A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou hoje (7) recurso de um dos investigados na Operação Lava Jato, durante a primeira sessão após a morte do ministro Teori Zavascki. A reunião do colegiado também marcou a estreia de Edson Fachin, cujo voto manteve decisão anterior de Zavascki e foi seguido por unanimidade pelos quatro integrantes do colegiado.

A reunião do colegiado marcou a estreia de Edson Fachin, cujo voto manteve decisão anterior de Zavascki e foi seguido por unanimidade pelos quatro integrantes do colegiado.
A reunião do colegiado marcou a estreia de Edson Fachin, cujo voto manteve decisão anterior de Zavascki e foi seguido por unanimidade pelos quatro integrantes do colegiado.

Durante os debates, o ministro Gilmar Mendes disse que o colegiado deverá discutir a validade das prisões de investigados na operação. “Temos encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre esse tema, que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao logo destes anos”, disse.

A Turma rejeitou recurso protocolado pela defesa do ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu, condenado a mais de oito anos de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro em um dos processos da Lava Jato. Genu está preso preventivamente desde maio do ano passado em um presídio em Curitiba. Os advogados alegaram no Supremo que Moro não tinha competência para analisar o caso de Genu.

De acordo com as investigações da Lava Jato, Genu – ex-assessor do ex-deputado federal José Janene, falecido em 2010 – era um dos beneficiários e articuladores do esquema de desvio de recursos da Petrobras, recebendo um percentual fixo da propina destinada ao PP.

“C`est formidable”, dizem em coro os franceses. É extraordinária, repete este editor do BP, há décadas, desde a primeira vez que a ouviu cantar, através do serviço de auto falante de Santo Antonio da Glória, na beira do São Francisco, o rio da minha aldeia. Quando vi a imagem, depois, no cinema da Vila Poty, em Paulo Afonso, foi paixão à primeira vista e para sempre.

Quando o jornalista Claudio Leal me trouxe de Paris o livro autobiográfico “Je suis comme já suis” (Eu sou como eu sou), com delicada dedicatória de Julliette, fiquei sem saber direito o que fazer até hoje.

FELIZ ANIVERSÁRIO, JAVANAISE!!!

(Vitor Hugo Soares)

( Publicado originalmente na Folha de S. Paulo , em 24/08/2014 . Reproduzido pelo jornalista Claudio Leal nesta terça-feira, 07/02.)

RESUMO Considerada a musa dos existencialistas nos anos 50, a cantora francesa grava novo álbum em homenagem ao belga Jacques Brel e volta a se apresentar em Paris. Ligada às ideias de esquerda, ela fala da música brasileira, que admira, e das mudanças econômicas e políticas pelas quais seu país tem passado.

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CLAUDIO LEAL

Aceso no letreiro vermelho da casa de espetáculos Olympia, o nome de Juliette Gréco injeta em Paris a sensação de que Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir ou Boris Vian podem ser reencontrados em cafés de Saint-Germain-des-Prés. Esses três amigos estão mortos, a primavera é a de 2014, e a musa dos existencialistas resiste em seu mítico robe negro, aos 87 anos.
Encerrado o show, ela retornará ao palco por três vezes, nenhuma delas para bisar, somente para agradecer aos aplausos.

A salvo de uma chuvosa tarde de maio, nove dias mais tarde, Gréco bebe um copo de vinho branco no restaurante Zebra Square, próximo à ponte Mirabeau. Cercada de mesas vazias, tem os olhos sombreados por lápis preto e enquadrados pela franja que espeta a face branca. “Nunca teria pensado em fazer isso. Nunca. Por pudor e por medo. Por medo, talvez, de não estar à altura”, afirma a cantora sobre o recém-lançado álbum “Gréco Chante Brel” (Universal Music), em homenagem ao compositor belga radicado em Paris Jacques Brel (1929-78), um dos autores mais regravados da história da canção francesa.

