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Postado em 15-02-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 15-02-2017 00:09


Uma mulher ao lado de um mural com a imagem de Trump e Putin em Vilnius, na Lituânia. Sean Gallup Getty Images

DO EL PAÍS

Amanda Mars

Washington

A presidência de Barack Obama terminou em meio a uma das mais graves crises com a Rússia desde a Guerra Fria. A de Donald Trump também começou com um incêndio russo, mas de um ângulo completamente oposto: o da suposta cumplicidade com esse velho inimigo dos Estados Unidos que é Moscou. Michael Flynn, conselheiro de Segurança Nacional, renunciou na segunda-feira à noite por ter mentido sobre conversas não autorizadas com um diplomata russo, numa reverberação do escândalo de ciberespionagem das eleições norte-americanas. O FBI investigou Flynn nos primeiros dias da presidência de Trump sobre sua conversa com o embaixador russo.

O espectro do Kremlin se projetada de ponta a ponta sobre a nova fase política dos EUA, cujo comunicado de guerra já acumula dois graves escorregões em menos de um mês sob o novo Governo. Depois do bloqueio judicial ao seu célebre decreto migratório, explodiu nas mãos do presidente dos EUA o “caso Flynn”. É um episódio particularmente venenoso para o presidente: intensifica as suspeitas de conivência com a Rússia e deriva do caso de espionagem que os serviços de Inteligência dos EUA atribuem a Vladimir Putin para favorecer a chegada de Trump à Casa Branca.

“Não há nada de ilegal no que fez o general”, disse na terça-feira o porta-voz do Governo, Sean Spicer, sobre a renúncia de Flynn, mas Trump pediu sua renúncia porque “a erosão da confiança nele era um problema”, enfatizou. Spicer, no entanto, admitiu que Trump tinha conhecimento “há semanas” dessa mentira, embora a renúncia só tenha ocorrido na segunda-feira.

Em dezembro, Flynn manteve uma conversa pouco ortodoxa com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, sobre as sanções impostas por Obama à Rússia pelo caso dos mencionados ciberataques e mentiu sobre isso a altos funcionários do novo Governo Trump, inclusive ao vice-presidente, Mike Pence. Esses contatos, além disso, aconteceram quando Flynn não estava autorizado a mantê-los porque a Administração Obama ainda estava vigente.

É a terceira baixa no histórico de Trump relacionada com a Rússia: Paul Manafort teve que deixar o posto de chefe de campanha por ter assessorado o presidente pró-russo da Ucrânia, Viktor Yanukovich, e o assessor de energia Carter Page saiu do projeto também por seus clientes no país.

Além da falta de franqueza com seus chefes na Administração e o caráter inoportuno da reunião com o embaixador russo, a renúncia fulminante de Flynn também instala o temor de problemas futuros, de relações com Moscou mais estreitas do que o esperado e desejado até mesmo por Trump, que tem mostrado uma proximidade inusitada com a Rússia.

O departamento de Justiça havia advertido no final da presidência de Obama que o general da reserva não tinha sido totalmente verdadeiro a respeito de suas conversas com Kislak e que isso fazia dele um candidato a ser chantageado pela Rússia. Segundo o The Washington Post, a CIA e o serviço de Inteligência também compartilharam essa análise.

Os relatórios do serviço de Inteligência durante a campanha presidencial de 2016 mostraram, de acordo com o Post, que o embaixador russo tinha mantido contato com Flynn depois da vitória de 8 de novembro. A preocupação desses agentes cresceu quando viram que Putin, ao invés de responder com a mesma força às sanções de Obama pela ciberespionagem (o presidente democrata expulsou 35 diplomatas, entre outras medidas), evitou represálias. No dia 30 de dezembro, o presidente russo disse abertamente que aguardava a chegada formal de Trump à Casa Branca para dar os futuros passos. E o norte-americano o elogiou em sua conta no Twitter.

O gesto de Putin concedeu a Trump uma margem de manobra para reduzir as tensões uma vez já instalado no Salão Oval, a partir de 20 de janeiro. Se a sanção de Obama deixou ao empresário nova-iorquino uma relação tensa com o Kremlin e a dificuldade de não poder retirar ou suavizar as sanções, o gesto de boa vontade deu ao republicano uma boa desculpa para começar a trabalhar na reconciliação. A suspeita agora é o quanto Flynn tinha a ver com essa jogada. Trump, sempre excessivo no uso da rede social Twitter, se limitou a queixar-se da informação: “A verdadeira história aqui é a quantidade de vazamentos que vêm de Washington. Será que também acontecerão quando eu negociar com a Coreia do Norte, etecetera…?”.

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