Brilho intenso na noite do BP.

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

DA ISTOÉ

Em delação premiada, Marcelo Odebrecht diz que fez pagamentos ao ex-presidente Lula em espécie. Recursos faziam parte do montante de aproximadamente R$ 8 milhões destinados ao petista pela empreiteira

Débora Bergamasco, Mário Simas Filho, SÉRGIO PARDELLAS

Nos últimos meses, o ex-presidente Lula foi emparedado pela Lava Jato. Virou réu três vezes por práticas nada republicanas: obstrução de Justiça, ocultação de patrimônio — ao omitir um tríplex no Guarujá —, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, organização criminosa e tráfico de influência no BNDES, em razão do esquema envolvendo a contratação de seu sobrinho Taiguara Rodrigues dos Santos. Ou seja, já há uma fartura de provas contra o petista, ao contrário do que costuma alardear sua defesa. Nada, no entanto, pode ser mais categórico e definitivo como conceito de corrupção, na acepção da palavra, do que o recebimento de pagamentos de propina em dinheiro vivo. Por isso, o que se revela agora acrescenta um ingrediente potencialmente devastador para o ex-presidente.

Leia ítegra da reportagem na IstoÉ. Nas bancas.

LEONARDO COHEN, ADEUS!!!
(Do portal UOL)

Um dos principais músicos do século 20, o canadense Leonard Cohen morreu nesta quinta-feira (10), aos 82 anos.

O anúncio foi feito por sua gravadora em uma publicação no Facebook: “É com profundo pesar que informamos que o legendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen morreu. Perdemos um dos mais prolíficos e visionários músicos. Um funeral deve acontecer em Los Angeles nos próximos dias. A família pede privacidade em seu luto”.

Nascido Leonard Norman Cohen em 21 de setembro de 1934, em Westmount, no Canadá, ele aprendeu a tocar violão na adolescência e inspirou-se na obra do autor espanhol Federico Garcia Lorca para desenvolver sua veia poética.

Em 1956, aos 21 anos, lançou o primeiro livro de poemas, “Let Us Compare Mythologies” (“Vamos Comparar Mitologias”, em tradução livre). Morando na Grécia, onde comprou uma casa com a herança de deixada por seu pai, ele publicou a coletânea poética “Flowers for Hitler” (1964) e os romances “The Favourite Game” (1963) e “Beautiful Losers” (1966).
A frustração nascida do fracasso nas vendas de seus livros o levou a explorar outro lado artístico, a música folk, que conheceu em Nova York. Seu círculo social na cidade envolveu nomes como Andy Warhol, a cantora alemã Nico e a intérprete folk Judy Collins, que incluiu a canção “Suzanne”, de Cohen, em seu disco “In My Life”.

Cohen despontou entre as décadas de 60 e 70, parte de uma geração de poetas-compositores que tem entre seus expoentes Bob Dylan, Paul Simon e Joni Mitchell.

As Mulheres de Cohen

Sua carreira de cinco décadas produziu 14 álbuns de estúdios. Lançou o primeiro deles, “Songs of Leonard Cohen”, em 1967. Dezessete anos depois, seu sétimo álbum, “Various Positions”, incluiria sua canção mais popular, “Hallellujah”, famosa nas vozes de Jeff Buckley, Willie Nelson, Rufus Wainwright e Bob Dylan.

Cohen interrompeu a carreira em 1995 para se dedicar a estudos espirituais, voltando-se ao budismo. Ele retornou à música em 2001, com “Ten New Songs”, e gravou quatro álbuns subsequentes —o mais recente deles, “You Want It Darker”, lançado em outubro deste ano e surpreendeu pelo tom de despedida.

Leonard Cohen deixa dois filhos, Adam e Lorca Cohen, frutos de seu relacionamento com a artista Suzanne Elrod.

DESPEDIDA

Em outubro, Cohen falou com clareza sobre a morte em entrevista à revista americana “The New Yorker”. Disse que estava pronto para morrer. “Espero que não seja tão desconfortável. Para mim, é sobre isso que se trata.”

