DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES0

Doces sonhos juvenis

Estudantes que ocupam escolas numa dessas capitais onde há movimentos contra a reforma do ensino médio aparecem na TV usando bonés e com o rosto coberto por um simulacro de máscara feito com a camiseta.

Descartemos, a priori, qualquer maldade nesse gesto, pois maldade certamente não há em quem acredita que, como os assaltantes de trens e bancos dos velhos faroestes, basta usar um lenço no rosto para não ser identificado.

Vamos debitar tudo a valor dos mais caros à humanidade e que a era digital não afetou: o inconformismo dos jovens, sempre em busca de uma saída ao estabelecido, que muitas vezes acham. Sem eles não teríamos futuro, seria tudo uma eterna e banal repetição.

BOM DIA!!!

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Otavio Azevedo e Marcelo Odebrecht, detidos em junho de 2015.
RODOLFO BUHRER REUTERS

DO EL PAIS

Rodolfo Borges

São Paulo

Saiu o Governo Dilma Rousseff, entrou o Governo Michel Temer, e as delações premiadas de Marcelo Odebrecht e de mais de 50 executivos de sua empreiteira seguem assombrando Brasília. De um hotel na capital federal, que virou QG da empreiteira – sob o comando de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba desde 14 de novembro de 2014 – foram debatidas as estratégias de defesa para atenuar a pena de quase 20 anos a que o empresário já foi condenado em primeira instância. A julgar por reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira, as delações estão próximas da assinatura final. Não é a primeira vez que se divulga, sempre de forma extraoficial, que a colaboração dos responsáveis pela maior empreiteira do Brasil está fechada. Desta vez, contudo, começam a aparecer nomes de possíveis implicados no Governo atual, como o do próprio presidente da República, Michel Temer, e os de ministros como Eliseu Padilha, da Casa Civil, José Serra, das Relações Exteriores, e Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo.

É dado como certo que as colaborações dos executivos da Odebrecht vão trazer novos nomes e novos partidos para o coração da Lava Jato. Devem reforçar, ainda, as acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já está indiciado em três processos, e de ex-ministros petistas como Antonio Palocci (Fazenda no Governo Lula e Casa Civil no Governo Dilma Rousseff) e Guido Mantega (Fazenda no Governo Dilma). Mas as negociações do acordo com executivos da empresa envolveriam a identificação de 130 deputados, senadores e ministros, além de 20 governadores e ex-governadores de diversos partidos, segundo a reportagem de O Globo. Poderia esclarecer, enfim, o papel que a tal “lista da Odebrecht”, descoberta em maio, tem para a Lava Jato. Documentos apreendidos na casa de um dos diretores da empresa guardava planilha com o nome de 240 políticos de 22 partidos, atrelado a valores que poderiam ser doações ilegais. Mas nada se confirmou até o momento.

Por estar no comando do país, a cúpula do Governo Temer é quem mais teria a perder no momento por denúncias de ilícitos no âmbito da Operação Lava Jato. E, não por acaso, especulações sobre uma possível sucessão indireta em 2017 começaram a circular pela capital federal nos últimos dias. Ainda não é possível medir com precisão o impacto que as denúncias e acusações provenientes da maior empreiteira do país podem causar a Temer, mas já começam a entrar numa bolsa de apostas possíveis sucessores numa eventual queda.

Até o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já povoa rodas de debate político que cogitam a necessidade de uma eleição presidencial antes de 2018 — caso Temer tenha de deixar o Planalto a partir de janeiro, seu sucessor seria escolhido pelo Congresso Nacional. Outro nome que já apareceu é o de Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro do Governo Lula, como relata a jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo desta quarta. As especulações sobre políticos que não frequentam a burocracia de Brasília há mais de cinco anos, no caso de Jobim, e há mais de 13, no caso de FHC, é sintomático.

O pacote de delações da Odebrecht chega como uma espécie de penúltimo capítulo da Lava Jato. A expectativa para os acordos dos executivos da empreiteira só rivaliza atualmente com a possível delação do deputado cassado Eduardo Cunha, preso na semana passada.

