Montagner:morte trágica no São Francisco

DO PORTAL G1/O GLOBO

O ator Domingos Montagner, o Santo da novela “Velho Chico”, da TV Globo, morreu nesta quinta-feira (15). Ele gravou cenas de “Velho Chico” na parte da manhã, em Alagoas. Após o término da gravação, ele almoçou e, em seguida, foi tomar um banho de rio.

Durante o mergulho, não voltou à superfície. A atriz Camila Pitanga, que estava no local, avisou à produção, que iniciou imediatamente as buscas pelo ator. Helicópteros do Grupamento Tático Aéreo, Policia Militar, Corpo de Bombeiros e pescadores da região ajudaram nas buscas. O corpo de Montagner foi encontrado nas pedras de uma área rochosa nas margens da represa de Xingó, segundo informou o canal privado Globo News, ao confirmar a morte do ator. A noticia foi dada pela apresentador Leilane Neubart.

Nesta semana, a novela também teve cenas gravadas em Piranhas (AL).

Domingos Montagner e Camila Pitanga como os personagem Santo e Tereza, durante gravações da novela ‘Velho Chico’ (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)
Domingos Montagner e Camila Pitanga como
os personagem Santo e Tereza, durante
gravações da novela ‘Velho Chico’

Paulistano, Montagner tinha 54 anos. Ele começou sua carreira artística trabalhando no teatro e em circos. Ele atuou em treze programas de TV, entre séries e novelas, além de nove filmes. Alguns papéis de destaque foram o Capitão Herculano Araújo de “Cordel Encatado” (2011) e o presidente Paulo Ventura de “O brado retumbante” (2012).

Ele também chamou atenção como o Zyah de “Salve Jorge” (2012) e João Miguel de “Sete Vidas (2015). O ator estava no ar como o Santo de “Velho Chico” (2016).

Montagner conta, em seu site oficial, que iniciou sua carreira no teatro, através do curso de interpretação de Myriam Muniz, e no Circo Escola Picadeiro.

Em 1997, formou o Grupo La Mínima, com Fernando Sampaio. A Noite dos Palhaços Mudos, de 2008, lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2003, criou o Circo Zanni, do qual foi diretor artístico.

O primeiro papel na TV foi no seriado “Mothern” (2006), do GNT, canal da TV por assinatura. A estreia na Globo foi também em seriados: “Força Tarefa”, “A Cura” e “Divã”. A primeira novela, “Cordel Encantado”, foi em 2011. No ano seguinte, estreou no cinema, com uma participação no longa “Gonzaga – de Pai Pra Filho”, de Breno Silveira.

Veja a lista com os principais filmes, novelas e seriados da carreira de Domingos Montagner

TV
“Mothern” (2008)
“Força tarefa” (2010)
“A cura” (2010)
“Divã” (2011)
“Cordel encantado” (2011)
“O brado retumbante” (2012)
“Salve Jorge” (2012)
“Joia rara” (2013)
“Sete vidas” (2015)
“Romance policial – Espinosa” (2015)
“Velho Chico” (2016)

Cinema


Domingos Montagner e Camila Pitanga
nas gravações do Velho Chico.

DO PORTAL G1/O GLOBO

Do G1, em São Paulo

Nesta quinta-feira (15), Domingos Montagner gravou cenas de “Velho Chico” na parte da manhã, em Canindé de São Francisco (SE). Após o término da gravação da novela da TV Globo, o ator paulistano almoçou e, em seguida, foi tomar um banho de rio.

Durante o mergulho, ele não voltou à superfície. Camila Pitanga, que estava no local, avisou à produção, que iniciou imediatamente as buscas pelo ator.

Helicópteros do Grupamento Tático Aéreo, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e pescadores da região (localidade de Piranhas, em Alagoas) estão ajudando nas buscas, mas até o momento o ator continua desaparecido.

Nesta semana, a novela também teve cenas gravadas em Piranhas (AL).

Montagner tem 54 anos e começou sua carreira artística trabalhando no teatro e em circos. Além de “Velho Chico”, ele já atuou em seriados como “Força Tarefa”, seu primeiro papel na Globo, e “Cordel Encantado”, sua estreia em novelas.

Do G1, em São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira (15), a denúncia do Ministério Público Federal, que o acusa de ser o “comandante máximo” da Lava Jato, além de ter recebido R$ 3,7 milhões em propina. “Provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso.”