À publicação o músico, que se disse uma pessoa obcecada com organização, falou sobre os vários poemas e composições inacabadas e inéditos que gostaria de concluir, mas não se mostrava muito esperançoso, indicando a morte como o grande desafio para a conclusão de seus projetos.

“Não acho que conseguirei acabar essas músicas. Talvez, quem sabe? Talvez eu tenha uma segunda chance, não sei, não me atrevo a me atrelar a uma estratégia espiritual. Tenho trabalho a fazer. Estou pronto para morrer.”

Na entrevista, Cohen celebrou estar menos distraído do que em outros momentos de sua vida, quando tinha preocupações como o sustento, a vida conjugal e os deveres paternos, o que em consequência permitia que ele se concentrasse mais no seu trabalho.

Entre as diversas honrarias que recebeu, estão um Grammy honorário em 2010, por sua trajetória, e a menção no Rock and Roll Hall of Fame, em 2008.

Cohen deixa dois filhos, Lorca e Adam Cohen, do casamento com Suzanne Elrod.

Bahia em Pauta reproduz o texto profético do documentarista Michael Moore. Vale ler (ou reler) depois dos resultados das urnas presidenciais desta semana, nos Estados, para que não se diga que ninguém avisou antes. Confira !
(Vitor Hugo Soares)
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MICHAEL MOORE

“Amigo:

Sinto muito por ser o portador de más notícias, mas fui direto com vocês no ano passado quando disse que Donald Trump seria o candidato republicano à Presidência. E agora trago notícias ainda mais terríveis e deprimentes: Donald J. Trump vai ganhar a eleição de novembro.

Esse palhaço desprezível, ignorante e perigoso, esse sociopata será o próximo presidente dos Estados Unidos. Presidente Trump. Pode começar a treinar, porque você vai dizer essas palavras pelos próximos quatro anos: “Presidente Trump”. Nunca na minha vida quis estar tão errado como agora.

Vejo o que você está fazendo agora. Está sacudindo a cabeça loucamente – “Não, Mike, isso não vai acontecer!”. Infelizmente, você está vivendo numa bolha anexa a uma câmara de eco, onde você e seus amigos vivem convencidos de que o povo americano não vai eleger um idiota como presidente.

Você alterna entre o choque e a risada por causa dos últimos comentários malucos que ele fez, ou então por causa do narcisismo vergonhoso de Trump em relação a tudo, afinal de contas tudo tem a ver com ele. E aí você ouve Hillary e enxerga a primeira mulher presidente, respeitada pelo mundo, inteligente, preocupada com as crianças, alguém que vai continuar o legado de Obama porque isso é obviamente o que o povo americano quer! Sim! Outros quatro anos disso!

Você tem de sair dessa bolha imediatamente. Precisa parar de viver em negação e encarar a verdade que sabe que é muito, muito real. Tentar se acalmar com fatos – “77% do eleitorado é composto por mulheres, negros, jovens adultos de menos de 35 anos; Trump não tem como ganhar a maioria dos votos de nenhum desses grupos!” – ou com a lógica – “as pessoas não vão votar num bufão, ou contra seus próprios interesses!” – é a maneira que seu cérebro encontra para te proteger do trauma. Como quando você ouve um estampido na rua e pensa “foi um pneu que estourou” ou “quem está soltando fogos?”, porque não quer pensar que acabou de ouvir alguém sendo baleado. É a mesma razão pela qual todas as primeiras notícias e relatos de testemunhas sobre o 11 de setembro diziam que “um avião pequeno se chocou acidentalmente contra o World Trade Center”.

Queremos – precisamos – esperar pelo melhor porque, honestamente, a vida já é uma merda, e é difícil sobreviver mês a mês. Não temos como aguentar mais notícias ruins. Então nosso estado mental entra no automático quando alguma coisa assustadora está realmente acontecendo. As primeiras pessoas atingidas pelo caminhão em Nice passaram seus últimos momentos na Terra acenando para o motorista; elas acreditavam que ele tinha simplesmente perdido o controle e subido na calçada. “Cuidado!”, elas gritaram. “Tem gente na calçada!”

