DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Crucificado

O presidente municipal Everaldo da Anunciação está levando a culpa por não ter o PT apresentado candidato a prefeito em Salvador.

Os desgostosos entendem que, com isso, o partido perdeu cadeiras na Câmara Municipal.

Mas Everaldo é inocente dessa acusação. Qualquer petista que tivesse metido a cara perderia mais feio que Alice Portugal (PCdB)

DO EL PAÍS

Javier Martín

Lisboa

O ex-presidente de Portugal Mário Soares morreu neste sábado, num hospital de Lisboa, aos 92 anos. Soares, também fundador do Partido Socialista português, estava em estado crítico desde que deu entrada no centro médico em 13 de dezembro passado. É impossível compreender este último meio século de Portugal sem ele. Noventa e dois anos dão para muita coisa, mais ainda num homem inquieto desde jovem, escritor infatigável (dizia ter escrito mais de 100 livros), de personalidade forte para aguantar os porões da ditadura e também para ir contra a deriva comunista da Revolução dos Cravos.

Soares (Lisboa, 1924) foi o primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional, entre outros (1976-78 e 1983-1985), em cujo mandato foi criada a seguridade social e ampliada a escola pública para todos, além da entrada na União Europeia. A grande figura do socialismo português filiou-se ao PC com apenas 18 anos, na universidade, porque o via como a única boa organização para a luta contra a ditadura de Salazar. Ficou lá durante seis anos, até se irritar com tantas regras e reuniões, segundo conta num de seus vários livros.

Em 1964, foi um dos fundadores da Ação Socialista, berço do PS. Advogado de profissão, fez amizade com o general Humberto Delgado, posteriormente assassinado pela PIDE (polícia secreta de Salazar). Soares se encarregou de recuperar seus restos mortais em Extremadura, e a partir daí entrou na lista negra do regime.

Foi preso em 12 ocasiões, ficando no total três anos atrás das grades, parte deles em Santo Tomé e Príncipe, uma das colônias portuguesas para onde Salazar enviava os presos políticos. Ali soube que Salazar havia caído de uma cadeira, o que comprometeu os movimentos do ditador até sua morte.

Soares sempre conjugou a luta com o pragmatismo. Aproveitava cada espaço que lhe deixavam, e por isso não desistiu de disputar as eleições legislativas convocadas em 1969 por Marcelo Caetano, sucessor de Salazar. Sua organização, a Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD) apresentou-se em Lisboa, Porto e Braga, na companhia de sua esposa, Maria Barroso, não menos combativa e morta há um ano, aos 90. Fracassaram, claro, e Soares se exilou em Paris, onde entrou em contato com a intelectualidade socialista internacional e comunistas que haviam fugido, como o espanhol Santiago Carrillo, com quem construiu uma forte amizade.

Ali ele esteve até que irrompeu a Revolução dos Cravos em seu país. Aquele 25 de abril de 1974 tirou-o da cama na Alemanha. Sua obsessão foi chegar primeiro a Lisboa; voou até Paris, pegou um trem para a Espanha e dali para Lisboa. Foram dois dias de viagem nos quais, para a sua surpresa, ia reunindo o apoio das pessoas. Soares conseguiu seu objetivo: chegou no dia 28, dois antes do secretário-geral do Partido Comunista, Álvaro Cunhal, seu companheiro-rival político durante toda a transição da ditadura para a democracia.

Fiel ao seu lema de aproveitar as oportunidades, Soares aceitou entrar no Governo Provisional do general Spínola. Foi a primeira discrepância com Cunhal e também com o próprio partido, que não queria tanto envolvimento. Em dezembro de 1974, no primeiro congresso do PS na legalidade, Soares teve de mostrar toda a sua coragem para se impor às correntes propensas à união com as forças comunistas. Eram dias revoltos, com governos multicores que caíam em semanas, as ruas cheias de manifestações protagonizadas por algum dos múltiplos partidos marxistas. Soares ganhou, e seu próximo passo foi manter distância do PC, o que não era fácil naqueles tempos, quando a pessoa era rapidamente marcada com a cruz de contrarrevolucionário.