Em evento do diretório do PT em São Paulo, com a presença de várias lideranças políticas e de movimentos sociais, Lula voltou a negar irregularidades e afirmou que ganhou o direito de “andar de cabeça erguida” no país. Ele chegou a chorar em alguns momentos do discurso.

“Todas essas denúncias, tenho a consciência tranquila, e mantenho o bom humor, porque me conheço, sei de onde vim, sei para onde vou, sei quem me ajudou a chegar onde estou, sei quem quer que eu saia, sei quem quer que eu volte.”

Lula disse falar como um “cidadão indignado”, e não como político. “Nunca pensei em passar por isso.” Para o ex-presidente, “construíram uma mentira” e agora é hora de “concluir a novela”. “Vão agora dar o desfecho, acabar com a vida política do Lula. Não existe outra explicação para o espetáculo de pirotecnia que fizeram ontem [quarta].”

Para Lula, a lógica de coletivas de imprensa como a do MPF é dar manchete, “mostrar quem vamos demonizar. Isso acontece desde 2005”. “O PT é tido como partido que tem que ser extirpado da política brasileira.” Ele questionou como se convoca uma entrevista para apresentar a prova de um crime e diz: “Eu não tenho prova, mas tenho convicção”. “Eu não posso dizer que convicção eu tenho deles.”

O ex-presidente defendeu o fortalecimento do Ministério Público e da Polícia Federal, mas disse que é preciso ter responsabilidade. “Respeito as instituições e respeito as leis. Vou prestar quantos depoimentos quiserem. É só me chamar”, afirmou.
Respeito as instituições e respeito as leis. Vou prestar quantos depoimentos quiserem. É só me chamar”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente

“Quando eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo. Mas quando eu não transgredir, procurem outro para criar problema.” O ex-presidente declarou ainda que “ninguém está acima da lei, nem um ex-presidente, nem um procurador da República, nem um ministro do Supremo Tribunal Federal”.

Lula disse não tem espaço para ficar triste. Com lágrimas nos olhos, o ex-presidente afirmou que “sabe o que é, num domingo de chuva, com cinco irmãos, em São Bernardo do Campo, esperando a hora do almoço sem ter um bocado de feijão para colocar no fogo.” Ele disse que vai continuar lutando. “Só Deus pode me fazer parar.”

O ex-presidente afirmou que não irá perder o sono por causa das investigações. “A história mal começou. Alguns pensam que ela terminou. E eu vou viver muito. Estou com 70 anos, com vontade de viver mais 20.”
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chora durante entrevista coletiva sobre a denúncia do Ministério Público Federal contra ele e sua esposa Marisa Letícia por crimes de corrupção, em um hotel no centro de São Paulo (Foto: Nelson Antoine/FramePhoto/Estadão Conteúdo)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chora durante discurso sobre a denúncia do MPF contra ele e sua esposa Marisa Letícia por crimes de corrupção, em SP (Foto: Nelson Antoine/FramePhoto/Estadão Conteúdo)

Transparência
Lula disse que seu governo e de Dilma tomaram medidas para combater a corrupção, além do fortalecimento da PF e do MPF. “Criamos o portal da Transparência e a Lei de Acesso à Informação.”

“Não é que somos mais honestos que ninguém, mas tiramos da sala o tapete que escondia a corrupção do país.” Segundo Lula, “só tem um jeito de a pessoa não ser perseguida, é ser honesta”.
Não é que somos mais honestos que ninguém, mas tiramos da sala o tapete que escondia a corrupção do país”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente

Trajetória e ódio contra o PT
No início do discurso, Lula falou sobre a sua trajetória como sindicalista e sua entrada na política. “Tenho orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina.” Ele disse que chegou à Presidência com o objetivo de não errar.

“Não prometi o socialismo para ninguém, não prometi o fim da luta de classes, propus algo muito mais simples, que, se chegasse ao final do meu mandato, que cada brasileiro tivesse três refeições por dia”, afirmou, destacando ter feito muito mais do que isso.

“Tenho consciência de que o meu fracasso teria agradado meus adversários, meu fracasso não teria despertado tanto ódio contra o PT. O que despertou ira foi o sucesso do governo, a maior política de inclusão social do país, a maior política de bancarização do país”, disse.

Ele citou tentativas de golpe na história do Brasil, como as feitas contra os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, e disse que o mesmo aconteceu com ele e Dilma, que acabou tirada do cargo.

