O canto de Jorge vai para todos os os leitores, ouvintes e amigos leais deste site blog baiano antenado no mundo. As portas seguem abertas a todos. É só chegar. O pensamento é livre.
BOA TARDE!!!

(A música é do garimpo de Gilson Nogueira. A mensagem é do editor Vitor Hugo Soares, feliz pelo repouso entre Curitiba e os campos gerais paranaenses, tanto quanto pelo retorno ao batente diário da informação e da opinião no BP. Viva!!! )

DO EL PAÍS

O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman morreu na segunda-feira aos 91 anos, na cidade inglesa de Leeds. Criador do conceito de “modernidade líquida”, foi um dos principais intelectuais do século XX. Permaneceu ativo e trabalhando até seus últimos momentos de vida. Nos últimos anos, concedeu várias entrevistas a este jornal. Aqui está uma lista de algumas de suas melhores frases:

1. “As redes sociais são uma armadilha”.

2. “O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”.

3. “Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”.

4. “Esquecemos o amor, a amizade, os sentimentos, o trabalho bem feito. O que se consome, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos”.

5. “O movimento [espanhol] de 15 de março é emocional, carece de pensamento”.

6. “Os grupos de amigos ou as comunidades de bairro não te aceitam sem dar razão, mas ser membro de um grupo no Facebook é facílimo. Você pode ter mais de 500 contatos sem sair de casa, você aperta um botão e pronto”.

7. “Foi uma catástrofe arrastar a classe média à precariedade. O conflito não é mais entre classes, é de cada um com a sociedade”.

8. “As desigualdades sempre existiram, mas de vários séculos para cá se acreditou que a educação podia restabelecer a igualdade de oportunidades. Agora, 51% dos jovens diplomados estão desempregados e aqueles que têm trabalho têm empregos muito abaixo das suas qualificações. As grandes mudanças na história nunca vieram dos pobres, mas da frustração das pessoas com grandes expectativas que nunca se cumpriram”.

9. “A possibilidade de que o Reino Unido funcione sem a Europa é mínima”, disse em 2011.


Zygmunt Bauman, no início de 2016, em Burgos,
na Espanha. SAMUEL SÁNCHEZ

DO EL PAÍS

Ricardo de Querol

Madri

Com Zygmunt Bauman se apaga uma das vozes mais críticas da sociedade contemporânea, individualista e desumana, que definiu como a “modernidade líquida”, aquela em que nada mais é sólido. Não é sólido o Estado-nação, nem a família, nem o emprego, nem o compromisso com a comunidade. E hoje “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso”. Essa voz soou lúcida até o fim de seus 91 anos. Escrevia um, dois ou até três livros por ano, sozinho ou com outros pensadores, dava palestras e respondia aos jornalistas em entrevistas em que era preciso escolher muito bem as perguntas, porque as respostas se estendiam por vários minutos, como em uma sucessão de breves discursos. Esses sim, muito sólidos.

Falava devagar porque lapidava cada uma de suas frases, um fio de ideias que daria para mais livros do que assinou em sua prolífica carreira. Alguns ditados, cabe acreditar que de um fôlego só. Talvez com uma ou outra pausa para fumar um cachimbo.

O sociólogo e filósofo de origem polonesa (Poznan, 1925) morreu no domingo “na sua casa em Leeds, junto da família”, anunciou a colaboradora Aleksandra Kania em nome dos familiares. Em sua longa vida sofreu os horrores do século XX — a guerra, a perseguição, os expurgos, o exílio — mas nada disso o tornou conformista em relação ao que veio depois.

Durante mais de meio século, foi um dos mais influentes observadores da realidade social e política, o flagelo da superficialidade dominante no debate público, crítico feroz da bolha liberal inflada por Reagan e Thatcher nos anos 1980 e que estourou mais de 30 anos depois. Retratou com agudeza o desconcerto do cidadão de hoje diante de um mundo que não oferece seguranças às quais se agarrar. Referia-se ao novo proletariado como “precariado”, com a diferença de que não tem consciência de classe. Figura muito respeitada pelos movimentos de indignados do novo século (do 15 de Março espanhol ao Occupy Wall Street), ele entendia seus motivos e se interessava por suas experiências, mas apontava suas debilidades e incongruências, convencido de que é mais fácil unir no protesto que na proposta. Desconfiava do “ativismo de sofá”, que quer mudar o mundo por meio de cliques, e relativizava o poder que se atribui às redes sociais, porque pensava que o verdadeiro diálogo só se produz nas interações com os diferentes, e não nessas “zonas de conforto” onde os internautas debatem com quem pensa igual a eles.

Sua trajetória corroborava sua autoridade intelectual. Tinha 13 anos quando sua família — judia, mas não religiosa — escapou da invasão nazista na Polônia em 1939 e se refugiou na União Soviética. Mais tarde, o jovem Zygmunt se alistou na divisão polonesa do Exército vermelho, o que lhe valeu uma medalha em 1945. Depois da guerra, voltou a Varsóvia, casou-se com Janina Lewinson (sobrevivente do gueto de Varsóvia, também escritora e sua companheira até a morte, em 2009) e conciliou sua carreira militar com os estudos universitários, além da militância no Partido Comunista.

