Conselheiro do mal num Canudos inexistente

Com informações que o faziam crer na prisão, hoje, de Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, pede uma vigília “de proteção ao ex-presidente”.

“É importante pensar em uma forma de mobilização”, disse Falcão, e mais adiante: “Temos de estar preparados para nos mobilizar rapidamente”.

A declaração remete imediatamente à conversa telefônica de Falcão com o então ministro Jaques Wagner, em março, quando o Ministério Público paulista pediu a prisão preventiva de Lula no caso do tríplex.

Wagner sugeriu: “Eu acho que tem que ficar cercado em torno do prédio dele [Lula] e sair na porrada, Rui”. O presidente do PT não concordou: “Tem nada”. O ministro recuou: “Não, tudo bem, ué. Mas tem que cercar tudo”.

A nova investida de Falcão dá a impressão de que agora ele concorda com a tese de Wagner, pois, ante uma eventual decisão da Justiça e fora dos recursos legais, não haveria como dar “proteção” a Lula senão pelo apelo físico.

Teríamos, portanto, a ser defendido num Canudos imaginário um Conselheiro do mal. O autêntico, no final do século XIX, em seu arraial, agregou flagelados, índios, ex-escravos e outros desvalidos dispostos a defendê-lo até a morte, como fizeram.

Mas agiram assim porque nele viam, muito além do profeta, o líder político sob o qual viviam em paz e irmandade, numa sociedade produtiva que a aristocracia dominante precisou exterminar pela própria sobrevivência.

O nosso Conselheiro redivivo preferiu outro tipo de aliança, com banqueiros, empresários e políticos viciados que jurou combater, enquanto, com pose de santarrão, deixava cair migalhas da mesa dos glutões. Esse tipo de amigo não costuma ser solidário.

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Lançamento no Irae

Data: 17/10/2016
10:01:33

Será às 18 horas de quarta-feira, na sede do Instituto Rômulo Almeida, o lançamento do livro “As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo”. O autor, engenheiro e professor Fernando Alcoforado, fará palestra sobre a obra.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2016 at 10:06 #

A hora do desnude se aproxima

Quando a delação da máfia soteropolitana, composta pelas “famílias” Odebrecht e OAS vierem a tona, certamente cairá nas malhas da justiça uma parte considerável dos políticos atuantes na Bahia, nas últimas décadas. Família mafiosa que se preze cuida bem de seu quintal.

Um bom divertimento, saudável até, é tentar elencar uma meia dúzia, se tanto, de políticos baianos que restaram imunes à cooptação mafiosa.

Alguém se arrisca?


luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2016 at 10:19 #

Traduzindo, especulações sobre 2018, especialmente sobre o futuro governador baiano, ignorando-se as delações e suas consequências, como se a corrupção destas famílias atingissem, somente Brasília, parecem ser exercício alienante e temerário.


luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2016 at 10:20 #

Quantos avarandados existem em Salvador?


luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2016 at 10:55 #

Por outro lado, Contos da Carochinha, parecem viciar. Os corruptos abundam em Brasília e mimetizam cacifes eleitorais em Salvador. Ou seriam caciques?


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