DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Informação e Opinião

Por nada, o poder da mídia esmagou Brizola

Fracassada a tentativa de fraude para evitar que Leonel Brizola se elegesse governador do Rio em 1982, conhecida como “escândalo da Proconsult”, as Organizações Globo desencadearam a mais suja e violenta campanha contra um homem público desde Getúlio Vargas, em 1954, e João Goulart, dez anos depois – não por acaso, já que os três fazem parte da mesma linhagem ideológica.

Não tinham, porém, os barões da grande imprensa nacional, acusações fundamentadas de tipo nenhum, pois nem os inquéritos policiais militares do golpe militar de 64 as constataram. Apelaram, a bordo de poderosa máquina universal de comunicação, pelo engodo e pela mentira.

Começaram timidamente, na Rádio Globo, num programa noturno de grande audiência comandado por Luiz de França, que, sem citar-lhe o nome, procurava denegrir o governador com o refrão de velha moda gaúcha: “Churrasco e bom chimarrão/ fandango, trago e mulher/ é disso que o velho gosta/ é isso que o velho quer”.

Diariamente, era um massacre, com os mais patéticos textos sem razão alguma. O desplante era tal que chegaram a colocar um suposto Brizola, mas com voz, sotaque e hábitos etílicos de Jânio Quadros, discursando: “E se eleito ô fui-ô…” – enquanto um coro repetia freneticamente: “Ô fui-ô/ Ô fui-ô…”

O esquema se profissionalizaria na direta proporção em que o governador dava mostras de que administraria exatamente no sentido oposto ao desejo das elites, pela educação e contra os privilégios. Veio a fase das acusações caluniosas de “ligação” com o jogo do bicho e o tráfico de drogas, que absolutamente não existiu.

A Globo venceu. Sem a solidariedade de qualquer partido ou líder político, inclusive dos que faziam parte, em tese, do mesmo arco ideológico, Brizola não poderia resistir mais que a extensão de sua vida, e terminou morrendo aos 82 anos, firme em suas convicções e, sobretudo, limpo.

Na quadra atual de degeneração da cúpula política brasileira, não é difícil à grande imprensa, representante de interesses econômicos que vão além do dever de informar, atacar ferozmente o que seriam seus piores inimigos, e não adianta mais acusar o “Partido da Imprensa Golpista”.

Os ocupantes do poder praticaram crimes de toda natureza e gravidade, continuadamente, nas últimas décadas, de tal sorte que agora não é possível ao grande público divisar o que há de verdade e de especulação nas cabeludas narrativas. Não precisa o conjunto da obra, parte dela é suficiente para a desmoralização.

O verdadeiro autor

A joia do cancioneiro popular acima citada tem sido atribuída, ao longo dos anos, a artistas diversos, que apenas tiveram a felicidade de gravá-la, a exemplo de Berenice Azambuja (a primeira), Sérgio Reis, Chitãozinho e Xororó e Gaúcho da Fronteira.

Como revela o colunista Rogério Pereira, do site O Fato Novo, seu verdadeiro autor é Gildo José Moreira Campos, conhecido como Kará, nascido em Triunfo, Rio Grande do Sul, há 68 anos. A letra homenageia o pai, Nauro Viana de Campos.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 2 novembro, 2016 at 10:01 #

Brizola, um dos raríssimos políticos brasileiros que manteve a coerência durante toda a sua vida.

Nunca mudou de lado, nunca se entregou às elites, nunca se embasbacou com o poder.

Nunca traiu as reais bandeiras do Povo brasileiro.

Morreu limpo.

Pena que depois de morto suas bandeiras foram rasgadas por aqueles que um dia haviam jurado levar adiante. Traíram até o PDT.


Taciano Lemos de Carvalho on 2 novembro, 2016 at 10:03 #

Luís Augusto:
Parabéns pelo artigo.


Carlos Volney on 2 novembro, 2016 at 10:37 #

Realmente, Luís, seu artigo é antológico. Resgata, com fidelidade, a trajetória de um político que fez da política o que ela é por essência – uma das mais nobres atividades humanas -, diferente do que estamos a ver no dia a dia com a atuação dos políticos atuais – desnecessários nomeá-los. Creio, aliás, que teria dificuldade até para citar eventual exceção.


luís augusto on 2 novembro, 2016 at 12:12 #

Agradeço aos queridos correspondentes.


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