Carmen Lucia, Celso de Melo e Marco Aurélio:
perdas e danos no Supremo…


…e Imbassahy ministro de Temer: vai ou não vai?

ARTIGO DA SEMANA

O tchauzinho de Renan depois de dobrar o Supremo

Vitor Hugo Soares

O repórter Afonso Benites, da edição brasileira do influente diário espanhol El Pais, captou, com extrema capacidade de observação e perspicácia profissional, dois momentos fundamentais da cobertura jornalística da estranha (para dizer o mínimo) sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira, 7, deste dezembro que nem parece, de tantas confusões que tem aprontado no ocaso de 2016.

O Pleno decidiu manter o senador – réu Renan Calheiros (PMDB-AL) no cargo de presidente do Senado, contrariando por 6 a 3 a medida liminar de um dos mais antigos e controversos ministros da Corte, Marco Aurélio Mello, também chamado de “senhor voto vencido” por alguns de seus pares . Dois dias antes, ele havia determinado o afastamento do político alagoano, do comando da histórica casa parlamentar, polo de um dos poderes da República. Riscou assim o fósforo que faltava para tocar fogo em Brasília e provocar um dos maiores incêndios institucionais de que a cidade do poder tem notícia . Com perdas e danos – políticos, jurídicos e éticos – ainda difíceis de contabilizar em sua totalidade.

Na reportagem que considero diferenciada (texto e conteúdo) entre os principais registros da mídia em geral, sobre o mais relevante e significativo fato jornalístico desta semana, a atenção do leitor começa a ser aguçada já a partir do título, como deve ser: “Supremo Salva Renan Calheiros e preserva pauta de Temer no Senado”. É a chave perfeita, não só em relação ao caso em si, mas, igualmente, para segurar o interesse do leitor na narrativa do espetáculo, – de segunda ou terceira classe, representado na suprema corte da justiça brasileira, – conjugado com as tramas e barganhas dos bastidores, no Palácio do Planalto e no Congresso, no 7 de dezembro de triste memória.

Véspera do dia dedicado à poderosa Nossa Senhora da Conceição, dos católicos. Provavelmente, resulta daí o foguetório que escuto em Salvador, no meu gabinete, em casa – que fica a larga distância da histórica basílica da padroeira do estado da Bahia -, enquanto começo a dar forma a artigo semanal. Cético que sou, por mandamento profissional, desconfio que por estas bandas, existam “infiltrados políticos” na festa da Conceição.

Gente comemorando, ruidosamente, os feitos da sessão do dia anterior no STF. Ou (quem sabe?), seriam militantes tucanos festejando a notícia (ou mero balão de ensaio?) que começava a circular na cidade, na quinta-feira da Conceição da Praia, sobre a escolha do deputado Antonio Imbassahy, líder do PSDB na Câmara, para ser o novo comandante da Secretaria do Governo no ministério de Michel Temer, em substituição a Geddel Vieira Lima, antes todo poderoso articulador político do Palácio do Planalto, que caiu em novembro passado, ao tropeçar no escândalo do edifício La Vue, denunciado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero.

Se confirmada a nomeação de Imbassahy (que muitos já diziam nesta sexta-feira ter “subido no telhado), não faltariam motivos para comemorações. O líder tucano na Câmara é ex-prefeito de Salvador, cria de Antonio Carlos Magalhães (“o original”, como diz Mário Kertézs) na política e na administração pública. Ligado fortemente ao senador mineiro Aécio Neves (PSDB) é, igualmente, aliado da primeira hora de ACM Neto (DEM), atual prefeito reeleito de Salvador e, desde já, nome politicamente mais forte, e de comprovada densidade eleitoral, para bloquear o caminho da reeleição do governador petista Rui Costa (e os planos do padrinho e guia Jaques Wagner) em 2016. Se gorar a ida de Imbassahy para o lugar de Geddel, mais foguetes seguramente serão ou vidos na Bahia. Desta vez, nas comemorações do PT e seus aliados na capital e no resto do estado. A conferir.