Bem, pessoal, não se trata de um acidente. Está acontecendo. E, se você acredita que Hillary Clinton vai derrotar Trump com fatos e inteligência e lógica, obviamente passou batido pelo último ano e pelas primárias, em que 16 candidatos republicanos tentaram de tudo, mas nada foi capaz de parar essa força irresistível. Hoje, do jeito que as coisas estão, acho que vai acontecer – e, para lidar com isso, primeiro preciso que você aceite a realidade e depois talvez, só talvez, a gente encontre uma saída para essa encrenca.

Não me entenda mal. Tenho grandes esperanças em relação ao meu país. As coisas estão melhores. A esquerda ganhou a guerra cultural. Gays e lésbicas podem se casar. A maioria dos americanos têm uma posição liberal em relação a quase todas as questões: salários iguais para as mulheres; aborto legalizado; leis mais duras em defesa do meio ambiente; mais controle de armas; legalização da maconha. Uma enorme mudança aconteceu – basta perguntar ao socialista que ganhou as primárias em 22 Estados. E não tenho dúvidas de que, se as pessoas pudessem votar do sofá de casa pelo Xbox ou Playstation, Hillary ganharia de lavada.

Mas as coisas não funcionam assim nos Estados Unidos. As pessoas têm de sair de casa e pegar fila para votar. E, se moram em bairros pobres, negros ou hispânicos, não só enfrentam filas maiores como têm de superar todo tipo de obstáculo para votar. Então, na maioria das eleições é difícil conseguir que pelo menos metade dos eleitores compareça às urnas.

E aí está o problema de novembro — quem vai ter os eleitores mais motivados e mais inspirados? Você sabe a resposta. Quem é o candidato com os apoiadores mais ferozes? Cujos fãs vão estar na rua das 5h até a hora do fechamento da última urna, garantindo que todo Tom, Dick e Harry (e Bob e Joe e Billy Joe e Billy Bob Joe) tenham votado? Isso mesmo. Este é o perigo que estamos correndo. E não se iluda. Não importa quantos anúncios de TV Hillary fizer, quão melhor ela se portar nos debates, quantos votos os libertários roubarem de Trump — nada disso vai ser capaz de detê-lo.

Você precisa parar de viver em negação e encarar a verdade que sabe que é muito, muito real. Eis as 5 razões pelas quais Trump vai ganhar:

1. A matemática do Meio-Oeste, ou bem-vindo ao Brexit do Cinturão Industrial. Acredito que Trump vá concentrar muito da sua atenção em quatro Estados tradicionalmente democratas do cinturão industrial dos Grandes Lagos — Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Estes quatro Estados elegeram governadores republicano desde 2010 (só a Pensilvânia finalmente elegeu um democrata). Nas primárias de Michigan, em março, mais eleitores votaram nos republicanos (1,32 milhão) que nos democratas (1,19 milhão). Trump está na frente de Hillary nas últimas pesquisas na Pensilvânia e empatado com ela em Ohio. Empatado? Como a disputa pode estar tão apertada depois de tudo o que Trump tem dito? Bem, talvez porque ele tenha dito (corretamente) que o apoio de Clinton ao Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte) ajudou a destruir os Estados industriais do Meio-Oeste.

Trump vai bater em Clinton neste tema, e também no tema da Parceria Trans-Pacífica (TPP) e outras políticas comerciais que ferraram as populações desses quatro Estados. Quando Trump falou à sombra de uma fábrica da Ford durante as primárias de Michigan, ele ameaçou a empresa: se eles realmente fossem adiante com o plano de fechar aquela fábrica e mandá-la para o México, ele imporia uma tarifa de 35% sobre qualquer carro produzido no México e exportado de volta para os Estados Unidos. Foi música para os ouvidos dos trabalhadores de Michigan. Quando ele ameaçou a Apple da mesma maneira, dizendo que vai forçar a empresa a parar de produzir seus iPhones na China e trazer as fábricas para solo americano, os corações se derreteram, e Trump saiu de cena com uma vitória que deveria ser de John Kasich, governador do vizinho Estado de Ohio.