Soares suportou a pressão, opondo-se também à unidade sindical – em torno do PC. As mais heterogêneas forças comunistas dominavam as ruas, e naquele tempo a rua era tudo. Inclusive cercaram a Assembleia da República, que tinha de redigir a Constituição, impedindo a saída dos deputados. Mas uma coisa era encher a rua e outra encher as urnas. As eleições constituintes de 25 de abril de 1975 deram vitória ao Partido Socialista (38% dos votos). O PCP ficou com apenas 12,5%. O resultado não acabou com as disputas, pois, com a ajuda das forças armadas, foi instalado no país o PREC (Processo Revolucionário em Curso) – em especial durante o verão de 1975, o “verão quente” –, num ano durante o qual os bancos e a cerveja foram nacionalizados. E com Governos de unidade nacional sob a vigilância das forças armadas.

Aquele primeiro Primeiro de Maio sob um regime democrático depois de meio século foi a ruptura absoluta com as forças à esquerda do PS. Soares e seu partido foram impedidos de participar dos atos sindicais unificados. Soares decidiu dar um passo que seria decisivo: só o PS iria sair às ruas, sem apoio de outras forças políticas ou sindicais. Sua primeira manifestação, a da Fonte Luminosa, ficou na memória de sua transição. “Marcou o ponto de virada da linha revolucionária insensata que, se não tivesse sido detida da forma que foi, teria arrastado Portugal para o abismo”, recordava Soares em um de seus livros de memórias.

As eleições realizadas meses depois confirmaram a mudança de rumo de Soares. Nova vitória do PS (35%), seguido pelos partidos conservadores PPD (24%) e CDS (16%) e, em quarto lugar, pelo PC (14%). Ainda em minoria, Soares formou seus primeiros governos (1976-78).

Soares consolidou a democracia em Portugal, dotou o país de infraestruturas básicas (do Serviço de Saúde Universal à entrada na União Europeia) e permitiu que começassem a se suceder governos de outras cores políticas. Foi presidente de Portugal (1986-1996), eurodeputado, e se retirou da linha de frente da política depois do fracasso, em 2006, de sua terceira candidatura à presidência do país, já com 82 anos de idade. Isso não significava que tivesse abandonado a política. Por essas coisas curiosas da história, no último ano viu o que tinha protagonizado 40 anos antes, um Governo socialista, graças ao apoio de comunistas clássicos e neoclássicos. Soares não se assustou, pelo contrário, isso lhe pareceu correto. Mário Soares foi até o último dia o oráculo de Portugal e do socialismo ? e, definitivamente, do soarismo português.

jan
07
Posted on 07-01-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-01-2017

DO EL PAÍS
Portugal
Morre ex-presidente Mário Soares, pai de Portugal moderno
Lutou contra a ditadura de Salazar e depois contra a deriva comunista da Revolução dos Cravos
Login
Login
Javier Martín

Twitter
Google Plus

Lisboa 7 JAN 2017 – 17:27 BRST
Mario Soares
Mário Soares, em uma imagem de 2006 NICOLAS ASFOURI afp

O ex-presidente de Portugal Mário Soares morreu neste sábado, num hospital de Lisboa, aos 92 anos. Soares, também fundador do Partido Socialista português, estava em estado crítico desde que deu entrada no centro médico em 13 de dezembro passado. É impossível compreender este último meio século de Portugal sem ele. Noventa e dois anos dão para muita coisa, mais ainda num homem inquieto desde jovem, escritor infatigável (dizia ter escrito mais de 100 livros), de personalidade forte para aguantar os porões da ditadura e também para ir contra a deriva comunista da Revolução dos Cravos.

