submissos aos banqueiros, latifundiários, e testas de ferro de empresários estrangeiros, fica difícil ele cair. Cair de onde não deveria estar. Nem deveria ter passado pela vice-presidência da República.


Daniel on 27 Fevereiro, 2017 at 12:44 #

Creio que não entenderam o meu comentário. Afirmei que os críticos ao governo atual – muitos deles ainda inconformados pela perda do poder – de forma conveniente centram fogo apenas na questão da aparência ética e não percebem o que já foi feito no combate à crise renitente e na recuperação econômica do país.

É inegável que é fundamental para um governo passar uma imagem de gestão ética e de postura moral em um país tão castigado e frustrado nesse sentido. Mas outras coisas também importam.

Aliás, será que preciso dizer de que campanha saíram os “nomes sujos” citados por aqui?


Taciano Lemos de Carvalho on 27 Fevereiro, 2017 at 13:01 #

A verdade, reconheçamos, é que Dilma caiu. E estava se apoiando em grupos conservadores, em grupos corruptos (quase na totalidade os que hoje se escoram no governo Temer), no grupo de latifundiários, de banqueiros “parceiros”. Havia até o Temer! Só o PT dizia, acredito que não achava, um sujeito bom.

Deu no que deu! E Deus tenha piedade dos Brasileiros. Que em algum dia mais a frente salve o país dessas quadrilhas e políticas perversa para a quase totalidade do povo. Governar pra um ou dois porcento da população não é governar, é “negociar” o corpo e a alma do povo.


Taciano Lemos de Carvalho on 27 Fevereiro, 2017 at 13:02 #

…quase na totalidade os que hoje se escoram —e escoram— no governo Temer.


Carlos Volney on 27 Fevereiro, 2017 at 17:54 #

“A pressa é inimiga da perfeição” – um dos mais antigos e consagrados ditos – nele incorri no comentário acima, numa acintosa agressão ao nosso já tal maltratado português.
Escrevi, “qualquer que sejam eles”, que barbaridade. Relendo agora, detectei e corrijo. Por favor, considerem, “quaisquer que sejam eles”…
Num blog onde só tem ilustrados, isso é crime inafiançável…


Taciano Lemos de Carvalho on 27 Fevereiro, 2017 at 23:49 #

O Globo revela que o parecer no TSE será pela cassação da chapa Dilma/Temer

http://www.tribunadainternet.com.br/o-globo-revela-que-o-parecer-no-tse-sera-pela-cassacao-da-chapa-dilmatemer/


Daniel on 28 Fevereiro, 2017 at 3:01 #

Ainda acho que, dentre o covil instalado pelo lulopetismo no poder, Temer talvez seja um dos “menos piores”.

Questão de opinião, claro!


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