CRÔNICA

Cada qual com seu currículo

Janio Ferreira Soares

Por esses dias fiz uma coisa que foge totalmente ao meu estilo. Pressionado por uma filha (se você as têm sabe que quando elas insistem em algo seus princípios vão às favas) escrevi a um amigo com aquela conversa mole de pai quando quer dar uma força na biografia da cria. Educadamente ele pediu seu currículo e antes de enviá-lo resolvi lê-lo, até para saber o resultado das dezenas de boletos pagos nos acréscimos do tempo regulamentar que os códigos de barra permitem. Simbora.

Inicialmente achei-o curto, no que ela respondeu que “a tendência agora é essa, papi!”, como se esse velho escriba – oriundo de uma época onde pedir o currículo a alguém seria o mesmo que implorar uma frase mandando-o tomar bem no meio da popularíssima palavra formada pelas duas primeiras letras do vocábulo em questão -, entendesse alguma coisa sobre humores do mercado.

Na sequência, fiquei matutando sobre o assunto e descobri que nunca mostrei o meu a ninguém (ops!), mesmo porque jamais o tive. Em assim sendo – e aproveitando esses dias primaveris explodindo em bougainvilles e coitos passarinhais em meu quintal -, penso ter chegado a hora de escrever um breve resumo de mim, que servirá, quando nada, como uma espécie de folha corrida para ser apresentada ao setor de recrutamento celestial (ou infernal, a chance é parelha), quando – toc, toc, toc – minha hora chegar.

Primeiramente pensei em fazê-lo tipo, “Janio, filho de Cecília, escreve quinzenalmente no jornal A Tarde…”, mas aí seria apenas mais um para concorrer com, digamos, “Antonio Prata, filho de Mário Prata, cronista dominical da Folha de São Paulo…”, aí já viu, né?, chance zero. Dessa forma, cogito acrescentar um molho e dizer, por exemplo, que estudei Cultura Baiana com mestre Cid Teixeira, ou então confessar detalhes daquele festival de rock na Ilha de Itaparica em 1977. Quem sabe assim, posso descolar um estágio na Folha do Purgatório, aguerrido jornal onde João Ubaldo e Glauber escrevem sobre o que rola nos confins do limbo.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura da Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

BOA TARDE!!!

ARTIGO DA SEMANA

Dylan, Nobel: um golpe na desesperança

Vitor Hugo Soares

“É a última hora do último dia do último ano feliz e sinto que um mundo desconhecido se aproxima”. (Bob Dylan, na letra da balada folk “Cross the Green Mountain”, da trilha sonora do filme “Gods and Generals” (Deuses e Generais).

