CRÔNICA

Luz, Temer, ação!

Janio Ferreira Soares

São dois filmes. O primeiro começa com a câmera passeando entre automóveis e pedestres segurando suas baguetes num entardecer em Paris. Cena manjada? Certamente, não fosse o episódio dirigido por Woody Allen, que logo de cara põe sua digital na trama através do inigualável trompete de Dizzy Gillespie executando Desafinado, tema perfeito para as imagens que virão.

Dentro de um roupão de veludo azul – nem tão comprido que esconda suas pantufas, nem tão curto que exponha seus mocotós -, Temer está na varanda de um hotel nos arredores da Champs-Élysées, tranquilamente mexendo um Bloody Mary com o talo do aipo que o decora. Depois de um belo gole, ele ajeita uns fios de cabelo que teimam em desobedecer o gel e pega o telefone. De Brasília, Geddel avisa que Cunha o convocou para sua testemunha de defesa, bem no instante em que toca a parte da música onde a letra diz: “fotografei você na minha Rolleiflex, revelou-se a sua enorme ingratidão”. Alheia a tudo – e pronta para o perigo -, surge Marcela de um jeito de quem saiu de uma imersão com todos os sais e fragrâncias da L’Occitane e, atônita, testemunha o momento exato em que “Michel”(com biquinho, s’il vous plaît!) arremessa o copo na parede, cujos estilhaços de vidro e gelo se fundem numa espetacular câmera lenta, enquanto as luzes da Place de la Concorde iluminam o anoitecer parisiense.

O segundo, sob a direção de Cacá Diegues, é um remake de Bye, Bye, Brasil, só que, no lugar da Caravana Rolidei, entra o Expresso Odebrecht. Acho que nem precisa dizer que o papel de Lorde Cigano, que foi do genial José Wilker, agora é do Príncipe Marcelo, cabra igualmente preparado para fazer nevar no sertão, além de apresentar um novo número onde, apenas com a força da palavra, manda pelos ares deputados, senadores e excelências em geral. A propósito, se Temer escapar pode ser Ciço, o sanfoneiro apaixonado pela rumbeira Salomé (Fábio Jr. e Betty Faria, na primeira versão), nessa agora uma estonteante loira interpretada, advinha por quem?

Janio Ferreira Soares , cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Trump com Obama na Casa Branca: nova ordem…


…e Napoleão na volta à França: de bandido a majestade.

ARTIGO DA SEMANA

De Napoleão a Trump: a grande (e pequena) imprensa em xeque

Vitor Hugo Soares

Olhando bem para os escombros deixados pelos abalos gerais – e com o devido rigor crítico e autocrítico que, no meio jornalístico, costumamos cobrar dos outros – é preciso reconhecer: foi uma sova e tanto. Refiro-me, é claro, não aos 3 a 0 enfiados pela incrível seleção de Tite na Argentina, quinta-feira, no Mineirão dos 7 a 1 tomados da Alemanha, na Copa do Mundo, mas ao resultado das urnas presidenciais nos Estados Unidos, esta semana.

Uma surra exemplar para muita gente e para muitos setores. E entre os que apanharam mais feio é inevitável constatar: a imprensa, o jornalismo. Grandes (e pequenos) veículos de comunicação e muitas de suas estrelas mais notórias e fulgurantes (nos EUA, no Brasil e no resto do mundo) saíram “lenhados”, para usar uma típica expressão soteropolitana.

Pior mesmo, só os institutos de pesquisa, e seus analistas profissionais, que saíram pouco menos que desmoralizados “por completo”, como dizia a saudosa Calú, uma sábia de Irecê, no sertão da Bahia. Neste caso, a credibilidade seriamente arranhada, ao se consumar a derrota da democrata Hillary Clinton, vendida como “Pule de 10” durante toda a campanha. Mesmo nas pesquisas de no dia da votação, quando o desastre já se desenhava nos jardins da Casa Branca, sob domínio democrata durante 8 anos do governo Obama. Este, outro grande e notório perdedor da refrega eleitoral. Basta ver as imagens do seu desconforto e abatimento físico no encontro com Trump – apesar de todos os salamaleques diplomáticos – para “facilitar” os caminhos da transferência do poder, que muda de mãos e de voz.

Já foi dito, mas nunca é demais repetir: há praticamente um só vitorioso, depois da apuração dos votos nas presidenciais dos EUA: Donald Trump, o nome ungido pelo mirabolante sistema eleitoral norte-americano para comandar a mais poderosa nação do planeta, nos próximos quatro anos. Ou 8, provavelmente, a depender do que virá pela frente, e da carcaça do ganhador agüentar o tranco.

