DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O país avança, e é preciso apoio

Construir uma democracia transparente e maximamente eficaz é muito difícil, tanto que algumas das mais respeitadas e consolidadas democracias do planeta, como França, Estados Unidos, Reino Unido, vez por outra expõem as falhas que ainda carregam na sua prática.

Portanto, apesar da desesperança que com frequência assalta o brasileiro, temos, enfim, de saudar os avanços que o Brasil vem conseguindo e vem perseguindo para tornar-se um país mais justo, que é uma tarefa árdua, contra a qual conspiram a ignorância e os interesses.

Houve um tempo, por exemplo, em que os comícios eleitorais tinham grandes nomes da música, arrastando multidões e dando a impressão de forte apoio popular ao candidato, cuja cara sorridente estava estampada em camisetas, outdoors e outros meios, como os shows, hoje proibidos.

Da providência elementar de acabar essa distorção, evoluímos, entre outras iniciativas, para a Lei da Ficha Limpa, e encaminhamos via Ministério Público um pacote de medidas contra a corrupção. Os próximos passos serão acabar o foro privilegiado e introduzir na lei eleitoral a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais, o que fortalecerá os partidos.

Nada disso, porém, convenceria os mais incrédulos se não fosse a sucessão de homens públicos, empresários e “operadores” presos, condenados, indiciados ou destituídos de seus cargos, entre eles senadores, deputados, governadores, ex-governadores, ministros, ex-ministros e até um ex-presidente, sinalizando para uma mudança radical na cultura da impunidade.

O primeiro empurrão, aquele que exige mais concentração para pôr em movimento o gigantesco e pesado carro, já foi dado. Cabe agora a pressão social para que tudo caminhe com rapidez, porque é tarde, e possamos iniciar e concretizar transformações em benefício do povo brasileiro.

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Tiros pela culatra

A propósito, o foro privilegiado é mais uma dessas instituições desmoralizadas pela política brasileira.

A vontade do legislador, ao criá-lo, foi evitar que a linha de frente do Estado, constituída pela vontade popular, pudesse ser vítima de eventual arbitrariedade, com prejuízo para a função.

Aconteceu o mesmo com o voto secreto para parlamentares. Era para lhes dar plena liberdade de decisão sem ferir suscetibilidades. Serviu, até ser derrubado, para proteger malfeitores.

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