E estamos de volta ao começo: a reportagem do El País, referida na abertura do artigo, reserva para os parágrafos finais, os registros mais expressivos e emblemáticos. O primeiro deles fala da nota, que o presidente do Senado mandou distribuir, em substituição à entrevista que todos aguardavam, após a divulgação do resultado do julgamento do mérito da liminar de Marco Aurélio Mello. Em menos de dez linhas, Renan disse receber a “patriótica” decisão do STF com humildade. “O que passou não volta mais. Ultrapassamos, todos nós, Legislativo, Executivo e Judiciário, outra etapa da democracia com equilíbrio, responsabilidade e determinação para conquista de melhores dias para a sociedade brasileira”.

Ao fim do dia, escreve Benites em seu primoroso arremate: “o presidente do Senado deixou seu gabinete sem falar com imprensa. Olhou para as câmeras que esperavam qualquer manifestação sua e só deu um tchauzinho, com um sorriso estampado no rosto”. E mais não disse Renan, nem precisava. A não ser na mudança no humor e na inversão do fraseado: “A decisão do Supremo fala por si só. Não dá para comentar decisão judicial. Decisão do STF é para se cumprir”, disse Renan, antes de dar bronca no jornalista que perguntava sobre “acordos” que teriam levado a maioria do pleno do Supremo a decidir por manter o senador – réu no comando do Congresso. Em seguida, na quinta-feira mesmo, da Conceição, retomou a ação. E passou como um trator sobre o plenário da Casa que segue comandando, agora com mais pressa para aprovar as medidas de maior interesse do governo Temer e dos seus defensores, públicos e privados.

Afinal, já se sabe, na política e no poder (incluindo o Supremo, pelo visto esta semana) não é servido banquete de graça a ninguém. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Beleza de samba do mestre Rufino. Vai para a mana Mariana, em rápida passagem por Salvador, e que ontem lembrou que o sambista vai fazer show no Rubí, do Sheratton ( antigo Hotel da Bahia). Grande dica!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Temer no Palácio do Planalto no dia 7 de dezembro.
EVARISTO SA AFP

DO EL PAÍS

Gil Alessi

São Paulo

As delações da Odebrecht começam a fazer suas primeiras vítimas. Pelo menos nas páginas dos jornais. O presidente Michel Temer (PMDB) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aparecem como beneficiários de caixa dois em denúncias vazadas por meio da imprensa nesta sexta-feira. As delações ainda não foram nem homologadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas já desgastam a imagem de quem vinha passando ileso pela Operação Lava Jato.

No caso de Temer, noticia o Buzzfeed, o caixa dois seria de 10 milhões de reais, que teriam irrigado as campanhas de Paulo Skaf ao Governo de São Paulo e outras campanhas do PMDB. O dinheiro teria sido entregue no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e conselheiro próximo de Temer. Segundo o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, Temer acertou o repasse durante um jantar em maio de 2014 no Palácio do Jaburu. Yunes negou qualquer irregularidade ao Buzzfeed e se disse “indignado” com as acusações.

Temer já tinha sido mencionado no âmbito das delações da Lava Jato, mas não de uma forma tão direta, como personagem ativo em um pedido de caixa dois. A revelação de seu possível envolvimento em ilícito chega em um momento delicado para o Governo, que tenta aprovar reformas enquanto o Congresso Nacional borbulha — o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), cuja liderança no parlamento se tornou crucial para Temer, foi salvo no último minuto depois de ter o cargo em risco.

No final do dia, a comunicação do Planalto divulgou uma nota informando que o presidente “repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho. As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, termina a nota.

