BOA NOITE!!!


Temer na posse de Celeró

DA REVISTA VEJA (EDIÇÃO ONLINE)

Depois de acusar a cúpula do governo de tentar pressioná-lo a liberar uma obra de interesse pessoal do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero entregou à Polícia Federal gravações das conversas que teve sobre o assunto com o presidente Michel Temer, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e com o próprio Geddel. Em depoimento à PF, o ex-ministro narrou detalhes de como Temer e seus dois principais ministros teriam tentado forçá-lo a liberar a construção de um prédio residencial em uma região tombada pelo patrimônio histórico em Salvador. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, subordinado a Calero, havia embargado a obra.

Além de gravar Temer e seus dois ministros de confiança, o ex-ministro da Cultura registrou as conversas que teve com dois auxiliares do presidente. O próprio Palácio do Planalto obteve a confirmação da existência dos áudios. “As gravações não são de boa qualidade, porque foram feitas com um aparelho que aparentemente estava no bolso do Calero”, disse um ministro palaciano a VEJA.


Michel Temer no Palácio do Planalto na quarta-feira.
EVARISTO SA AFP

DO EL PAIS

Rodolfo Borges

São Paulo

O edifício que o ministro Geddel Vieira Lima gostaria de ver erguido na orla central de Salvador não saiu do chão, mas projetou sua sombra nesta quinta-feira sobre o presidente Michel Temer. O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que deixou o Governo denunciando a pressão de Vieira Lima, chefe da Secretaria de Governo, para liberar a obra na capital baiana, disse em depoimento à Polícia Federal que também foi pressionado por Temer. A notícia, antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo, inflamou ainda mais o Congresso Nacional, onde a oposição já se anima a falar em impeachment.

No depoimento do ex-ministro revelado pela Folha, Calero diz que se sentiu “decepcionado” por ter sido “enquadrado” pelo presidente. Segundo ele, Temer lhe disse, em reunião no Palácio do Planalto, que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) havia criado “dificuldades operacionais em seu gabinete”, porque Vieira Lima “encontrava-se bastante irritado”. O ministro comprou um apartamento no empreendimento imobiliário cuja construção foi embargada pelo Iphan. No depoimento, Calero diz ainda que Temer lhe pediu para “construir uma saída” para que o processo fosse encaminhado à Advocacia-Geral da União.

Após a divulgação do conteúdo do depoimento, o Palácio do Planalto divulgou nota para dizer que Temer “sempre endossou caminhos técnicos para solução de licenças em obras ou ações de governo”. Na versão do Planalto, “o presidente buscou arbitrar conflitos entre os ministros e órgãos da Cultura sugerindo a avaliação jurídica da Advocacia Geral da União, que tem competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública”.

Temer disse ainda que jamais induziu algum de seus ministros “a tomar decisão que ferisse normas internas ou suas convicções”. “O ex-ministro sempre teve comportamento irreparável enquanto esteve no cargo. Portanto, estranha sua afirmação, agora, de que o presidente o teria enquadrado ou pedido solução que não fosse técnica”, informa a nota. A mensagem termina dizendo que “surpreendem o presidente da República boatos de que o ex-ministro teria solicitado uma segunda audiência, na quinta-feira (17), somente com o intuito de gravar clandestinamente conversa com o presidente da República para posterior divulgação”.

A batalha de versões foi o bastante para levar os opositores de Temer no Congresso — já borbulhante por votações sobre temas como medidas anticorrupção, abuso de poder e limite de gastos — a cogitar um pedido de impeachment de Temer. Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffman (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que há algumas semanas tentavam impedir o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, agora enxergam crime de responsabilidade na conduta do presidente que assumiu o Planalto após o impeachment da antecessora. E se Calero gravou aquilo que denuncia à PF, como informa o colunista Kennedy Alencar, os opositores de Temer terão munição de que precisam para desgastar ainda mais um Governo que não chegou a gozar, em seus poucos meses, de uma semana inteira de paz.