Segundo Lula, seus adversários “transformaram uma mentira em verdade” e aprovaram o impeachment de Dilma na Câmara, liderados “por um cidadão [Eduardo Cunha] que agora foi cassado”. E o processo foi ao Senado.
O que despertou ira [contra o PT] foi o sucesso do governo
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente

O ex-presidente disse que achava que o Senado tinha “um nível superior”. “E eis que o Senado se apequenou, repetindo a Câmara e aprovando a admissibilidade. […] Eles conseguiram dar um golpe tranquilo e pacífico.” Ele agradeceu aos parlamentares que votaram contra o impeachment.

Lula convidou os militantes a usar camisa vermelha, para demonstrar orgulho de integrar o PT. Ele pediu que não pensem que está desanimado ou sofrido. “Daqui para frente, cada petista nesse país tem que começar a andar de camisa vermelha. Quem não gostar, coloque de outra cor. Mas esse partido tem que ter orgulho, porque ninguém fez mais do que nós fizemos nesse país”, disse.

Nota do PT
Antes da fala de Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, leu uma nota de repúdio à denúncia apresentada contra o ex-presidente e sua mulher. O texto, que foi escrito pelo diretório nacional do PT, criticou a “criminalização” do PT e disse a peça acusatória não tem provas e foi politicamente orientada, desrespeitando direitos e garantias constitucionais.

“Ao denunciar, confessadamente sem provas, o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, além de Paulo Okamoto e outros cidadãos, o chefe dos procuradores sediados em Curitiba torna cada vez mais evidente o envolvimento de seu grupo na tramoia que levou ao golpe contra a presidenta eleita democraticamente. E desmascara sua intenção cavilosa, persecutória e autoritária, de antecipar, à margem da lei, um julgamento sumário e condenatório dos que elegeu, seletivamente, como vítimas”, diz o texto do PT.

A nota chamou a coletiva de imprensa do MPF de “grotesco espetáculo midiático” e disse que os procuradores viraram “porta-bandeira da mata antipetista”. “Mancomunados para criminalizar nosso partido e animar a campanha midiática contra os governos liderados pelo PT, estes burocratas facciosos agora buscam concluir o trabalho sujo que lhes foi encomendado pelas forças reacionárias. Seu objetivo é retirar da cena política o principal líder do povo brasileiro e restringir os próximos processos eleitorais a um jogo controlado pelas oligarquias.”

O evento reuniu o ex-ministro-chefe da Casa Civil Jacques Wagner, o senador Humberto Costa (PT-PE), a senadora Gleise Hoffmann (PT-PR), o presidente da CUT, Vagner Freitas, o deputado Vicentinho (PT-SP), o ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP), entre outras dezenas de lideranças do PT.

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), como Guilherme Boulos, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) também marcam presença.

A denúncia
Na quarta-feira (14), o MPF denunciou Lula, a mulher dele, Marisa Letícia, e mais seis pessoas no âmbito da Operação Lava Jato. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que, segundo provas do MPF, Lula era o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato”. VEJA A ÍNTEGRA DA DENÚNCIA

A denúncia abrange três contratos da OAS com a Petrobras e diz que R$ 3,7 milhões em propinas foram pagas a Lula. Os crimes imputados aos denunciados são corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia não significa que eles sejam culpados dos crimes de que são acusados. Cabe à Justiça acolher ou não as argumentações dos promotores. Se acolher, os denunciados se tornarão réus e serão julgados.

A força-tarefa da Lava Jato afirmou que deixou de denunciar Lula pelo crime de organização criminosa porque este fato está em apuração no Supremo Tribunal Federal (STF).

O MPF pede a indenização de R$ 87,6 milhões, que deveria ser paga pela OAS e também por Lula, além de R$ 58,4 milhões, a serem pagos por Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS.

A denúncia do MPF diz que todo o megaesquema envolve o valor de R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à Petrobras um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões.

Em nota, os advogados de Lula disseram que o ex-presidente e sua mulher “repudiam publica e veementemente a denúncia” do MPF, a qual chamaram de “peça de ficção” e de “truque de ilusionismo”.

O texto, assinado por Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, diz que os procuradores não apresentaram provas concretas de que o casal tentou esconder a propriedade do imóvel e que os recursos usados pela empresa tiveram origem em desvios da Petrobras. Segundo eles, a coletiva de imprensa violou as garantias de dignidade da pessoa humana e da presunção da inocência. “O evento apresentou denúncia como uma condenação antecipada aos envolvidos”, afirma a nota.

