Juarez Bahia, baiano de Feira de Santana,
mestre de teoria e prática do jornalismo
impresso brasileiro.

Publicado neste domingo, 20 de Novembro da Consciência Negra, na pagina do editor do Bahia em Pauta no Facebbook, no espaço que reproduz o Artigo da Semana:

“Juarez Bahia assinala no verbete que consulto, no seu indispensável “Dicionário de Jornalismo”, para escrever este artigo semanal de informação e opinião: “a entrevista é a base de quase toda matéria jornalística… a entrevista reúne peculiaridades que a tornam própria: dinamismo, atualidade, interesse, agilidade, extensão, intensidade e uma subjetividade tal, que a faz flexível, rica, múltipla no seu caráter de informação”. No precioso trabalho de referência intelectual e profissional a cuja execução Bahia (assim ele era chamado no JB) dedicou os últimos anos de sua vida notável nas redações e nas universidades ( publicado depois da sua morte, graças ao bravo e generoso empenho de Irene, viúva e companheira firme, corajosa e leal), releio agora, depois do Roda Viva desta semana para não esquecer, o que aprendi em mais de 15 anos de exercício da profissão no Jornal do Brasil, vendo Juarez Bahia pensar e fazer jornalismo. E ao que Bahia escreveu em seu dicionário, entrego as palavras finais deste artigo:”os maiores riscos da entrevista – seja em que contexto for – estão na dissimulação e na fabulação.Como diz Edgar Morin, “porque se fundamenta na fonte mais rica e duvidosa de todas: a palavra”. Nada melhor para encerrar uma semana tão especial e exemplar quanto esta. Bravo!
EM TEMPO: O artigo esté publicado também no Blog do Noblat ( O Globo) e na Tribuna da Bahia (edição impressa de sábado e domingo). Neste 20 de novembro da Consciência Negra é ao saudoso, resistente e brilhante jornalista Juarez Bahia ( seis premiações do Esso de Jornalismo), que presto a minha especial e agradecida homenagem.”

(Vitor Hugo Soares)

Uma belíssima canção e dois intérpretes formidáveis. Confira.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)


Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo. Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
DO EL PAIS

Flávia Marreiro

São Paulo

Marcelo Calero chegou a Brasília em maio com a missão de sanar uma crise que desgastava o incipiente Governo Temer: assumir o recém restabelecido Ministério da Cultura e minar os protestos de artistas e funcionários públicos ligados ao setor, então o maior foco de resistência ao novo ocupante do Planalto. Apesar de controvérsias pontuais, conseguiu. Mas, na sexta-feira, Calero deixou o cargo abrindo uma nova crise: informou, em entrevista à Folha de S. Paulo, ter sofrido pressões de um homem-forte do Governo, Geddel Vieira Lima, para liberar uma obra milionária em Salvador onde ele tem interesse direto: um edifício obrigado a mudar seu projeto original por uma determinação do IPHAN (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural).

À Folha, Calero fez uma descrição dos passos de Geddel, “uma pressão inacreditável”, para tentar reverter o veto ao empreendimento, incluindo uma passagem em que acusa o ministro da Secretaria de Governo de ter ameaçado acionar Temer caso a questão não fosse resolvida. Na mesa, estaria até mesmo, no relato do ex-titular da Cultura, forçar uma possível troca no comando do IPHAN ( Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural), que embargou a obra do edifício La Vue Ladeira da Barra exigindo mudanças no projeto para se adequar às limites máximos de altura estabelecidos para a região, uma área próxima ao centro histórico de Salvador. Com vista para a Baía de Todos os Santos, cada apartamento do projeto original tem custo estimado entre 2,6 milhões de reais e 4,7 milhões de reais.

Geddel, o ex-deputado federal pelo PMDB da Bahia, ex-ministro da Integração Nacional e ex-vice-presidente da Caixa Econômica sob Lula, disse à Folha que tinha a intenção de comprar uma unidade no edifício da polêmica, mas negou “qualquer pressão indevida”. O fato de ter interesse direto no empreendimento, em seu entendimento, “não tira, me dá legitimidade para levar a ele um problema por conhecer o que estava ocorrendo, estar preocupado, como todo cidadão fica preocupado em uma situação dessa”.

Calero disse ter resolvido revelar a história como uma espécie de vacina contra possíveis versões para sua saída do ministério que “maculassem” sua imagem e acabou jogando luz em outro episódio surgido nas investigações da Operação Lava Jato. Em janeiro, o jornal O Globo publicou parecer da Polícia Federal que afirma, com base em conversas apreendidas com ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que Geddel pedia contribuições de campanha à empreiteira em troca de atuar a favor de decisões que a beneficiassem. Entre os relatos, estão as supostas gestões do agora ministro a favor de um empreendimento imobiliário da OAS em Salvador, o Costa España. O ministro não é formalmente investigado na Lava Jato e também neste caso nega qualquer atuação indevida.
Os “notáveis”

A bomba detonada por Calero cria um constrangimento a mais para Temer, que assumiu a presidência interinamente em 12 de maio rasgando a promessa de nomear apenas “notáveis” para seu gabinete. Mesmo sob críticas de setores da imprensa, bancou a acomodação em postos-chave de nomes citados na Lava Jato, entre os quais o próprio Geddel, muitos deles cruciais na batalha política do impeachment.