Bob Dylan é Prêmio Nobel de Literatura. Às vésperas de atravessar o portal dos 72, neste outubro de geléia geral e desencontros no Brasil (salvo pelo futebol solidário, alegre e competitivo da seleção de Tite a caminho da Rússia), o jornalista pensa com os seus botões: é difícil imaginar algo mais delicioso e de tão reconfortante sabor de presente antecipado de aniversário. Principalmente em se tratando, como é o meu caso, de um antigo passageiro da nau dos insensatos dos anos 60/70, sobrevivente neste meado de primavera no Hemisfério Sul.
Direto ao fato motivador da sensação: abri o portal português “Eu Sou Jornalista”, pouco antes do meio dia em Salvador, na quinta-feira, 13, e dei de cara com a informação estampada na manchete do Diário de Notícias, de Lisboa: “Bob Dylan é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura ee 2016”.
Quase ao mesmo tempo, enquanto tempera o almoço e vê a televisão ligada na cozinha no “Encontro com Fátima Bernardes”, Margarida (também jornalista e viajante do mesmo barco de sonhos e projetos existenciais) grita para o gabinete onde busco no computador um tema menos rotineiro para o artigo da semana: “Você já sabe da última, de Bob Dylan?”.
Penso então, com os dedos frenéticos já correndo pelo teclado do PC: mistérios e magia circulam livre e loucamente no ar. Sinto pena dos que não acreditam no peso do imponderável no caminho das pessoas, das coisas, dos países, da humanidade. Constato em seguida que o poeta, músico e líder referencial da cultura e do comportamento da sua geração (a minha também) e de outras seguintes por décadas, 75 anos a caminho dos 76, norte-americano de Minessotta, é o primeiro cantor a receber a distinção, por “ter criado novas expressões poéticas na grande tradição da canção americana”,conforme sintetizou a secretária-permanente da Academia Sueca, Sara Danius, na cerimônia de anuncio da distinção e valiosa premiação, sob todos os aspectos.Em face do espanto, desassossego e até ensaios de vaias ridículas de alguns “jornalistas especializado” diante do fato inesperado e instigante (que profissionais do jornalismo deveriam saudar e acolher com entusiasmo), Sara completou: “Ele (Dylan) pode ser lido e deve ser lido”. E a esplêndida notícia começou a ganhar o planeta inteiro, já nos minutos seguintes.
Embarco então nas asas da memória e vou parar em um banco da Praça da Piedade, em Salvador, vibrante e antenada Cidade da Bahia do começo dos anos 70. Recém casado, de férias do Jornal do Brasil ( onde já chefiava a redação da sucursal na Bahia) – traço com Margarida os últimos detalhes do plano de viagem de lua-de-mel na Califórnia, então em plena revolução da chamada contracultura, tocada por garotos cabeludos e metidos em calças boca de sino (como eu) -, marcada para dali a três dias, com embarque no aeroporto internacional do Rio de Janeiro.
Amar e ser feliz, livremente, ao som e mandamentos das letras das canções de Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones e Victor Jara (proibido pelas ditaduras vigentes na época no Brasil e no Chile), era tudo (ou quase) que eu mais queria. Hospedado na casa da mana Regina (uma romântica advogada recém formada da UFBA) e do compadre chileno Oscar Vallejos, que já moravam por lá. Casados, por procuração, depois do incrível encontro no Farol da Barra, durante uma reunião internacional de hippies realizada na culturalmente efervescente capital baiana de então. Em seguida, o Jumbo da PanAm ( um edifício voador), 18 horas no ar, na rota pela América Central, passando pelo Panamá, Guatemala, México, até chegar aos Estados Unidos pelo portão de entrada de Los Angeles, no aeroporto coalhado de Hare Chrisnas entoando seus salmos. E, após a troca de avião, o vôo para San Francisco, paraíso na terra das composições de Dylan e da revolução da juventude que me fizera ir tão distante.
E as idas a Berkeley e aos recantos e pontos de encontros de sua revolucionária universidade. Regados a conversas livres e libertárias, vinho “y otras cositas mas”, evidentemente, para não caretas do meu tipo. Além da boa comida em lugares onde você poderia se bater a qualquer momento com Angela Davis, Joan Baez ou o próprio Dylan. “E Blowing with the Wind” rolando solta no ar. Mas a história é comprida e não cabe toda neste espaço.
No jornal espanhol El País, em texto denso e brilhante de informação e análise sobre vida e obra do vencedor do Nobel de literatura – intitulado “O belo outono de Dylan”-, Fernando Navarro assinala: “esquivo diante do seu próprio mito e imerso em seu modo de vida totalmente pessoal de entrega à música e à estrada, Bob Dylan chega aos 75 anos, quase mais ativo do que nunca, embora sua obra não reverbere mais na consciência coletiva contemporânea com tanto fervor como em outros tempos.Com a mesma expressão que o acompanha desde os primeiros anos, como quem dois passos à frente ou pelo menos se sabe dono de seus passos e no seu ritmo”. Perfeito!
Sobre que outro músico e poeta, no Brasil ou no mundo, se poderia dizer o mesmo? Responda quem souber.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Saudemos Dylan na voz e poesia de Baez.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
15
Posted on 15-10-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-10-2016

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Um estímulo ao linchamento de Cunha

Chega a ser uma covardia das grandes redes de TV expor sem nenhum questionamento ou reprovação a cena em que o ex-deputado Eduardo Cunha é insultado e agredido num aeroporto por alguém que um repórter definiu como “uma senhorinha”.

Cunha foi destituído da presidência da Câmara e do mandato parlamentar pelo cometimento presumido de uma série de crimes, e por causa deles está enrolado em instâncias judiciais.

Pelo que se diz, pegará até cadeia e perderá bens que teriam sido obtidos por corrupção, mas até lá é preciso que se respeite pelo menos a integridade física de um cidadão que não está privado dos seus direitos.

O que deseja a mídia ao valorizar sem crítica um episódio tão degradante? Que Eduardo Cunha, um dia, seja linchado em local público por onde ouse transitar?