Na passagem dos 35 anos de morte do cantor, em 2013, duas perguntas íntimas a fizeram superar esse receio: “Por que não? Por que não posso dizer que o amo?”. Casada com o pianista Gérard Jouannest, 81, colaborador de Brel por dez anos e coautor de “Ne me Quitte Pas”, Gréco subverte essa canção e impõe um tom intimidador ao mendicante “não-me-deixe”. “Eu amo demais Brel para vê-lo chorar diante das mulheres. Isso me enerva”, confessa. “Eu o vejo ameaçador, mas, ao fim, destruído e aos pedaços.”

Em 1949, a voz grave de Juliette Gréco invadiu as noites parisienses. Marcado por letras tiradas da obra poética de escritores como Raymond Queneau (“Si Tu t’Imagines”) e Jules Laforgue (“L’Éternel Féminin”), musicadas pelo compositor franco-húngaro Joseph Kosma, o repertório começou a ser pesquisado em livros selecionados por Sartre. O filósofo lhe indicava as páginas e não só a estimulou a cantar mas lhe deu de presente a inédita “La Rue des Blancs-Manteaux”, que escrevera para sua peça “Entre Quatro Paredes”.

“Je Suis comme Je Suis”, poema de Jacques Prévert encampado por Gréco, definiria a imagem de mulher emancipada, disposta a armar barricadas em defesa de sua liberdade -incluindo a de fazer uma plástica no nariz: o dela foi encurtado na década de 50.

Passada a estreia no cabaré Buf sur le Toit, reduto de escritores desde os anos 20, circulou em duas caves: o jazzístico Club Saint-Germain e o existencialista (e efêmero) Le Tabou, criado em porão descoberto por ela. O público da cantora encheria prateleiras e era encabeçado por Albert Camus, Merleau-Ponty, Jean Cocteau (que a incluiu no filme “Orfeu”) e Jacques-Laurent Bost, entre outros bem-pensantes. Por algum tempo, ela namorou o músico Miles Davis.

EXISTENCIALISMO

Militante da Resistência Francesa, sua mãe sobreviveu ao campo de concentração de Ravensbrück, onde reencontrou uma das filhas, Charlotte, presa ao lado de Juliette pela Gestapo, em 1943 -a futura cantora foi libertada antes da irmã.

Com a liberação de Paris, inicialmente sem notícias da família, Gréco encarnaria o êxtase do pós-Guerra e, não sem uma vaidade impetuosa, logo seria nomeada pela imprensa como a musa da corrente filosófica impulsionada por Sartre na conferência “O Existencialismo É um Humanismo”, que superlotou o Club Maintenant, em 29 de outubro de 1945. A proximidade com intelectuais de esquerda se tornaria um curso universitário informal para a estrela aprendiz.

“Sua voz tem milhões e milhões de poemas que ainda não foram escritos”, definiu Sartre no texto enviado para o programa das apresentações da cantora no Rio de Janeiro, em 1950. O filósofo impulsionou sua carreira e a ajudou na descoberta do poder da linguagem.

“Conhecia não muito bem, mas não muito mal, o valor da palavra. A palavra é uma arma terrível”, declara a artista à Folha. “Eu já tinha a tendência de considerar que era responsável por minha vida. Sabia disso desde pequena. O senso de responsabilidade me ajudou a não ter vergonha de mim mesma.”

Das obras do amigo, ela prefere “As Palavras”. Mas quando tinha dúvidas sobre livros mais encorpados, recorria a outro mestre de filosofia, que a abordou pela primeira vez no bar Pont Royal, atraído pela garota solitária. “Quando comecei a ler Sartre, não entendia nada. Nada! Então, eu pedia a [Maurice] Merleau-Ponty para me explicar: ‘O que quer dizer isso aqui?’. Às vezes, saíamos juntos para dançar”, recorda.