De Green Bay a Pittsburgh, isso, meus amigos, é o meio da Inglaterra: quebrado, deprimido, lutando. As chaminés são a carcaça do que costumávamos chamar de classe média. Trabalhadores nervosos e amargurados, que ouviram mentiras de Ronald Reagan e foram abandonados pelos democratas. Estes últimos ainda tentam falar as coisas certas, mas na verdade estão mais interessados em ouvir os lobistas do Goldman Sachs, que na saída vão deixar um cheque de gordas contribuições.

O que aconteceu no Reino Unido com a Brexit vai acontecer aqui. Elmer Gantry é o nosso Boris Johnson e diz a merda que for necessária para convencer a massa de que essa é a sua chance! Vamos mostrar para TODOS eles, todos os que destruíram o Sonho Americano! E agora o Forasteiro, Donald Trump, chegou para dar um jeito em tudo! Você não precisa concordar com ele! Você nem precisa gostar dele! Ele é seu coquetel molotov pessoal para ser arremessado na cara dos filhos da mãe que fizeram isso com você! DÊ O RECADO! TRUMP É SEU MENSAGEIRO!

E aqui entra a matemática. Em 2012, Mitt Romney perdeu por 64 votos no colégio eleitoral. Some os votos de Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. A conta dá 64. Tudo o que Trump precisa para vencer é levar os Estados tradicionalmente republicanos de Idaho à Geórgia (Estados que jamais votarão em Hillary Clinton) e esses quatro do cinturão industrial. Ele não precisa do Colorado ou da Virgínia. Só de Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. E isso será suficiente. É isso o que vai acontecer em novembro.

2. O último bastião do homem branco e nervoso. Nosso domínio masculino de 240 anos sobre os Estados Unidos está chegando ao fim. Uma mulher está prestes a assumir o poder! Como isso aconteceu?! Diante da nosso nariz! Havia sinais, mas os ignoramos. Nixon, o traidor do gênero, nos impôs a regra que disse que as meninas da escola têm de ter chances igual de jogar esportes. Depois deixaram que elas pilotassem aviões de carreira. Quando mal percebemos, Beyoncé invadiu o campo no Super Bowl deste ano (nosso jogo!) com um exército de Mulheres Negras, punhos erguidos, declarando que nossa dominação estava terminada. Meu Deus!

Este é apenas um olhar de relance no que se passa na cabeça do Homem Branco Ameaçado. A sensação é que o poder se lhes escapou por entre as mãos, que sua maneira de fazer as coisas ficou antiquada. Esse monstro, a “feminazi”, que, como diz Trump, “sangra pelos olhos ou por onde quer que sangre”, nos conquistou — e agora, depois de aturar oito anos de um negro nos dizendo o que fazer, temos de ficar quietos e aguentar oito anos ouvindo ordens de uma mulher? Depois disso serão oito anos dos gays na Casa Branca! E aí os transgêneros! Você já entendeu onde isso vai parar. Os animais vão ter direitos humanos e uma porra de um hamster vai governar o país. Isso tem de acabar!

3. O problema Hillary. Podemos falar sinceramente, só entre nós? E, antes disso, permita-me dizer que gosto de Hillary — muito — e acho que ela tem uma reputação que não merece. Mas ela apoiou a guerra no Iraque, e depois disso prometi que jamais votaria nela de novo. Mantive essa promessa até hoje. Para evitar que um protofascista se torne nosso comandante-chefe, vou quebrar essa promessa. Infelizmente acredito que Hillary vá dar um jeito de nos enfiar em algum tipo de ação militar. Ela está à direita de Obama. Mas o dedo do psicopata Trump vai estar No Botão, e isso é o suficiente. Voto em Hillary.

Vamos admitir: nosso maior problema aqui não é Trump — é Hillary. Ela é extremamente impopular — quase 70% dos eleitores a consideram pouco confiável e desonesta. Ela representa a política de antigamente: faz de tudo para ser eleita. É por isso que ela é contra o casamento gay num momento e no outro está celebrando o matrimônio de dois homens. As mulheres jovens são suas maiores detratoras, o que deve magoar, considerando os sacrifícios e batalhas que Hillary e outras mulheres da sua geração tiveram de enfrentar para que a geração atual não tivesse de ouvir as Barbara Bushes do mundo dizendo que elas têm de ficar quietas e bater um bolo.

