Ave Maria dos armênios, na voz e interpretação fabulosa de Charles Aznavour.
Eternidade para Ulysses

BOA NOITE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Ulysses rompe o cerco no 1º de Maio em Salvador

ESTE ARTIGO FOI PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 8 DE AGOSTO DE 2015, SIMULTANEAMENTE NO BLOG DO NOBLAT, NA EDIÇÃO IMPRESSA DA TRIBUNA DA BAHIA E NESTE SITE BLOG QUE EDITO EM SALVADOR.VAI REPRODUZIDO NESTA QUINTA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO, DATA EM QUE ULYSSES FESTEJARIA 100 ANOS, SE VIVO ESTIVESSE, NO TRIBUTO DO BP AO NOTÁVELE IMORTAL PENSADOR POLÍTICO, PARLAMENTAR E HOMEM PÚBLICO DO BRASIL. A ELE DEVEMOS TAMBÉM A CONSTITUIÇÃO DE 1988, A CONSTITUIÇÃO CIDADÃ, QUE ESTA SEMANA COMEMOROU 28 ANOS DA PROMULGAÇÃO.
VIVA ULYSSES!

(Vitor Hugo Soares)

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Máximas de Ulysses, reincidência de Dirceu, aviso das ruas

Vitor Hugo Soares

“Não há Direito nem Liberdade para o mal”. Eis uma das mais sintéticas e verdadeiras máximas de Ulysses Guimarães. O pensamento do saudoso parlamentar e estadista ganha especial relevância e atualidade nesta semana da nova prisão de José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil do Governo Lula, já condenado por corrupção no processo do Mensalão (relatado no Supremo pelo ministro Joaquim Barbosa). Agora, reincidente, ele terá que responder pela agravante acusação de “enriquecimento pessoal ilícito”, perante o juiz Sérgio Moro.

Semana também do programa político do PT, apresentado em rede nacional na agitada noite de quinta-feira, 6, cheirando a fósforo e gasolina espalhada em pleno horário nobre da televisão brasileira. Ancorado pela presidente Dilma Rousseff e seus coadjuvantes petistas Rui Falcão, Lula e o ator José de Abreu (em desempenho mais caricato que do inverossímil e tresloucado mendigo que encarnou na novela “Avenida Brasil).

Um espetáculo de incrível precariedade e insensatez sob qualquer ângulo de observação e análise. Medíocre, mambembe, quase chinfrim (tanto do ponto de vista do formato e do conteúdo geral – comparados com outros programas do gênero -, quanto sob o estrito ângulo de peça de marketing partidário ou de propaganda institucional).

Só superado, talvez, pelo inglório, grotesco e insano ato de provocação pública protagonizado, no plenário do Congresso, pelo senador e ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello (banido do cargo supremo de governo por corrupção), ao chamar (entre os dentes raivosos) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de “filho da puta”.

A reação negativa foi simultânea e para jamais ser esquecida. Enquanto o programa transcorria, levantou-se um clamor de ensurdecer, na noite das capitais e de centenas de grandes e pequenas cidades do País. Onda avassaladora de indignação e protestos: Caçarolaços, businaços, apitaços, foguetaços e todos os aços possíveis de imaginar. Além de momentos de marcante originalidade, sentimento ético e de cidadania. Emoção à flor da pele e tudo na direção contrária das cenas do programa petista na TV.

O exemplo mais bonito e significativo, talvez: o saxofonista tocando um solo de arrepiar do Hino Nacional na sacada de um prédio na escuridão da noite em Salvador, durante os 10 minutos de duração do programa do PT. No fim, com as panelas ainda batendo contra o show de arrogância, insensibilidade e provocação de Dilma, Lula, Rui Falcão e José de Abreu, os aplausos e gritos de entusiasmo das ruas, dirigidos ao músico da Bahia em sua sacada. O vídeo gravado começou a correr as redes sociais logo em seguida e não há peça melhor que sua exibição, na convocação dos protestos nacionais de rua contra a corrupção e o governo Dilma, marcado para o dia 16. A conferir.

E estamos de volta à máxima de Ulysses na abertura deste artigo. Está na coletânea das 100 melhores frases do parlamentar brasileiro. Recolhidas e selecionadas por sua mulher, Mora Guimarães, lustram e ilustram a abertura de “Rompendo o Cerco”, livro referencial sobre lutas e pronunciamentos de Ulysses ao longo dos anos de resistência e brilho parlamentar.