Adriana Justi e Alana Fonseca

DO PORTAL G1/O GLOBO

Do G1 PR

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, condenou o pecuarista José Carlos Bumlai a 9 anos e 10 meses de prisão em um processo da 21ª fase por crimes como gestão fraudulenta e corrupção passiva.

Na mesma sentença, publicada na manhã desta quinta-feira (15), o juiz também condenou o empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, e outros cinco réus do processo.

Bumlai foi condenado pela participação, obtenção e quitação fraudulenta do empréstimo no Banco Schahin de R$ 12 milhões, em 2004, e pela participação, solicitação e obtenção de vantagem indevida no contrato entre a Petrobras e o Grupo Schahin para a operação do Navio-Sonda Vitória 10.000.

No dia 6 de setembro, o pecuarista, que é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou para a prisão após um tratamento contra um câncer na bexiga. Ele está detido no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Na sentença, Moro destacou que o empréstimo de R$ 12 milhões foi fraudulento e que o real beneficiário dos valores foi o Partido dos Trabalhadores (PT). “Não há divergência, nas confissões, quanto a isso e a prova documental e testemunhal já revela o fato”.

O juiz afirmou ainda que o PT utilizou Bumlai como pessoa interposta e os valores para realizar pagamentos a terceiros de seu interesse. “Isso é afirmado não só por acusados que celebraram acordo de colaboração premiada, como Salim Taufic Schahin, como por acusados que não dispõe de qualquer acordo, como o próprio José Carlos Costa Marques Bumlai”, declarou o magistrado.

Confira quem são os condenados, os crimes e as penas aplicadas

José Carlos Bumlai (pecuarista) – gestão fraudulenta e corrupção passiva, 9 anos e 10 meses
Eduardo Costa Vaz Musa (ex-gerente da Petrobras) – corrupção passiva, 6 anos
Fernando Falcão Soares (empresário) – corrupção passiva, 6 anos de reclusão
Fernando Schahin (ex-executivo do grupo Schahin) – corrupção ativa, 5 anos e quatro meses
João Vaccari Neto (ex-tesoureiro do PT) – corrupção passiva, 6 anos e 8 meses
Milton Taufic Schahin (executivo do Grupo Schahin) – gestão fraudulenta e corrupção ativa, 9 anos e 10 meses de reclusão
Salim Taufic Schahin (executivo do Grupo Schahin) – gestão fraudulenta e corrupção ativa, 9 anos e 10 meses
Nestor Cuñat Cerveró (ex-diretor da área Internacional da Petrobras) – corrupção passiva, 6 anos e oito meses

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada foi absolvido pelo juiz Sérgio Moro pelo crime de corrupção passiva por falta de provas. Maurício de Barros Bumlai, filho de Bumlai, também absolvido pelos crimes de gestão fraudulenta e corrupção passiva.

Entenda como ocorreu o empréstimo fraudulento
De acordo com as investigações, o empréstimo, firmado em 2004, deveria ter sido pago até novembro de 2005, o que não ocorreu. O montante foi sendo corrigido para incorporar os encargos não pagos. Os valores foram quitados na sequência, após o Banco Schahin conceder empréstimo de R$ 18 milhões à empresa AgroCaieras, do próprio Bumlai.

Os valores do novo empréstimo, que ultrapassaram R$ 20 milhões, seguiram sem pagamento até janeiro de 2009, quando foi feito um contrato de venda de embriões de gado bovino das fazendas de Bumlai para empresas do Grupo Schahin.

Na decisão desta quinta, Sérgio Moro destacou que a real causa da quitação foi o direcionamento arbitrário do contrato para operação do Navio-Sonda Vitória 10.000 para o Grupo Schahin pela Petrobras.

“Há prova documental e testemunhal do direcionamento arbitrário do contrato de operação do Naviosonda Vitoria 10000 para o Grupo Schahin. Não importa aqui se houve ou não prejuízo à Petrobrás, mas sim que o referido grupo privado foi beneficiado pela atribuição a ele de contrato bilionário, sem que houvesse justificativas para prescindir de concorrência,
consulta ao mercado ou mesmo pesquisa de preços”, disse o juiz.

