DO BLOG O ANTAGONISTA

A AGU se defende

Em nota à imprensa, a AGU rebateu as acusações de Fábio Medina Osório de que existam manobras para abafar a Lava Jato.

Eis a íntegra do comunicado:

“Diante das recentes notas e matérias em circulação na imprensa, a Advocacia-Geral da União, sob a condução da Ministra Grace Maria Fernandes Mendonça, vem reafirmar seu irrestrito compromisso com a missão constitucional que lhe foi atribuída na qualidade de função essencial à Justiça, destacando que as atividades institucionais continuarão pautadas pelos mais elevados princípios que norteiam a Administração Pública.

Algumas declarações veiculadas nos últimos dias, na verdade, atestam o desconhecimento das rotinas e procedimentos da instituição na responsável condução dos trabalhos de defesa judicial e extrajudicial da União, em especial no tocante à defesa do patrimônio público e da probidade administrativa.

A AGU reitera que o combate à corrupção e a defesa do erário, além da segurança jurídica aos seus órgãos assessorados, são e continuarão sendo suas principais missões institucionais.”

Porque hoje é sábado, a nobreza popular de Paulinho da Viola, para leitores e ouvintes no sábado do BP.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


ACM Neto nada de braçadas em Salvador…


´…na campanha em que Wagner e Dilma dão sotaque nacional

ARTIGO DA SEMANA
“A Grande Feira”: do filme à Bahia de Wagner e Dilma

Vitor Hugo Soares

Pobre de quem acredita que sabe e conhece tudo da Bahia. Pensando desta maneira, sobre a terra onde se diz -desde Otávio Mangabeira – “que em cada esquina há sempre alguém disposto a pagar 10, para o outro não ganhar 5”, o sujeito está sempre a um passo de cometer graves equívocos, enfrentar sérios dissabores, ou simplesmente cair estatelado no chão, vítima de uma rasteira desmoralizante.

Se o caso é de política e de campanha eleitoral, então, nem se fala!. Vejam, nesta primeira quinzena de setembro de 2016, (tão distante do tempo do falecido governador e pensador político, de notável senso de humor e perspicácia), um exemplo emblemático dos dias que correm no País em geral, mas, principalmente, na capital baiana, nesta campanha municipal que vai assumindo contornos de ferrenha disputa nacional.

Campo minado por todos os lados, onde se joga cartada crucial, agressiva e decisiva. De quase sobrevivência mesmo, principalmente para o petismo desmontado do poder, depois de 13 anos de mando e desmando, no Palácio do Planalto. Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (condenada por crime de responsabilidade, mas logo anistiada pelo estranho e ainda não devidamente explicado fatiamento da sentença, anunciada pelo ministro Ricardo Lewandowski, costurada pedaço a pedaço pelo próprio presidente do Supremo, com o presidente do Senado, Renan Calheiros, a senadora Kátia Abreu e outros acólitos de menor monta – a Bahia virou uma espécie de Raso da Catarina do petismo.

O Raso é, para quem desconhece, um quase deserto do sertão baiano, a poucas léguas de Paulo Afonso, nas margens do São Francisco, o rio da minha aldeia. Sempre foi considerado o refugio mais seguro de Lampião e seus cangaceiros, quando perseguidos pelas volantes policiais, dos estados nordestinos, envolvidas em sua caça.Até o ataque mortal em Angicos (SE). Mas esta é outra história, e não quero me desguiar dos caminhos deste setembro brasileiro e baiano.

Na edição de quinta – feira, 8, da Tribuna da Bahia, na coluna política Raio Laser, leio a nota de abertura sob o título “Articulação”. É de cair o queixo, para definir a situação desenhada no informe, no melhor linguajar soteropolitano. Conta sobre o furdunço nos arraiais do PT local – que controla o governo estadual, com Rui Costa instalado no Palácio de Ondina, com planos de ficar 8 anos por lá: Há quem diga entre petistas – revela a nota – que o ex-ministro (e ex-governador) Jaques Wagner, padrinho e guia político de Rui, é o principal articulador da tese de que a ex-presidente Dilma Rousseff (recém afastada, mas com todos os seus direitos políticos preservados), pode disputar vaga no Senado pela Bahia em 2018.

“Caso a estratégia se concretize, Wagner teria, obviamente, que desistir da disputa na chapa de Rui Costa (PT), já que esta não poderá ter três integrantes do mesmo partido. Neste caso, Wagner concorreria a uma vaga na Câmara dos Deputados, disputa considerada muito mais fácil do que a do Senado, normalmente puxada pelo candidato a governador. Na Bahia, se dá como certo o lançamento da candidatura do prefeito ACM Neto (DEM) ao governo na próxima sucessão estadual”, completa a nota da TB. Parada para desmantelo, já se vê, a julgar antecipadamente, pelo andar da carruagem, na campanha pela prefeitura de Salvador, na qual Neto segue “nadando de braçadas” (a expressão, apropriada, é do jornalista Ricardo Noblat), a caminho da reeleição.