Soares (Lisboa, 1924) foi o primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional, entre outros (1976-78 e 1983-1985), em cujo mandato foi criada a seguridade social e ampliada a escola pública para todos, além da entrada na União Europeia. A grande figura do socialismo português filiou-se ao PC com apenas 18 anos, na universidade, porque o via como a única boa organização para a luta contra a ditadura de Salazar. Ficou lá durante seis anos, até se irritar com tantas regras e reuniões, segundo conta num de seus vários livros.
MAIS INFORMAÇÕES

Morre ex-presidente Mário Soares, pai de Portugal moderno
José Sócrates: “O que acontece no Brasil é um golpe político da direita”
“Teria sido melhor ser escritor do que político”
A maldição da esquerda lusa
Educação de Portugal é a única da Europa que melhora a cada ano

Em 1964, foi um dos fundadores da Ação Socialista, berço do PS. Advogado de profissão, fez amizade com o general Humberto Delgado, posteriormente assassinado pela PIDE (polícia secreta de Salazar). Soares se encarregou de recuperar seus restos mortais em Extremadura, e a partir daí entrou na lista negra do regime.

Foi preso em 12 ocasiões, ficando no total três anos atrás das grades, parte deles em Santo Tomé e Príncipe, uma das colônias portuguesas para onde Salazar enviava os presos políticos. Ali soube que Salazar havia caído de uma cadeira, o que comprometeu os movimentos do ditador até sua morte.

Soares sempre conjugou a luta com o pragmatismo. Aproveitava cada espaço que lhe deixavam, e por isso não desistiu de disputar as eleições legislativas convocadas em 1969 por Marcelo Caetano, sucessor de Salazar. Sua organização, a Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD) apresentou-se em Lisboa, Porto e Braga, na companhia de sua esposa, Maria Barroso, não menos combativa e morta há um ano, aos 90. Fracassaram, claro, e Soares se exilou em Paris, onde entrou em contato com a intelectualidade socialista internacional e comunistas que haviam fugido, como o espanhol Santiago Carrillo, com quem construiu uma forte amizade.

Ali ele esteve até que irrompeu a Revolução dos Cravos em seu país. Aquele 25 de abril de 1974 tirou-o da cama na Alemanha. Sua obsessão foi chegar primeiro a Lisboa; voou até Paris, pegou um trem para a Espanha e dali para Lisboa. Foram dois dias de viagem nos quais, para a sua surpresa, ia reunindo o apoio das pessoas. Soares conseguiu seu objetivo: chegou no dia 28, dois antes do secretário-geral do Partido Comunista, Álvaro Cunhal, seu companheiro-rival político durante toda a transição da ditadura para a democracia.

Fiel ao seu lema de aproveitar as oportunidades, Soares aceitou entrar no Governo Provisional do general Spínola. Foi a primeira discrepância com Cunhal e também com o próprio partido, que não queria tanto envolvimento. Em dezembro de 1974, no primeiro congresso do PS na legalidade, Soares teve de mostrar toda a sua coragem para se impor às correntes propensas à união com as forças comunistas. Eram dias revoltos, com governos multicores que caíam em semanas, as ruas cheias de manifestações protagonizadas por algum dos múltiplos partidos marxistas. Soares ganhou, e seu próximo passo foi manter distância do PC, o que não era fácil naqueles tempos, quando a pessoa era rapidamente marcada com a cruz de contrarrevolucionário.

Soares suportou a pressão, opondo-se também à unidade sindical – em torno do PC. As mais heterogêneas forças comunistas dominavam as ruas, e naquele tempo a rua era tudo. Inclusive cercaram a Assembleia da República, que tinha de redigir a Constituição, impedindo a saída dos deputados. Mas uma coisa era encher a rua e outra encher as urnas. As eleições constituintes de 25 de abril de 1975 deram vitória ao Partido Socialista (38% dos votos). O PCP ficou com apenas 12,5%. O resultado não acabou com as disputas, pois, com a ajuda das forças armadas, foi instalado no país o PREC (Processo Revolucionário em Curso) – em especial durante o verão de 1975, o “verão quente” –, num ano durante o qual os bancos e a cerveja foram nacionalizados. E com Governos de unidade nacional sob a vigilância das forças armadas.

