nov
27
Postado em 27-11-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 27-11-2016 00:24

OPINIÃO

A quadrilha contra-ataca

Transformou-se numa guerra aberta a questão institucional no Brasil. Acossadas por um movimento restaurador do Ministério Público e de setores do Judiciário, as forças políticas especializadas em sugar o Estado tentam manter seus privilégios e intocabilidade com manobras escancaradas.

A nota assinada por 27 líderes de apoio ao ministro Geddel Vieira Lima foi apenas uma demonstração de “princípios” numa emergência, pois o empenho se vê em todo canto: na urgência para o projeto contra “abuso de autoridade”, na tentativa de desfigurar a proposta chamada “dez medidas contra a corrupção” e na anistia a criminosos.

Mas o país não pode continuar sendo roubado generalizadamente, aprofundando a desassistência e a miséria da grande maioria do povo, o que não mudará se não for desmontada a gigantesca quadrilha. Deve haver um limite para o caráter pacífico e festeiro do brasileiro, e o melhor é que não venha a ser testado.

Be Sociable, Share!

Comentários

Jair Santos on 27 novembro, 2016 at 7:43 #

Janio de Freitas

País derrete e presidente ocupa-se com apartamento que nem sequer existe

Na Folha

Michel Temer não poderia mesmo ser “atingido nem de longe”. Está chafurdado na manobra de Geddel, a quem buscou servir em autêntica advocacia administrativa em nível presidencial. Corrupção, nada menos.

É ao menos original, para não dizer que é cômico. O país derrete, com as atividades econômicas se desmilinguindo, o desemprego crescendo, cai até a renda dos ricos, a maior empresa do país é vendida em fatias, pouco falta para trocarem de donos os trilhões do pré-sal –e o presidente da República passa a semana ocupando-se com um apartamento que nem existe. Ou só existe no tráfico de influência de um (ex)ministro e na advocacia administrativa do próprio presidente.

Se Dilma foi processada por crime de responsabilidade, como quiseram os derrotados nas urnas, Michel Temer é passível de processo, no mínimo, por crime de irresponsabilidade. É o que explica a pressa de Aécio Neves e Fernando Henrique para cobri-lo com uma falsa inocência. “Isso [a ação de Geddel] não atinge Temer nem de longe”, diz Aécio, que na presidência da Câmara foi o autor de algumas das benesses mais indecentes desfrutadas pelos deputados.

Fernando Henrique define os atos de Geddel e de Temer como “coisas pequenas”. Comparados à entrega, por ele, do Sistema de Vigilância da Amazônia à multinacional Raytheon, ou confrontados com as privatizações que manipulou até pessoalmente (e com gravação), de fato as ordinarices atuais são “coisas pequenas”. Mas se “o importante é não perder o rumo”, só isso, Temer, Geddel, Moreira e outros não o perderam. Nem desviam o país do rumo desastroso, único que lhe podem dar com sua incompetência e leviandade.

O comprometimento de Michel Temer com a manobra de Geddel não precisaria ser mais explícito. Sua acusação a Marcelo Calero, de que “a decisão do Iphan criou dificuldades ao [seu] gabinete” porque “Geddel está bastante irritado”, diz o que desejava de Calero: a ilegalidade de uma licença incabível, para não “criar dificuldades” ao gabinete e, portanto, ao próprio Michel. Apresentar a ilegalidade como a forma correta de conduta, quando está em causa um interesse contrário à responsabilidade e à lei, é um comprometimento inequívoco com o interesse e com o tráfico de influência que o impulsiona.

Tem a mesma clareza a igualdade de ideia, e até de palavras, que Calero ouviu de Temer, de Eliseu Padilha e do secretário de Assuntos Jurídicos, Gustavo Rocha, em ocasiões diferentes. Todos lhe falaram em “construir uma saída”, mandando “o processo para a AGU”, a Advocacia-Geral da União. Lá, como disse Temer a Calero, “a ministra Grace Mendonça tem uma solução”. A igualdade demonstra a combinação de uma estratégia para afinal impor a ilegalidade. Fosse por já terem a concordância de Grace Mendonça, como sugere a afirmação de Temer, fosse por a verem como maleável.

Michel Temer não poderia mesmo ser “atingido nem de longe”. Está chafurdado na manobra de Geddel, a quem buscou servir em autêntica advocacia administrativa em nível presidencial. Corrupção, nada menos.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • novembro 2016
    S T Q Q S S D
    « out   dez »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    282930