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DO EL PAIS

Acuado diante de investigações contra si e contra senadores, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), partiu para o ataque. Nesta segunda-feira, Calheiros disse que recorrerá da decisão que autorizou as prisões de quatro agentes da Polícia do Senado e a apreensão de documentos e equipamentos no local sob a suspeita de uma tentativa de atrapalhar a operação Lava Jato. Os policiais legislativos são suspeitos de agirem em benefício dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Collor (PTB-AL) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), assim como do ex-senador José Sarney (PMDB-MA). O grupo usava equipamentos de contra inteligência para identificar se imóveis funcionajajis e particulares desses parlamentares eram alvo de escutas ambientais e telefônicas.

Além do recurso, o peemedebista disparou críticas para quase todos os lados e aprofundou uma crise institucional instalada na sexta-feira passada entre os senadores, a Justiça Federal e o Executivo. Disse que a tentativa de embaraçar investigações é “uma fantasia”, chamou magistrado que autorizou a operação de “juizeco” e afirmou que o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, dá “bom dia a cavalo”.

“Um ‘juizeco’ de primeira instância não pode a qualquer momento atentar contra o poder. É lamentável que isso aconteça em um espetáculo com a participação de um ministro do governo [Moraes], que não tem se comportado como ministro e sim como polícia”, disse Calheiros de maneira irritada. E completou: “Lamento que um ministro de Estado tenha se portado sempre como não devia: dando bom dia a cavalo”.

Moraes, nas últimas semanas, tem cometido um deslize após o outro. Os mais recentes foram o de antecipar uma operação da Polícia Federal que acabou prendendo o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT), faltar a uma sessão da comissão da Câmara que analisa as dez medidas contra a corrupção, mas no mesmo dia participar de um encontro com senadores de seu partido, o PSDB. Sobre a operação Métis, que resultou na prisão de quatro policiais legislativos – três deles já foram soltos –, o ministro disse que a PF só cumpriu decisão judicial.

A fúria de Calheiros se expandiu também para os policiais que agiram no Senado na última sexta-feira. “É inacreditável que uma pinimba [birra] de policiais de um poder possa gerar uma crise institucional como essa”.

De acordo com o presidente do Senado, o uso dos equipamentos de contra inteligência ocorrem com frequência desde 2003 e sua utilização seria legal, pois só checa se há grampos clandestinos em seus alvos. Nos últimos anos, foram solicitados ao menos 17 vezes, geralmente por senadores que solicitavam seu uso por se sentirem “invadidos”. Como os equipamentos são específicos para esse fim, o então presidente da Câmara em novembro do ano passado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também se beneficiou dele por empréstimo. A varredura na casa de Cunha ocorreu logo após ele ser alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da Lava Jato.

Calheiros é alvo de diversas investigações contra si no STF, entre elas, uma por corrupção dentro da Lava Jato. Ainda assim, diz que se livrará de todas as suspeitas, não porque se diz inocente, mas porque há ausência de provas. “Serei absolvido de todas as acusações por falta de provas. O fato de estar sendo investigado não significa que não deva cumprir meu papel de presidente do Senado Federal e exigir a separação dos poderes”.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2016 at 9:14 #

Caro VHS

Reproduzo abaixo e-mail, por mim enviado, ao Senador Cristovam com cópia para o Senador Medeiros.

Na sexta-feira, data da operação da PF tendo como objeto a Polícia Legislativa do Senado Federal, os senadores, especialmente os habitués das sessões não deliberativas, mimetizaram o comércio vizinho das comunidades cariocas quando algum traficante de expressão é morto. simplesmente cerraram as portas e esconderam-se no silêncio medroso e cúmplice.

Pior foi na segunda-feira, ontem, fingindo, a maioria, que nada acontecera, exceção feita, em desafinado pronunciamento ao Senador Medeiros.

Aqui o e-mail:

———————-

De Luiz Alfredo Motta Fontana
Para cristovam.buarque@senador.leg.br
Cópia josemedeiros@senador.leg.br
Data Hoje Ter. 09:51

Caro Senador Cristovam, com cópia para o Senador Medeiros!

Este eleitor distraído resta surpreso com as atitudes tomadas, ou melhor, não tomadas, por Vossas Excelências nestas últimas horas.

Mimetizando o comércio limítrofe das comunidades cariocas, que cerra suas portas quando algum “eminente” traficante é alvo da polícia, os senhores, sem constrangimento aparente, simplesmente desapareceram da tribuna na manhã de sexta-feira.

Pior, na segunda, destacando-se Vossa Excelência, fingiram que nada ocorrera, travestindo-se de avestruzes, exceção feita, em lamentável equívoco ao Senador Medeiros, em triste pronunciamento eivado de corporativismo. Como defender a arapongagem senatorial, às custas do erário, ou cinicamente ignorá-la?

Renan ao que parece triunfa entre vocês, reina absoluto e impávido, tornado as eventuais cantilenas em nome da ética, mero discurso de ocasião, posto que o silêncio de muitos, ou o apoio submisso de Medeiros, revelam a tibieza de propósitos.

Triste quadra!

Atenciosamente

luiz alfredo motta fontana


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2016 at 9:33 #

Qual o motivo de reter meu comentário para moderação?

Estes anos todos de convivência nada valem?


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2016 at 10:20 #

Enquanto meu comentário dormita na gaveta da moderação, o e-mail, por mim enviado, nele reproduzido, ao menos, está na caixa postal dos senadores.

VHS, é a undécima vez que sou premiado com esta “eficiente” moderação, já até sei de cor as escusas que virão.

Mas assinalo: cansa!!!


vitor on 25 outubro, 2016 at 10:53 #

Fontana

Repito, pela enésima vez, em atenção a vc e a todos os leitores e ouvintes do BP. Não sei o motivo da retenção da sua mensagem (e de outros). Digo, apenas, que isso é alheio ao meu conhecimento precário de informática. Foi programado assim, desde o começo do BP, por um dos pilares deste BP na área (e moderador) que já não mais está entre nós. Até onde entendo, a moderação acontece apenas quando o leitor manda a primeira mensagem, usa um IP ou PC pela primeira vez.É só o que sei e entendo disso . E continuará acontecendo, infelizmente, até que alguém ajude este editor a a corrigir o problema (que tanto o incomoda e a mim também). Só quero deixar claro que isso não tem nada a ver com o que você pensa e diz em suas mensagens, em geral das mais lúcidas , inteligentes e qualificadas deste site blog. Ainda na semana passada o mesmo aconteceu com Regina, minha irmã e colaboradora da primeira hora do BP. Também com Vangelis, outro comentarista e colaborador fundamental. É isso, poeta! Só isso e nada mais. Espero, de vc e todos, compreensão , paciência e, se possível, ajuda.


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2016 at 10:56 #

Tim Tim!

Vamos debitar esta ao acaso.

Abraços!


luiz alfredo motta fontana on 25 outubro, 2016 at 10:59 #

Por outro lado, a omissão de Cristovam e assemelhados, ou o corporativismo errático de Medeiros, saltam aos olhos


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