A pesquisa divulgada, mais recentemente, mostra ACM Neto disparado, com 67% da preferência do eleitorado, enquanto reunidos, todos os demais candidatos, incluindo a deputada Alice Portugal, do PC do B, apoiada pelo PT de Rui e Wagner, mal alcançam a casa dos dois dígitos.

Munida do diploma de Cidadã Baiana, recebida da Assembléia Legislativa em plena batalha perdida contra o impeachment, Dilma deveria desembarcar nesta sexta-feira, em Salvador, “para dar uma força a Alice e às esquerdas, na briga municipal e contra o golpe”. Cancelou a viagem, remarcada agora para acontecer na próxima semana, dia 16. A conferir.

O cenário político soteropolitano, destes dias temerários, lembra, de muitas e variada formas, o ambiente de “A Grande Feira”, filme de Roberto Pires (sobre o incêndio da lendaria feira de Água de Meninos, na Cidade Baixa, cujas dúvidas e suspeitas sobre culpados seguem vivas até hoje), marco da trilogia da chamada “nova onda do cinema baiano”. Iiniciada com “Bahia de Todos os Santos”, de Trigueirinho Neto, e completada por “Barravento”, de Glauber Rocha. Os três filmes tiveram o ator Antonio Pitanga brilhando como intérprete dos personagens protagonistas.
Em “A Grande Feira”, Pitanga faz Chico Diabo, mostrado na primeira sequência, “como um exímio ladrão que rouba jóias em Salvador e, na sequência, um frio assassino, ao matar um guarda que o interpela na saída da joalheria”, conforme descrição de Maria do Socorro Carvalho em seu livro “A Nova Onda Baiana”, publicado pela Edufba . Mais não digo, mas recomendo ver (ou rever o filme) e a leitura do livro. Antes dos próximos e eletrizantes lances da campanha na Cidade da Bahia.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Sugestão ao governador

A Associação dos Magistrados da Bahia acha que tem “cunho intimidatório” a manifestação do governador Rui Costa levantando a suspeição da juíza eleitoral Ana Cláudia Mesquita, que proibiu Alice Portugal chamar ACM Neto de “golpista”.

Recomenda-se cautela ao governador em eventual resposta à Amab. Esse pessoal do Judiciário tem o mau costume de se ofender com tudo. Podem mover mil processos contra ele e fazê-lo andar de comarca em comarca pela Bahia afora.

Votos democráticos

Espera-se que não esteja sendo restaurado na Bahia o “controle externo do Judiciário”.

set
10
Posted on 10-09-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-09-2016

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“HAVIA UMA REVOLTA NA AGU CONTRA FÁBIO”

Um parlamentar peemedebista relatou o seguinte sobre a demissão de Fábio Medina Osório da AGU:

“A demissão estava decidida por Michel Temer, que queria colocar uma mulher como AGU. Ao ser comunicado da demissão por Eliseu Padilha, na semana passada, Fábio Osório Medina pediu uma transição até o final do ano. Consultado por Eliseu, o presidente concordou.

Ontem, porém, o governo soube que havia uma revolta dentro da AGU, porque Fábio estava colocando em postos-chaves apenas o pessoal da associação de funcionários para a qual ele advogava antes de ser nomeado. Diante disso, Michel Temer determinou a Eliseu que o demitisse imediatamente. Fábio ainda pediu para ficar até segunda-feira, a fim de assistir à posse de Cármen Lúcia. Mas, enquanto Eliseu conversava com Temer sobre o pedido, a notícia vazou para a imprensa.”

O Antagonista acha que as versões de ambas as partes não são excludentes.

set
10
Posted on 10-09-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-09-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

set
10
Posted on 10-09-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-09-2016


Três mulheres tiram uma foto na frente do retrato de Mao Tse-Tung na praça de Tiananmen em Pequim. THOMAS PETER (REUTERS) Reuters-Quality

DO EL PAÍS

“Olha, eu acho que foi um grande homem”. Luo, um funcionário de 52 anos, mostra com orgulho seu celular, onde brilha a imagem de Mao Tse-Tung transformada em protetor de tela. Sexta-feira é o 40º aniversário da morte do Grande Timoneiro e este morador dos subúrbios de Pequim não queria deixar de prestar sua homenagem ao pai da nova China. Na saída do mausoléu na Praça Tiananmen, depois de esperar em uma longa fila para ver por alguns segundos o corpo embalsamado de seu venerado líder, ele falou: “Os chineses devem tudo a ele. Foi o salvador do país, o construtor de uma China para o povo”.