A decepção chegou quando se viu, mais uma vez, na mira do antissemitismo durante os expurgos realizados na Polônia em 1968, depois de uma série de protestos estudantis e de grupos de artistas contra a censura do regime e no contexto internacional da Guerra dos Seis Dias. Naquele mesmo ano, Bauman teve de deixar sua terra natal pela segunda vez. Instalou-se primeiro em Tel Aviv e, a partir de 1972, na Universidade de Leeds (Inglaterra), de onde só saía para explicar seu pensamento pelo mundo.

Quando chegou a Leeds, Bauman já era uma autoridade no campo da sociologia. Logo se tornou o equivalente mais próximo a uma celebridade que poderia haver nessa disciplina: foi a partir do livro Modernidade Líquida, publicado em 2000, o mesmo ano que surgiu em Seattle o movimento de protesto contra a globalização.

Resistente ao termo “pós-modernidade” (porque falta perspectiva histórica para dar por terminada a modernidade), Bauman dizia: “O que temos é uma versão privatizada da modernidade”. Hoje a esfera pública se resume a um “palco onde se confessam e se exibem as preocupações privadas”. E advertia contra as “comunidades-cabide”, momentâneas, declarava “o fim da era do compromisso mútuo”, alertava que “não há mais líderes, só assessores”. E concluía: “Uma vez que as crenças, valores e estilos foram privatizados (….), os lugares que se oferecem para a reacomodação lembram mais um quarto de hotel que um lar”.

Voltou a essas obsessões em dezenas de livros. Em alguns dos mais recentes (Estado de Crise e A Riqueza de Poucos Beneficia Todos Nós?), dirigiu seu olhar aos perdedores de uma crise que ele não via como um buraco, mas como o novo cenário. E, em sua última obra publicada, Estranhos à Nossa Porta, observa a crise dos refugiados a partir da compreensão da ansiedade que gera na população e da rejeição a cercas e muros. O pensador voltava, assim, a um dos temas que mais o preocuparam: a rejeição do outro, o medo do diferente, de que já tinha tratado em seus primeiros anos em Varsóvia em relação ao antissemitismo.

Com sua figura espigada, seus cabelos brancos revoltos e seu cachimbo nos lábios, Bauman posava para o fotógrafo há um ano nas ruas de Burgos com a atitude de uma estrela do rock. Podia ser pessimista, mas nunca foi ranzinza. Nunca quis escrever para nos agradar. Mas para nos agitar.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (LUIS AUGUSTO GOMES)

Nilo diz que tem maioria

As notícias vêm a cavalo na guerra pela Assembleia: o recém-empossado deputado Samuel Júnior (PSC) apoiou formalmente a reeleição de Marcelo Nilo à presidência da Assembleia Legislativa.

A assessoria de Nilo informa que, com esse, estão fechados 32 votos, maioria absoluta que lhe garantiria a vitória.

A contabilidade inclui oito votos do PSL, doze do PT, três do PSB, três do PCdoB, dois do PTN, dois do PDT, um do PPS e um do PSC.

Candidatos rejeitam prévia na Assembleia

Nas reuniões que manteve com candidatos à presidência da Assembleia Legislativa, em busca de um improvável consenso, o governador Rui Costa propôs que fosse feita uma prévia na bancada do governo para definição do nome.

Uma solução dessas seria a ideal para ele, que confirmaria sua declaração de isenção no processo e asseguraria como próximo presidente da Casa alguém da base do governo que terá tido todos os votos da base.

O temor de Rui é que, num confronto no plenário entre parlamentares aliados, os votos da oposição venham a ser decisivos – para qualquer um. Significaria, em suma, que, mesmo com uma maioria de 42 a 21, o governador não fez o presidente.

Obviamente, os deputados Angelo Coronel (PSD) e Luiz Augusto (PP), adversários até agora postos para disputar com o presidente Marcelo Nilo (PSL) não concordaram com a ideia da prévia, convictos de que não teriam chance contra Nilo.

Mistério continua na bancada da oposição

Cresce, portanto, o cacife da oposição, que até agora não se manifestou nem deu indicativo de que rumo seguirá. Deputado governista avaliou a Por Escrito que essa posição dependerá do papel a ser desempenhado pelo prefeito ACM Neto.

“Se ele chamar um por um, pode ser que dois ou três escorreguem, mas uns 18 estão garantidos, porque o prefeito representa agora a perspectiva de poder, ninguém vai querer brigar com ele”. No entanto, completou, caso a bancada seja liberada, “Marcelo arranca uns oito votos por lá”.

Outro parlamentar da base, eleitor histórico de Nilo, agora partidário da renovação, estranha a resistência do presidente a propostas de conciliação. “Marcelo imaginou que ia dar um passeio. A raiva que ele está passando agora, não sei se paga tudo que ele já teve”.

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