A poética e pungente canção de Capiba vai ofertada em memória de Alaôr (pai), Jandira (mãe), Davi (irmão), Pedro Milton (amigo e compadre), Cardoso e Celina (sogros e exemplos), cujos túmulos acabei de visitar no Jardim da Saudade, de Salvador, para depositar uma rosa de amor e tributo.

BOA TARDE

(Vitor Hugo Soares)

Do professor de Direito Penal da UFBA. Thomas Bacelar, publicada em sua página no Facebook. Bravo, mestre!!! ( Vitor Hugo Soares).

DIA DE FINADOS

(Reverenciando FAGUNDES VARELA…)

A sagrada imagem dos mortos perdura sempre na memorai dos vivos. Em geral, o mundo interior das pessoas se desliga, facilmente, de tudo, quando vão desaparecendo da vida de cada um os seres que amam. Foi o que aconteceu com FAGUNDES VARELA, poeta dos mais valorosos da nossa literatura. Com a morte do seu único filho mudou completamente a sua visão do mundo, e lhe serviu de inspiração para o maior e mais comovente de seus poemas: “Cântico do Calvário”

“CÂNTICO DO CALVÁRIO”
FAGUNDES VARELA

À Memória de Meu Filho
Morto a l l de Dezembro
de 1863.

Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. — Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,
O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,
Pomba, — varou-te a flecha do destino!
Astro, — engoliu-te o temporal do norte!
Teto, caíste! — Crença, já não vives!

Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,
Legado acerbo da ventura extinta,
Dúbios archotes que a tremer clareiam
A lousa fria de um sonhar que é morto!
Correi! Um dia vos verei mais belas
Que os diamantes de Ofir e de Golgonda
Fulgurar na coroa de martírios
Que me circunda a fronte cismadora!
São mortos para mim da noite os fachos,
Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,
E à vossa luz caminharei nos ermos!
Estrelas do sofrer, — gotas de mágoa,
Brando orvalho do céu! — Sede benditas!
Oh! filho de minh’alma! Última rosa
Que neste solo ingrato vicejava!
Minha esperança amargamente doce!
Quando as garças vierem do ocidente
Buscando um novo clima onde pousarem,
Não mais te embalarei sobre os joelhos,
Nem de teus olhos no cerúleo brilho
Acharei um consolo a meus tormentos!
Não mais invocarei a musa errante
Nesses retiros onde cada folha
Era um polido espelho de esmeralda
Que refletia os fugitivos quadros
Dos suspirados tempos que se foram!
Não mais perdido em vaporosas cismas
Escutarei ao pôr do sol, nas serras,
Vibrar a trompa sonorosa e leda
Do caçador que aos lares se recolhe!

Não mais! A areia tem corrido, e o livro
De minha infanda história está completo!
Pouco tenho de anciar! Um passo ainda
E o fruto de meus dias, negro, podre,
Do galho eivado rolará por terra!
Ainda um treno, e o vendaval sem freio
Ao soprar quebrará a última fibra
Da lira infausta que nas mãos sustento!
Tornei-me o eco das tristezas todas
Que entre os homens achei! O lago escuro
Onde ao clarão dos fogos da tormenta
Miram-se as larvas fúnebres do estrago!
Por toda a parte em que arrastei meu manto
Deixei um traço fundo de agonias! …

Oh! quantas horas não gastei, sentado
Sobre as costas bravias do Oceano,
Esperando que a vida se esvaísse
Como um floco de espuma, ou como o friso
Que deixa n’água o lenho do barqueiro!
Quantos momentos de loucura e febre
Não consumi perdido nos desertos,
Escutando os rumores das florestas,
E procurando nessas vozes torvas
Distinguir o meu cântico de morte!
Quantas noites de angústias e delírios
Não velei, entre as sombras espreitando
A passagem veloz do gênio horrendo
Que o mundo abate ao galopar infrene
Do selvagem corcel? … E tudo embalde!
A vida parecia ardente e douda
Agarrar-se a meu ser! … E tu tão jovem,
Tão puro ainda, ainda n’alvorada,
Ave banhada em mares de esperança,

