João Santana, ao ser detido em fevereiro.
RODOLFO BUHRER REUTERS

DO EL PAIS

O publicitário João Santana, homem forte das campanhas eleitorais da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi condenado a mais de oito anos de prisão pelo juiz federal de primeira instância Sérgio Moro, pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. A mulher e sócia do marqueteiro, Mônica Moura, também recebeu a mesma pena. Eles podem recorrer em liberdade. De acordo com o Ministério Público Federal, o casal recebeu propinas de um lobista da empresa de navios-sonda e estaleiros Keppel Fels, referentes a contratos de plataformas da Petrobras. O ex-tesoureiro petista João Vaccari teria intermediado o acordo. Entre 2013 e 2014 o casal teria recebido repasses que somam 4,5 milhões de dólares (cerca de 14 milhões de reais) como pagamento pelos serviços publicitários prestados às campanhas eleitorais do partido.

Santana teve a prisão preventiva decretada em fevereiro de 2016, na 23ª fase da Lava Jato, batizada de Acarajé, mas foi solto em agosto. A condenação anunciada nesta quinta pode complicar a situação da chapa Dilma-Temer, que deve ser julgada em breve pelo Tribunal Superior Eleitoral. Isso porque a sentença de Moro dá força ao argumento de que dinheiro de propina teria irrigado a campanha da chapa vencedora em 2014. Apesar da petista ter sido alvo de impeachment, o processo movido pelo PSDB – hoje aliado de Temer – contra a chapa continua tramitando. Caso a Corte julgue a ação procedente, o presidente será afastado do cargo.

A pena de oito anos pode ser atenuada caso Santana acerte um acordo de delação premiada com a força tarefa. O marqueteiro é considerado uma celebridade no mundo do marketing político. Além de ajudar a eleger a ex-presidenta Dilma, ele coordenou a campanha vitoriosa de Fernando Haddad (PT) para a prefeitura de São Paulo em 2012, e trabalhou em campanhas de candidatos vários países da América Latina e África. A condenação do casal de publicitários no Brasil reacende a suspeita de que empreiteiras e grupos econômicos beneficiados com contratos em outros países possam ter feito pagamentos a Santana e Moura, e também a políticos locais. Um exemplo é o da Kleifeld Services LTD, offshore operada pela Odebrecht, que teria sido usada para transferir mais de 3 milhões de dólares para o casal pelas campanhas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro (2012-2013), na Venezuela, e em Angola pelo trabalho feito ao presidente José Eduardo dos Santos para a campanha de sua reeleição em 2012.

Na sentença divulgada nesta quinta, Moro afirma que parte do dinheiro da propina da Keppels Fels era repassado “aos agentes da Petrobras, notadamente ao diretor de Engenharia e Serviços da petroleira, Renato de Souza Duque, e ao gerente do setor de Engenharia e Serviços da Petrobras, Pedro José Barusco Filho”. Outra parte, ainda segundo o magistrado, era destinada “ao Partido dos Trabalhadores, responsável pela sustentação política de Renato de Souza Duque no cargo”. O petista está preso preventivamente em Curitiba. Zwi Skornicki, ligado à Keppel Fels e um dos operadores do esquema, foi condenado a 15 anos e 6 meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e organização criminosa.

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