Merece e deve ser relembrada nesta primeira semana de agosto (o mês promete ser digno como nunca da sua tradição de desgostos e eclosões de fatos surpreendentes na vida política nacional). Marcada por nova etapa da Operação Lava Jato – cada dia mais firme e inclemente na ação de profilaxia nacional contra malfeitos e malfeitores – que levou de volta à cadeia José Dirceu. Um quase renegado, atualmente, na cela da carceragem da PF em Curitiba.

“Rompendo o Cerco”, cujo título é inspirado – a Bahia jamais esquecerá – na participação épica de Ulysses em episódio histórico de resistência nas ruas de Salvador, na noite do 1º de Maio de 1978, é referencial. Foi publicado antes do político desaparecer na trágica queda do helicóptero que o conduzia, em tarde de tempestade, na volta de um feriadão na região dos lagos (RJ) para São Paulo.

O corpo de Ulysses jamais foi encontrado. “Segue encantado no fundo do mar”, crê firmemente e proclama por escrito em verso e prosa o advogado e poeta de Marília (SP), Luiz Alfredo Motta Fontana. Repórter da sucursal baiana do Jornal do Brasil, nos idos de maio de 78, recebí um exemplar das mãos de Ulysses, com uma das dedicatórias mais honrosas da minha vida profissional.

Isso é para dizer: Senti o espírito e as palavras de Ulysses flutuando, mais cedo, na encrespada quinta-feira, sobre o Congresso, no Planalto Central. E à noite sobre os céus do Brasil, durante o programa do PT e dos caçarolaços em Salvador e em todo País. Acredite quem quiser. Só lembro, para terminar, que é também do sábio timoneiro da política brasileira, outra frase lapidar e atualíssima: “Que beleza o convite de Jean Cocteau: Fechamos com doçura os olhos dos mortos. Com a mesma doçura devíamos abrir os olhos dos vivos”. Grande Ulysses! Na mosca!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


A primeira-dama Marcela Temer, no Palácio do Planalto. EVARISTO SA AFP


DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Quando o nome de Marcela Tedeschi Araújo Temer foi anunciado pelo cerimonial da presidência ao menos 20 telefones celulares e tablets foram levantados pela plateia de 200 espectadores. Queriam filmar o momento em que a primeira-dama, uma advogada de 33 anos que concentra todos os holofotes sempre que aparece, fazia sua estreia política. Marcela gastou três minutos de discurso para lançar o programa social Criança Feliz, que promete acompanhar as crianças de até três anos de idades mais vulneráveis do país, do qual ela será “embaixadora voluntária”.

Vista como uma tentativa de refrescar a imagem da gestão de seu marido, um Governo aprovado por apenas 14% da população e em busca de uma marca no social, a participação de Marcela era amplamente esperada e dada como alvo certo de controvérsia, tanto pela volta do “primeiro-damismo” clássico -após uma presidente mulher- como pela reação ao pouco espaço e prestígio conferido por Temer às mulheres no primeiro escalão _na cerimônia desta quarta, o presidente não escaparia de novas críticas.

Visivelmente nervosa, antes de iniciar sua fala de estreia na vida pública no Palácio do Planalto, a primeira-dama tomou um gole d’água, respirou fundo, fitou a plateia e emendou um bom dia pausadamente. A dicção clara, apesar da leitura excessivamente pausada, aliás, surpreenderam até quem trabalha com ela. Os gestos com as mãos foram delicados e, aparentemente, bem treinados. Em nenhum momento ela deixou de olhar para o público.

Nesta primeira vez em um púlpito, a primeira-dama tratou do tema sobre o qual ela se dedicou quase exclusivamente nos últimos sete anos, o da criança, com a educação do filho, Michelzinho. Desde que se graduou em direito em 2009, a ex-miss da cidade de Paulínia (SP), 43 anos mais nova que Temer, deixou de trabalhar fora de casa. Antes, tinha sido recepcionista em um jornal e modelo.

“Cada vez que beijamos nossos filhos pequenos, que conversamos com eles, cada vez que os carregamos nos braços, que lemos uma história ou cantamos uma canção de ninar, estamos ajudando no seu desenvolvimento. O que nós mães percebemos instintivamente tem sido comprovado pela ciência, nós, pais cuidadores influenciamos de forma decisiva as crianças nos primeiros anos de vida”, discursou Marcela, para reforçar os pilares do Criança Feliz, que oferecerá orientações e acompanhará a rotina de beneficiários do Bolsa Família que tenham filhos de até três anos de idade, etapa considerada fundamental para a formação do caráter e da personalidade.