Rosa em botão, crisálida entre luzes,
Foste o escolhido na tremenda ceifa!
Ah! quando a vez primeira em meus cabelos
Senti bater teu hálito suave;
Quando em meus braços te cerrei, ouvindo
Pulsar-te o coração divino ainda;
Quando fitei teus olhos sossegados,
Abismos de inocência e de candura,
E baixo e a medo murmurei: meu filho!
Meu filho! frase imensa, inexplicável,
Grata como o chorar de Madalena
Aos pés do Redentor … ah! pelas fibras
Senti rugir o vento incendiado
Desse amor infinito que eterniza
O consórcio dos orbes que se enredam
Dos mistérios do ser na teia augusta!
Que prende o céu à terra e a terra aos anjos!
Que se expande em torrentes inefáveis
Do seio imaculado de Maria!
Cegou-me tanta luz! Errei, fui homem!
E de meu erro a punição cruenta
Na mesma glória que elevou-me aos astros,
Chorando aos pés da cruz, hoje padeço!

O som da orquestra, o retumbar dos bronzes,
A voz mentida de rafeiros bardos,
Torpe alegria que circunda os berços
Quando a opulência doura-lhes as bordas,
Não te saudaram ao sorrir primeiro,
Clícía mimosa rebentada à sombra!
Mas ah! se pompas, esplendor faltaram-te,
Tiveste mais que os príncipes da terra!
Templos, altares de afeição sem termos!
Mundos de sentimento e de magia!
Cantos ditados pelo próprio Deus!
Oh! quantos reis que a humanidade aviltam,
E o gênio esmagam dos soberbos tronos,
Trocariam a púrpura romana
Por um verso, uma nota, um som apenas
Dos fecundos poemas que inspiraste!

Que belos sonhos! Que ilusões benditas!
Do cantor infeliz lançaste à vida,
Arco-íris de amor! Luz da aliança,
Calma e fulgente em meio da tormenta!
Do exílio escuro a cítara chorosa
Surgiu de novo e às virações errantes
Lançou dilúvios de harmonias! — O gozo
Ao pranto sucedeu. As férreas horas
Em desejos alados se mudaram.
Noites fugiam, madrugadas vinham,
Mas sepultado num prazer profundo
Não te deixava o berço descuidoso,
Nem de teu rosto meu olhar tirava,
Nem de outros sonhos que dos teus vivia!

Como eras lindo! Nas rosadas faces
Tinhas ainda o tépido vestígio
Dos beijos divinais, — nos olhos langues
Brilhava o brando raio que acendera
A bênção do Senhor quando o deixaste!
Sobre o teu corpo a chusma dos anjinhos,
Filhos do éter e da luz, voavam,
Riam-se alegres, das caçoilas níveas
Celeste aroma te vertendo ao corpo!
E eu dizia comigo: — teu destino
Será mais belo que o cantar das fadas
Que dançam no arrebol, — mais triunfante
Que o sol nascente derribando ao nada
Muralhas de negrume! … Irás tão alto
Como o pássaro-rei do Novo Mundo!

Ai! doudo sonho! … Uma estação passou-se,
E tantas glórias, tão risonhos planos
Desfizeram-se em pó! O gênio escuro
Abrasou com seu facho ensangüentado
Meus soberbos castelos. A desgraça
Sentou-se em meu solar, e a soberana
Dos sinistros impérios de além-mundo
Com seu dedo real selou-te a fronte!
Inda te vejo pelas noites minhas,
Em meus dias sem luz vejo-te ainda,
Creio-te vivo, e morto te pranteio! …

Ouço o tanger monótono dos sinos,
E cada vibração contar parece
As ilusões que murcham-se contigo!
Escuto em meio de confusas vozes,
Cheias de frases pueris, estultas,
O linho mortuário que retalham
Para envolver teu corpo! Vejo esparsas
Saudades e perpétuas, — sinto o aroma
Do incenso das igrejas, — ouço os cantos
Dos ministros de Deus que me repetem
Que não és mais da terra!… E choro embalde.

