BOA TARDE!!!

CRÔNICA

Bob Dylan, Renan e Renoir

Janio Ferreira Soares

Pelas ruas frias de Madrid, um clone de Fito Paez bebe um conhaque e traga um cigarro calmamente sentado numa esquina cheia de bares e pombos. Ao seu lado, uma garota com fisionomia andina e corpo de velocista jamaicana toma uma cerveja e bate a bota de camurça na calçada marcando o som vindo de seu fone verde-abacate que, pelo ritmo, imagino mais um Hip-Hop acelerado do que um Barry White maneiro.

Na praça quase vazia, crianças comem cheetos e bebem suco de caixinha, enquanto um mendigo deitado em direção à Meca faz um incrível malabarismo com uma latinha suspensa no ar, à espera do tilintar de moedas jogadas por comovidos turistas com pena de sua falsa performance.

Perto dali, duas meninas orientais aguardam o sinal abrir trocando beijinhos sob uma sombrinha que as ampara da chuva e, em seguida, entram numa livraria, onde um velho vinil de Bob Dylan gira pendurado num fio de nylon com seu cínico sorriso na capa, como se dissesse: “olha seus felas, não tô nem aí para o que acontece ao meu redor, muito menos para o que estão falando e escrevendo a meu respeito depois que me deram esse maldito Nobel, que, na boa, não vai acrescentar absolutamente nada aos acordes de minhas baladas ligeiras, tampouco aos dias que restam para o vento levar minhas cinzas e meu chapéu de aba larga”.

Roda o mundo, e nas quebradas do sertão alagoano centenas de casacas-de-couro protestam pelo fim da vaquejada pedindo apoio a Renan pai e Renan Filho. Nas redes sociais, o governador logo prestou solidariedade à causa dizendo que a mesma é um patrimônio cultural e blá, blá, blá. Já o garboso presidente do Senado, à semelhança de um velho boi manhoso, mugiu apenas o suficiente, preocupado que está em ruminar manjadas desculpas que possam livrá-lo de ser derrubado pelo rabo por um certo vaqueiro curitibano, dessa vez por impedir investigações oficiais nas baias de seu curral.

Ainda bem que os ipês de outubro já amarelam minha aldeia. Assim, ao menos, posso dizer: xô, Renan! Bem-vindo, Renoir!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, nas barrancas baianas do rio São Francisco


Temer reunido com Lúcia e Renan:bombeiro.

ARTIGO DA SEMANA

Renan – o piromaníaco – o bombeiro Temer, e o incêndio

Vitor Hugo Soares

O outubro incendiário da política brasileira, em 2016, se aproxima do fim, enquanto o jornalista observa, em retrospectiva, imagens da viagem do presidente Michel Temer e da primeira dama Marcela à Índia e ao Japão, de retorno abreviada em quase 12 horas. Situação de dar pena (ou fazer sorrir, a depender do ponto de vista e humor do observador) ver o mandatário da vez, no Palácio do Planalto, forçado a retornar “em cima do rastro”, como se diz nas barrancas do São Francisco, o rio da minha aldeia. Praticamente sem ter tempo de gozar das delícias da parte final dos périplos oficiais do tipo. No caso, do outro lado do mundo, que o presidente deixou às carreiras para vir descascar novos pepinos neste incorrigível pedaço do lado de baixo do Equador.