Ao fim do discurso, muitos aplausos – Marcela foi a única aplaudida de pé entre os quatro oradores – e um beijo na face direita dado pelo marido, que discursou brevemente. “Devo dizer que, a presença da Marcela, como embaixadora, assim rotulada pelo Osmar Terra, visa exatamente a incentivar as senhoras, mulheres do país, autoridades. Certa e seguramente, a Marcela um dia vai convidar as senhoras primeiras-damas e as senhoras prefeitas municipais, para estarem todas aqui em Brasília, para que não fique apenas como um programa da União, mas que seja como um programa da Federação”, disse Temer.

O trecho em que o presidente se dirige apenas a mulheres, inclusive apenas a autoridades mulheres, como prefeitas, para falar do programa destinado à primeira infância causou incômodo. Uma das parlamentares de sua base aliada que assistiu ao evento disse ao EL PAÍS, sob a condição de não ter seu nome publicado, sobre a declaração: “Sei que não é isso o que ele pensa, mas pelo seu discurso, parece que ele só vê a mulher em uma função social. Os homens precisam entender que somos protagonistas”.
Gabinete no Planalto e orçamento

A participação de Marcela no Criança Feliz, como a principal divulgadora das ações e palestrante, será uma espécie de estágio para ela. Caso se saia bem na função de embaixadora possivelmente atuará em outros programas, principalmente da área social. Para executar essa função, a primeira-dama conseguiu algo que nem mesmo os ministros mais próximos do presidente conseguiram, um gabinete próximo do dele, o restrito terceiro andar do Palácio do Planalto. Neste primeiro momento, ao menos quatro funcionários farão parte de sua equipe.

Algumas funções administrativas ainda não estão bem claras. Como ela não será remunerada, Marcela não terá a obrigação de bater ponto na sede da presidência. Mas precisará estar com uma certa frequência no local para poder discutir novas ações com seus funcionários.

O orçamento inicial do programa, sob a batuta do Ministério Social e Agrário, é de 300 milhões de reais para 2017. Essa quantia será ampliada para 800 milhões de reais para o ano seguinte. Em princípio, segundo o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, cerca de 600.000 crianças serão beneficiadas a partir do próximo ano. Entre os beneficiários do Bolsa Família há 3,5 milhões de crianças nessa faixa etária. “Vamos aumentar os atendidos gradualmente”, explicou Terra.

Todo o atendimento será feito por meio de profissionais contratados pelas prefeituras que quiserem aderir ao programa. A rede de atendimento será formada por visitadores, supervisores e multiplicadores. Os primeiros serão responsáveis por visitar 30 famílias por semana para repassar as orientações. Os supervisores, irão gerenciar essas equipes. E os multiplicadores serão os responsáveis pelos treinamentos. Os valores repassados pela União aos municípios variam de 1.600 reais a 8.000 reais por profissional contratado.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Conceito publicitário desconsidera “baixinhos”

A propaganda do governo do Estado, com o visível propósito de contrapor-se ao trabalho da Prefeitura, cometeu um erro da maior gravidade: criou o conceito da “obra tamanho G”, referência indireta à baixa estatura do prefeito ACM Neto.

O fato é imperdoável, especialmente num segmento político que se arroga a defesa das minorias, dos discriminados, num discurso politicamente correto que atazanou muitos ouvidos antes de a “esquerda” chegar ao poder.

A destacar, ainda, a falta de memória para o desastroso comício da então presidente Dilma em Cajazeiras, na campanha de 2012, quando disse que Salvador não poderia ter “um prefeito pequenininho”, e com isso deu contribuição importante para a vitória de Neto.

Pelas eleições de dois em dois anos

De vez em quando vem à tona a ideia da unificação das eleições, com a votação, no mesmo dia, de quatro em quatro anos, para todos os cargos eletivos – de vereador a presidente da República –, sob o principal argumento de redução à metade do orçamento eleitoral.

Perdas irreparáveis, entretanto, viriam, como a municipalização das campanhas nacionais e a retirada do direito do eleitor de manifestar-se sobre como estão se comportando no poder os eleitos dois anos antes e seus partidos.

Em Salvador, constatou-se que a população estava obviamente mais interessada nos temas locais, e a insistência da oposição em acusar o adversário de co-autor do “golpe” só fez alargar a derrota.