Ainda hoje, nela vivem as paixões de esquerda. Pouco antes da entrevista, o partido de extrema direita francês Frente Nacional saíra vitorioso nas eleições para o Parlamento Europeu. Questionada sobre a derrocada dos socialistas e o avanço da xenofobia, a cantora subitamente se fragiliza: “Ontem à noite, eu chorei muito. Eu estava infeliz, muito triste. Depois, como é minha característica, a raiva subiu um pouco. Isso fez com que me sentisse melhor”.

Gestos faciais animam suas frases. No Olympia, acompanhada por piano e acordeom, beirou o recital: Brel, Léo Ferré e Serge Gainsbourg se reavivaram em interpretações que realçavam os versos. Ela esclarece sua técnica: “Se lemos ‘Amsterdam’, a letra é forte, terrível. A música suaviza as palavras. Quando sou acompanhada pela música, há coisas que são atenuadas, ficam mais doces, menos duras. Brel é muito denso”.

A fama de cantora cerebral, imersa no universo literário, magnetizou jovens compositores. Em 1962, no apartamento de Gréco, amaciado pelo champanhe, Gainsbourg se desnorteou com a estranha dança da anfitriã, enquanto ouviam discos. No dia seguinte, ainda hipnotizado, telefonou: “Tenho uma coisa para você”. O mimo era “La Javanaise”, sucesso instantâneo, dali em diante onipresente em seus concertos.

Como drible no debate sobre o declínio (ou morte) comercial da “chanson”, Juliette Gréco descreve um cruzamento de tradições, no qual o gênero se moderniza.

Em 2009, ela gravou o rapper francês de origem congolesa Abd Al Malik, 39, parceiro de Gérard Jouannest. “Ele tem uma forma moderna de expressão, que remete ao Islã. É um verdadeiro escritor, enormemente talentoso.”

NO RIO

A conversa embica para o Brasil quando ponho sobre a mesa uma cópia de reportagem de Rubem Braga para o “Correio da Manhã”, republicada na coletânea “Retratos Parisienses” [org. Augusto Massi, José Olympio, R$ 35, 160 págs.], um registro dos tempos de correspondente na capital francesa.

Olhar feliz, Gréco lê o título de sua primeira entrevista a um jornal brasileiro, em novembro de 1950: “A mais bela professora de filosofia”. Enternecida, solta um longo “oh” e leva um beijo até a folha em sua mão esquerda. Sem dúvida, o beijo é para Rubem, mas guarda uma distante lembrança do cronista capixaba e se surpreende ao sabê-lo frequentador do porão Tabou: “O Braga?”.

Aos 23 anos, perto de embarcar com seus vestidos de Elsa Schiaparelli para o Brasil, onde cantaria na boate carioca Vogue, Gréco reafirmou a Braga: “Sim, sou existencialista”. Passadas seis décadas, ouve essa antiga resposta e aceita manifestar suas novas crenças. “O ideal do progresso, o ideal do amor ao outro, o ideal de que os humanos um dia possam se olhar e se escutar. Agora, nós estamos regredindo. Não há mais confiança. Isso me amedronta. É uma época de desconfiança, de ficar voltado para dentro de si. Não é uma época de generosidade. Isso não é a vida.”

Convidada pelo barão austríaco Max von Stuckart, dono da Vogue, para uma temporada curta no Rio de Janeiro, acabou ficando três meses. Tanto abafou que estrelou um ensaio (“ridículo, mas engraçado”) do fotógrafo francês radicado no Brasil Jean Manzon para a revista “Paris Match”, no qual a rebelde dirigia um luxuoso Cadillac. Na semana da posse de Getúlio Vargas, em 1951, cantou para o presidente “La Rue des Blancs-Manteaux”.

Algo enciumada com as constantes menções de Gréco a Sartre em entrevistas, bem como atiçada por fofocas sobre a luxuosa temporada na América do Sul, Simone de Beauvoir ironizou a viagem da “bela cantora” numa carta ao escritor americano Nelson Algren, seu amante: “Ela se diz uma existencialista muito séria e pretende fazer conferências!”.