Renomado âncora riu muito com o fato, embora a velhinha indignada do vídeo seja apenas um retrato da abjeta raça humana, que se compraz em condenar e dá uivos de contentamento se puder aproveitar-se da desgraça de terceiros.

out
15

DO BLOG O ANTAGONISTA
Quase deu

Novo presidente do TST favorável à PEC 241, Ives Gandra Filho comprou briga com outros ministros da corte ao retirar da Câmara vários projetos de lei que previam a criação de centenas de cargos em tribunais regionais espalhados pelo Brasil.

Alguns desses projetos tiveram tramitação prioritária, como o que previa 636 novos cargos de analista judiciário no TRT da 9ª região.

Quem esperava ansiosamente pela vaga era Tayhani de Queiroz Cachoeira, enteada do ministro do TST João Oreste Dalazen. Tayhani foi a 269ª colocada, mas recorreu à Justiça para melhorar sua posição.

Seu pedido, porém, foi negado. Na decisão, a desembargadora Vivian Pantaleão Caminha ressaltou a “notória penúria orçamentária da Justiça do Trabalho”.

“Na remota hipótese de convocação de multidão de aprovados, haverá edital e, portanto, tempo suficiente à reavaliação do periculum in mora.”

Tayhane tenta, desde 2012, entrar na Justiça do Trabalho. Além do TRT da 9ª Região, ela concorreu ao TST (1162º), ao TRT da 3ª. Região (398º), ao TRT da 4ª Região (637º) e também ao TRT da 15ª Região (636º).

A retirada de pauta dos projetos adia o sonho da jovem.

out
15
Posted on 15-10-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-10-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


DO EL PAIS

Heloísa Mendonça

São Paulo

Nos próximos dias, os motoristas devem começar a encontrar gasolina e diesel um pouco mais baratos nos postos de todo país. Nesta sexta-feira, a Petrobras anunciou que reduzirá o preço dos combustíveis nas suas refinarias, o que não acontecia desde 2009. A estatal decidiu diminuir o valor do diesel em 2,7% e o da gasolina em 3,2%. Os novos preços entrarão em vigor neste sábado.

Com a redução, a Petrobras estreia uma nova política de preços, baseada na paridade internacional dos produtos no exterior e revela a intenção de enviar um sinal de força aos investidores: apesar dos problemas de caixa, a companhia diz estar pronta a abraçar novas práticas de transparência e com menos dependência de seu acionista majoritário, a União.

A decisão da companhia levou em conta também o crescente volume de importações de combustíveis. Com os preços menores no exterior, a estatal está perdendo mercado no Brasil. “O aumento das compras externas vem sendo observado especialmente no caso do diesel, onde, a entrada de produtos já responde por 14% da demanda do país. No caso da gasolina, as importações cresceram 28% ao mês entre março e setembro deste ano”, explica a empresa em comunicado. A queda do dólar também contribuiu para a decisão. A partir de agora, serão realizadas reuniões mensais para avaliar os preços, com resultados divulgados à imprensa e por meio dos canais de relacionamento da companhia.

Para especialistas, a decisão revela que a empresa – em xeque após o descobrimento de um dos maiores esquemas de corrupção do país, investigado pela Operação Lava Jato- já conseguiu melhorar sua saúde financeira, ainda que o quadro atual seja ruim. Hoje a dívida da Petrobras chega a 125 bilhões de dólares (408,7 bilhões de reais), uma das maiores dívidas de petroleiras do mundo, e o objetivo é reduzi-la a metade. O novo plano de negócios da estatal prevê arrecadar 19,5 bilhões de dólares com a venda de ativos (desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018, além dos 15,1 bilhões de dólares projetados em vendas de ativos entre 2015 e 2016. Segundo o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Ivan Monteiro, essa nova política de preços não altera a meta da companhia. A medida pode acarretar uma queda de receita, mas, como um todo, não vai impactar o planejamento estratégico, segundo Monteiro.

Atualmente o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras é cerca de 15% acima da média do preço internacional e o último aumento de combustíveis aconteceu em setembro do ano passado. Desde então, a estatal conseguiu um elevada margem de lucro, permitindo à estatal recuperar parte das perdas que teve no período com o governo de Dilma Rousseff obrigou a manter os preços defasados artificialmente. Segundo o site G1, pelos cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), as diferenças de preços proporcionaram para a Petrobras, somente no primeiro semestre deste ano, um ganho potencial de cerca de 15 bilhões de reais – 11,8 bilhões com a gasolina e 3,2 bilhões com o diesel.
Impacto para o consumidor

O impacto desta redução de preços para o consumidor final vai depender, no entanto, da decisão das redes de combustíveis e das distribuidoras. Segundo estimativa da Petrobras, se essa redução aplicada na refinaria for integralmente repassada, o diesel poderia cair 1,8%, o que representa uma queda de cinco centavos por litro, e a gasolina recuaria 1,4%, que também significaria menos cinco centavos por litro no preço final.