De imediato, veio acompanhar, de perto, desdobramentos da prisão de Eduardo Cunha, o poderoso ex- presidente da Câmara dos Deputados, envolvido na Operação Lava Jato, apanhado na capital do país pela PF, e levado ao encontro do juiz Sérgio Moro, em Curitiba. Em menos de uma semana, mal (ou bem?) comparando, Temer parece bombeiro em “plantão de sobreaviso”, que faz das tripas coração na tentativa de apagar o grave fogaréu institucional que o aloprado presidente do Senado, Renan Calheiros, fez grassar em seus domínios. Perturbado, ainda mais, desde a passagem da PF na Operação Métis, braço da Lava Jato, que apavora 7 em cada 10 figurões de Brasília.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavaski, no meio do furdunço geral, correu na frente e, na quinta-feira, suspendeu liminarmente a operação da PF nos domínios do Senado e redondezas, para posterior decisão do pleno do STF. Jogo rápido, mas de resultados duvidosos e imprevisíveis, apesar dos festejos e fogos soltados, apressadamente, pelo senador alagoano do PMDB, ex-amigo do peito e escudeiro de Collor, depois de Lula e Dilma, e agora fiel aliado e seguidor do governo Temer.

Mas o estrago já está feito, revelam bastidores de fontes quentíssimas da corte. A PF, mais ágil que Teori em sua decisão monocrática, já havia descoberto segredos cabeludos e impensáveis, ao periciar as maletas de varreduras de grampos apreendidas .”Sabe o que aconteceu no submundo do Congresso Nacional”, adianta a bem informada coluna “Esplanada”, da Folha. A conferir.

Na terra, em volta do Lago Paranoá, e no ar do Planalto Central do Brasil circulam outros sinais claros de que o cerco se fecha sobre núcleos estratégicos e sensíveis do poder. As cenas de nervosismo e estresse explícitas (de pânico mesmo, em alguns casos), puxadas pelo descontrole do presidente do Congresso, reproduzem situações muito parecidas com as do filme “Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”: cult italiano do melhor cinema de suspense político dos anos 70.

O medo atravessa Brasília – sob efeito de Rivotril, em doses cavalares – com reflexos pelo país inteiro (ou quase), como uma espécie de cometa carregado de dúvidas e poderosos personagens, sob suspeição, em sua larga cauda: de parlamentares no exercício do mandato a chefes e comandados da Polícia Parlamentar, apanhados com as suas maletas de aprendizes de arapongas (suspeitos de atrapalhar investigações determinadas pela justiça). Além de burocratas que se dizem “meros cumpridores de ordens”.

Penosa e preocupante é a situação, no todo, com notório jeito e sabor de tragicomédia brasileira. O riso fica por conta do detalhe. Do método para debelar o fogo, bolado pelos atuais conselheiros e alquimistas da corte: a panaceia antiga das fórmulas de conciliação que passam por cima de princípios. Em que praticamente tudo se arranja na base do “deixa disso”, do interesse próprio ou do tapinha nas costas. A receita é do tempo da vovó, mas até poderia dar certo mais uma vez. Desde que o problema fosse apenas passar uma borracha para apagar os malfeitos (e os rastros dos malfeitores) e fazer de conta que nada aconteceu.

Os insultos e atitudes erráticas e descabidas de Renan (que mal escondem a tentativa de ganhar no grito, de defesa preventiva, chantagem e ameaças graves a pessoas e instituições), não passariam de engraçada pantomima se a questão se resumisse a apenas dois dos três principais personagens, da crise em andamento e expansão: o piromaníaco presidente do Senado (a definição é do próprio Renan em sua fase pós-Métis), e o ministro da Justiça, Alexandre de Morais. Ambos notórios mordidos pela mosca da vaidade e do encantamento, delícias e delírios do mando e, principalmente, do prazer de se mostrarem poderosos.

Em casos assim, as vezes basta o tradicional “puxão de orelhas” ou o “remédio” utilizado durante décadas, no sertão nordestino, para corrigir menino que falava demais, (nem se pensava no politicamente correto): A ameaça de “passar babosa na língua”. Sábio e saudoso, Ulysses Guimarães também tinha recomendação capaz de superar situações desse quilate: “Política é conversa de adulto, não de moleque. É doloroso ter de repreender imaturos, com o convite latino: “Puer, sacer est lócus, extra migite”. Em língua crioula: Menino, o lugar é sagrado. Vá mijar lá fora.