A decisão de Moro destaca ainda que “ninguém obrigou José Carlos Costa Marques Bumlai a aceitar figurar como pessoa interposta no contrato de empréstimo ou aceitar a quitação
fraudulenta do empréstimo ou a simular a doação de embriões bovinos” e que “é óbvio que assim agiu para, assim como o Grupo Schahin, estabelecer ou manter boas relações com a agremiação política que controlava o Governo Federal”, declarou o juiz.

O que dizem as defesas
– A advogada Daniela Meggiolaro, que representa José Carlos Bumlai, afirmou que a sentença é “de manifesta injustiça”. Ela disse ainda que a defesa vai recorrer e que confia que a decisão será reformada no Tribunal Regional Federal em segunda instância.

– De acordo com o advogado do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Luiz Flávio Borges D’Urso, a condenação é absolutamente sem base, sem qualquer prova.

“É uma condenação que leva em consideração somente uma expressão trazida pelo delator Schahin, que atribuiu ao senhor Vaccari um conhecimento que ele não tinha. A lei brasileira proíbe condenação baseada exclusivamente em delação sem provas. Vamos recorrer, sem dúvidas”, afirmou.

– A assessoria de imprensa do Grupo Schahin foi procurada pela reportagem e ficou de dar um retorno ainda nesta quinta-feira.

– O advogado de Fernando Soares, Sérgio Riera, informou que ainda não teve acesso à sentença e que vai se pronunciar mais tarde.

– A defesa de Eduardo Costa Musa, representada pelo advogado Antônio Figueiredo Basto, não quis comentar o assunto.

– “A sentença já era esperada tendo em vista a colaboração dele”, afirmou a advogada de Nestor Cerveró, Alessi Brandão.

Dá-lhe, Lazzo:”Preciso acreditar que a música é o axé para enfrentar a vida/ quem sabe acreditar num mundo que não há”.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

Marina Rossi

São Paulo

Nesta quarta-feira, mais um capítulo da história das acusações ao ex-presidente Lula na Lava Jato foi escrito. O Ministério Público Federal aceitou a denúncia feita pela Polícia Federal de que Lula e sua mulher, Marisa Letícia, teriam se beneficiado de dinheiro ilícito da empreiteira OAS, por meio da reforma de um apartamento tríplex no Guarujá. Ainda falta a Justiça aceitar a denúncia para que o ex-presidente vire réu neste caso. Seja como for, começa uma corrida contra o relógio para Lula, que agora pode ter frustradas suas pretensões eleitorais para 2018.

Lula é acusado de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Marisa Letícia é acusada de lavagem de dinheiro.

Lula pode ser preso?

Pode. O ex-presidente pode ser preso preventivamente se a Justiça entender que há indícios de que ele pode vir a fugir, ou que está atrapalhando a produção de provas. “A prisão preventiva e provisória também pode ser pedida com o argumento da proteção da ordem pública”, explica Ivar Hartmann, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Isso pode acontecer em qualquer etapa da investigação, não depende do juiz Sergio Moro aceitar a denúncia.

Em janeiro do ano passado, o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, foi detido enquanto as investigações ocorriam. Na época, o Ministério Público Federal justificou a prisão dizendo que Cerveró continuou praticando crimes de corrupção mesmo após a abertura das investigações.

A idade do ex-presidente (70 anos) pode impedi-lo de ser preso?

Não. O que muda em decorrência da idade é o tempo de prescrição dos crimes, que cai pela metade para maiores de 70 anos, de acordo com o Código Penal. Além disso, ter mais de 70 anos é uma das circunstâncias que “sempre atenuam a pena”, segundo a lei. “Mas é subjetivo”, diz Ivar Hartmann. “Não existe um percentual claro de quanto essa pena pode ser reduzida”. Fica a critério do juiz.

O que diz a defesa?

Na tarde desta quarta-feira, Carlos Zanin Martins, advogado do ex-presidente, disse em uma entrevista coletiva que o Ministério Público Federal “elegeu Lula como ‘maestro de uma organização criminosa’, mas esqueceu do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados”. Zanin Martins também afirmou que a defesa apresentou documentos para reafirmar que o triplex não pertencia mais à dona Marisa na data da suposta reforma que teria sido bancada pela construtora OAS. Essa é a principal linha da defesa desde que a Operação Lava Jato colocou o ex-presidente no centro das investigações, em janeiro deste ano. “Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita”, argumenta a defesa.

O ex-presidente ainda pode se candidatar a algum cargo público?

