CRÔNICA
Futebol: e por falar em saudade…

Gilson Nogueira

O futebol, se gente fosse, bateria na nossa porta, para lembrar que éramos felizes e não sabíamos.E, com isso, nos fazer chorar de saudade,como sugere a vinheta do programa Memória do Rádio, produzido e apresentado pelo jornalista Perfilino Neto, na Rádio Educadora da Bahia, em Salvador, a primeira capital do Brasil, cuja violência urbana a coloca em destaque na lista das mais perigosas do mundo. A idéia do visitante seria cutucar reminiscências para provar que ele era muitíssimo melhor que o atual.
Um espetáculo que alegrava o povo, quando o povo frequentava os estádios. Hoje, infelizmente, não mais. Deram um chute na bunda do torcedor comum dos campos de bola de concreto armado.Elitizaram a emoção, através da coreografia egoísta dos que não gritam gol, dos que preferem fazer caras e bocas para as câmerasespionas a registrarem mais o instante do eu estou aqui e você não está do que o suor na cara de um sujeito com a boca desdentada sorrindo e chorando sem camisa sob um sol de quase 40 graus a paixão por seu clube do coração. A torcida soa fora do tom do grito que vinha da alma do antigo torcedor que frequentava a extinta geral do Estádio Octávio Mangabeira, hoje chamado de Arena.
Aquele cara que arremessava para o alto seu radinho de pilha, o único que possuía, como se, alí, naquele gesto, ele buscasse a catarse que o elevaria aos píncaros da glória enquanto gente. Envergando o uniforme do Nostalgia Futebol Clube, o Senhor Futebol iria,de cara, sem cerimônia, dizer que o futebol arte acabou. E levantando a bola, mais:Cadê o drible, a finta que imitava um poema e que transformava, a cada jogo, o esporte das multidões em diversão de Deus? Os áureos anos do radinho de pilha colocado na orelha ouvindo Nilton Nogueira, Genésio Ramos, José Athayde, Franca Teixeira, Oldemar Seixas e muitos outros locutores esportivos que narravam uma partida de futebol, na Fonte Nova e no Campo da Graca, como se estivessem, a cada jogo, acompanhando o desenrolar de uma orquestra dabola,que era de couro, já eram.
A geral do Estádio Octávio Mangabeira em que o dono da casa viu o vendedor de rolete de cana derrubar o pipoqueiro em um abraco tricolor não mais existe, nem, tampouco, o gandula fazendo cera para devolver a bola, a fim de impedir que o adversário tivesse tempo para sair do gude preso, ou seja, empatar o placar de 1 a 0 que levava seu time ao triunfo. O futebol perdeu a graça. É futebol demais. E futebol de menos. O da Bahia, por exemplo, perde para o que os meninos do Botafoguinho, do Ginásio de São Bento, jogavam, nas décadas de 1950 e 1960 do século passado.

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Comentários

Gilson Nogueira on 18 outubro, 2016 at 18:16 #

A inspiracao de Gilson Nogueira eh ilimitada e ele exercita esse dom em qualquer assunto a que se proponha desenvolver. Sou fan ha muito tempo desse brilhante jornalista!!!


Gilson Nogueira on 18 outubro, 2016 at 18:27 #

Caro Vítor, editor do BP, por um lapso, ao encaminhar a crônica para alguns amigos, seguiu,junto a ela, meu nome email, o que,certamente, proporcionou, ao autor da mensagem,o honroso elogio ao modesto repórter de todos os dias,utilizando a área de comentário sem digitar o nome dele, o que, entendo, poderà ser feito, agora, por gentileza, ao ler o pequeno toque que dou, como se fosse em uma bola cibernética, para alegria geral dos
bepenianos. Abs gerais GN


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