Mas a garotada também não gosta dela, e não passa um dia sem que um millennial me diga que não vai votar em Hillary. Nenhum democrata, e seguramente nenhum independente, vai acordar em 8 de novembro para votar em Hillary com a mesma empolgação que votou em Obama ou em Bernie Sanders. Não vejo o mesmo entusiasmo. Como essa eleição vai ser decidida por um único fator — quem vai conseguir arrastar mais gente pra fora de casa e para as seções eleitorais –, Trump é o favorito.

4. O eleitor deprimido de Sanders. Pare de reclamar que os apoiadores de Bernie não vão votar em Clinton — eles vão votar! As pesquisas já mostram que um número maior de eleitores de Sanders vai votar em Hillary este ano do que o de eleitores de Hillary que votaram em Obama em 2008. Não é esse o problema. O alarme de incêndio que deveria estar soando é que, embora o apoiador médio de Sanders vá se arrastar até as urnas para votar em Hillary, ele vai ser o chamado “eleitor deprimido” — ou seja, não vai trazer consigo outras cinco pessoas. Ele não vai trabalhar dez horas como voluntário no último mês da campanha.

Ele nunca vai se empolgar falando de Hillary. O eleitor deprimido. Porque, quando você é jovem, não tem tolerância nenhuma para enganadores ou embusteiros. Voltar à era Clinton/Bush para eles é como ter de pagar para ouvir música ou usar o MySpace ou andar por aí com um celular gigante. Eles não vão votar em Trump; alguns vão votar em candidatos independentes, mas muitos vão ficar em casa. Hillary Clinton vai ter de fazer alguma coisa para que eles tenham uma razão para apoiá-la — e escolher um velho branco sem sal como vice não é o tipo de decisão arriscada que diz para os millennials que seu voto é importante. Duas mulheres na chapa — isso era uma ideia boa. Mas aí Hillary ficou com medo e decidiu optar pelo caminho mais seguro. É só mais um exemplo de como ela está matando o voto jovem.

5. O efeito Jesse Ventura. Finalmente, não desconte a capacidade do eleitorado de ser brincalhão nem subestime quantos milhões de pessoas se consideram anarquistas enrustidos. A cabine de votação é um dos últimos lugares remanescentes em que não há câmeras de segurança, escutas, mulheres, maridos, crianças, chefes, polícia. Não tem nem sequer limite de tempo. Você pode demorar o tempo que for para votar, e ninguém pode fazer nada. Você pode votar no partido, ou pode escrever Mickey Mouse e Pato Donald. Não há regras, E, por isso, a raiva que muitos sentem pelo sistema político falido vai se traduzir em votos em Trump. Não porque as pessoas concordem necessariamente com ele, não porque gostem de sua intolerância ou de seu ego, mas só porque podem.

Só porque um voto em Trump significa chutar o pau da barraca. Assim como você se pergunta por um instante como seria se jogar das cataratas do Niágara, muita gente vai gostar de estar no papel de titereiro, votando em Trump só para ver o que acontece. Lembra nos anos 1990, quando a população de Minnesota elegeu um lutador de luta livre para governador? Elas não o fizeram porque são burras ou porque Jesse Ventura é um estadista ou intelectual político. Elas o fizeram porque podiam. Minnesota é um dos Estados mais inteligentes do país. Também está cheio de gente com um senso de humor distorcido — e votar em Ventura foi sua versão de uma pegadinha no sistema político. Vai acontecer o mesmo com Trump.