Enquanto os investigados e condenados na operação negociam seus acordos, o mundo político aguarda com ansiedade os efeitos das revelações e traça cenários sobre os impactos que, há alguns meses, dificultariam a situação do cambaleante Governo Dilma e, agora, provavelmente vão prejudicar o improvisado Governo Temer. Se por um lado a saída da ex-presidenta parece ter aliviado a crise de expectativas na economia, por outro, a Lava Jato e suas eventuais delações continuam fornecendo combustível para manter a crise política e alimentar a tensão com o poder Judiciário. A temperatura sobe a cada nova operação, como a Métis, que deteve agentes do Senado e despertou a ira do presidente da Casa, Renan Calheiros, ou vazamento de informações para a imprensa sobre o andamento do processo.

A proximidade do fechamento desses acordos ajudaria a entender, também, a pressa do Governo em lidar com questões espinhosas, como a PEC do teto de gastos e a reforma da Previdência. Segundo essa tese aventada no mundo político, seria uma forma de garantir que qualquer Governo que esteja no poder manterá as contas públicas ‘a salvo’ com a PEC 241, que inibe despesas maiores que a arrecadação.

Por conter autoridades com foro privilegiado, as delações deverão ser homologadas pelo Supremo Tribunal Federal, mais precisamente pelo ministro Teori Zavascki, responsável pelo caso. Isso significa, levando em conta o andamento da Lava Jato até agora, que esses acordos de colaboração devem levar mais tempo do que aqueles fechados em Curitiba pelo juiz Sérgio Moro — os procuradores de Curitiba preservaram muitas das delações por lá ao evitar que autoridades com foro fossem mencionadas nos acordos.

Apesar da quantidade de nomes implicados, as informações apresentadas pelos colaboradores da empreiteira não estariam à altura das expectativas dos investigadores — o que não quer dizer que lhes falte potencial para abalar o Governo Temer. Na falta de confirmação oficial sobre o andamento da negociação dos acordos, os despachos do juiz Sérgio Moro se prestam pelo menos a comprovar sua existência. Em agosto, o juiz suspendeu por duas semanas — como já havia feito antes — a ação penal contra executivos da Odebrecht após “notícia de que acusados” estariam “negociando alguma espécie de acordo de colaboração”.

O suspense segue sendo, enfim, a única certeza de uma Brasília que perdeu a autonomia — para o bem ou para o mal, a depender do ponto de vista — desde que Curitiba ousou interferir em seus assuntos mais obscuros, em 2014.

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Posted on 28-10-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-10-2016


Paixão, no diário Gazeta do Povo (PR)

out
28

DEU N BLOG O ANTAGONISTA

Talvez Renan não tenha nada a comemorar

Gerson Camarotti confirma que “depoimentos de policiais legislativos à Polícia Federal já apontam que a Operação Lava Jato era o o alvo da ação de contrainteligência em residências e gabinetes de senadores, ex-senadores e até parentes dos parlamentares. A íntegra dos depoimentos será encaminhada ao ministro Teori Zavascki, depois da decisão do magistrado de suspender a Operação Métis”.

Talvez Renan Calheiros não tenha nada a comemorar…

… O problema também é esse: o foro privilegiado privilegia o suspense, em detrimento da racionalidade.


A jornalista Ana Luiza Guimarães, sozinha na bancada do RJTV
após a ausência de Marcelo Crivella. Reprodução/TV Globo


Crivella x Freixo:em debate na TV

DO EL PAÍS
Brasil

María Martín

Rio de Janeiro

A apresentadora do RJTV Ana Luiza Guimarães, o principal da TV Globo no Rio, entrevistou na última terça-feira uma poltrona de couro bege vazia, que fazia as vezes de Marcelo Crivella (PRB), favorito nas pesquisas para conquistar a Prefeitura do Rio de Janeiro.

– Candidato, se política e religião andaram juntas nos seus últimos dois mandatos no Senado, não é natural que isso também ocorra caso o senhor seja eleito prefeito do Rio?

– (silêncio).

– Se o senhor for eleito, quem vai comandar a secretaria de Saúde? E a de Educação? E a de Transportes?

– (silêncio).

Estas perguntas e outras muitas que questionavam sobre um incidente policial do candidato ou sobre intolerância religiosa foram formuladas ao vivo, mas não respondidas. Crivella recusou o convite na última hora. Era sua forma de mostrar sua “indignação” pela “cobertura tendenciosa da emissora” contra ele, disse. O candidato, bispo licenciado e sobrinho do fundador da Igreja Universal Edir Macedo, controladores da TV Record, cancelou no mesmo dia mais dois encontros com jornalistas, na rádio CBN e no portal G1.