Se houvesse eleição presidencial simultânea, o desempenho do prefeito certamente “contaminaria” a votação do pleito nacional, gerando uma distorção nos resultados, que se somaria à influência peculiar de milhares de outros municípios.

Com os agradecimentos do BP ao poeta de Marília (SP).

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

MORO DÁ CINCO DIAS A LULA

Lula pediu 55 dias para apresentar sua defesa. Sérgio Moro lhe deu cinco dias e ainda foi bonzinho, pois o prazo se encerrava hoje.

Confira o despacho:

“Não há como se deferir prazo adicional de cinquenta e cinco dias, conforme requerido pela Defesa, o que representaria o lapso temporal entre a instauração do inquérito e o oferecimento da denúncia. Não há nenhuma base legal para essa pretensão e o prazo do MPF para oferecer a denúncia, de quinze dias, após a conclusão do inquérito, não tem qualquer relação com o prazo para a resposta preliminar, peça bem menos complexa e que não se presta ao esgotamento das alegações das partes.”

out
06
Posted on 06-10-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-10-2016


Miguel, no Jornal do Comércio (PE)

out
06


Da esquerda para direita: Sergio, Lindalva, Renan e Helton, na bicicletaria.
Todos votaram em João Doria. Foto Victor Moriyama

DO EL PAÍS

Talita Bedinelli

São Paulo

Na bicicletaria da rua São João Marcos, a 24 quilômetros do centro de São Paulo sentido zona leste, nenhum outro candidato teve vez. O dono da loja, Sérgio da Costa, sua mãe, Lindalva Caetano de Amorim, o montador de bicicleta Helton Carlos Lima e o vizinho desempregado Renan Almeida de Goes apertaram o 45 de João Doria no último domingo para elegê-lo prefeito. O único que destoava era o eletricista Jorge Bomfim, 30, que durante os reparos que fazia na loja explicou que preferiu votar em branco. Fosse há quatro anos, qualquer um que chegasse àquela loja escutaria do grupo um veredito diferente: todos, menos Renan, haviam escolhido Fernando Haddad.

Nas ruas do distrito de José Bonifácio, no extremo leste de São Paulo, a guinada foi total. Em 2012, Haddad foi ali o mais votado no primeiro turno: recebeu 24.426 votos, ou 34,7% dos votos válidos na região. No último domingo, apenas 11.974 pessoas apertaram o 13 nas urnas. Em números frios, isso significa que, em quatro anos, o atual prefeito de São Paulo perdeu, apenas neste distrito, 12.452 eleitores, 51% dos que haviam confiado nele em 2012. Neste ano, Doria não ganharia ali no primeiro turno, como ocorreu na cidade, mas com seus 44,62% de votos válidos mais do que dobrou a votação no PSDB na região: José Serra, em 2012, teve 12.753 votos (18,1% dos votos válidos); Doria, agora, 29.066.

Os moradores ouvidos pelo EL PAÍS afirmaram que o voto não reflete necessariamente um apoio ao partido tucano. Dentre os votantes de Doria, há quem diga que jamais votaria em José Serra ou no atual governador, Geraldo Alckmin. Mas todos dizem que sua decisão foi baseada na própria imagem de Doria, que durante a campanha se vendeu como um “gestor” e “administrador”, algo longe das figuras políticas tradicionais, o que reforça a tese de descontentamento do eleitor com o cenário político nacional. Essa leitura aumenta também as expectativas em relação ao Governo do novo prefeito, algo que atingiu, também, Haddad em 2012. O petista, na época, era o nome novo, um professor que não era um político tradicional. Assim como no resto da cidade, a primeira opção do moradores de José Bonifácio foi o não voto: brancos, nulos e abstenções somaram 38.043 eleitores, quase 9.000 a mais que os votos dados ao tucano. O distrito tem 103.182 eleitores aptos a votar.

“Minha ideia mesmo era votar em branco, mas mudei de opinião depois que o Doria falou no debate que vai colocar alguém do bairro para trabalhar na subprefeitura daqui. Tem que acabar com essa história de alguém que mora em Pinheiros vir administrar a região”, conta Sérgio, 34 anos. O comerciante diz que não considera que Haddad tenha feito um mau Governo, opinião compartilhada por todos ali, mas afirma que esperava mais de sua gestão. “Minha mãe já chegou a aguardar um ano por um exame no posto de saúde. É aquela coisa: a pessoa morre e não faz o exame”, conta. Para ele, o Corujão, programa prometido por Doria que pretende disponibilizar hospitais privados na madrugada para exames de usuários da rede municipal, pode funcionar como algo emergencial. “Se for rápido e as pessoas precisarem, elas vão”. Lindalva, que é de poucas palavras, concorda com o filho.

