Moro: resposta firme -e rápida- ao “encontro marcado” por Mendes


ARTIGO DA SEMANA

Mendes x Moro: duelo anunciado sobre prisões da Lava Jato

Vitor Hugo Soares

Engane-se – ou seja enganado – quem quiser: o aneurisma declarado pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao final de seu longo e explosivo depoimento da terça-feira, 7, em Curitiba, deve ser levado em conta e avaliado com atenção e responsabilidade pelas autoridades com dever de cuidar da segurança e integridade do preso da Lava Jato. Cunha, cujo pedido de soltura feito pelos advogados foi negado nesta sexta-feira, ou outro encarcerado qualquer. Poderoso ou não.

Merece observação e análise atentas, igualmente, a “vaia” fabricada nos Estados Unidos, na segunda-feira, 6. Não contra os preocupantes desvarios atrabiliários de Trump, mas para tentar constranger o juiz Sérgio Moro, minutos antes do condutor da maior e mais importante operação contra corruptos e corruptores (públicos e privados) de que se tem registro no Brasil, começar a sua conferência na Universidade de Columbia , em New York, sobre os efeitos e resultados até agora, e o que fazer para não deixar a chama se apagar (saudades do extinto Jornal da Bahia) antes do tempo.

São dois episódios merecedores de destaque, sim, mas estão longe de representarem os fatos mais relevantes desta segunda semana de fevereiro, apesar de não ter faltado esforços em múltiplos setores do poder (executivo, legislativo e judiciário), além das redes sociais e imprensa, naturalmente, para vender esta impressão. Jogar panos quentes ou simplesmente confundir, para tentar abafar os conflitos que se anunciam para breve. Estes sim, verdadeiramente inquietantes em seus (ainda) submersos caminhos e imprevisíveis desdobramentos.

O mais explícito e relevante é, muito provavelmente, o duelo Gilmar Mendes x Sérgio Moro (e dos que se arregimentam de um lado ou do outro, sem falar nos bombeiros para tentar apagar o incêndio). O pretexto seria discutir a validade das prisões de investigados da operação. Isso, coincidentemente ou não, no momento em que está na ponta da agulha o impacto da apuração dos fatos cavernosos da megadelação premiada de mais de 70 executivos da Odebrecht (a começar pelo ex-presidente do grupo, Marcelo Bahia Odebrecht, na cadeia há mais de dois anos).

Na terça-feira, 7, a Segunda Turma do STF recusou recurso de um dos investigados da Lava Jato, durante a primeira sessão com a presença do novo relator, Edson Fachin, após a morte do ministro Teori Zavascki. A rejeição foi mantida pelo voto do relator, seguido por unanimidade pelos demais quatro integrantes da turma. Foi aí , neste espaço de aparente harmonia e unidade, que o ministro Gilmar Mendes, um deles, aproveitou para anunciar o embate que ele pretende encabeçar.

“Temos encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que no posicionar sobre esse tema, que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo destes anos”, disse o ministro que anda com a corda toda, ultimamente, desde que se tornou, aparentemente (a partir de proclamada amizade pessoal), no mais freqüente e confiável interlocutor do presidente Michel Temer no Palácio do Planalto entre todos os integrantes do STF, incluindo nesta comparação a própria presidente da Suprema Corte, Cármen Lúcia – uma esfinge mineira cada dia mais enigmática à espera de quem a decifre.

Só faltou a Gilmar Mendes marcar dia e hora para o duelo com todos os ingredientes para mexer com os nervos juristas, políticos, empresários, governantes, combatentes das redes sociais. Mas, principalmente, acender a atenção da sociedade brasileira para os princípios e os interesses em jogo nesta quadra crucial para a Lava Jato e para o debate sobre a ética no País. Tema inflamável e que promete sobrepujar filigranas e chicanas jurídicas. No ar, fervente, um que daquele ambiente das sessões plenárias do Supremo, no julgamento do processo do Mensalão: dos históricos arranca-rabos do ministro relator Joaquim Barbosa com Ricardo Lewandowski, Dias Tofoli e o próprio Gilmar Mendes.

Irônicos franceses, em outros tempos menos complicados para eles, diriam: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”. Mas para tirar tudo isso a limpo, só dando tempo ao tempo, senhor da razão, embora pelos indícios desta semana, tudo indique que não será preciso esperar muito para conferir. Na segunda-feira, 6, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, que também anda a mil nestes dias de fevereiro, deu sinal evidente de posicionamento a favor “de Curitiba”, ao defender as prisões coercitivas, uma das marcas registradas da Lava Jato e de suas subsidiárias. Para Janot, a medida tem como finalidade “investigar, processar e, se for o caso, punir responsáveis por condutas criminosas, sempre respeitadas as garantias constitucionais dos indivíduos”. Mais não disse, nem precisava, a não ser pedir, em seguida, abertura de inquérito para investigar Sarney, Renan e Jucá – três potentados do PMDB e da República – prontamente atendido na noite de quinta-feira pelo ministro Fachin.

Na Universidade de Columbia, o juiz Sérgio Moro afirmou sem meias palavras, que as investigações (e as prisões) levadas a cabo no Brasil contra a corrupção no entorno político e empresarial permitiram o fortalecimento das instituições e reforçaram a aversão da sociedade contra o comportamento de figuras públicas que descumprem a lei. Ontem, na transparente e firme argumentação para manter Eduardo Cunha na cadeia, foi enfático o suficiente para demonstrar que não se submeterá a pressões, partam de onde partirem.