Na posse de Roberto Freire (PPS) no comando do Ministério da Cultura, no lugar de Calero, na quarta-feira, Temer disse que “se não foi bem até agora, eu digo a vocês, a partir do Roberto Freire o Governo ganhará céu azul, velocidade de cruzeiro e vai salvar o Brasil”. A fachada de um prédio que não existe ameaça seguir bloqueando esse horizonte

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Com abono, Temer incorpora ato de Geddel

O presidente Michel Temer assegura que todas as licenças a empreendimentos como o La Vue Ladeira da Barra serão concedidas respeitando os “critérios técnicos” e “normas legais”.

Diante do cada vez mais rumoroso “caso Geddel”, que por isso mesmo permanece no noticiário, Temer age com o pai compassivo, que nem mesmo um puxão de orelhas dá no guri travesso.

Não ficou sozinho em seu empenho. A “base” logo o respaldou com uma impudica declaração assinada por líderes partidários em que foi destacada “a destreza” de Geddel nas ações de bastidores que chamam de “articulação”.

O ministro da Secretaria de Governo, no entanto, e lamentavelmente, porque tinha futuro promissor, é tão indefensável, respeitadas todas as proporções, quanto Lula, para usar um símbolo da política decaída do Brasil.

Para Temer, há uma demolidora relação de causa e efeito: passar a mão na cabeça do seu ministro significa em essência que ele abona os atos praticados e, por consequência, os coloca no rol dos que seria, também, capaz de cometer.

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Cacoete

Data: 24/11/2016
00:15:5
1

Os telefonemas de Geddel ao presidente e a outro membro da Comissão de Ética Pública foram uma espécie de ato falho: ele não consegue deixar de exercer alguma influência.

nov
25
Posted on 25-11-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-11-2016


Jarbas, no Diário de Pernambuco

nov
25
Posted on 25-11-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-11-2016

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Calero, Medina… quem será o próximo?

O primeiro a deixar o governo ao fazer a coisa certa foi Fábio Medina Osório, que contrariou o interesse de Eliseu Padilha ao tentar mover ações de improbidade contra autoridades envolvidas no petrolão.

Marcelo Calero é o segundo ministro a entregar o cargo ao tentar fazer a coisa certa. Agora se sabe que foi coagido por Geddel Vieira Lima, e até por Michel Temer, a atropelar a lei para viabilizar a traficância do ministro baiano.

Nos dois casos, Grace Mendonça foi acionada para buscar “soluções” para as demandas do Palácio do Planalto.


Deputados na sessão desta quinta-feira na Câmara.
Zeca Ribeiro Câmara dos Deputados

DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

Ninguém sabe. Ninguém viu. No dia em que a Câmara decidiu adiar para a próxima semana a votação do projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção, quase todos políticos e jornalistas no Congresso Nacional buscavam quem seriam os autores da emenda ao projeto de lei que resultaria na anistia aos crimes correlatos ao caixa dois, que é doação oculta e ilegal de recursos para campanhas eleitorais. Parecia uma operação dos Caça-Fantasmas. Nenhum dos que foram apontados como articuladores das propostas quis admitir que o era. Um deles, quando questionado em uma coletiva disparou: “Você acredita na cegonha? Acredita na Branca de Neve? Claro que não tenho nada a ver com isso”.

No plenário da Câmara o clima estava pesadíssimo, um dia depois da divulgação da notícia de que 60 funcionários da Odebrecht estavam em vias de assinar um termo de delação premiada em que denunciariam entre cem e 200 políticos brasileiros no esquema bilionário de desvio de recursos da Petrobras.

Ninguém discursava a favor da anistia ao caixa 2, pelo contrário, as falas todas eram no sentido de elogiar o projeto de iniciativa popular que foi liderado pelo Ministério Público Federal e quer endurecer as regras contra a corrupção. Mas todos sabiam que, a qualquer momento, a emenda, que teve uma versão em papel timbrado, sem nenhuma assinatura, circulando entre jornalistas chegaria para ser votada. O texto dela dizia o seguinte: “Não será punível nas esferas penal, civil e eleitoral, doação contabilizada ou não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral realizada até a data da publicação desta lei”.

