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Postado em 26-09-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-09-2016 11:14

DEU NO EL PAIS

Antonio Palocci (PT), ex-ministro da Fazenda no primeiro mandato do Governo Lula e ex-ministro-chefe da Casa Civil nos primeiros meses do Governo Dilma Rousseff, foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira, em São Paulo, durante a 35ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Omertà. A Polícia Federal diz ter indícios da participação dele em um suposto esquema de corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht. A prisão de Palocci acontece poucos dias após a 34ª fase da operação, quando o também ex-ministro da Fazenda Guido Mantega chegou a ser preso temporariamente, mas teve a prisão revogada pelo juiz Sergio Moro.

Com a prisão, a Lava Jato fecha mais o cerco em torno do ex-presidente Lula, um dos focos declarados das investigações, transformado em réu na semana passada. Além de ter sido homem-forte do Governo Lula, de 2003 a 2006, Antonio Palocci foi um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010 e ocupou a Casa Civil nos primeiros meses da gestão da ex-presidenta. A prisão de Antonio Palocci também ocorre apenas um dia após o atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmar em um encontro com integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) que haveria, de fato, mais prisões da Lava Jato nesta semana, segundo o jornal O Estado de S.Paulo. “Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, disse o ministro, sem ser questionado.

A declaração de Moraes provocou controvérsia, pois, pelo princípio de independência da PF e pela potencial implicação de integrantes do Governo, ele não poderia, em tese, ter informações prévias sobre as investigações e operações da instituição. A Lava Jato é alvo de críticas pelo suposto viés político das investigações —há quem acuse a força-tarefa de poupar alguns partidos em detrimento de outros. Após a fala se tornar pública, o Ministério da Justiça minimizou a declaração de Moraes e disse que o ministro apenas “reafirmou a legalidade da atuação da Polícia Federal”, “em resposta às perguntas sobre a continuidade da Lava Jato”.

A fala do ministro da Justiça foi criticada pelos delegados da Polícia Federal, durante coletiva nesta segunda-feira para explicar a nova fase da operação. O delegado Filipe Hille Pace começou a entrevista lendo uma nota, em que reitera a independência da corporação e diz que o Executivo não foi informado antecipadamente sobre a prisão de Palocci. “Como já foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais. No entanto, é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação, não sendo informado a ele os detalhes da operação”, disse.

Além de Palocci, a Polícia Federal cumpre ainda outros dois mandados de prisão temporária, 15 de condução coercitiva (quando a pessoa é levada a depor), 27 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Ao todo, são 45 mandados judiciais, sendo que dois mandados de busca e apreensão são cumpridos na casa e no escritório de Palocci na capital paulista.

Segundo a PF, “há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas mais diversas áreas de contratação com o Poder Público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos”, diz nota.

Ainda segundo as investigações, Palocci teria tentado aprovar um projeto de lei para aumentar a linha de crédito junto ao BNDES para a realização de obras no continente africano, o que beneficiaria a empreiteira. Ele também é suspeito de ter interferido em um processo de licitação para a compra de 21 navios sonda para exploração da camada pré sal da Petrobras. A defesa de Antonio Palocci ainda não foi localizada para comentar a prisão.

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