Mas não! Tu dormes no infinito seio
Do Criador dos seres! Tu me falas
Na voz dos ventos, no chorar das aves,
Talvez das ondas no respiro flébil!
Tu me contemplas lá do céu, quem sabe,
No vulto solitário de uma estrela,
E são teus raios que meu estro aquecem!
Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto,
Mas não te arrojes, lágrima da noite,
Nas ondas nebulosas do ocidente!
Brilha e fulgura! Quando a morte fria
Sobre mim sacudir o pó das asas,
Escada de Jacó serão teus raios
Por onde asinha subirá Minh ‘alma.

Obs.: Luís Nicolau FAGUNDES VARELA (1841-1875)
Estudou Direito em São Paulo e no Recife, mas não concluiu o curso. Sua obra poética reflete uma tendência singularmente mística, em duas das suas produções: “ANCHIETA ou o Evangelho nas Selvas” e “CANTOS RELIGIOSOS”. Referem seus biógrafos que possuía índole melancólica e levava vida solitária e de boemia. Ficaram famosas “suas evasões para recantos inabitados do interior, verdadeiros retiros que realizava em momentos de tédio e desencanto”, consequentes, talvez, de dois matrimônios frustrados que muito lhe fizeram sofrer. Foi dos últimos a enfocar o tema do INDIANISMO, influenciado por GONÇALVES DIAS, a figura mais representativa, ou no dizer de SILVIO ROMERO “autor do que há de mais nacional e do que há de mais português na nossa literatura”.

Magistral tema de abertura do filme de Visconti, “Morte em Veneza”, obra prima do cinema italiano e mundial.
No tributo do BP aos nossos mortos mais queridos.

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Informação e Opinião

Por nada, o poder da mídia esmagou Brizola

Fracassada a tentativa de fraude para evitar que Leonel Brizola se elegesse governador do Rio em 1982, conhecida como “escândalo da Proconsult”, as Organizações Globo desencadearam a mais suja e violenta campanha contra um homem público desde Getúlio Vargas, em 1954, e João Goulart, dez anos depois – não por acaso, já que os três fazem parte da mesma linhagem ideológica.

Não tinham, porém, os barões da grande imprensa nacional, acusações fundamentadas de tipo nenhum, pois nem os inquéritos policiais militares do golpe militar de 64 as constataram. Apelaram, a bordo de poderosa máquina universal de comunicação, pelo engodo e pela mentira.

Começaram timidamente, na Rádio Globo, num programa noturno de grande audiência comandado por Luiz de França, que, sem citar-lhe o nome, procurava denegrir o governador com o refrão de velha moda gaúcha: “Churrasco e bom chimarrão/ fandango, trago e mulher/ é disso que o velho gosta/ é isso que o velho quer”.

Diariamente, era um massacre, com os mais patéticos textos sem razão alguma. O desplante era tal que chegaram a colocar um suposto Brizola, mas com voz, sotaque e hábitos etílicos de Jânio Quadros, discursando: “E se eleito ô fui-ô…” – enquanto um coro repetia freneticamente: “Ô fui-ô/ Ô fui-ô…”

O esquema se profissionalizaria na direta proporção em que o governador dava mostras de que administraria exatamente no sentido oposto ao desejo das elites, pela educação e contra os privilégios. Veio a fase das acusações caluniosas de “ligação” com o jogo do bicho e o tráfico de drogas, que absolutamente não existiu.

A Globo venceu. Sem a solidariedade de qualquer partido ou líder político, inclusive dos que faziam parte, em tese, do mesmo arco ideológico, Brizola não poderia resistir mais que a extensão de sua vida, e terminou morrendo aos 82 anos, firme em suas convicções e, sobretudo, limpo.

Na quadra atual de degeneração da cúpula política brasileira, não é difícil à grande imprensa, representante de interesses econômicos que vão além do dever de informar, atacar ferozmente o que seriam seus piores inimigos, e não adianta mais acusar o “Partido da Imprensa Golpista”.

Os ocupantes do poder praticaram crimes de toda natureza e gravidade, continuadamente, nas últimas décadas, de tal sorte que agora não é possível ao grande público divisar o que há de verdade e de especulação nas cabeludas narrativas. Não precisa o conjunto da obra, parte dela é suficiente para a desmoralização.

O verdadeiro autor

A joia do cancioneiro popular acima citada tem sido atribuída, ao longo dos anos, a artistas diversos, que apenas tiveram a felicidade de gravá-la, a exemplo de Berenice Azambuja (a primeira), Sérgio Reis, Chitãozinho e Xororó e Gaúcho da Fronteira.

