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Postado em 17-10-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-10-2016 13:15

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Entrevistas / Política

por
Fernanda Chagas, Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio

Governador da Bahia por oito anos e ex-ministro da então presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner vai ter um papel fundamental nos próximos anos na reconstrução do PT e no fortalecimento da política no estado.

Em entrevista exclusiva à Tribuna, o ex-governador falou sobre temas importantes, como atual cenário da política brasileira, o impeachment e as investigações da Operação Lava Jato que atingem o ex-presidente Lula. Para ele, o PT não é um partido de santos, mas está longe de ser um símbolo da corrupção. Wagner revelou ainda que vai se dedicar à Bahia até 2018 e não descarta concorrer a uma vaga no Senado. Confira, no BP, trechos da entrevista de duas páginas na TB, que rendeu a principal manchete do jornal baiano na edição desta segunda-feira, 17.

Tribuna da Bahia – Ao falar com os baianos, o seu grau de responsabilidade aumenta. Qual a leitura que o senhor faz do momento da política do país?
Jaques Wagner – Hoje como democrata, como pai, como avô e político militante, estou extremamente preocupado. Acho que a essência de uma política madura é a existência de partidos políticos consistentes, com ideologias, ideais. Infelizmente, eu não vou generalizar, mas hoje estamos vendo uma proliferação, dispersão de partidos políticos, que nós não temos 40 projetos de país, 40 ideologias. Hoje, em número de partidos, nós só perdemos para o Haiti, que tem 80, 90 partidos. Eu continuo dizendo que ao contrário de sinalizar o vigor da democracia brasileira, significa um risco para a democracia porque fica ingovernável. Imagina o presidente da Câmara para fazer a pauta da semana, a reunião de líderes tem 35, 40 em torno de uma mesa, é algo que fica praticamente impossível. Eu continuo me digladiando por aquilo que eu acho mais importante. A democracia para funcionar precisa ter regras, partidárias e eleitorais, que alimentem uma boa democracia. Aí eu acho que nós temos que, definitivamente, acabar com o mercado do tempo de televisão. Se o partido não vai ter candidato, o tempo não é dele para mercar com outros que vão ter candidatos. O tempo vai ser dividido por aqueles que são candidatos. Isso eu acho absolutamente normal. Temos que acabar com a coligação proporcional, continua sendo o grande estelionato eleitoral. O nome já diz, a Câmara dos Deputados é a casa da proporcionalidade, por isso, todas as suas regras são pela proporcionalidade, diferente do Senado, onde os senadores são votos majoritários. Se ela é proporcional, cada partido terá um número que obtiver se apresentando perante a sociedade, e não debaixo de um guarda-chuva. Ai podem falar, ‘ah, mas o PT também faz’, lógico, essa é a regra e eu me penitencio pelo PT não ter feito essa mudança de regra, uma reforma política simples, mas objetiva e prática no auge da nossa popularidade no primeiro mandato do presidente Lula. Esse ano os partidos políticos com fundo partidário, que é dinheiro público, distribuíram para os seus candidatos fazerem campanhas. Eu estou preocupado, por conta desta desorganização, essa judicialização da política passamos a viver uma subversão que é criminalização da política e quase a canonização de determinadas instituições que tem o abrigo da estabilidade, as instituições do estado, os concursados. Eu não tenho nada contra os concursados, mas digo sempre, quem quiser dizer o destino desse país, precisa disputar votos e entrar na política. Se o cidadão que é vitalício começa a mandar muito, vira ditadura, autoritarismo. Por isso eu estou preocupado.

Tribuna – O PT foi o partido que mais perdeu espaço nessa última eleição, inclusive aqui na Bahia. Como o senhor analisa esse cenário?
Wagner – Desde o episódio chamado de mensalão o PT vem sendo chamado o tempo todo de o partido da corrupção. Eu vou trazer à baila um ideólogo do Nazismo que diz que uma mentira contada três mil vezes vira uma verdade. Seguramente o PT não é um partido de santos, mas de homens e mulheres e, por tanto, como qualquer partido, qualquer corporação, tem pessoas certas e erradas. Aí eu acho que é a lei do país que vai alcançar os que tiverem errados, mas seguramente nós não somos nem fundadores nem detentores desta exclusividade. O que eu acho que está errado, e digo de novo, é a máquina e a forma de fazer política. A máquina de fazer política até a última decisão era de que você tinha financiamento privado, e financiamento privado com campanhas cada vez mais caras, foram moendo todo mundo, todo mundo desesperado para saber como vai fazer a próxima campanha. Completamos 13 anos e meio de governo e quem apanha é quem está no poder. Quem faz oposição faz bater, quem está no poder é reclamado, isso é normal. Às vezes alguns do PT falam: ‘há, porque não falam do PSDB?’, porque quem era o governo federal éramos nós. Quando for o PSDB, o PMDB no governo, o questionamento vai ser feito a eles, isso é inevitável. Eu acho que aqui na Bahia, dentro da base aliada estamos em uma situação extremamente confortável, 280, 290 prefeitos. A oposição cresceu? Se eu não for olhar para mim mesmo, que em 2006 ninguém acreditava e cresci, venci no primeiro turno, depois em 2010, em 2014, se eu achar que essa hegemonia é eterna, vou cair no mesmo erro dos que me antecederam e acharam que seriam eternizados. Eu acho que política é isso mesmo, sobe e desce. O PT, por ser na Bahia nove anos e meio de governo e nacionalmente 13 anos e meio, tem os seus desgastes, o que é normal. Isso é o jogo normal da política. Se você perguntar se gosto, eu não gosto, mas encaro com grau de naturalidade e sem desespero. Então, é óbvio que teve o peso do desgaste do PT, mas nem todas as derrotas nossa foram em função disso. Vou citar um exemplo bem claro. Camaçari. A briga de Caetano com Ademar é parte da variável que fez a gente ser depenado lá. Aqui em Salvador, a demora na escolha do candidato, a busca do entendimento da base para apresentar. Alice foi apresentada como candidata faltando 45 dias do pleito. ..

LEIA INTEGRA DA ENTREVISTA DE JAQUES WAGNER NA EDIÇÃO IMPRESSA DA TB.

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