O ministro garantiu ter ouvido de Temer neste sábado, no entanto, que o assunto já era “página virada”. Apesar da repercussão negativa das gestões, não seria um ponto fora da curva se, de fato, ele continuasse no estratégico posto de coordenar as relações do Planalto com o Congresso às vésperas da votação da PEC do Teto de Gastos no Senado, prioridade máxima do Governo. O núcleo-duro de Temer, apesar das vidraças e denúncias, tem se mostrado resiliente, quer com cargo formal no Governo ou não. Defenestrado do Planejamento após ter sido flagrado falando em “parar a sangria da Lava Jato”, Romero Jucá jamais perdeu influência. Alvo de inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal fruto da operação, Jucá acaba de assumir a liderança do Governo no Congresso.

Os próximos dias serão de teste para Roberto Freire (PPS-SP), que assume a pasta da Cultura novamente transformada em vespeiro, agora com todos os olhos seguindo os desdobramentos no IPHAN, órgãos da pasta alvo preferencial de pressões políticas por causa do peso econômico de suas decisões, e no empreendimento milionário de Salvador.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Geddel dá a vida (política) pelo La Vue

Fica seriamente abalada a imagem do ministro Geddel Vieira Lima com a entrevista do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, à Folha de S. Paulo, acusando-o de pressão para liberar a construção de um prédio em Salvador no qual Geddel possuiria um apartamento.

O empreendimento é o La Vue Ladeira da Barra, projetado para 30 andares, embora a legislação só permita até 13 na área, que está sob o controle do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Ministério da Cultura.

Usando, segundo Calero, “uma forma de contato muito truculenta e assertiva, para dizer o mínimo”, Geddel o teria procurado cinco vezes, tendo explicado que se a licença para a obra não saísse, ele seria prejudicado, pois comprou sua unidade “no alto”.

Calero narra com amplos detalhes todo o processo, falando da “pressão inacreditável” que sofreu e concluindo: “Entendi que tinha contrariado de maneira muito contundente um interesse máximo de um dos homens fortes do governo, e que ninguém iria me apoiar”.

O ex-ministro disse que talvez seja “muito ingênuo” por ter ficado “atônito” com o “absurdo” do pedido, por telefone, de um colega de governo, e admite que pensou: “Gente, esse cara é louco, pode estar grampeado e vai me envolver em rolo, pelo amor de Deus”.

A entrevista deixa uma dúvida: ou Geddel não assimilou integralmente o momento especial que vive o país, ou não está ligando nem um pouco, desde que ele não se ferre. Mas o fato é que a situação compromete muito a quem pensa ter um futuro político na Bahia.


O supersalário de Geddel

Horas antes de o caso Marcelo Calero vir a público, Geddel Vieira falou sobre a questão dos supersalários.

Disse que não abriria mão de um centavo dos dois vencimentos que acumula, incluindo o de ministro, que juntos chegam a R$ 51.288 — acima do teto constitucional.
Talvez ele seja “convencido” a rever a posição.

nov
20
Posted on 20-11-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-11-2016


Amarildo, no diário Gazeta (ES)


Obama e as filhas Malia (esquerda) e Sasha


DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (LISBOA)

Obama contou à revista ‘New Yorker’ a conversa que teve com as filhas adolescentes depois de Trump ser eleito presidente

Enquanto primeiro presidente negro na Casa Branca, Barack Obama procurou, ao longo dos dois mandatos, controlar as tensões raciais nos EUA, falando em prol das minorias e incentivando ao acolhimento, por parte dos americanos, de imigrantes vindos de todo o mundo.

Com a vitória de Donald Trump, que fez campanha para as presidenciais dos EUA insistindo em defender políticas anti-imigração, culpabilizando as minorias pelo desemprego e entrando numa cruzada contra os muçulmanos, o legado de Obama pode estar em causa, mas o ainda presidente dos EUA tem incentivado os norte-americanos a unirem-se agora, mais do que nunca, para lutar pelo direito à diferença e à convivência pacífica.

E foi precisamente essa mensagem que passou às filhas, Sasha, de 15 anos, e Malia, de 18. Num perfil publicado pela revista New Yorker, e para o qual o ainda presidente contribuiu com declarações, Obama contou como explicou às filhas como deviam agir daqui em diante. “O que lhes digo é que as pessoas são complicadas. As sociedades e culturas são complicadas… isto não é matemática: é biologia e química”. E continuou: “O trabalho de vocês, enquanto ser humano decente, é constantemente afirmar, incentivar e lutar por tratar as pessoas com bondade, respeito e compreensão”.

Admitindo que disse às filhas que podiam esperar ataques motivados pelas diferenças raciais, Obama aconselhou-as a agirem perante o confronto e não permanecerem como que enroladas “em posição fetal”. Mas, como já é habitual, não quis terminar a conversa com as adolescentes sem uma nota de otimismo e pediu-lhes para não começarem a preocupar-se com “o apocalipse”.

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