A anistia não estava escrita textualmente, mas, da maneira como foi redigida, alguns consultores legislativos da própria Câmara entenderam que a nova regra poderia gerar interpretações diversas no sentido de perdoar todos os crimes relacionados ao caixa 2, entre eles corrupção, lavagem de dinheiro e peculato. O diabo mora nos detalhes. Boa parte dos investigados pela operação Lava Jato foi denunciada exatamente por esses delitos e, caso a lei passe, estarão livres de algumas dessas punições.

“Estava tudo armado para ser tudo destruído”, diz Onyx Lorenzoni

O movimento, intensificado entre a noite de quarta-feira e a manhã quinta-feira, acendeu um sinal de alerta em algumas das proeminentes figuras do Judiciário brasileiro. O juiz federal Sergio Moro, o responsável pela operação Lava Jato na primeira instância, emitiu uma nota na qual dizia que toda anistia era questionável e deveria ser amplamente debatida pela sociedade. “Anistiar condutas de corrupção e de lavagem de impactaria não só as investigações e os processos já julgados no âmbito da operação Lava Jato, mas a integridade e a credibilidade, interna e externa, do Estado de Direito e da democracia com consequências imprevisíveis para o futuro do país”.

Dois procuradores da República que atuam na força-tarefa da Lava Jato também se manifestaram contrários à anistia. Um deles afirmou que essas mudanças devem ter relação com a delação dos funcionários da Odebrecht. “Hoje não é dia de luva de pelica. Hoje é um dia de luva de boxe. Nós não temos mais o que discutir senão fazer os deputados caírem em si”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, durante um evento do MPF em Brasília. O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, usou suas redes sociais para dizer que “retrocessos não podem ser admitidos”. Antes de pressionar pela internet, Dallagnol já havia estado em Brasília em ao menos três ocasiões para conversar com deputados e pedir que eles não destruíssem completamente o projeto original enviado pelo Ministério Público e que teve o apoio de mais de 2 milhões de brasileiros.
Reações parlamentares

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apontado por adversários como um dos que encabeçavam a emenda da anistia, decidiu adiar a votação para a próxima terça-feira por entender que o clima era desfavorável e que era necessário haver mais debates sobre o assunto. O relator do projeto da Comissão Especial, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) comemorou o adiamento. “Estava tudo armado para ser tudo destruído. Mas houve uma articulação do bem para evitar que isso acontecesse”.

Maia foi mais um entre os vários que negaram qualquer possibilidade de se anistiar o caixa dois. “Não há anistia para crime que não existe. O que há aqui é uma confusão. É um jogo de palavras para enfraquecer o Parlamento brasileiro”, afirmou Maia. O presidente da Câmara ainda reclamou, indiretamente, da tentativa de interferência de membros do Ministério Público e do Judiciário na votação desta terça-feira. “Ninguém pode se sentir ofendido por essas decisões, pela soberania da Câmara e do Senado. A gente tem liberdade de votar da forma que a gente quiser. A pressão da sociedade é legítima, contanto que nenhum poder queira subjugar outro poder”.

Líder de um dos partidos envolvidos no acordo de abrandamento das medidas anticorrupção, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) seguiu na mesma linha de Maia. “Foi má abordada essa questão da anistia. Não há artifício para anular um crime e nós não queremos isso”, afirmou.

Como ninguém assumiu, a dúvida sobre os patrocinadores da proposta de anistia permaneceu. Essa foi a segunda vez que tentou-se anistiar o caixa dois. A outra, ocorreu durante a campanha eleitoral deste ano, quando a Câmara estava esvaziada. “É claro que quem está tramando essa proposta, tem vergonha de assumir a sua autoria (…) Aqui no Congresso parece existir fantasmas”, disse o líder da REDE, Alessandro Molon, um dos partidos que ao lado do PSOL apresentaram uma proposta para que toda as votações envolvendo esse tema sejam nominais com a identificação de cada um dos deputados. A primeira tentativa de que isso ocorresse, foi derrubada. Outras deverão ocorrer na próxima semana.

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