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DO EL PAÍS

Afonso Benites
Brasília

Enquanto no primeiro escalão as trocas são quase instantâneas na gestão Michel Temer (PMDB) – já foram quatro ministros substituídos –, no subterrâneo da política brasiliense, indicados pelo PT permanecem em cargos chaves e alimentam uma disputa fratricida no segundo e terceiro escalão do Governo. Cálculos extraoficiais apontam que quase 40% dessas funções ainda estão nas mãos de petistas. São cerca de 50 cargos com salários que variam entre 8.000 e 14.000 reais. O Governo queria esperar passar o impeachment de Dilma Rousseff (PT) para ocupar todos os cargos.

Vice-presidências, diretorias e superintendências de órgãos como a a Caixa, o Banco do Brasil, a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) têm sido disputadas por vários dos aliados do novo presidente brasileiro.

A corrida pelo cargo comissionado é tamanha que até petistas, hoje ferrenhos opositores à gestão Temer, tentam emplacar seus apadrinhados em alguma função. O caso mais emblemático neste sentido é o de Paulo de Tarso Campolina, um nome defendido nos bastidores pelo ex-ministro Carlos Gabas, que atuou na gestão Rousseff, e pelo ex-deputado federal pelo PT Cândido Vaccarezza para presidir a Dataprev. Atualmente o órgão tem como presidente Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, na função desde 2008, ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Quem briga pela indicação da nova diretoria da Dataprev é o PSC, legenda que apoia Temer no Congresso. A legenda conseguiu emplacar o líder do Governo na Câmara (André Moura), mas que não dirige nenhum ministério. Ao lado do PR e do Solidariedade, o partido de Moura e do polêmico deputado federal Jair Bolsonaro, deve ser um dos mais beneficiados na entrega de cargos. A razão é a fidelidade de seus parlamentares ao Governo e aos poucos espaços que ocupam atualmente.

A Funai, comandada atualmente por um presidente interino, quase teve em seus quadros um militar sem nenhuma experiência com a questão indígena. Dois generais do Exército chegaram a ser indicados pelo PSC para a função: Sérgio Roberto Peternelli e Franklimberg Ribeiro de Freitas. Os nomes deles foram rejeitados pela comunidade indígena e o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, desistiu de nomeá-los. O cargo deverá ficar com o PSDB, que pretende indicar Noel Villas Bôas, advogado e filho do famoso sertanista Orlando Villas Bôas.

No caso da Infraero, a disputa é por diretorias que hoje são ocupadas por funcionários que também foram nomeados por Lula. A presidência do órgão mudou, mas nem todos os subordinados ainda foram trocados. No comando da Infraero desde junho, Antonio Claret de Oliveira foi uma indicação do PR, o mesmo partido do ministro dos Transportes, Maurício Quintela.

Temer assumiu prometendo profissionalizar a gestão pública brasileira. Conseguiu aprovar a Lei das Estatais, que muda os critérios para a escolha dos dirigentes das empresas públicas federais. Tentou reduzir o número de ministérios de 34 para 20, mas foi pressionado por aliados a manter algumas das pastas para obter apoio no Legislativo. Hoje, são 24 ministérios (e um com status de ministério, a AGU). Agora, o peemedebista tem de administrar uma nova briga por poder.

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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Cunha rebate Renan

Depois de Renan Calheiros se recusar a comentar a cassação de Eduardo Cunha, dizendo “afaste de mim esse cálice”, Cunha divulgou uma nota comparando o seu trabalho com o de Renan, a diferença de tratamento entre os dois e desejando que “os ventos que nele chegam através de mais de uma dezena de delatores e inquéritos no STF, incluindo Sérgio Machado, não se transformem em tempestade.”

BOA TARDE!!!


Cunha depois de cassado:queda acachapante.

DO PORTAL G1

O plenário da Câmara cassou nesta segunda-feira (12), por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções, o mandato do ex-presidente da Casa deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para a cassação, eram necessários os votos de 257 dos 513 deputados.

A cassação foi motivada por quebra do decoro parlamentar. O deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar, durante depoimento em março de 2015, ser titular de contas no exterior.

Na sessão desta segunda, o advogado de Cunha e o próprio deputado foram à tribuna da Câmara para apresentar a defesa. Eles reafirmaram que Cunha não tem contas no exterior. Após o anúncio do resultado da votação, Cunha disse ter sido alvo de “vingança política”.

Com a decisão do plenário, Cunha, atualmente com 57 anos, fica inelegível por oito anos a partir do fim do mandato. Com isso, está proibido de disputar eleições até 2026. Assim, ele só poderá se candidatar novamente aos 67 anos.

Além disso, perderá o chamado “foro privilegiado”, isto é, o direito de ser processado e julgado somente no Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, os inquéritos e ações a que responde na Operação Lava Jato deverão ser enviados para a primeira instância da Justiça Federal.