O desempregado Renan, de 22 anos, afirma se preocupar com a proposta do prefeito eleito de iniciar uma desestatização no município. “Acho essa história de privatizar tudo complicada. É preciso expandir os serviços do Estado”, pondera ele. Os amigos discordam. “Tem que vender mesmo! Olha o Pacaembu, só dá gasto! Nem o Corinthians joga mais lá”, destaca Sérgio, que veste um blusão branco e preto do time e acredita que o dinheiro a ser arrecadado com a venda e com as parcerias com o setor privado pode ser investido nos serviços públicos.
As ruas de José Bonifácio, na zona leste.
As ruas de José Bonifácio, na zona leste. Victor Moriyama

A algumas ruas de distância, a dona de casa Julia Ribeiro da Silva, de 45 anos, deixava o posto de saúde do bairro acompanhada da irmã e da filha. Para ela, o que pesou na decisão foi a imagem de que Doria é um “gestor e não um político”. “Votei no João porque é gente nova, que não tem carreira na política. Mas ele vai ter que melhorar a saúde. Os postos não têm pediatra e para marcar um ginecologista e um clínico a demora é de um ano”, reclamava ela. Resolver o problema da fila da saúde, que conta atualmente com 753.811 pedidos, é a principal prioridade para os paulistanos, segundo o Datafolha. Antes de Haddad assumir, o tema já recebia as maiores críticas.

A desilusão com um Governo no qual se nutria grandes expectativas é um mote comum nas justificativas dos novos eleitores tucanos. Helton, o montador de bicicletas, acredita que Haddad não priorizou as coisas certas. “Ele preferiu fazer essa coisa de wi-fi em praça, de ciclovia. É necessário, claro, mas não é o mais importante”, diz. “E teve a história das multas também”, complementa. O eletricista Jorge, de 30 anos, o único que votou em branco no grupo da bicicletaria, diz que deixou de votar no atual prefeito por isso. “Muitos radares instalados. Radar atrás de poste, pegadinha”. Em 2012, ele optou por Haddad depois de o petista anunciar que acabaria com a inspeção veicular obrigatória. O grupo, entretanto, discorda da intenção de Doria de aumentar o limite de velocidades nas marginais, outra medida de Haddad que despertou polêmica. Para eles, a velocidade mais baixa ajuda a salvar vidas.

Perto dali, o comerciante Marcos Santos Delila orgulha-se de ter influenciado “muita gente” a votar em João Doria. Eleitor de Lula e de Dilma, em todas as eleições, ele se queixa do envolvimento do partido com os escândalos de corrupção. “Não voto mais no PT. Só votei no [Eduardo] Suplicy [vereador mais votado de São Paulo] porque ele nunca fez nada de errado”, destaca ele, que nas municipais passadas votou em Gabriel Chalita, no primeiro turno, e em Haddad, no segundo – Chalita era, agora, o vice do atual prefeito. “Não achei que Haddad fez um trabalho bom. Ele prometeu muitas coisas e não fez. A única coisa boa foram os ônibus, que são novos, com wi-fi. Doria falou que vai mexer na educação, colocar mais médicos e mais remédios e prometeu luz de LED na cidade toda, o que aumenta a segurança. Ele é empresário, administrador, acho que tem caráter e acredito que vai fazer um bom trabalho.”
O comerciante Marcos Delila, que convenceu muitos vizinhos a votar em Doria.
O comerciante Marcos Delila, que convenceu muitos vizinhos a votar em Doria. Victor Moriyama

O gráfico Domingos dos Santos Araújo, de 65 anos, foi uma das 20.151 abstenções registradas pela zona eleitoral de José Bonifácio, um número 34% maior do que em 2012. Chegou minutos atrasado e não conseguiu votar, conta. Se tivesse acelerado os passos, seria mais um responsável por eleger o candidato tucano. “Mas é só mais uma coisinha e não voto mais em ninguém, nem a minha família”, ressalta ele, que diz que votou no PT a vida toda. “Agora votei no Doria pelo histórico dele, por ele ter começado de baixo, como o Lula”, compara, muito embora as duas biografias guardem diferença. “Ele é um trabalhador e convenceu a classe trabalhadora. Haddad só cuidou dos ricos”, lamenta.

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