Voltando para o hotel depois de participar de um programa da HBO sobre a convenção republicana, um homem me parou. “Mike”, ele disse, “temos de votar em Trump. TEMOS que dar uma chacoalhada as coisas”. Foi isso. Era o suficiente para ele. “Dar uma chacoalhada nas coisas”. O presidente Trump certamente faria isso, e uma boa parcela do eleitorado gostaria de sentar na plateia e assistir o show.

nov
11

DO EL PAIS

Gil Alessi

São Paulo

Um cheque no valor de 1 milhão de reais pago pela construtora Andrade Gutierrez em nome de Michel Temer (PMDB) durante a campanha de 2014 coloca o presidente mais uma vez no raio da Operação Lava Jato e pode complicar seu desejo de desvincular suas contas como candidato a vice das apresentadas por Dilma Rousseff em uma ação que pede a cassação da chapa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

De acordo com Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira, o repasse de 1 milhão, feito em 10 de julho de 2014, seria referente ao acerto de propina por acordos firmados pela empresa com o Governo. O empreiteiro também ficou em uma situação delicada, uma vez que o cheque em nome de Temer, divulgado nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de São Paulo, contradiz um de seus depoimentos prestados à Justiça em setembro. Na ocasião ele afirmou que o montante equivalia a uma propina de 1% referente a contratos e que a doação teria sido feita ao diretório nacional do PT, e não ao peemedebista. Ele também havia dito que parte dos recursos repassados ao PMDB teriam relação com propinas relativas a contratos da hidrelétrica de Belo Monte.

Para a defesa de Dilma no TSE, que questionou a declaração, o empreiteiro prestou falso testemunho. Diante das versões conflitantes, o TSE chegou a determinar uma acareação entre Azevedo e tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, alvo de processo na Justiça por seu suposto envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras. O encontro acabou sendo cancelado e só Azevedo será ouvido.

Em nota o PMDB afirmou que “sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais em vigência no país”, e que “todas as contas do PMDB foram aprovadas não sendo encontrados nenhum indício de irregularidade”. A reportagem não conseguiu entrar em contato com os advogados de Azevedo. Já o porta-voz de Temer, Alexandre Parola, disse que não há nenhum problema com o cheque. “Trata-se de um cheque nominal do PMDB, repassado para a campanha do então vice-presidente Michel Temer na data de 10 de junho de 2014. Basta ler o cheque. Reitere-se, não houve qualquer irregularidade na campanha do então vice-presidente Michel Temer”, disse ele.
Risco e dólar

O episódio só reforça os holofotes direcionados para o TSE, que deve analisar, ainda sem data, uma ação do PSDB, de 2014, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por, entre outros motivos, supostamente ter recebido propinas disfarçadas de doações de campanha. Antes mesmo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em abril, a defesa do PMDB havia alegado que as contas de Temer deveriam ser julgadas em separado, tese que ainda deverá ser analisada pelo tribunal. Os defensores de Dilma, reforçados pelo cheque, querem derrubar a interpretação, argumentando que foi Temer e o PMDB que centralizaram parte da arrecadação para o fundo comum da campanha.

No Planalto existe o temor de que o ministro Herman Benjamin, que é relator das ações contra a chapa no TSE, recomende a cassação sem separar as contas. Se a cassação da chapa ocorrer após janeiro de 2017, serão realizadas novas eleições diretas. Caso o processo ocorra antes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), assumiria e convocaria eleições indiretas. O aparecimento do cheque foi mais um fator de incerteza nesta quinta-feira para o mercado no Brasil, que reverberava fortemente a eleição de Donald Trump nos EUA. O tema foi arrolado por analistas entre os que contribuíram para que o dólar fechasse com a maior alta em oito anos nesta quinta-feira, ao disparar mais de 4,5 por cento, indo acima de 3,35 reais.

Para o especialista em direito eleitoral Alberto Rollo, mesmo que o PMDB consiga que o tribunal julgue as contas separadamente, se comprovado o pagamento de propina como doação para Temer, na Lava Jato, o presidente também pode se ver em dificuldades. “Se o cheque realmente tem origem ilícita, o crime de abuso de poder econômico vale para ele também”, afirma.