Sim. A investigação em si não impede que ele seja candidato. Desde que ele não esteja na prisão.

Quando ele se torna inelegível?

Se o juiz Sergio Moro aceitar a denúncia acolhida nesta quarta pelo MPF, e julgar o ex-presidente culpado, Lula pode recorrer à segunda instância (ou Tribunal Superior da Justiça), pois Moro é juiz da primeira instância. Se, ao recorrer à segunda instância o ex-presidente também for condenado, aí sim ele ficaria inelegível por oito anos a partir da data da condenação, explica Luciano Santos, um dos redatores da Lei da Ficha Limpa e co-diretor do Movimento de Combate à Corrupção. Enquanto isso não acontecer, Lula ainda pode ser, por exemplo, candidato à presidência.



Maravilhosos The Carpenters! Fantástica Karen Carpenter!!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

“Ideologia” poderá sucumbir por falta de votos

A composição das bancadas e as circunstâncias da política permitem dizer que, neste ”momento propício” para a nova configuração partidária, conservar-se-ão vivos PMDB, PSDB, PT, PP, PSD, DEM, PRB, PR, PTB e PSB – correndo por fora, o PDT.

Daí para baixo, vai ser um desespero para otimizar o desempenho eleitoral entre as diversas legendas “de aluguel”, a exemplo de PTN, PTdoB e SD, mas também para os autointitulados “ideológicos”, que incluem PCdoB, PPS e PSOL.

A PEC em tramitação, de número 36/2016, que tem o beneplácito explícito do presidente Michel Temer, não contempla – nem a sociedade parece estar muito preocupada, a esta altura das decepções – apelos históricos ou rótulos outros para poupar quem quer que seja do rebaixamento. Se não tiver voto, dança.

Imprimir Imprimir Enviar por e-mail Enviar por e-mail

set
15
Posted on 15-09-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-09-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


DO EL PAÍS

Afonso Benites

Brasília

Em uma estratégia ousada, a força-tarefa da Operação Lava Jato afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agiu, enquanto presidente (2003-2010), como o chefe da “propinocracia”, uma espécie de Governo regido pela propina, segundo termo criado pelos procuradores que atuam no caso. O petista foi apontado pelo Ministério Público Federal no Paraná, sede da operação, de ser o “maestro de uma grande orquestra concatenada para saquear os cofres públicos” e “o comandante máximo” do esquema de desvios da Petrobras. Apesar da grandiosidade das acusações, ilustradas em gráficos Power Point, Lula não foi denunciado por formação de quadrilha. De acordo com a denúncia, Lula teria cometido os crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro. Caberá ao juiz Sérgio Moro decidir se ele irá ou não ao banco dos réus para responder por eles.

Em uma longa coletiva transmitida pela TV a cabo, os procuradores acusaram formalmente o ex-presidente de ter recebido 3,7 milhões de reais em propinas da empreiteira OAS. O pagamento, de acordo com a acusação, teria sido feito de maneira dissimulada por meio da entrega de um apartamento tríplex no Guarujá, da reforma feita deste mesmo imóvel e da contratação de uma empresa de transportes para armazenar parte do acervo pessoal de Lula em um galpão da empresa Granero na Grande São Paulo. Os advogados do ex-presidente negam que ele tenha cometido qualquer crime, reafirmam que ele não é dono do triplex e caracterizaram a ação como política.

A tese maior da “propinocracia”, porém, visava explicar todo o esquema de corrupção na Petrobras, de onde estimativas apontam que foram pilhados 6 bilhões de reais desde 2003. Por ela, boa parte da diretoria da estatal responsabilizada pelos desvios só estava nos cargos porque obtiveram o apoio de partidos como o PT, o PMDB e o PP, desde que desviassem recursos para essas legendas e seus dirigentes. Tudo sob as bênçãos do então presidente Lula. “Sem o poder de decisão de Lula esse esquema seria impossível”. Essas mesmas irregularidades, segundo os procuradores, se espalharam para outros órgãos estatais como a Eletrobrás, a Caixa Econômica Federal e para os ministérios da Saúde e do Planejamento. A todo momento, Dallagnol ressaltou que o poder de decisão era de Lula e que não havia como ele negar desconhecimento dos crimes ocorridos na estatal petroleira. Para corroborar suas acusações, o procurador disse se basear em afirmações dadas por acusados que firmaram acordos de colaboração com a Justiça, como o ex-senador Delcídio do Amaral e o ex-diretor da Petrobras Néstor Cerveró.