“Fui ao Brasil há muito tempo e encontrei gente extraordinária. Há uma música do folclore… ‘Juazeiro, Juazeiro…'”, canta Gréco. Informada sobre os autores, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, ela acrescenta: “Adoro isso! A música brasileira é de coração e de sentimento. E, bem, uma música de músicos”.

Apesar da idade, não afasta a possibilidade de retornar ao país: “Quem sabe?”. De suas recordações, emerge uma “coisa terrível” aprendida no país. “Um brasileiro me ensinou este provérbio: ‘Flor sem odor, homem sem honra, mulher sem pudor’. Fiquei chocada”.

O Brasil lhe traria ainda outras descobertas. Em 1993, o letrista francês Étienne Roda-Gil a aproximou dos compositores Caetano Veloso, João Bosco e Tom Jobim, convidados para o álbum “Juliette Gréco”. “Quero que Caetano saiba o quanto o amo. É um homem forte, corajoso.”

A musa da Rive Gauche agora se divide entre uma casa em Verderonne, no norte da França, e outra mais solar em Ramatuelle, na Côte d’Azur, mas segue testemunhando a explosão do comércio em Paris. “No lugar das livrarias, há lojas de vestidos e de sapatos. Isso é uma merda”, reclama.

“Há sempre as sombras. As sombras continuam vivas. Quando vou ao (Café de) Flore, vejo que a clientela procura qualquer coisa que não está mais ali. É bizarro. Em Saint-Germain-des-Prés, sinto que sou um pouco como uma estátua andando… Que não sou real!” Nesse canto mais escuro do restaurante, Juliette Gréco passa a simular uma marcha endurecida. O mito francês se faz de mármore.

Cláudio Leal é jornalista.


Moreira Franco e Celina, em 1971, na Alemanha

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O genro do genro do genro

Rufem os tambores: o Brasil possivelmente bateu um recorde mundial e, com certeza, a esmagadora maioria da população disso não tomou conhecimento.

Todos já ouviram falar de Getúlio Vargas, o chefe revolucionário, presidente indireto, ditador e novamente presidente, dessa vez por consagradora votação popular, que lhe deu a vitória até em São Paulo, berço da vencida Revolução Constitucionalista de 1932.

Mas deixemos os devaneios históricos pra lá. Getúlio teve como genro, casado que foi com sua filha Alzirinha, o almirante Ernâni do Amaral Peixoto, político de carreira da mais fina extração pessedista, em tempos de outro PSD.

Interventor e governador do Rio de Janeiro, senador, embaixador (nos Estados Unidos), Amaral Peixoto deu em casamento a mão de sua única filha, Celina, em 1969, ao jovem sociólogo e funcionário público de orientação maoista Wellington Moreira Franco.

Sim, é ele mesmo, o ministro privilegiado de hoje, metido até o pescoço na Lava-Jato, que a população do Rio de Janeiro fez o favor de colocar na cadeira de governador em 1986, em vez de Darcy Ribeiro. Por essa combinação de relações parentais, era chamado nos bastidores de “genro do genro”.

Pois bem, retornando à estupefação inicial deste texto: toma-se conhecido agora que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, a quem não bastou ser filho de César Maia, é genro de Moreira Franco, marido de sua enteada Patrícia.

Tudo isso leva à reflexão sobre quão insondáveis são os caminhos da política e da própria vida. Getúlio, tão poderoso, não foi capaz de impedir, ou pelo menos evitar com sua argúcia, o fato gerador dessa cadeia talvez inédita, que só fez piorar com o tempo.

BOM DIA!!!

fev
07

DO EL PAIS

Afonso Benites

Brasília

O ministro da Justiça Alexandre de Moraes foi indicado pelo presidente Michel Temer para suceder Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal. Membro do PSDB, ele será o único dos atuais 11 ministros da Corte Constitucional brasileira a ter uma filiação partidária no momento de sua nomeação. A indicação dele pelo presidente, que ainda precisa passar pela aprovação do Senado, vai na contramão de tudo o que o Governo peemedebista estava divulgando nos últimos dias: 1) de que a nomeação seria mais técnica do que política; e 2) de que só a faria depois que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado estivesse composta.