O presidente do sindicato dos donos de postos de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Gouveia, calcula que os postos começarão a repassar o reajuste da gasolina e diesel a partir de segunda-feira, já que o estoque do fim de semana já foi comprado.Gouveia alerta, porém, que a redução do valor da gasolina deve ser menor que a estimada pela Petrobras já que o preço do Etanol, que representa quase um terço (27%) da composição da gasolina C, vendida nos postos, subiu. “Com o Etanol mais caro e também com o aumento do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços], vai acabar ficando elas por elas. Na verdade, o preço da gasolina não vai subir, mas também não vai cair tanto”, explica. Já o preço do diesel deve cair cerca de 4 centavos, segundo a previsão de Gouveia.

O economista André Braz, coordenador do IPC do FGV/ IBRE, ressalta que efeito mais importa da mudança para a economia é que, com as reuniões mensais, será mais fácil prever a tendência dos preços. Sobre a redução anunciada nesta sexta, Braz avalia que apesar de não puxar tanto a inflação para baixo, já significa algum tipo de redução de gastos das famílias brasileiras. “Hoje a gasolina compromete 4% do orçamento, então qualquer queda de preço é bem-vinda. A do diesel também é relevante já que reflete no custos de transportes de cargas e até no transporte público. Além disso, é muito importante que o combustível reflita o preço internacional, do mercado e paremos de ficar defasados”, afirma.

Ainda segundo Braz, a nova política que pode contribuir para a queda da inflação soma-se às notícias que preveem uma expectativa de melhora da economia – como a aprovação da PEC do teto de gastos- e pode contribuir para que o Banco Central tenha mais segurança ainda de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, que desde julho do ano passado está em 14,25% ao ano.
Decisão empresarial

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, deixou claro em coletiva de imprensa, que o Governo Federal, acionista majoritário, e o Conselho de Administração da empresa não foram previamente informados sobre os percentuais do reajuste. E que a petroleira não levou em conta os impactos na inflação nem na economia brasileira. “Isso foi uma decisão que levou em conta o interesse e os aspectos inerentes à própria companhia. Tem a ver com a economia para a empresa e não tem nada a ver com a economia em geral”, disse.

O economista Alexandre Chaia, professor do Insper, concorda que o movimento é empresarial e não uma ação para ajudar o Governo, como aconteceu no passado. “A mensagem que a estatal passa é que já equilibrou suas contas, que não precisa de excesso de caixa e quer agora se tornar mais competitiva”, explica.

Para Chaia o passo dado pela empresa foi bastante acertado ainda que alguns especialistas defendem que a Petrobras deveria ter esperado a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), marcada para novembro, que poder resultar em uma alta do preço e obrigar a estatal a anunciar um novo reajuste. “A empresa poderia ter sido mais cautelosa, mas o que quis mostrar é que já passou o pior momento e que o preço agora será flutuante”. O movimento agradou o mercado. As ações da companhia registraram forte valorização nesta sexta. Os papéis ordinários fecharam esta com alta de 2,29% e as ações preferenciais subiram 3,17%. O desempenho da estatal refletiu no índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, que encerrou o dia com alta de 1,06%, aos 61.767 pontos.

De acordo com a consultoria Eurasia, a decisão da nova política de preços indica o desejo da Petrobras de aumentar a sua credibilidade com potenciais investidores e também um sinal de maior confiança na situação financeira da empresa. Além disso, segundo o relatório da consultoria, a política mais transparente de preços também ajudará a Petrobras a conseguir vender uma parte de seu braço de distribuição, a BR Distribuidora.

A nova política a ser praticada pela companhia terá como princípios: o preço de paridade internacional (PPI), que já inclui custos como frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias; uma margem para remuneração dos riscos inerentes à operação, tais como volatilidade da taxa de câmbio e dos preços, sobre-estadias em portos e lucro; além de tributos. A política também visa preservar o nível de participação no mercado e garantir que os preços nunca fiquem abaixo do valor internacional. A última vez que a Petrobras reduziu os preços da gasolina e do diesel foi em junho de 2009, quando o valor do primeiro caiu 4,5% e o do segundo foi reduzido em 15%.

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