DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Vazamentos podem evitar prisão e prejuízo

Ousaríamos dizer que nem a tropa de encanadores convocada para socorrer a Vila Olímpica daria jeito nos vazamentos da Operação Lava-Jato, mas este, do ministro Alexandre Moraes, é especial, porque é o vazamento que vazou.

Na verdade, a informação vazou para ele, já que o ministro da Justiça não é regularmente avisado das ações policiais. Ele, então, vazou-a publicamente para um grupo num ato de campanha, com a particularidade de que foi em Ribeirão Preto, município do preso da vez, Antonio Palocci.

E não são, todos esses, apenas vazamentos “desinteressados”, que pouco efeito prático terão. No caso Guido Mantega, por exemplo, a Polícia Federal prendeu-o na quinta, 22, quando ele e a mulher, ambos com cidadania italiana, tinham passagens para Paris na sexta-feira.

O aspecto curioso de que o ex-ministro, acusado de intermediação de propina, foi preso quando acompanhava a mulher numa cirurgia, embora ela fosse embarcar para a Europa no dia seguinte, sem nenhum resguardo, reforça a hipótese de que ele foi avisado da operação e talvez procurasse uma saída.

Os vazamentos, no contexto das investigações, têm, em certos casos, um importante valor agregado: por causa deles é que aparecem, após as decisões judiciais de bloqueio de dinheiro, contas com mil e poucos reais e outras completamente raspadas.

Il dolce capo

Data: 29/09/2016
12:56:16

A crônica da tortura fala na figura do torturador bom, aquele que aparecia depois de o preso político sofrer uma primeira sessão de espancamento e não revelar as informações desejadas por seus inquisidores.

Chegava – o torturador bom – mostrando-se compadecido pelo estado da vítima, em geral sangrando, com dentes arrebentados, olhos inchados. E aí simulava um conforto, até certo ar de indignação, visando ganhar-lhe a “confiança” com algum proveito.

Pode ser exageradamente cruel a correlação, mas é a ideia que assalta a mente quando se vê, entre as acusações a Mantega, que uma de suas funções era “chegar junto” aos empresários quando falhavam as investidas do tesoureiro de Dilma/2014 e depois ministro Edinho Silva.

O sempre suave e delicado Mantega, por ora livre das grades, era um ministro da Fazenda que coagia, como ministro da Fazenda foi Antonio Palocci, este encarcerado logo depois. No gigantesco boliche da corrupção, mais dois pinos são derrubados. Um strike, no entanto, não dá. É pino demais.

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Comentários

Lucia Jacobina on 30 setembro, 2016 at 9:10 #

E pensar que alguns comentaristas televisivos se apressaram em criticar os responsáveis pela prisão como um ato desnecessário e midiático.. Seria bom que doravante pusessem as barbas de molho quando o assunto for o comportamento dos implicados na Lava-Jato. Afinal, a astúcia dessa gente parece não ter limites.


luiz alfredo motta fontana on 30 setembro, 2016 at 9:40 #

Uma verdade:

A cada dia, por bem ou por mal, a famosa “paridade de armas”, tão louvada no devido processo legal, tem sua vertente midiática como expressão máxima!

O problema é que a nossa aguerrida imprensa palpita sobre o que desconhece. Asneiras posam de acuidade, temores reverenciais mimetizam bom senso, patrocinadores ditam exegeses.

Enquanto isto Mantega se esconde no diagnóstico da mulher, produzindo inusitada isonomia ao dar-se ao “trabalho” de madrugar no hospital resort, simulando cirurgia de urgência.

O que não se faz quando o diabo é parceiro!


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