OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Trump a caminho a desestabilização global

Se Trump não começasse a cumprir suas promessas explosivas, como o muro do México e a satanização do islã, ele estaria mentindo ao eleitorado, como acusou Hillary de ter feito, e assim seria apenas uma caricatura de tirano.

Não. Trump é um tirano autêntico, real. Sabe que precisa de credibilidade para seguir em sua obra nefasta, porque, afinal, os Estados Unidos não são a Alemanha dos anos 30, sendo indispensável que toda a desgraceira ocorra em plena democracia.

Denunciou o Acordo Transpacífico, não vai mais sustentar a Otan e, o pior, estabelecerá perseguição sistemática e legal contra todas as minorias ou segmentos que abomina, como imigrantes, homossexuais, muçulmanos, hispânicos e, certamente, negros.

Não poderá recuar ante a China, sob pena de desmoronar sua arquitetura. Por isso, deverá restabelecer a política das duas Chinas, vigente até 1971 e derrubada justamente dentro do projeto do presidente norte-americano Richard Nixon de aproximação comercial e política com o país de Mao, resultante da famosa “diplomacia do pingue-pongue”.

Como se sabe, Taiwan, a China insular, é uma questão de honra nacional e patriótica para os chineses continentais, que quase 70 anos depois não toleram a existência da vizinha “província rebelde”, que pretende tomar de volta, ainda que por força militar.

Essa questão, por si só, será um grande fator de desestabilização mundial, restando ver como serão as relações de Trump com a outra potência territorial e atômica, a Rússia, que, teve grande influência na eleição dos Estados Unidos, mesmo que não tenha feito nada do que a acusam.

Não ao muro e à arrogância. Este é o grito de indignação do BP.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO BLOG O ANTAGONISTA

Muro preocupa Serra

O chanceler José Serra soltou nota sobre o muro de Trump:

“O governo brasileiro recebeu com preocupação a ideia da construção de um muro para separar nações irmãs do nosso continente sem que haja consenso entre ambas. O Brasil sempre se conduziu com base na firme crença de que as questões entre povos amigos – como é o caso de Estados Unidos e México – devem ser solucionadas pelo diálogo e pela construção de espaços de entendimento.”

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (DE LISBOA)

O presidente norte-americano, Donald Trump, quer impor uma nova taxa de 20% sobre todas as importações do México, de forma a pagar o muro que quer construir na fronteira entre os dois países.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, a nova taxa fará parte da reforma fiscal que o Congresso dos EUA está preparando.

“Quando olhamos para o plano que se está a desenhar, usando uma reforma fiscal como forma de taxar as importações de países com os quais temos déficit comercial, como o México”, disse Spicer. “Irá providenciar claramente os fundos de uma forma que respeita os contribuintes norte-americanos”, acrescentou, sem dar mais pormenores.

De acordo com o plano que estará em estudo (que o Washington Post já explicou há dias), as importações do México pagariam uma taxa de 20%, mas os impostos sobre as exportações são devolvidos (tornando-as na realidade isentas de taxas). Como a balança comercial é negativa para os EUA, os economistas calculam que seria possível angariar 13 bilhões de dólares só num ano. O Congresso calcula que o muro custe entre 12 e 15 bilhões de dólares.

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, cancelou a viagem da próxima terça-feira a Washington, para se encontrar com Trump. E já repetiu que o México não pagará o muro.

jan
27
Posted on 27-01-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-01-2017


Pelicano, no jornal Bom Dia SP

DO EL PAIS

María Martín

Rio de Janeiro

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que atingiu diretamente Eike Batista, acusado de se envolver no suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro do ex-governador do Rio Sergio Cabral. O empresário, dono do grupo EBX, teve sua residência revistada pelos agentes nesta quinta-feira e a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele, que está fora do país, deve se entregar quando retornar, segundo seu advogado, mas já é considerado foragido. A pedido do Ministério Público Federal, o juiz responsável pelo caso, Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, decretou nesta tarde que o nome de Eike fosse incluído na lista “difusão vermelha” da Interpool, que reúne procurados pela Justiça, e que fosse emitida uma ordem de captura internacional.