Caberá ao próprio STF definir se esses inquéritos e ações serão enviados para o juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato no Paraná, ou para outro estado onde possam ter ocorrido os supostos crimes imputados ao agora ex-deputado.

Contra a cassação

Os dez deputados que votaram contra a cassação de Cunha foram:
– Carlos Marun (PMDB-MS);
– Paulo Pereira da Silva (SD-SP);
– Marco Feliciano (PSC-SP);
– Carlos Andrade (PHS-RR);
– Jozi Araújo (PTN-AP);
– Júlia Marinho (PSC-PA);
– Wellington (PR-PB);
– Arthur Lira (PP-AL);
– João Carlos Bacelar (PR-BA);
– Dâmina Pereira (PSL-MG).

Abstenções

Os nove deputados que se abstiveram foram: – Laerte Bessa (PR-DF);
– Rôney Nemer (PP-DF);
– Alfredo Kaefer (PSL-PR);
– Nelson Meurer (PP-PR);
– Alberto Filho (PMDB-MA);
– André Moura (PSC-SE);
– Delegado Edson Moreira (PR-MG);
– Mauro Lopes (PMDB-MG);
– Saraiva Felipe (PMDB-MG)

Cassados

Desde novembro de 2013, quando uma emenda constitucional acabou com o voto secreto nos processos de cassação de parlamentares, perderam o mandato, além de Cunha, os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Natan Donadon (sem partido-RO). Antes deles, tinham sido cassados Pedro Correa (PP-PE), José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e André Luiz (sem partido-RJ).

Dez meses

A votação desta segunda ocorreu dez meses após o início do processo ao qual Cunha respondeu.

Desde novembro do ano passado, quando o caso foi aberto no Conselho de Ética, o andamento do processo sofreu diversas reviravoltas, por recursos da defesa e manobras de aliados.

Relator
Ao falar no plenário nesta segunda-feira, o relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), voltou a dizer que o peemdebista é dono e beneficiário de contas na Suíça. Segundo Rogério, Cunha omitiu ter milhões de dólares no exterior para esconder a prática de crimes, como evasão de divisas e recebimento de valores indevidos.

Em sua defesa, Cunha sempre negou ser o titular de conta fora do país, mas diz apenas ser o beneficiário de recursos geridos por trustes (empresas que administram fundos e bens).

Para o relator, há “provas incontestes” de que os trustes dos quais Cunha alega ser apenas o beneficiário, são “meros instrumentos para dissimular evasão de divisas, a lavagem de dinheiro e o recebimento de propina”.

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Assinatura duvidosa nos destinos do país

À pergunta se assinaria uma declaração dizendo que não será candidato à reeleição, o presidente Michel Temer deveria ter respondido: “Não assino porque minha palavra é o bastante” – o que pelo menos remeteria a um sentimento de confiança na sua honra pessoal.

Antigamente, as palavras voavam e os escritos ficavam, tão antigamente que o provérbio era escrito em latim (o próprio Temer até o citou recentemente, na carta de rompimento com a então presidente Dilma).

Hoje, há meios universais de gravação e exibição de tudo quanto é imagem e declaração, e o presidente não precisaria gastar tinta de caneta para que houvesse depois uma forma de confrontá-lo com o compromisso.

Ao afirmar que não assinaria “porque todo mundo que assina não cumpre”, Temer prolata uma evidente inconsistência e ainda põe em xeque o jamegão que ele tem aposto a tantos documentos importantes desde 12 de maio.

“Da nova guerra ouvem-se os clarins…”

Ainda que dúvidas pairem sobre a decisão futura do presidente, que seria uma se fracassasse na curta gestão e outra se os índices econômicos e sociais melhorassem, o mais plausível é que ele não venha a ser candidato em circunstância alguma.

O Brasil não vai tornar-se nenhuma Suíça nestes dois anos e a cobrança sobre Temer exigirá dele e do governo mais que uma condução puramente “administrativa”, que não promova ou sinalize efetiva melhoria das condições de vida da população.

Fechando o quadro, a oposição, como prometido, não lhe dará trégua. O prazo é curto até a próxima campanha presidencial, cujos clarins soarão permanentemente, tendo o “golpe” e a “perda de direitos” como panos de fundo e de frente.

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Posted on 13-09-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-09-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

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Posted on 13-09-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-09-2016


“Hilary tem cura, e Trump?”

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

Especialistas políticos e eleitorais norte-americanos ouvidos pelo DN desvalorizam o episódio da pneumonia e não acreditam que tenha consequências eleitorais. No improvável cenário de desistência, haveria convenção especial para escolher o substituto

Os próximos dias serão determinantes para perceber se a pneumonia de Hillary Clinton ficará na história apenas como uma nota de rodapé ou se poderá transformar-se um momento definidor da corrida presidencial.

“Os problemas de Hillary tornaram-se numa questão nacional. Até agora este era um tema no qual a imprensa não se atrevia a tocar, mas agora é impossível dizer que a saúde da candidata democrata não é uma causa de preocupação para muitos eleitores”, sublinha ao DN Max Abrahms, professor de Ciência Política na Northeastern University.