Com alguma boa vontade seria possível identificar mais um punhado de coadjuvantes do triunfo. Tão poucos que daria para contar nos dedos das duas mãos. O próprio Trump precisou apurar bem a vista para identificar alguns deles, durante seu estranho, enviesado e “apaziguador” discurso da vitória, no suntuoso salão do Hotel Hilton. Entre os destaques, membros mortos ou vivos da própria família (como nas festas do Oscar), amigos veteranos de guerra e até um general. Apontados ao mundo na madrugada de quarta-feira, às 5:30h da manhã, horário do Brasil, com o sol nascendo na Cidade da Bahia.

O jornalista de olhos grudados na telinha do canal privado de TV, depois de uma noite inteira zanzando feito zumbi, em busca de informações isentas e confiáveis no computador, nos sites dos jornais, portais e blogs do planeta. Procura inglória, na maior parte do tempo e na maioria dos veículos. “Uma banana para Washington e seus políticos e a grande mídia, agora quem vai mandar nos Estados Unidos somos nós”, sintetiza o texano branco, de 37 anos, que, de férias em New Iorque, festeja a vitória do megaempresário que também não se cansa de demonstrar sua ojeriza aos políticos e que pode governar sem eles.

Talvez a bravata seja desnecessária. Leio, aqui e ali, nos jornais dos dias seguintes, escuto no rádio e vejo na televisão: praticamente todos os adversários do vencedor, mesmo os mais ferozes, aparecem na mídia agora pregando união e torcendo pelo sucesso do presidente eleito. “Eu conheço esta gente!”, costumava dizer o falecido ex-governador Leonel Brizola, em situações semelhantes no Brasil.

Na grande (e pequena ) mídia – nos Estados Unidos, na Europa e pelas bandas de cá do Atlântico Sul – parece se caracterizar um quadro semelhante ao de uma história clássica, deliciosa mas implacável na crítica da imprensa europeia. Conto neste espaço, outra vez, antes do ponto final , para os de memória mais curta.

Quando Napoleão fugiu da ilha de Elba e desembarcou no Golfo Juan, o jornal mais importante da França escreveu em sua manchete principal:

“O bandido corso tenta voltar à França”.

Quando o bandido corso alcançou o meio do caminho para Paris, o mesmo periódico escrevia:

“O general Bonaparte continua a sua marcha rumo a Paris”.

Quando o general Bonaparte se encontrava a um dia de Paris, o jornal dizia:

“Napoleão segue a sua marcha triunfal”.

Quando Napoleão entrou na capital de seu império perdido, o periódico arrematou o processo de sua informação com esta manchete:

“Sua Majestade o Imperador entrou em Paris, sendo entusiasticamente recebido pelo povo”.

Haverá sempre alguém para perguntar: “Mas o que isso tem a ver com a eleição de Trump e a imprensa dos nossos dias?”. Digo que não sei. Responda quem souber.
Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

SAUDADES!!! H.I.P.!!!

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Cabe a Moro esnobar Renan

O convite ao juiz Sérgio Moro para discutir o projeto da lei de abuso de autoridade demonstra quão ilimitada é a vocação do senador Renan Calheiros para espertalhão, aquele tipo que, sem pudor, vai dando uma de joão-sem-braço e se metendo onde não pode.

Renan finge não entender que, para Moro, ele é uma companhia indesejável, pois seus caminhos podem cruzar-se futuramente nas barras do Judiciário – o senador, já ex-senador, como réu, naturalmente.

Moro, de fato, criticou a medida em tramitação, que pode restringir a capacidade de ação da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria Justiça. Mas, provavelmente, deixará com a Associação de Juízes Federais a responsabilidade de representá-lo em eventual promoção de Renan.

Aplicando a lábia em praça pública

Com chavões, como “qualificação do debate”, “transparência” e “aperfeiçoamento institucional”, Renan sonha em ter na trupe o procurador Rodrigo Janot, a Polícia Federal, o Judiciário – e a Ajufe não poderia faltar.

É um momento em que o analista fica entre a frieza e a torcida. Essas altas autoridades e instituições não podem, supostamente, coonestar uma farsa, digamos, tamanho GG.

O convite de Renan não incluiu o RSVP. Não se pode, portanto, aferir a expectativa de comparecimento a tão elevada discussão. Quando revelado, será um dado elucidativo para o futuro imediato da República.

nov
12

DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Desde que a Operação Lava Jato migrou do núcleo empresarial para o mundo político crescem as tentativas de congressistas de criar novas regras que podem dificultar os trabalhos dos investigadores e amenizar penas para acusados de corrupção. Entre as medidas discutidas estão a anistia de crimes como o de caixa dois e lavagem de dinheiro, além da ideia de aprovar uma subjetiva lei de abuso de autoridade que poderia afetar em cheio os procuradores. Foi contra esse movimento que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se insurgiu nesta sexta-feira. Janot avisou que o Ministério Público Federal pode iniciar uma contraofensiva judicial para barrar esses projetos de lei. O plano é questionar a constitucionalidade das matérias: a Procuradoria apresentará ações no Supremo Tribunal Federal (STF) todas as vezes que julgar que as novas leis possam confrontar a Carta Magna, anistiar corruptos ou atrapalhar as apurações de delitos. “Dependendo de como sejam editadas as leis, o controle de constitucionalidade haverá. Mas acredito no diálogo [com o Legislativo]”, afirmou.