No caso de Alckmin, o caixa dois teria abastecido as campanhas de 2010 e 2014. A informação constaria na delação premiada dos executivos e diretores da empreiteira, firmada no âmbito da Operação Lava Jato, e foi divulgada nesta sexta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, os pagamentos teriam sido feitos a duas pessoas próximas ao político tucano: uma delas seria o empresário Adhemar Ribeiro, irmão da mulher de Alckmin. Em 2010, ele teria recebido 2 milhões em espécie, pagos em seu escritório. As delações da Odebrecht devem fazer com que a Lava Jato dobre de tamanho, e existe a expectativa que atinjam políticos tucanos — até então mantidos à margem da investigação — e o próprio presidente Michel Temer.

A operação é alvo constante de críticas porque não estaria se aprofundando nos eventuais crimes cometidos durante governos tucanos.

De acordo com a delação revelada pela Folha, os valores pagos em caixa 2 para o tucano na disputa da reeleição, em 2014, ainda não são conhecidos. O intermediário dos pagamentos naquele ano seria, segundo a reportagem, o atual secretário de Planejamento do Governo de São Paulo, Marcos Monteiro. À época ele atuava como tesoureiro da campanha tucana. Nas duas eleições em questão Alckmin venceu no primeiro turno. Na prestação de contas de Alckmin para o Tribunal Superior Eleitoral não constam doações diretas da Odebrecht, apenas de uma de suas subsidiárias, a Braskem, nos valores de 100.000 reais e 200.000 reais.

As informações teriam sido repassadas às autoridades por Carlos Armando Paschoal, ex-diretor da empreiteira em São Paulo e um dos encarregados de negociar as doações eleitorais para políticos. Paschoal também seria o responsável pelo repasse de 23 milhões de reais à campanha presidencial de José Serra (PSDB) em 2010, informação esta que foi noticiada em outubro pelos principais jornais do país. Atualmente o tucano ocupa a pasta das Relações Exteriores, e já afirmou anteriormente que todos os valores recebidos foram declarados à Justiça.

É a primeira vez em mais de dois anos de investigação que o nome do governador de São Paulo se vê associado diretamente à Lava Jato, embora o conteúdo da delação ainda não tenha sido homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Esta, porém, tem sido a dinâmica da investigação desde o princípio: informações são vazadas para alguns veículos e depois acabam se confirmando quando o material é tornado público. Até então, o PSDB era um dos partidos menos atingidos pela investigação, muito embora o ex-presidente nacional do partido Sérgio Guerra (morto em 2010), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tenham sido citados. Desta vez, é o nome de um governador do Estado mais rico do país, que já era apontado como um presidenciável competitivo para 2018, principalmente depois da vitória de seu afilhado João Doria Jr. na eleição a prefeito de São Paulo. E a delação envolvendo Alckmin tem cifras detalhadas e o nome dos operadores do esquema, ao contrário do que ocorreu com Aécio.

Nas planilhas da Odebrecht onde constam os balanços de pagamentos feitos a políticos, Geraldo Alckmin apareceria com o codinome Santo. Segundo os documentos, repasses da empreiteira para o tucano teriam sido feitos já em 2002, durante a primeira passagem de Alckmin pelo Palácio dos Bandeirantes. O apelido também aparece em mensagens de executivos da Odebrecht relativas à construção da linha 4-Amarela do metrô. A obra está na mira das autoridades por suspeita de pagamento de propinas.

Os depoimentos de 77 executivos e diretores da Odebrecht começaram nesta semana, após a empreiteira assinar um acordo de leniência. Pelos termos da negociação, a construtora se comprometeu a pagar uma multa de 6,7 bilhões de reais ao longo de 23 anos – a maior indenização paga por uma companhia brasileira por crimes de corrupção. Parte dos recursos será revertido para autoridades dos Estados Unidos e Suíça, mas a maioria irá para os cofres públicos brasileiros. A força-tarefa da Lava Jato montou um esquema especial para ouvir todos os executivos até o início do recesso do Judiciário, no dia 20 de dezembro.

O herdeiro da empresa Marcelo Odebrecht está preso desde junho do ano passado. Condenado em março pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, o empreiteiro fechou em novembro um acordo para cumprir pena de dez anos. Ele ainda ficará no regime fechado até o final do ano que vem, e depois irá progredir para os regimes semiaberto e aberto. O depoimento de Odebrecht deve começar na semana que vem.