Aquele primeiro Primeiro de Maio sob um regime democrático depois de meio século foi a ruptura absoluta com as forças à esquerda do PS. Soares e seu partido foram impedidos de participar dos atos sindicais unificados. Soares decidiu dar um passo que seria decisivo: só o PS iria sair às ruas, sem apoio de outras forças políticas ou sindicais. Sua primeira manifestação, a da Fonte Luminosa, ficou na memória de sua transição. “Marcou o ponto de virada da linha revolucionária insensata que, se não tivesse sido detida da forma que foi, teria arrastado Portugal para o abismo”, recordava Soares em um de seus livros de memórias.

As eleições realizadas meses depois confirmaram a mudança de rumo de Soares. Nova vitória do PS (35%), seguido pelos partidos conservadores PPD (24%) e CDS (16%) e, em quarto lugar, pelo PC (14%). Ainda em minoria, Soares formou seus primeiros governos (1976-78).

Soares consolidou a democracia em Portugal, dotou o país de infraestruturas básicas (do Serviço de Saúde Universal à entrada na União Europeia) e permitiu que começassem a se suceder governos de outras cores políticas. Foi presidente de Portugal (1986-1996), eurodeputado, e se retirou da linha de frente da política depois do fracasso, em 2006, de sua terceira candidatura à presidência do país, já com 82 anos de idade. Isso não significava que tivesse abandonado a política. Por essas coisas curiosas da história, no último ano viu o que tinha protagonizado 40 anos antes, um Governo socialista, graças ao apoio de comunistas clássicos e neoclássicos. Soares não se assustou, pelo contrário, isso lhe pareceu correto. Mário Soares foi até o último dia o oráculo de Portugal e do socialismo ? e, definitivamente, do soarismo português.

jan
07
Posted on 07-01-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-01-2017

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Deus pode sair em 2018

Este editor gostaria de manter-se distante dessa história de prefeito repassar a Deus a responsabilidade pelos destinos das municipalidades que lhe foram confiadas pelo voto.

É verdade que nos permitimos, terça-feira, na nota “Funcionário fantasma”, mais por cumplicidade que por desrespeito, um gracejo com o Todo-poderoso, cuja supremacia universal reconhecemos.

Entretanto, dado o segundo caso, não somente o de Guanambi, nesta Bahia pioneira, mas também o de Santo Antônio de Pádua, no Rio de Janeiro, somos obrigados, profissionalmente, a analisar friamente a matéria.

A princípio, não há por que preocupar-se com o aparente vírus fundamentalista. O importante é seguir os passos e as contas do gestor terreno da bufunfa pública, cuidando para que seja aplicada correta e eficazmente – o resto vem por gravidade.

Embora crente na confissão católica desde tenra idade, por enquadramento familiar, seguramente não esperamos que o Criador desça dos céus materializado para administrar o pequeno município fluminense, o que não obsta que possa, da invisibilidade, operar o milagre que espera o prefeito.

Como o colega baiano, ele revogou unilateralmente as disposições em contrário à colaboração divina e reconheceu a complexidade e a dificuldade das grandes questões, que “transcendem, em muitos casos, a capacidade dos gestores de solucioná-las”.

Essa gente não perde a mania

A propósito, o decreto do prefeito de Guanambi dizia que o município, a partir daquela publicação, estava “sobre a cobertura do Altíssimo”.

Esquecida a gramática e imobiliariamente falando, estar-se-ia insinuando a existência de um andar, ou mais, acima do apartamento do Arquiteto do Universo?

Assim sendo, conviria esclarecer que órgãos – e em que gestões – emitiram licenças e alvarás à revelia da lei para beneficiar alguém, que onipotência tenha.

jan
07
Posted on 07-01-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-01-2017


Paixão, na Gazeta do Povo (Curitiba/PR

  • Arquivos

  • Janeiro 2017
    S T Q Q S S D
    « dez   fev »
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    3031