Moraes tem 49 anos e, se confirmado pelos senadores, poderá ficar no Supremo até completar 75 anos, ou até 2042. É autor de diversos livros na área _uma de suas obras está na 32ª edição. Seu protagonismo, no entanto, não chega pela produção literária jurídica ou pela sua atuação como bacharel em direito – apesar de ser citado em ao menos 244 jurisprudências do próprio STF. É a articulação política que o projetou. Moraes era um promotor de Justiça concursado em São Paulo e abandonou a carreira para se tornar Secretário de Justiça e Cidadania de São Paulo, em 2002, durante a gestão Geraldo Alckmin. Desde então, ocupou diversos cargos públicos, sempre por indicações de tucanos. Foi Secretário Municipal de Transportes de São Paulo na administração Gilberto Kassab, Secretário de Estado da Segurança Pública, novamente na gestão Alckmin.
Polêmico na pasta da Justiça

A indicação de Moraes acontece a despeito de sua errática atuação no Ministério da Justiça, posto a que chegou em maio com a ascensão de Temer. Ele vem acumulando uma série de críticas. Na véspera da Polícia Federal prender o petista Antonio Palocci (ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma), no ano passado, Moraes disse a um grupo de manifestantes que a Lava Jato estava próxima de fazer uma nova operação. E foi o que ocorreu. Sua atuação na crise prisional, que resultou na morte de mais de uma centena de presos, e na apresentação de seu Plano de Segurança Pública também foram questionadíssimas por especialistas e representantes da sociedade civil. Ele também teve de revogar um decreto sobre demarcação de terras indígenas menos de 24 horas depois de tê-lo publicado.

Nenhuma polêmica foi suficiente para demover a campanha da cúpula do PSDB para pô-lo no STF. Nesta segunda-feira, o lobby tucano chegou ao auge, e Temer finalmente comprou a ideia. Até a última semana, ao menos 28 nomes foram analisados por Temer para a indicação ao STF. Moraes ganhou uma disputa contra outros dois fortes concorrentes: Ives Gandra Filho, atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho, e Gracie Mendonça, a advogada-geral da União. Quando da análise dessa extensa lista, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, chegou a dizer em uma entrevista que o perfil do novo ministro seria o mais próximo do de Teori Zavascki. “É muito difícil ter igual, talvez impossível, mas se procura um perfil similar. Ele era um juiz discreto, profundamente técnico, estudioso. Essas qualidades vão definir o ministro ou a ministra. Não vamos excluir mulheres”.
Enriquecimento, PCC e tese

“É muito difícil ter igual, talvez impossível, mas se procura um perfil similar. Ele era um juiz discreto, profundamente técnico, estudioso. Essas qualidades vão definir o ministro ou a ministra. Não vamos excluir mulheres”

Ministro Padilha, ao descrever o indicado de Temer para STF dias antes do Planalto indicar o tucano

Ao indicar Moraes para o STF, Temer coloca na Corte alguém que terá muito o que explicar. Reportagem publicada nesta segunda-feira pelo site Buzzfeed mostra que o ministro acumulou um patrimônio milionário no período em que ocupou cargos públicos. Entre 2006 e 2009, quando foi secretário de Kassab e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Moraes adquiriu oito imóveis em São Paulo e Minas Gerais pelo valor de 4,5 milhões de reais. A reportagem indica que ele não teria renda suficiente para comprar esses bens. Ao site, o ministro informou que todas as aquisições foram lícitas, por meio de seus rendimentos públicos e pelos direitos autorais nas vendas de mais de 700.000 livros. Segundo, ele, tudo registrado na sua declaração de imposto de renda.