Oficialmente, cerca de 60 políticos, de diversos partidos, com e sem foro privilegiado, são investigados no esquema apurado pela Lava Jato, que desviou ao menos 6 bilhões de reais da Petrobras durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (ambos do PT). Uma lista de uma das empreiteiras envolvidas no escândalo, a Odebrecht, cita ainda o nome de 300 políticos que teriam recebido propina dessa empreiteira. Para criar maior ansiedade na classe política, nos próximos meses entre 50 e 80 funcionários e ex-funcionários (entre eles executivos e o ex-presidente Marcelo Odebrecht) da mesma companhia deverão assinar um termo de colaboração premiada no qual detalham como eram feitos os acordos ilegais.

O anúncio da contra-ofensiva de Rodrigo Janot ocorreu em uma longa entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira, em Brasília, na qual o procurador usou uma série de figuras de linguagem para explicar porque acredita ser possível controlar a corrupção endêmica no país e que as investigações de escândalos como o da Petrobras são difíceis e caros de serem realizados. “Costumo dizer que nós envergamos uma vara. Se agora isso não prossegue, essa vara solta e volta chicoteando todo mundo. O ponto de inflexão é esse. Nós dobramos essa vara e ela tem de ser quebrada.” O procurador-geral disse ainda que não tem a ilusão de acabar com a corrupção no Brasil. “Ninguém tem a ilusão de que essa investigação vai acabar com a corrupção no país. O que a gente tem é que controlar essa corrupção endêmica. Não tem nenhum herói, nenhum deus, nenhum santo que em um passe de mágica vai dizer que o Brasil virou um paraíso. O enfrentamento é para que possamos controlar essas atuações de corrupção endêmica”.

Apartidário e não religioso

Comandando um órgão que tem sido criticado, principalmente por apoiadores do PT, de estar agindo de maneira seletiva e partidarizada, o procurador diz que age contra todos os que cometeram ilícitos, independentemente da cor partidária. “Todos os que se envolveram em atos ilícitos são igualmente investigados. De A a Z. O enfrentamento nesse modo de fazer política não criminaliza a política. Estamos enfrentando um modo de atuar ilegalmente (…) Estamos dando um tratamento criminal a criminosos”. Entre os principais políticos denunciados ou presos poucos são de legendas que não o PT, como os ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB) e Luiz Argôlo (SD). Entre os petistas já foram detidos quatro ex-ministros, Paulo Bernardo, Guido Mantega, Antonio Palocci e José Dirceu, além de um então senador, Delcídio do Amaral, e três ex-tesoureiros do partido, João Vaccari Neto, Delúbio Soares e Paulo Adalberto Alves Ferreira.

No STF, contudo, há investigados das principais legendas do Congresso Nacional, como o PMDB, o PP, o PTB e o PR. Nessa instância, nenhuma denúncia foi apresentada até o momento. Há apenas inquéritos que apuram o envolvimento de senadores e deputados no esquema de propina da Petrobras. Questionado se essas apurações não estavam demorando demasiadamente, Janot disse que elas são complexas. Comparou parte delas a arrancar a pena de uma galinha. “Quando você puxa uma pena, não vem uma galinha inteira”. E afirmou que enfrentam também um gargalo dentro do próprio Ministério Público, que tem uma estrutura reduzida para investigar os crimes. Um grupo de trabalho de nove procuradores, incluindo o próprio Janot, é o responsável por investigar todos os políticos com foro privilegiado.

O foro privilegiado, aliás, é um dos pontos legislativos que o procurador gostaria de ver alterado, inclusive como uma resposta para a sociedade que cobra mais da classe política. No Senado, tramitam vários projetos de lei que acabam ou reduzem o foro privilegiado de políticos e autoridades públicas. Janot diz que é contrário extinção do foro, mas que ainda não tem uma opinião formada sobre qual a melhor alternativa para limitar o benefício, que hoje atinge cerca de 22.000 pessoas que só podem ser julgadas por tribunais de Justiça, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal. “A questão não é fácil, é complexa. A solução tem que existir. O melhor lugar para discutir isso é o parlamento”.

nov
12
Posted on 12-11-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-11-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Temer capitaliza repatriação

Michel Temer divulgou vídeo nas redes sociais com mensagem em que diz aos prefeitos que o governo federal vai entregar aos municípios parte do que foi arrecadado com a repatriação de recursos.

Dos 15% arrecado pela União com o imposto de renda, 24,5% será encaminhado às prefeituras por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

“Você sabe que, com a repatriação de capitais de dinheiro para o Brasil, o governo federal estará entregando a você, prefeito do seu município, uma verba que praticamente vai cobrir as suas despesas de final de ano. (…) Quem sabe até para pagar o 13º salário.”

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