Como revela o colunista Rogério Pereira, do site O Fato Novo, seu verdadeiro autor é Gildo José Moreira Campos, conhecido como Kará, nascido em Triunfo, Rio Grande do Sul, há 68 anos. A letra homenageia o pai, Nauro Viana de Campos.

DO EL PAIS

Joan Faus

Washington

A uma semana das eleições que escolherão seu sucessor, o presidente Barack Obama começa hoje uma turnê de quatro dias de campanha para a candidata democrata Hillary Clinton. Isso acontece num momento de nervosismo na campanha de Hillary frente ao crescimento nas pesquisas do republicano Donald Trump. O objetivo de Obama é mobilizar os eleitores negros e latinos que deram impulso à sua chegada à Casa Branca.

O democrata Obama participa hoje à noite de um comício pró Hillary em Ohio. Na quarta-feira e na sexta-feira visitará a Carolina do Norte. E na quinta-feira estará na Flórida. Os três Estados são fundamentais, em que Hillary e Trump estão empatados. Quem ganha um Estado leva todos os seus votos eleitorais. O candidato que atingir os 270 votos dos 538 em jogo, ganha as eleições.

O presidente apresenta Hillary como sua herdeira diante da ameaça de Trump, que representa uma emenda em relação à totalidade da era Obama. Mas para garantir a vitória, Hillary precisa mobilizar a coalizão que apoiou Obama nas eleições de 2008 e 2012: uma amálgama de voto jovem e urbano, juntamente com o das minorias negra e latina. Os dados preliminares em alguns Estados indicam uma queda do apoio afro-americano aos democratas.

Trump tenta desencorajar o voto negro, acusando os democratas de se aproveitarem desse grupo. E desenha uma paisagem apocalíptica de violência nas comunidades afro-americanas que promete combater com lei e ordem. O republicano confia na vitória nas eleições graças a um declínio da participação das minorias e uma alta mobilização do voto branco e de conservadores situados no extremo ideológico que não costumam votar.

Mas, para chegar à presidência, costuma ser imprescindível o apoio dos moderados indecisos. Muitos se sentem desconfortáveis com as grosserias de Trump e seu enfrentamento com o establishment republicano. Trump espera convencê-los a tempo antes de terça-feira e conquistar Estados tradicionalmente democratas. O candidato visitou ontem o Wisconsin, onde Obama venceu em 2008 e 2012. E na Pensilvânia tentou passar uma imagem presidencial ao pronunciar um discurso contra a reforma da saúde de Obama, um anátema para as bases conservadoras.

A tempestade política pela nova investigação do FBI aos e-mails de Hillary alterou os papéis na campanha. A democrata está na defensiva e tenta recupera a narrativa, o que a impede de apresentar sua visão de futuro como pretendia fazer antes do anúncio do FBI na sexta-feira, quando sua vitória parecia quase garantida. Já não é Trump quem tem de responder por suas polêmicas. O republicano tenta passar uma imagem de seriedade e evitar erros.

Neste cenário, as pesquisas apontam para o empate. Uma pesquisa de The Washington Post apontou Trump à frente. Mas existe uma desvantagem que pode ser decisiva. Na reta final da campanha, Hillary tem o apoio de Obama e das grandes figuras democratas. Enquanto Trump está sozinho com sua família, sem o apoio da cúpula republicana.


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02
Posted on 02-11-2016
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Tacho, no jornal NH (RS)

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Posted on 02-11-2016
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Os penduras daquela senhora
O Financista 01.11.16 19:22

A herança maldita das gestões lulopetistas pesará no destino do dinheiro arrecadado pelo governo com a repatriação de recursos.

Dos R$ 38,5 bilhões que cabem ao governo federal, Henrique Meirelles calcula que mais da metade servirá para pagar dívidas da gestão da nova aspirante a escritora.

No total, a repatriação gerou uma arrecadação de quase R$ 51 bilhões com multas e impostos sobre o dinheiro mantido no exterior. Estados e municípios dividirão pouco mais de R$ 12 bilhões.

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