O problema – e bota problema nisso – é que em uma das pontas do imbróglio está a ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, que dá evidentes sinais de não estar disposta a participar de nenhum tipo de encenação, no enfrentamento da questão de sensíveis e explosivos contornos institucionais. A firme, sóbria e de pouca brincadeira, presidente do Supremo assumiu como agressão ao Judiciário, e a ela própria, o destempero do presidente do Senado, ao chamar de “juizeco” o magistrado que autorizou a Operação Métis.

Aparentemente decidida a não participar de conciliábulos, (para apagar o incêndio de Renan, quando o governo Temer dá sinais de precisar do incendiário, e de fazer concessões, para aprovar a reforma sobre controle de gastos), é hora de olhar ainda com mais atenção e interesse para a ministra Cármen Lúcia, e seus próximos movimentos e sinais, no vamos ver dos panos quentes dos bombeiros do Planalto. O resto é com o tempo, senhor da razão.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


Projeto ponte Salvador-Itaparica:ficou nisso

DO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Os teleféricos já estão no discurso

Vivemos uma era demais estranha, em que o gestor público compra um copo plástico descartável e precisa dizer ao contribuinte e eleitor que o fez, como propaganda, não prestação de contas.

O governador Rui Costa, neste caso, é apenas um exemplo, mas não é muito diferente da maioria: ele anunciou a “captação” de 470 mil euros para instalação de teleféricos em Salvador, pouco mais que R$ 1,6 milhão, dinheiro que uma boa campanha arrecadaria.

Mas não é exatamente para fazer e operar o aéreo transporte. É para “estudos e elaboração do projeto”, algo semelhante aos R$ 90 milhões que teriam sido “aplicados” em etapa semelhante da ponte para Itaparica.

É um mal da “idade mídia” – como a definem estudiosos cujas elocuções analíticas de difícil entendimento ao comum dos mortais – aparecer a qualquer custo (aí quase literalmente), assumir a identidade de todo e qualquer espasmo da máquina estatal.

out
29
Posted on 29-10-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-10-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

Luís Melodia e Emílio Santiago, deixando Tereza na praia…

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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Cármen Lúcia, Michel Temer e Renan Calheiros.
M. Correa-Presidência


DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

O presidente do Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), hasteou bandeira branca nesta sexta-feira ao Judiciário e rasgou elogios à presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, com o claro objetivo de arrefecer a temperatura da crise institucional incentivada por ele na última semana. O senador alagoano ligou para a magistrada para pedir desculpas por ter chamado um magistrado de “juizeco” e, às câmeras e gravadores da imprensa, afirmou que tem orgulho de presidir o Legislativo ao mesmo tempo em que ela comanda a mais alta corte judicial brasileira.

“Tenho muito orgulho, um orgulho que vou levar para a minha vida, de ser presidente do Congresso Nacional no exato momento em que a presidente Cármen Lúcia é a presidente do Supremo Tribunal Federal. Ela é sem dúvida nenhuma o exemplo do caráter que nós precisamos que identifica o povo brasileiro”, afirmou o peemedebista, que responde a 11 inquéritos no STF, em um breve pronunciamento à imprensa. Na semana que vem, a presidenta do Supremo agendou a análise de um processo que pode vetar a presença de réus na linha sucessória da Presidência brasileira. Em última análise, esse processo poderia levar Renan a deixar o comando do Senado.

As sinalizações de paz e a busca por uma harmonia institucional, após uma semana de tensão, ocorreram durante uma reunião entre representantes dos três Poderes para assinar um Pacto Nacional pela Segurança Pública, nesta sexta-feira, na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. O encontro corria o risco de não acontecer justamente pela conduta belicosa de Renan Calheiros. A ida da presidenta do STF ao encontro tranquilizou os demais presentes. Cármen Lúcia, no entanto, fez questão de marcar distância num momento em que o Supremo terá papel crucial em meio investigações não apenas sobre Renan, mas sobre várias outras grandes autoridades brasileiras: ela não participou do almoço oferecido na sequência da reunião de trabalho.