Gilmar Mendes, presidente do TSE, já fez acenos contraditórios quanto à separação das contas de Dilma e Temer. No início do ano ele afirmou que não há “base jurídica” para a desvinculação, mas depois citou o citou o caso do ex-governador de Roraima José de Anchieta Júnior, que conseguiu que o tribunal analisasse sua prestação de contas separadamente. Em palestra realizada em Washington nesta semana Mendes afirmou que o tribunal nunca analisou um caso como esse, e que se trata de um momento “histórico”. “O que vai acontecer no caso atual, eu não sei. Mas o tribunal terá que fazer a avaliação levando em conta um quadro de grande responsabilidade institucional”, afirmou. Outro ministro do TSE, Luiz Fux, também mencionou a possibilidade de separar as contas da petista e do peemedebista em entrevista no mês passado.

Com informação de Afonso Benites, de Brasília.

nov
11
Posted on 11-11-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-11-2016


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Só dependerá de Temer continuar presidente

Passadas tantas refregas no Executivo e no Judiciário, assume o posto de voto mais esperado do ano o que será dado pelo ministro do TSE Herman Benjamim, relator das ações contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer nas eleições de 2014.

O ministro disse que “não demorará”, mas, qualquer que seja a decisão – absolvição, separação das contas para preservar o mandato de Temer ou condenação total da chapa –, o pacto político em curso no Brasil não será abalado.

Nos dois primeiros casos, está claro por quê. No último é que são elas. Se a vontade de Herman for pela cassação do presidente, teremos de aguardar pelos demais votos da corte, que, seguramente, não sairão antes que se possa ver para onde o país está caminhando.

Como isso só ocorrerá no próximo ano, é certo que em hipótese alguma haverá eleição direta na eventualidade de perda do mandato presidencial. O sucessor será escolhido pelo Congresso, e aí deputados e senadores vão dizer se é melhor tirar Temer ou deixar Temer.


Por que Temer não tira Samek de Itaipu?

A manchete do ABC Color deve servir à reflexão. Afinal, por que Michel Temer mantém Jorge Samek no comando de Itaipu? Parceiro de charutadas de Lula no sítio de Atibaia, Samek permanece no cargo desde 2003.

Temer, meses atrás, cogitou o nome do empresário Rodrigo Rocha Loures, que sofreu resistências por ser pai se seu assessor especial. Recentemente, Roberto Requião sugeriu o nome do filho, mas ele já emplacou o irmão numa diretoria.

É inadmissível que Temer mantenha a estatal binacional que fornece 15% da energia consumida no Brasil nas mãos de um acólito petista.

Por que Temer não tira Samek de Itaipu?
Brasil 10.11.16 18:43

A manchete do ABC Color deve servir à reflexão. Afinal, por que Michel Temer mantém Jorge Samek no comando de Itaipu? Parceiro de charutadas de Lula no sítio de Atibaia, Samek permanece no cargo desde 2003.

Temer, meses atrás, cogitou o nome do empresário Rodrigo Rocha Loures, que sofreu resistências por ser pai se seu assessor especial. Recentemente, Roberto Requião sugeriu o nome do filho, mas ele já emplacou o irmão numa diretoria.

É inadmissível que Temer mantenha a estatal binacional que fornece 15% da energia consumida no Brasil nas mãos de um acólito petista.

nov
11

DO EL PAIS

Marc Bassets

Washington

Barack Obama se reuniu na quinta-feira com seu sucessor, Donald Trump, para iniciar a transferência de poder entre as duas presidências. Depois de uma reunião de uma hora e meia, o democrata Obama, sentado ao lado do republicano Trump no Salão Oval, enviou uma mensagem de estabilidade: a transição será fluida e respeitosa, o sistema funciona apesar da vitória na eleição de terça-feira de um populista que questionou esse mesmo sistema. Trump declarou seu respeito pelo presidente cessante e disse que buscará seu conselho no futuro. A liturgia democrática, além das pessoas e ideias, por muito ameaçadoras que sejam, se fez sentir com todo o seu peso.

Washington viveu um dos dias mais extraordinários dos últimos tempos, o início do desembarque de um homem de negócios e showman da televisão que contra todos os prognósticos ganhou as eleições de terça-feira depois de uma campanha de insultos e mentiras, nacionalismo e xenofobia.

