Deus o tenha, capitão!

Gilson Nogueira

Busco,com olhar tristonho, espaço entre as nuvens para ver o rosto do Cristo em concreto. E o vejo, no Alto do Corcovado, em carne e osso, sereno, na imaginação, com os braços abertos, fitando a Cidade Maravilhosa, como se estivesse dizendo aos homens, mulheres e crianças, aqui, embaixo: Pensem em mim, que morri na cruz para vos salvar!

Escuto, ainda, aos seus pés, uma voz lamentar a morte súbita, como um gol contra da vida, de Carlos Alberto Torres, o grande capitão da Seleção do Brasil na conquista do Tri, no México, em 1970. Benzo-me, arrepiado, em meio aos ruídos dessa metrópole cosmopolita, chamada Rio de Janeiro, e tomo um calmante.

Sigo, entre atônito e sereno, escutando, misturados ao festival de sons de motores de carros, motos, ônibus e caminhões, gritos de gol de crianças que brincam de bola no larguinho que enfeita o caos. Uma delas, parece marcar um gol e correr para o abraço do pai. Talvez, ali, naquele gesto puro, buscasse o pimpolho imitar um sujeito grandão, arrodeado por outros caras de amarelo e azul, que viu na TV, depois dele haver marcado um dos gols mais bonitos da história do futebol e o mais significativo da espetacular conquista do Tri, no México, em 1970, contra uns caras vestidos de azul.

Carlos Alberto Torres, ontem,na paz do seu lar, e do seu sorriso, aqui, no Rio, enquanto fazia palavras cruzadas, teve um infarte fulminante e partiu. Sigo olhando o Cristo. Agora, sob um fundo azul infinito. E lá longe, bem longe, na cauda de um cometa humano, leio “Adeus, Brasil, vou para perto de Deus!!!”

Gilson Nogueira é jornalista, colaborados do BP

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