O resto é pagar para ver.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.co.br

O canto de capoeira de Walter Queiroz vai de Salvador para Marília. Da Bahia a São Paulo, dedicado ao poeta e amigo do peito deste site blog, Luiz Fontana. Só para dizer que o Bahia em Pauta entende e compartilha da sua dor profunda pela ausência (o mais terrível da morte) da amada e companheira. Mas também, porque hoje é sábado, para dizer que o BP, seu editor, leitores e ouvintes, estão com saudades e sentindo a falta do firme, crítico e inteligente comentarista deste espaço. E esperam que retorno a esta esquina baiana da 8internet se faça o mais breve possível. Forte e solidário abraço.
BOM DIA!!!
(Vitor Hugo Soares e Gilson Nogueira)

DEU NO POR ESCRITO ( BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

As amizades são sólidas, mas a traição existe

Data: 10/02/2017
18:53:38

Quando o experiente deputado Marcelo Nilo se diz traído por deputados que vão de Roberto Carlos a Nelson Leal, companheiros de dez anos, sem contar outras defecções fisiológico-partidárias, como Janio Natal e PCdoB, já se vê que traição é oxigênio no meio político.

Portanto, o quadro neste ano e meio até o fervor da sucessão estadual está absolutamente indefinido, apesar das juras de amor ao governador Rui Costa feitas pelo senador Otto Alencar e pelo vice-governador João Leão na cerimônia em que este foi agraciado com medalha na Assembleia Legislativa.

O senador botou panos quentes quanto às relações de Leão com Rui: “Quero dizer ao governador Rui Costa que eu fiquei muito feliz em ver o seu vice-governador com essa lealdade, essa franqueza, essa colaboração”. Lembrou que também foi vice e brincou: “Vice manda muito, o problema é ninguém obedece”.

Leão correspondeu ao caráter festivo do evento. “Eu tenho hoje por Rui Costa uma amizade muito grande”, destacando o êxito do governo, que “não vive as dificuldades que vemos em outros Estados”. Convidou os presentes a ficarem de pé e depois darem “uma salva de palmas a um cara retado, o governador Rui Costa”.

O senador Roberto Muniz foi um pouco mais explícito sobre o clima que tem rondado a aliança governamental. Assegurou que “Leão é um homem que não conspira para o mal” e que, em mais de 20 anos de convivência pessoal e política, jamais foi chamado pelo vice-governador “para fazer o mal contra ninguém”.


DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

O caso envolvendo o vazamento de dados do celular da primeira-dama da República, Marcela Temer, foi além de possíveis fotos pessoais e familiares que existiriam no aparelho. O hacker Silvonei José de Jesus Souza condenado por clonar o telefone dela tentou extorquir 300.000 reais para não vazar também o áudio de um vídeo que, segundo ele, poderia comprometer o presidente Michel Temer (PMDB).

As informações constam do processo de julgamento de Souza e foram divulgadas primeiramente pelo jornal Folha de S.Paulo. O EL PAÍS teve acesso ao material, que inclui o processo judicial, com mais de 1.000 páginas e um relatório da Polícia Civil. O conteúdo do áudio ou os supostos dados íntimos de Marcela Temer não estão no processo. Nas conversas, Souza chantageia a primeira-dama, que reage negando que o registro obtido pelo hacker poderia prejudicá-la.

Souza foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão pelos crimes de estelionato e extorsão. Entre o cometimento do crime a condenação passaram-se apenas seis meses, um prazo considerado célere, levando em conta a morosidade do Judiciário brasileiro. O crime foi cometido em abril do ano passado. O julgamento em primeira instância foi concluído em outubro. O hacker está preso em São Paulo.

A rapidez no esclarecimento desse crime contou com a extrema colaboração da Polícia Civil paulista que, sob a ordem do então secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, montou uma força-tarefa para investigar o delito. Foram cinco delegados e 25 investigadores dedicados a essa causa. Depois que a investigação avançou, Moraes foi empossado no Ministério da Justiça e, na última semana, indicado pelo presidente para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Os nomes de Temer, Marcela e do irmão dela, Karlo Augusto Araújo, não aparecem no processo a pedido dos advogados do presidente (na época do delito era vice-presidente de Dilma Rousseff). Os codinomes dos três são: Tango, Mike e Kilo, respectivamente. Quando questionado pela Folha de S.Paulo, a Presidência da República informou que a fala do hacker, citada pelo jornal, está “fora de contexto” e teve o objetivo de chantagem e extorsão.

Momentos depois de a Folha publicar a reportagem, decisão do juiz Hilmar Castelo Branco Raposo Filho, de Brasília, atendeu ao pedido de Marcela Temer ordenou que a publicação “se abstenha de dar publicidade a quaisquer dados e informações obtidas no aparelho celular” de Marcela Temer sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A decisão também faz referência ao jornal O Globo.

fev
11
Posted on 11-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)

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11

MOMENTO ANTAGONISTA: A LAVA JATO DECLARA GUERRA CONTRA OS POLÍTICOS

Claudio Dantas analisa a entrevista de Deltan Dallagnol a O Antagonista e o despacho de Sérgio Moro em que negou liberdade a Eduardo Cunha.

Os dois símbolos da Lava Jato reagem aos ataques do Congresso e às tentativas de sabotagem.

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