Lado a lado, no espaço quase sagrado do Salão Oval da Casa Branca, onde durante os próximos quatro anos dirigirá os destinos do país mais poderoso do planeta, o presidente eleito Trump se reuniu com Obama, o homem que acusou de ter fundado o Estado Islâmico, o presidente cuja legitimidade questionou durante anos lançando falsas teorias conspiratórias sobre seu lugar de nascimento.

Durante a campanha, Obama disse que Trump não era qualificado para ser presidente e alertou para o perigo de tê-lo perto do botão nuclear. Ele já está a um passo disso e todos começam a se adaptar à nova realidade. Obama vai passar o bastão de comando a Trump em 20 de janeiro.

“Minha prioridade número um nos próximos dois meses é facilitar uma transição que garanta que nosso presidente eleito seja bem-sucedido”, disse Obama. “E me encorajou, eu acho, o interesse do presidente eleito Trump em querer trabalhar com a minha equipe sobre os muitos assuntos que este país enfrenta. E acredito que é importante para todos, independentemente do partido e das preferências políticas, que nos unamos, que trabalhemos juntos, que enfrentemos os muitos desafios que temos pela frente”.

O presidente cessante disse que ele e a primeira-dama Michelle Obama se esforçarão para que os Trump — Donald e a futura primeira-dama Melania — se sintam bem-vindos em sua nova casa.

“Acima de tudo, quero insistir, senhor presidente eleito, que agora queremos fazer tudo o que pudermos para ajudá-lo a ter sucesso. Porque se o senhor tiver sucesso, o país terá sucesso”, concluiu.

O tom foi cordial, mas frio. Eles não se chamaram pelos nomes, Donald e Barack, mas com os distantes “senhor presidente” e “senhor presidente eleito”. Também não houve, como em outras ocasiões em que se deu início à transferência de poder, uma foto de ambas as famílias.

Trump revelou em seu discurso que nunca havia se reunido com Obama. “Tenho grande respeito”, disse. “Falamos de muitas situações diferentes, algumas maravilhosas e algumas dificuldades”.

O presidente eleito disse que, na reunião, Obama explicou algumas das realizações de sua presidência, um legado que ele pode destruir parcialmente se aplicar seu programa. E acrescentou que buscará seu conselho no futuro.

Depois de uma eleição que abalou a ordem estabelecida e expressou o desejo de ruptura de uma parte do país, a mensagem foi de continuidade. Trump, como fez nas primeiras horas depois de sua vitória, buscou um tom presidencial e respeitoso, oposto ao adotado na campanha. Obama falou aos democratas que se sentem arrasados com a derrota de Hillary Clinton para Trump e aos que nos últimos dias protestaram nas ruas: a democracia funciona assim e deve ser respeitada. E enviou uma mensagem aos parceiros e adversários que podem acreditar que a chegada de Trump ao Salão Oval prenuncia uma época de instabilidade em Washington e no resto do mundo: as instituições democráticas são sólidas, os Estados Unidos continuarão sendo os Estados Unidos.

nov
11
Posted on 11-11-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-11-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


Trio de ouro: Neymar, Couthinho e Jesus festejam gol no Mineirão

DO EL PAIS
Guilherme Padin
Gustavo Moniz

O Brasil venceu a Argentina por 3 a 0 pela 11ª rodada das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, e se manteve na liderança do torneio. Em jogo de amplo domínio brasileiro, a partida começou com muita posse de bola dos argentinos, que foram pouco eficientes, qualidade demonstrada pelos comandados de Tite, que chegaram ao primeiro gol com Philippe Coutinho aos 24 do primeiro tempo. Neymar ampliou nos acréscimos da etapa inicial. Desgastada, apática e acabada fisicamente, a Argentina viu o time da casa mandar no jogo fazer o terceiro com Paulinho, aos 14 do segundo tempo.

Líder com 24 pontos, um a mais que o vice-líder Uruguai, o Brasil enfrentará o Peru na 12ª rodada, às 00h15 (de Brasília) da madrugada de terça para quarta-feira, dia 16. A Argentina, na sexta colocação com 16 pontos, recebe a Colômbia às 21h30 desta terça.

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