O nome de Alckmin, e eventuais desdobramentos a partir da investigação das delações da Odebrecht, mostram que os tucanos também podem ter de explicar a ‘caixa preta’ do PSDB que será aberta a partir de agora. Ao menos é essa a expectativa que a própria equipe de investigadores da Lava Jato gerou quando repete que a investigação é apartidária e atinge a todos, sem exceção. “Nossa corrupção não é partidária, é decorrente do nosso sistema político”, afirmou em abril o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. “É isso que acontece, e é isso que a Lava Jato pretende investigar.” Agora, a força tarefa parece ter encontrado um fio do novelo que também envolve o PSDB.

Em nota, o governador afirmou que “Apenas os tesoureiros das campanhas, todos oficiais, foram autorizados pelo governador Geraldo Alckmin a arrecadar fundos dentro do que determina a legislação eleitoral”. À Folha, a assessoria de Monteiro afirmou que ele “presta contas do fundo partidário à Justiça Eleitoral com regularidade”. A reportagem não conseguiu entrar em contato com os advogados de Ribeiro.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Só Nilo mostrou força na disputa

As últimas cartadas na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa mostram que o deputado Marcelo Nilo (PSL), embora faltem quase dois meses para o pleito, caminha para a reeleição.

Nilo, que afirma ter 31 deputados comprometidos com ele, levou cerca de 25 a um almoço de apoio, um número expressivo, quando se sabe que 32 votos são suficientes para a vitória.

Os adversários Angelo Coronel (PSD) e Luiz Augusto (PP), que caminham juntos, reúnem por enquanto os 13 votos dos seus partidos e não conseguiram fazer um ato inicial consistente para a campanha.

Oposição depende da natureza da eleição

A oposição, hoje com 21 deputados, esteve meio órfã em todas as cinco eleições vencidas por Nilo. Desta vez, sob a liderança do prefeito ACM Neto, há a expectativa de que possa jogar um papel mais importante.

A questão é saber se a eleição terá natureza “assemblear”, como dizia o ex-deputado Eujácio Simões, ou se extrapolará para o plano da sucessão estadual, despertando no prefeito o desejo de derrotar o governador Rui Costa e o PT, que querem Nilo.

O líder Sandro Régis (DEM) disse que a oposição está “estudando o melhor caminho” e que verá “a melhor proposta política para a Casa”, ou seja, não vai descer a detalhes na fase atual, preferindo observar o conflito no campo governista.

O presidente da Assembleia, por seu turno, movimenta-se sem reserva e anuncia que já conversou com todos os oposicionistas, entre os quais, aliás, tem o voto declarado do deputado Targino Machado (PPS). É certo que tem outros amigos na bancada, que possivelmente não lhe faltariam numa eleição secreta.

Ponto fraco

Fonte deste blog com assento no bloco parlamentar governista disse que Marcelo Nilo tem um “ponto fraco” dentro do seu próprio partido, o PSL.

É que ele teria prometido dez mil votos a cada colega da bancada – são sete – “e agora está preparando o genro para disputar a Assembleia”.

Candidato único

Legal foi Marcelo Nilo dizer que, para a presente conjuntura, é preciso um presidente experiente.

Lembra aquela queixa dos que procuram o primeiro emprego: nunca conseguem a vaga porque se exige “experiência”.

dez
10
Posted on 10-12-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-12-2016


Simanca, no jornal A Tarde (Salvador-Ba)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Propina de A a Z

O JN confirma, ainda,que Claudio Melo Filho delatou repasses da Odebrecht a Jaques Wagner, Antonio Palocci, Ciro Cunha, Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima, Rodrigo Maia, José Agripino Maia, Marco Maia, Arthur Maia e Kátia Abreu – além dos já citados.

“Todos esses nomes ajudaram no relacionamento da empresa no Congresso em troca de doações financeiras para suas campanhas.”

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