DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

A reforma do governo e a eleição na Assembleia

O grau de tensão que atinge o processo sucessório da Assembleia Legislativa pode ser medido por recente declaração do presidente Marcelo Nilo, de que a reforma chamada “administrativa” – na verdade, do governo – seja feita depois da eleição, dia 1º de fevereiro.

Supõe-se que é uma sugestão no sentido de não agitar a base parlamentar num período para ele, Nilo, extremamente sensível. Para levá-la a público, é porque já a deve ter feito diretamente ao próprio governador Rui Costa, sem uma definição até agora.

Numa circunstância dessas, Rui hesitaria, pois fazer ou não a reforma significaria, no presente contexto, favorecer um ou outro candidato, coisa que absolutamente não quer deixar transparecer, embora a reeleição de Nilo lhe seja mais conveniente.

A conjuntura é pressionada por ninguém menos do que o senador Otto Alencar, liderança incontestável no Estado, que ou está plenamente seguro do êxito de sua movimentação ou quer, mesmo entrando numa fria, dar sua contribuição ao processo de “oxigenação” da Assembleia.

Ao senador interessa muito a rearrumação do governo, que lhe daria poder compatível com a força do seu partido em número de prefeituras e de deputados. Ele dá certeza de que as mudanças virão, embora, estranhamente, diga que não participa das conversas nem tem pleitos a fazer.

Na eleição da Assembleia, Otto tenta se livrar da imagem de que trabalha por Coronel, afirmando que apenas lhe dá apoio por questão partidária, mantendo-se longe da disputa, que pertenceria exclusivamente à Casa. Mas não é isso que traduzem as reuniões que faz e a permanente crítica à obstinação de Nilo de ocupar o cargo pela sexta vez.

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Asas em vez de galões

Chamou atenção a referência de Otto a seu candidato, Angelo Coronel, em declaração à imprensa, como Angelo, prenome pelo qual é praticamente desconhecido, valendo mesmo o apodo Coronel, que incorporou ao nome de urna.

Talvez seja parte da estratégia eleitoral, uma indicação da natureza angelical do postulante, ao contrário do mandonismo a que imediatamente remeteria a patente militar.

jan
09
Posted on 09-01-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-01-2017


Clayton, no jornal O Povo (CE)

DO EL PAÍS
Gil Alessi

São Paulo

A empreiteira brasileira Odebrecht ganhou espaço nos 27 países onde atua vendendo a execução de grandes obras de infraestrutura. A companhia fundada pelo engenheiro Norberto Odebrecht já construiu desde linhas de metrôs no Peru a hidrelétricas no Panamá e rodovias na Argentina. Nas últimas semanas, porém, ficou claro que o sucesso da companhia teve um preço que ela decidiu pagar. A empresa ganhou as manchetes do mundo pela eficiência de uma rede internacional de distribuição de propinas. De acordo com investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a empresa pagou subornos milionários para políticos, partidos e funcionários públicos em ao menos 12 países para garantir a preferência em obras públicas. Destes, 10 ficam na América Latina: Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru e Venezuela. No total, a empreiteira teria desembolsado 439 milhões de dólares (cerca de 1,4 bilhão de reais) para conseguir vantagens indevidas no exterior.

A Odebrecht é o personagem central da trama descoberta pela Operação Lava Jato, que começou a investigar em 2014 um esquema de corrupção na Petrobras que se arrastava há décadas. Sabia-se, então, que era preciso chegar à Odebrecht que tinha contratos firmados com a petroleira brasileira desde os anos 1950. Levou mais de um ano para que os investigadores encontrassem as primeiras evidências criminosas que levaram Marcelo Odebrecht, presidente e neto de fundador do Grupo, à prisão em junho de 2015. Desde então, o país vai conhecendo detalhes do bilionário e sofisticado sistema de corrupção liderado pela construtora e suas subsidiárias, que distribuiu propinas para além das fronteiras brasileiras.

Depois de colocar o establishment político do Brasil de joelhos, a empresa agora torna-se uma ameaça real para representantes do poder na América Latina, abrindo a caixa de Pandora da corrupção sistêmica no continente. Presidentes, ex-presidentes e congressistas do continente estão sendo denunciados às autoridades internacionais por executivos do grupo. A confissão dos malfeitos e a indicação de seus cúmplices nas altas esferas do poder não acontece por mero acaso. Marcelo Odebrecht e um time de 77 empregados de alta patente negociaram acordos com a Justiça para reduzir suas penas de prisão. Marcelo, por exemplo, foi condenado a 19 anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa. Diante da Corte internacional, a empresa admitiu seus crimes, e aceitou pagar uma multa de 3,5 bilhões de dólares (quase 12 bilhões de reais), a maior penalidade já paga no mundo em acordos de leniência em caso de corrupção.

O Departamento de Justiça dos EUA ainda não divulgou o nome de nenhuma autoridade envolvida no escândalo fora do Brasil, mas a expectativa é que chegue a nomes de peso. No Peru, por exemplo, a empresa reconheceu o pagamento de 29 milhões de dólares em subornos a funcionários dos Governos peruanos entre 2005 e 2014. A confissão abrange os mandatos dos ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Em fevereiro deste ano, Humala havia sido apontado como receptor de 3 milhões de dólares da Odebrecht em propinas, o que ele negou à época. Já no Panamá, especula-se que um dos beneficiários teria sido um dos filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), Luis Enrique Martinelli Linares. Pai e filho também negaram a acusação e se dizem vítimas de uma campanha política e midiática.

Por onde passa, o terremoto Odebrecht ameaça manchar biografias. Na Argentina, o alvo são os Governos de Cristina Kirchner. A empresa admitiu ter pago mais de 35 milhões de dólares para intermediários de funcionários ligados a três projetos de infraestrutura (não foram mencionados quais) entre 2007 e 2014, quando Kirchner era mandatária. Na Venezuela, delatores já mencionaram um valor de 3 milhões de dólares pagos pela empreiteira para a campanha de Hugo Chávez e Nicolás Maduro (2012-2013).

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