O morde-assopra do presidente do Senado começou na sexta-feira passada, quando ele reclamou de A Operação Métis, da Polícia Federal, que prendeu quatro agentes da Polícia Legislativa por suspeita atrapalharem investigações da Lava Jato contra dois senadores e dois ex-senadores. A tentativa de blindagem, de acordo com a apuração que está suspensa temporariamente, seriam Fernando Collor (PTC-AL), Gleisi Hoffmann (PT-PR), José Sarney (PMDB-AP) e Lobão Filho (PMDB-MA). Quando Calheiros xingou o juiz Vallisney Oliveira, Cármen Lúcia reclamou. “Todas as vezes que um juiz é agredido, eu e cada um de nós juízes somos agredidos”. Ela aceitou o pedido de perdão.

A mudança de comportamento do senador, de críticas à declarações harmoniosas, só ocorreu, também, depois que o ministro Teori Zavascki suspendeu temporariamente a operação Métis – o ministro considerou que o STF precisa analisar se era competência dele ou da primeira instância autorizar uma operação do gênero no Senado.

Pacto de segurança

O pacto pela segurança foi firmado pelo presidente Michel Temer (PMDB), pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, além de Renan Calheiros e de Cármen Lúcia. Ele precede ao Plano Nacional de Segurança Pública, que ainda será lançado pelo Ministério da Justiça.

No encontro, os três poderes se comprometeram a ampliar medidas de segurança pública principalmente para reduzir os índices de homicídios e a violência contra as mulheres. No Brasil, conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança, a cada nove minutos uma pessoa é assassinada. O ano de 2015 terminou com 58.000 vítimas de homicídios dolosos.

De acordo com o ministro Raul Jungmann, da Defesa, nos próximos meses, os governadores e secretários de Segurança Pública dos Estados participarão dos debates. Um dos focos dos debates será reduzir a superlotação carcerária com o auxílio do Judiciário e do Ministério Público. O Governo quer evitar que presos provisórios, sem antecedentes criminais, que não tenham cometido crimes com violência, ocupem mais vagas nos presídios. “Eles poderiam cumprir penas alternativas”, disse Jungmann.

O presidente Temer anunciou ainda que 788 milhões de reais do fundo penitenciário serão usados para aprimorar e construir novas prisões. Uma outra proposta apresentada na reunião de ontem é a de autorizar policiais do Mercosul a prenderem suspeitos além de suas fronteiras. Já há um acordo nesse sentido, mas nunca foi implementado.

Com relação ao Legislativo, os senadores e deputados poderão abrir nos próximos dias uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a participação do crime organizado nas eleições municipais. Suspeita-se que aumentou a interferência dessas organizações depois que empresas privadas foram proibidas de fazer doações eleitorais.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“POSIÇÃO PROGRAMA ESPECIAL ITALIANO”

José Roberto Batochio, advogado de Antonio Palocci, tentou desqualificar no Estadão a denúncia contra o seu cliente:

“O único elemento considerado pela denúncia é um papelucho tratado como ‘planilha’ sob a rubrica de ‘Italiano’. Os acusadores já apontaram esse ‘Italiano’ como sendo Fernando Migliáccio, depois Guido Mantega, depois um engenheiro italiano e, agora, na quarta tentativa, querem atribuir este apelido a Palocci.”

O “papelucho” é, na verdade, uma relação de pagamentos feitos por Marcelo Odebrecht a Palocci e outros petistas, como Lula e Guido Mantega, entre 2008 e 31 de julho de 2012.

Sob o nome “Posição Programa Especial Italiano”, o “papelucho” traz como saldo restante aqueles valores inesquecíveis:

“Italia” (Palocci): 6 milhões;

“Amigo” (Lula): 15 milhões;

“Pós-Italia” (Mantega): 50 milhões.

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