A força-tarefa da Lava Jato acredita ter indícios de que Eike pagou a Cabral 16,5 milhões de dólares (52,29 milhões de reais) em propina em 2010. A manobra foi disfarçada como legal com um contrato de compra e venda de uma mina de ouro que nunca existiu. O falso negócio foi fechado entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados, que recebeu os valores ilícitos numa conta no Uruguai, em nome de um terceiro, mas à disposição de Sérgio Cabral, segundo a investigação. “De maneira sofisticada e reiterada, Eike Batista utiliza a simulação de negócios jurídicos para o pagamento e posterior ocultação de valores ilícitos, o que comprova a necessidade da sua prisão para a garantia da ordem pública”, frisam os nove procuradores responsáveis por esta Operação, batizada de Eficiência, em referência ao nome de uma conta na qual Cabral escondia parte da sua fortuna.

Eike, que já foi o homem mais rico do Brasil, já havia sido citado na primeira etapa das investigações que levaram Sérgio Cabral à prisão no último 17 de novembro sob a suspeita de comandar um milionário esquema de propinas provenientes de construtoras de obras públicas no Estado. Segundo a PF, em 2013, Eike teria repassado por meio da EBX Holding um milhão de reais ao escritório de advocacia da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, também presa. Na busca e apreensão no escritório de Ancelmo não foi encontrada nenhuma prova de prestação de serviços à empresa de Eike, embora o advogado do empresário tenha afirmado, na época, que os serviços de consultoria prestados estariam provados.

O descobrimento da operação dos 16,5 milhões de dólares foi possível graças aos depoimentos de dois colaboradores que ajudavam o ex-governador a desviar o dinheiro da propina a paraísos fiscais e que hoje se tornaram delatores do suposto esquema criminoso. A criação da Arcadia Associados, que simularia a compra da mina de ouro, e os detalhes da transferência foram relatados pelos seus fundadores, Renato Chebar e o irmão Marcelo Chebar, operadores financeiros e facilitadores de Cabral e seus comparsas.

A relação entre o ex-governador e Eike, detentor de contratos com o setor público no Rio (como sua participação na atual gestão do Maracanã), era próxima. Até o ponto de Cabral e a ex-primeira dama terem viajado, juntos ou separados, 13 vezes em jatos do empresário entre 2009 e 2011, segundo revelou o jornal Folha de S.Paulo em janeiro. Eike, ainda, foi o mais generoso dos financiadores privados do projeto estrela do Governo Cabral: as Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas cariocas.

A operação Eficiência ainda pretende desvendar mais detalhes do suposto esquema criminoso liderado pelo ex-governador para ocultar seu patrimônio e o de seus comparsas. Foram expedidos quatro mandados de condução coercitiva e nove mandados de prisão preventiva, entre eles o do próprio Cabral, já preso no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu. Na manhã desta quinta-feira foi preso Flávio Godinho, sócio de Eike e atual vice-presidente do Flamengo, acusado de formar parte do esquema de lavagem de dinheiro e ter instruído a compra da mina de ouro que nunca aconteceu. Maurício de Oliveira Cabral Santos, irmão do ex-governador, e Susana Neves Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral, foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento, suspeitos de serem beneficiários de parte dos recursos ilícitos.

Os procuradores acreditam que o esquema, com a ajuda de Eike, ocultou em paraísos fiscais mais de 100 milhões de dólares (340 milhões de reais) provenientes de propinas. Boa parte deles (270 milhões) já foram repatriados ao Brasil pelo MPF e estão à disposição da Justiça Federal, afirmou o órgão em um comunicado. “A remessa de valores para o exterior foi contínua entre 2002 e 2007, quando Cabral acumulou seis milhões de dólares. Mas esse alto valor em nada se compararia às surreais quantias amealhadas durante a gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro, quando ele acumulou mais de 100 milhões de dólares em propinas, distribuídas em diversas contas em paraísos fiscais no exterior”, afirmam os procuradores.

Esta não é a primeira vez que Eike Batista aparece na Operação Lava Jato. Em maio do ano passado, o empresário prestou depoimento espontaneamente no Ministério Público Federal em Curitiba e acabou incriminando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Eike afirmou que, em 2012, Mantega, então ministro e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, pediu um pagamento de cinco milhões de reais para quitar dívidas de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT). O dinheiro teria sido pago através de contratos de fachada com a empresa do marqueteiro do PT, João Santana, também envolvido na Operação Lava Jato. Mantega teve a prisão decretada — e depois revogada — pelo juiz Sergio Moro, em setembro.

Além do envolvimento nas investigações da Operação Lava Jato, Eike Batista é hoje réu em duas ações penais, acusado de ter cometido crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.

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