O quase desmaio da candidata democrata no domingo, durante as cerimônias do 11 de setembro, trouxe o assunto para as páginas dos jornais. Em agosto, o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudy Giuliani, assumido aliado de Donald Trump, chegou a dizer numa entrevista à CNN que tudo o que os eleitores precisavam fazer era introduzir no Google a pesquisa “doença de Hillary Clinton”.

Os últimos acontecimentos vieram alimentar ainda mais a teoria da conspiração segundo a qual Hillary poderá sofrer de problemas de saúde graves, principalmente relacionados com questões neurológicas. Ontem, o staff da candidata fez mea culpa por se ter atrasado a revelar que se tratava de uma pneumonia e garantiu que esta semana irá divulgar um detalhado relatório médico sobre a saúde da ex-primeira dama dos EUA.

Poderá este episódio ter consequências eleitorais? “Não desde que seja esclarecido rapidamente”, acredita Luís Bernardo, ex-assessor dos primeiros-ministros Antônio Guterres e José Sócrates e responsável por várias campanhas do Partido Socialista. “É preciso destruir todas as suspeitas de que possa tratar-se de algo mais grave. Esta deve ser a estratégia de defesa num primeiro momento”, explica o especialista em comunicação. Numa fase seguinte, Luís Bernardo contra-atacaria. “Pelos meios não oficiais, como as redes sociais, faria passar a seguinte mensagem: “Hillary tem cura. E Trump?”, acrescenta o agora diretor de comunicação do SL Benfica.

Outros especialistas norte-americanos ouvidos pelo DN não acreditam que o episódio venha a ter consequências eleitorais para a candidata democrata.

“Desde que a pneumonia se resolva com antibióticos e ela retome a sua agenda não terá impacto. Aliás, assumindo que se encontra bem de saúde, este caso até acaba por ser vantajoso porque estamos centrados neste tema em vez de estarmos a falar do caso dos e-mails, ou do fato de ter dito que metade dos eleitores de Trump são deploráveis”, defende Marc Joseph Hetherington, politólogo da Universidade de Vanderbilt.

A opinião de Daniel Aldrich, também professor de Ciência Política, vai no mesmo sentido. “A pneumonia afetou vários membros da sua equipa. Os eleitores que já decidiram votar nela não vão alterar o sentido de voto. E aqueles que não gostavam de Hillary vão juntar este episódio à lista de razões para escolher Trump”, sublinha o investigador que colabora regularmente com o The New York Times e com a CNN. “A maior parte de nós não usa novas informações para alterar a opinião que já temos”, acrescenta.

Robert Gilbert, cientista político e autor de um estudo sobre doenças do foro psicológico que afetaram diversos presidentes norte-americanos, desvaloriza o caso. “Tudo o que existe são rumores. Não há qualquer evidência de problemas sérios de saúde no caso de Hillary. Acabou de sair de uma difícil batalha contra Bernie Sanders e agora está fazendo uma vigorosa campanha contra Trump, sem quaisquer sinais de quebra de energia”. Gilbert defende, no entanto, que todos os candidatos a presidente e a vice-presidente deveriam apresentar atestados médicos garantindo que estão aptos para desempenhar as funções durante os quatro anos seguintes.

Entre os especialistas ouvidos pelo DN, que tendem a menorizar o caso, a única voz discordante é a de Max Abrahms. “Não espero transparência da parte de Hillary. Tenho a certeza de que os médicos irão continuar a assegurar que ela está bem, apesar dos sinais em sentido contrário”, afirma o professor de Ciência Política.

E se Hillary saísse da corrida?

Pela informação disponível neste momento, nada aponta para que a candidata venha a ser obrigada a retirar-se da corrida por questões de saúde. “É um cenário muito improvável. Há várias décadas que está na política e durante a sua carreira ultrapassou outros momentos complicados”, defende Aldrich. “Não quero especular sobre o assunto porque não há qualquer sinal que aponte para algo mais grave do que pneumonia”, diz Hetherington.

Se o improvável acontecesse estaríamos a entrar em território desconhecido. “Um candidato desistir da corrida seria algo sem precedentes. Não há uma resposta óbvia para o que se passaria a seguir”, resume Hetherington.

Segundo Aldrich “haveria uma convenção de emergência para encontrar um substituto”. Sanders, adversário de Hillary nas primárias, e Joe Biden, atual vice-presidente dos EUA, seriam os nomes mais ventilados para ocupar a vaga, de acordo com o The Telegraph. Tim Kaime, candidato a vice de Hillary, continuaria no lugar de número dois.

Max Abrahms simplifica a resposta: “Não vejo que valha a pena discutir essa hipótese, porque ela não vai acontecer. Mas, nesse caso, o mais provável é que Trump viesse a ser o próximo presidente”.

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