Se Luo tem clara sua admiração, seu país mantém uma atitude muito mais ambivalente em relação ao pai da China moderna. Sua figura ainda está muito presente na vida diária. Sua imagem domina a entrada da Cidade Proibida, o centro físico e emocional de Pequim. Seu rosto aparece impresso em todas as notas de dinheiro.

Mas a comemoração oficial de seu aniversário foi extremamente discreta. Uma série de cerimônias em Pequim, Tangshan (nordeste da China) ou Shangri-la, no sudoeste, aconteceram na surdina. Os dirigentes não foram para Shaoshan, a cidade da província de Hunan onde o líder nasceu, ao contrário do que aconteceu há três anos, no 120º aniversário de seu nascimento. Uma estátua gigante de Mao levantada no campo no centro da China foi demolida no início deste ano assim que foi terminada.

Filho de um rico fazendeiro, Mao (1893-1976) foi um dos fundadores do Partido Comunista da China em 1921. Depois de liderar o partido na guerra contra o Japão e a guerra civil contra os simpatizantes do Partido Nacionalista de Chiang Kai-shek, em 1º de outubro de 1949 declarou a fundação da República Popular da China.

Seu mandato, que queria criar um paraíso comunista em um país devastado pela guerra e pela pobreza, terminou com décadas de instabilidade e governos centrais fracos. Mas logo vieram os excessos.

No final dos anos cinquenta, ele ordenou o Grande Salto Adiante. Essa campanha queria industrializar, a passos gigantes, uma China majoritariamente rural. A definição de metas irreais gerou uma fome que matou cerca de 45 milhões de pessoas, de acordo com cálculos do professor Frank Dikötter, autor de Mao’s Great Famine, (A Grande Fome de Mao).

Em 1966, lançou a Revolução Cultural, um expurgo em massa que causou até um milhão de mortos e alterou, de uma forma ou de outra, a vida de praticamente todo cidadão chinês, destruiu a economia e grande parte do patrimônio cultural existente, e que ainda hoje gera consequências graves na mentalidade nacional.

“O maior talento que teve Mao, penso eu, foi de destruir. Destruiu a sociedade e as regras existentes, incluindo a cultura tradicional da China, a economia e o sistema político, inclusive o que ele mesmo criou. O que deixou foram só revoluções, várias delas”, diz Bao Tong, assessor de Zhao Zhiyang, o secretário-geral PCC deposto por apoiar os estudantes nas manifestações de Tiananmen em 1989.

De acordo com a versão oficial, Mao é “um grande marxista e um grande revolucionário” que, no entanto cometeu “graves erros”. Ou, dito de forma popular, “acertou 70% e errou 30%”.

Mas a narrativa oficial não admite, em nenhum caso, mais do que esses 30%. Insultar a figura de Mao poderia expor às críticas o Partido Comunista da China, que ele fundou e poderia abrir um foco de instabilidade, algo que os líderes atuais procuram evitar a todo custo.

Em uma China onde a prosperidade criou enormes desigualdades entre o campo e a cidade, o litoral e o interior, aqueles que têm e aqueles que não, a era de Mao ainda é lembrada entre boa parte da população como uma época na qual, embora todos fossem pobres, não havia distinção, e a corrupção não era tão escandalosa.

“Sabemos que o presidente Mao era muito duro contra a corrupção, e é duro pensar que a corrupção tenha se tornado uma situação tão grave… A causa desta situação foi o desvio do pensamento de Mao no processo de comando do partido”, afirma Sima Nan, conhecido colunista e pensador chinês de esquerda que ajudou a organizar esta semana uma exposição de caligrafia em memória do Grande Timoneiro.

O próprio presidente chinês, Xi Jinping, recuperou algumas das características de identidade do mandato de Mao, com sua longa campanha contra a corrupção, o uso da autocrítica ou as inquietantes confissões públicas, transformadas hoje em um instrumento de censura contra os dissidentes. Xi advertiu publicamente contra o “niilismo histórico” ou revisionismo.

Mas um retorno completo ao maoísmo é impensável. O horror da Revolução Cultural ainda está muito presente; a nostalgia por uma era dourada é menor que a apreciação pelo conforto e o aumento do nível de vida que as reformas trouxeram. Bo Xilai, antes uma das estrelas em ascensão do regime, quis lançar em Chongqing, a cidade que dirigia, uma campanha de volta ao “vermelho”. Envolvido no assassinato de um cidadão britânico, foi destituído sem piedade em 2012 e condenado à prisão perpétua um ano depois.

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