Nas quase três horas de entrevista coletiva concedida em um hotel de Curitiba, com direito a dezenas de slides do Power Point com de organogramas que colocavam Lula no centro de todos os desvios da Petrobras, os procuradores fizeram uma perspectiva histórica do caso “petrolão” e tentaram reescrever a história do “mensalão” – um esquema de desvios de recursos que estourou no primeiro Governo Lula e teve a apuração concluída com a condenação de boa parte da cúpula do PT, do PR e do PP. Esquema semelhante pioneiro, ligado ao PSDB, também foi alvo de investigação e teve suas primeiras condenações no ano passado.

O chefe da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol, apontou 12 pessoas que eram próximas a Lula na época do “mensalão” e acabaram sendo investigadas também pela Lava Jato. “A análise do mensalão em conjunto com a Lava Jato apontará para Lula como o comandante dos esquemas. Mensalão e Lava Jato são duas faces de uma mesma moeda. Ambos são esquemas de corrupção desenvolvidos por um mesmo governo e por um mesmo partido com, em geral, três objetivos. Alcançar a governabilidade corrompida, perpetuar-se criminosamente no poder e enriquecer ilicitamente”, disse ele.

Na midiática apresentação aos jornalistas, os procuradores se irritaram quando questionados se ação deles era política. Afirmaram que essa tese é uma teoria da conspiração que teria de envolver mais de 300 agentes de órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Controladoria Geral da União e o Ministério Público. Disseram também que não denunciaram Lula por integrar uma organização criminosa porque este caso ainda estaria sob análise do Supremo Tribunal Federal. Uma das razões para essa apuração específica estar na maior esfera judicial brasileira seria a presença de políticos que ainda tem prerrogativa de foro, como deputados federais, senadores, governadores e ministros. O ex-presidente, sem cargo público, não tem esse privilégio.

Com a denúncia, Lula, que já responde em uma vara federal em Brasília por tentativa de obstruir a Justiça em caso ligado agora espera por Moro. Se condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, as penas somadas variam de seis anos a 40 anos de detenção em regime fechado. Se condenado na primeira e na segunda instância, o petista fica inelegível (entenda aqui). Os procuradores anunciaram que seguem investigando outros pontos relacionados ao ex-presidente, como os rendimentos recebidos por ele em sua empresa de palestras.

Além de Lula, foram denunciadas a mulher dele, Marisa Letícia, e mais seis pessoas. Os outros denunciados são o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o arquiteto Paulo Gordilho e quatro ex-dirigentes da OAS o ex-presidente José Adelmário Pinheiro (conhecido como Léo), o ex-executivo Agenor Franklin Magalhães Medeiros e os ex-funcionários Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.
“Farsa lulocêntrica”

A denúncia foi mais um duro golpe para Lula e o PT, em meio à campanha pelas eleições municipais e após o impeachment de Dilma Rousseff. A defesa de Lula já anunciou que irá à ONU para denunciar o que considera parcialidade dos procuradores e do juiz Sérgio Moro. Nesta quarta, em uma extensa nota assinada pelos seus advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, Lula e a ex-primeira-dama, chamaram a apresentação dos procuradores de “espetáculo deplorável”, disseram que a denúncia é um “truque de ilusionismo” e que foi criada uma “farsa ‘lulocêntrica’”. Antes mesmo do fim da entrevista coletiva da força-tarefa, o ex-presidente divulgou o documento e autorizou seus defensores a conversarem com a imprensa em São Paulo.

“A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da Força Tarefa da Lava Jato. O MPF elegeu Lula como “maestro de uma organização criminosa”, mas “esqueceu” do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados. “Quem tinha poder?” Resposta: Lula. Logo, era o “comandante máximo” da “propinocracia” brasileira. Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime”, diz trecho da nota dos advogados.

Os defensores afirmaram ainda que o casal Lula não é proprietário do apartamento do Guarujá alvo da denúncia. Explicaram que, quando o prédio estava sendo construído, Marisa Letícia chegou a adquirir cotas de um dos apartamentos do edifício, mas jamais exerceram o direito efetivo de compra dele. Para se defender, diz que a mulher do ex-presidente entrou com uma ação judicial para ser ressarcida dos mais de 200.000 reais que gastou neste bem.

Pages: 1 2

  • Arquivos

  • setembro 2016
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    2627282930