DEU NA FOLHA

JOÃO PEDRO PITOMBO

DE SALVADOR

Reeleito para a prefeitura de Salvador com 74% dos votos válidos, maior vitória entre as capitais brasileiras, ACM Neto (DEM) desponta como uma das principais promessas de uma “nova direita” no país. Nesta entrevista, ele avalia o resultados das urnas em Salvador e em outras capitais e prevê um futuro de dificuldades para o PT, seu principal adversário na Bahia.

Folha – O senhor teve a maior vitória nas grandes capitais. Previu que fosse tão avassaladora?

ACM Neto – Nunca fui de me iludir, sempre tive pé no chão. Confiava numa vitória expressiva, não neste tamanho. Ninguém pode entrar numa eleição esperando 74% dos votos. Sei a relação que construí com o eleitor não em 45 dias de campanha, mas em quatro anos de trabalho.

Onde a oposição errou?

No começo, esperava que [Alice Portugal, do PC do B] a candidata oficial do governador [Rui Costa, do PT] pudesse ter 25% dos votos e os candidatos apoiados por ele, mais 30%. Existe aqui um eleitorado fiel ao PT. De um lado, não conseguiram alcançá-lo por causa do nosso resultado administrativo. Do outro, erraram muito. O PT entrou derrotado nesta eleição.

As urnas mostraram protagonismo da antiga oposição ao PT. Como avalia o resultado e o que prevê para o futuro?

O projeto político do PT está fadigando. Foi o partido que mais perdeu prefeituras nesta eleição, é um recado. Estão pagando pelos erros que cometeram, se perderam na velha lógica de que os fins justificam os meios. Por outro lado, a oposição ao PT teve vitórias importantes em São Paulo e Salvador. O cenário para 2018 está indefinido, ninguém sabe como vão se comportar as forças políticas.

Como avalia o governo Temer? A instabilidade política não pode prejudicá-lo?

O pós-eleição pode reduzir a tensão. O discurso do golpe não colou em lugar nenhum para efeitos eleitorais. Evidente que uma parcela da população era contra o impeachment, tenho pesquisas que mostram que, em Salvador, 60% da população foi contra. Mesmo assim, recebi 74% dos votos. O impeachment já aconteceu.

O Democratas pagou quase que integralmente a sua campanha. Como avalia este novo modelo de financiamento?

Tive condições muito específicas: eu era o principal projeto do partido em 2016. Mas para 2018, com eleições gerais, o fundo partidário não será suficiente nem para começar. O Congresso vai ter que mudar isso. Defendo hoje o financiamento público.

É uma mudança de posição?

Total, eu era contra o financiamento público. Percebi que no Brasil o financiamento privado foi estigmatizado. Os erros de alguns comprometeram todo o sistema.

A vitória de Doria em São Paulo fortalece Alckmin na disputa presidencial. O DEM embarcaria neste projeto?

A vitória de João Doria é uma vitória de Alckmin. Foi superlativa e que tem um significado político que não pode ser desconsiderado. Somos parceiros do governador, mas a prioridade do Democratas deveria ser um projeto político próprio. O senador Ronaldo Caiado seria um bom nome para isso.

O senhor elegeu como vice Bruno Reis (PMDB), de sua confiança. É um nome que te dá tranquilidade para deixar a prefeitura e disputar 2018?

Nem sob tortura trato de 2018. Bruno é um dos principais parceiros da minha vida pública, tem minha confiança e vai me ajudar como vice.

O senhor falou no domingo (2) que chegou a chorar ao receber o resultado. Por quê?

Ver que conseguimos construir uma relação com a cidade que talvez nenhum outro prefeito conseguiu. Quando você pega o mapa de Salvador e vê que tivemos mais de 70% em todas as zonas eleitorais, percebe que o resultado não foi por causa de campanha. Nosso governo foi uma realidade para as pessoas de toda a cidade. É isso o que me me levou às lágrimas.

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