Confortável com sua vantagem frente a Marcelo Freixo (PSOL) – lidera com 63% dos votos válidos, Crivella já se vê como futuro prefeito do Rio. Assim, resolveu se recolher, não informar da sua agenda, descumprir seus compromissos com a imprensa, insultá-la, e não se expor diante as acusações que, no final da campanha, questionam a versão moderada que se empenhou em transmitir durante toda a eleição.

Uma reportagem da revista Veja revelou que, 26 anos atrás, Crivella acabou sendo preso ao tentar retirar uma família de um terreno onde a Igreja Universal pretendia construir um templo. O boletim de ocorrência desapareceu dos arquivos policiais. Após a divulgação, Crivella negou ter sido preso e afirmou que apenas foi lá pra conferir um muro que tinha risco de queda. A revista, no entanto, revelou os áudios onde ele detalha a ação: “Cara, teve um dia que eu tava tão revoltado, eu acordei de manhã, levei os caminhões que a gente tinha, fui pra lá, arrebentei aquela cerca, entrei lá dentro, comecei a tirar as coisas do cara, botar em cima do caminhão, não toquei nas pessoas”.

– Por que o senhor não recorreu à Justiça ao invés de fazer justiça com as próprias mãos?, perguntou a repórter do RJTV.

– (silêncio).

Também saíram à luz trechos de um livro do senador, lançado no Brasil em 2002, no qual demoniza outras religiões e classifica a homossexualidade de “conduta maligna” e de “terrível mal”. Crivella desculpou-se e se defendeu dizendo que aprendeu dos erros do passado e que antes era intolerante, mas hoje prega pelos direitos para todos. Um vídeo mais recente, de 2012, registra Crivella associando a homossexualidade a tentativas frustradas de aborto e sofrimento do feto.

– Candidato, o seu pedido de desculpas se sustenta de pé se a intolerância se repetiu em 2012, quatro anos atrás?

– (silêncio).

Em um outro vídeo, datado em 2011, Crivella aparece dizendo que foi escolhido pela Igreja Universal a entrar em política e que algum dia “esta nação vai eleger um presidente evangélico”. “E aí, queridos irmãos”, diz ele, “nós poderemos ser a igreja evangelizadora dos últimos dias e levar o evangelho a todas as nações da terra”.

Para se defender das repetidas denúncias, Crivella tem xingado os jornalistas da Veja e do jornal O Globo com termos como “pateta”, “patife” e “vagabundo”. Além da animosidade comum da campanha, há um pano de fundo que complica ainda mais o relacionamento do senador com a imprensa em geral: o enfrentamento entre conglomerados de comunicação. Crivella é ligado à TV Record, a principal concorrente da TV Globo, a joia da coroa do grupo Globo.

Campanha de ataques e sem propostas

As inserções publicitárias tem sido também alvo de polêmica e são um exemplo de como o segundo turno trocou o debate de propostas para a cidade por ataques. A troca de farpas entre Freixo e Crivella fez mais que triplicar o número de ações por direitos de resposta em tramitação na Justiça, segundo o portal UOL. Se no primeiro turno, quando 11 candidatos concorriam à Prefeitura, houve 32 processos, essa cifra chegou a 109 no segundo turno.

Freixo tem aproveitado seu tempo de televisão para associar Crivella ao fanatismo religioso e aos pensamentos do tio, Edir Macedo, recolhidos num livro, organizado pelo senador, no qual prega que a Igreja Católica é “a maior praga do Terceiro Mundo” e que a “mulher de Deus” deve cuidar do lar e da família. Crivella não ficou atrás e reforçou todos os preconceitos que os setores mais radicais, entre eles a família Bolsonaro, têm sobre Freixo, sobre tudo a afirmação falsa de que o deputado, com um amplo histórico de defesa dos direitos humanos, “defende bandidos”.

O juiz responsável pela fiscalização eleitoral e o deferimento do direito de resposta, Marcello Rubioli, vêm criticando o tom de uma campanha que já qualificou “de barraco”, de “nível baixo” ou “briga de gangues”.

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