Outras questões éticas ainda serão postas no debate. No curto período em que não ocupou funções públicas, entre 2010 e 2014, ele fundou um escritório de advocacia pelo qual defendeu clientes controversos, como o ex-deputado Eduardo Cunha (hoje preso pela Operação Lava Jato em Curitiba) e a cooperativa de transportes Transcooper, que já foi investigada por ter elos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Moraes terá ainda outro constrangimento: explicar a contradição entre sua nomeação e suas teses como estudioso de direito, em uma espécie de reedição de “esqueçam o que escrevi”. Reportagem desta segunda-feira do jornal O Estado de S. Paulo revelou que em sua tese de doutorado o ministro defendia que o ocupante de uma cadeira no Supremo não deveria estar em função pública no momento de sua indicação. Esse é o próprio caso dele. A ideia de Moraes, no longínquo ano 2000, era de que se evitasse dar uma “demonstração de gratidão política”. “É vedado (para o STF) o acesso daqueles que estiverem no exercício ou tiveram exercido cargo de confiança no Poder Executivo, mandatos eletivos, ou o cargo de procurador-geral da República, durante o mandato do presidente da República em exercício no momento da escolha, de maneira a evitar-se demonstração de gratidão política ou compromissos que comprometam a independência de nossa Corte Constitucional”.

Agora, com a iminente abertura de uma vaga no Ministério da Justiça, a gestão Temer abrirá outra frente de disputa política. O presidente terá de se equilibrar entre manter a pasta com o PSDB ou cedê-la para o PMDB, que reclama por mais espaços em um governo que é encabeçado por um de seus filiados. Hoje o PMDB tem seis ministérios, o PSDB, cinco. Se o novo chefe da Justiça for um tucano, o nome do senador mineiro Antonio Anastasia é o mais cotado. Ele foi o relator do processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) no Senado e é aliado de primeira hora do também senador Aécio Neves. Nessa conta, internamente no PSDB, Aécio ganha mais uma batalha contra seu correligionário Alckmin.

O nome de Moraes ainda precisa passar por dois testes: ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aprovado pelo plenário da Casa. À noite, ele anunciou uma licença de ao menos 30 dias do cargo de ministro da Justiça ou até depois que o processo seja concluído. No lugar de Moraes, assume interinamente o secretário-executivo da pasta, José Levi. Não está claro quanto tempo podem durar as etapas. A CCJ, por exemplo, ainda nem foi formada. A expectativa é que só na semana que vem isso venha a acontecer. Até que tudo termine, a cadeira que foi de Teori Zavascki continuará vazia no Supremo.

DEU NO “PÚBLICO” (DE LISBOA)

Foram encontradas 13 gravações inéditas de Bob Marley com mais de 40 anos. A descoberta foi feita na cave (depósito subterrâneo))de um hotel em Londres e anunciada no dia em que o “pai” do reggae, que morreu em 1981, faria 72 anos.
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No meio dos registros encontrados estão atuações ao vivo em Londres e Paris entre 1974 e 1978, incluindo temas icônicos como Woman No Cry, Jamming ou Exodus.

O hotel onde foram encontradas as gravações era utilizado por Marley e os Wailers durante as excursões europeias. A descoberta foi feita pelo empresário Joe Gatt, que é também fã do músico jamaicano, depois de ter recebido um telefonema de um amigo que procedia a uma construção no local e deu de cara com as relíquias, relata a BBC.

O processo de restauro das gravações durou um ano e ficou completo a tempo de celebrar o 72º aniversário de Bob Marley. Das 13, dez foram completamente recuperadas, duas estavam em branco e outra estava com danos irrecuperáveis.

fev
07
Posted on 07-02-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-02-2017


Jota A. jornal O DIA (Piauí)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Caminho livre para Skaf

Com a nomeação de Alexandre de Moraes para o Supremo, Michel Temer também garantiu o caminho livre para Paulo Skaf buscar a candidatura ao governo de São Paulo em 2018.

Isso se o ‘kibe’ das planilhas da Odebrecht não for colhido pela Lava Jato.

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