DA VEJA (ONLINE)

Por Da redação

A advogada de acusação do processo de impeachment, Janaina Paschoal, chorou no final de sua fala a favor do afastamento definitivo de Dilma Rousseff. Janaina usou seu tempo de acusação para rebater pontos da defesa da petista, mas se emocionou e pediu desculpas à presidente afastada durante sessão da fase final do julgamento do impeachment no Senado Federal, nesta terça-feira.

“Finalizo pedindo desculpas à senhora presidente. Não por ter feito o que fiz, mas por eu ter lhe causado sofrimento. Sei que a situação que está vivendo não é fácil. Muito embora não fosse meu objetivo, causei sofrimento. E eu peço que ela [Dilma Rousseff], um dia entenda que eu fiz isso pensando também nos netos dela”, disse emocionada.

Durante seu discurso, Janaina rebateu as falas sobre misoginia da presidente na sessão desta segunda no Senado e disse que ninguém pode ser “perseguido por ser mulher”, mas também “ninguém pode ser protegido por ser mulher”. A advogada afirmou que agiria da mesma forma caso a presidente fosse homem.

Janaina, que é uma das signatárias do impeachment, também citou Deus ao longo de seu tempo de fala. “Se tiver alguém fazendo algum tipo de composição neste processo é Deus”, se referindo às menções da defesa e da própria presidente afastada de que foi vítima de conluios de partidos da oposição e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Contrato de Separação

Compositor: Dominguinhos e Anastacia

Olha essa saudade que maltrata o meu peito
É ilusão e por ser ilusão
É mais difícil de apagar
Ela vai me consumindo lentamente
Ela brinca com meu peito
E leva sempre a melhor

Eu quis fazer com ela
Um contrato de separação
Negou-se então a aceitar
sorrindo da minha ilusão

Agora não tem jeito é
Tentar de vez me libertar
Brigar com a lembrança
pra não mais lembrar.

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Precisa dizer mais, além de que “a vida é assim mesmo?”

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
30


OPINIÃO

Por que não é golpe a deposição de Dilma

JC Teixeira Gomes | Jornalista, membro da Academia de Letras da Bahia

As alterações no poder se dão por quatro motivos: 1) eleições; 2) golpes de Estado, com transgressões das leis vigentes; 3) revoluções, o processo mais radical, com violência institucional e substituição do regime político anterior; 4) impedimento (impeachment), ritual político que preserva as leis para afastar governantes.

Neste último caso, a classe política é acionada pelas pressões da opinião pública, a massa do povo insatisfeita com a condução do país, ante as evidências de corrupção e deterioração da vida nacional. Estas se revelam nos descalabros da economia, no desemprego crescente e na prática de atos lesivos no plano fiscal, as chamadas “pedaladas”, usadas para ocultar equívocos administrativos.

Dois fatos são essenciais para mostrar que o processo de impeachment se originou não por retaliação política de outros partidos, mas por motivos sociais e jurídicos consistentes: no primeiro caso, desde 2013 o povo brasileiro começou a entupir as ruas, em todo o país, para protestar contra o governo petista, culminando com as manifestações de 2016; o Congresso, pois, acolheu contra Dilma Rousseff um clamor popular que se generalizava. Já o fator jurídico foi deflagrado a partir de quando três juristas se associaram para apresentar o pedido de impeachment, um dos quais é inclusive uma prestigiosa figura petista de primeira hora, Hélio Bicudo.

Três fatos se articularam, ao longo dos anos, para motivar o objetivo de deposição de Dilma: 1) as práticas do mensalão, quando se descobriu que, para manter o poder, o PT negociou com partidos aliados um generalizado sistema de compra de apoio, usando o dinheiro público; 2) a corrupção crescente do partido que, ainda para manter e consolidar o poder em duas administrações diferentes (Lula e Dilma), se associou aos mais poderosos empreiteiros e empresários do Brasil, saqueando os recursos da Petrobras, ao difundir e sistematizar o superfaturamento e o uso do pagamento de propinas; 3) além disso, canalizou recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para financiar obras de empreiteiras em países periféricos, em nada úteis ao Brasil. Não esqueçamos que o Partido dos Trabalhadores favoreceu operações financeiramente desastrosas, como a compra da refinaria falida e obsoleta de Pasadena, quando chefiava o Conselho Deliberativo da Petrobras a própria Dilma Rousseff, que, pela posição que ocupava, não poderia ter concordado com a negociata.

Os casos do mensalão e da Petrobras foram respectivamente conhecidos após as investigações do Supremo, com destaque para o juiz Joaquim Barbosa, e da Operação Lava Jato, com relevo para a ação do juiz Sérgio Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal. A militância petista desde o início atacou o juiz Joaquim Barbosa, e ainda agora investe violentamente contra Moro, mas os protestos partidários nada representam diante da evidência das provas.

No momento em que escrevo, o processo de impeachment se aproxima do seu final, como é do desejo de todos os brasileiros, ansiosos pela normalidade institucional. Quanto ao PT, não custa lembrar que, quando passou a ser poder, jogou na cesta de ovos podres todas as suas promessas de oposição. Começou impondo ao país a mesma reforma da previdência que combateu e rejeitou no governo de Fernando Henrique Cardoso, numa demonstração inicial de oportunismo. Foi logo abandonado por figuras históricas, como Arruda Sampaio, e hoje paga o preço de uma ambição desmedida, sustentada pelo logro ideológico que levou o partido a encher de dinheiro o bolso estufado dos magnatas.

JC Teixeira Gomes, é Jornalista, membro da Academia de Letras da Bahia. Artigo publicado originalmente no jornal A Tarde.


DO EL PAÍS

Afonso Benites
Talita Bedinelli

Brasília

Diante de um Luiz Inácio Lula da Silva apreensivo, que esfregava as mãos na barba, e de 81 senadores atentos e silenciosos, Dilma Rousseff fez nesta segunda-feira um discurso duro, com os olhos no registro histórico. Defendeu-se, em uma fala inicial de 40 minutos, não só contra os crimes dos quais é acusada, mas também contra as manchas que o processo pode trazer à sua biografia. Comparou a defesa diante dos senadores com a que foi obrigada a fazer diante dos algozes da ditadura militar. A voz embargou ao lembrar de sua história.

Dificilmente as mais de 13 horas de sessão -em que após o discurso, Rousseff respondeu a todos os questionamentos de 47 senadores- mudarão opiniões políticas já formadas de senadores. Mas sua defesa foi, sem dúvida, importante para que ela, finalmente, se posicionasse pessoalmente das acusações, com transmissão pela TV, e humanizasse o processo. No plenário, a grande maioria dos inscritos não deu sinais de arrefecer posições. Mais efeito podem ter, entretanto, as ações de Lula nos bastidores, enquanto ela falava: o ex-presidente deixou o Senado no meio da tarde e, segundo um aliado, não estava “nem no hotel, nem com Chico Buarque”, cantor que também esteve na sessão. “Estava fazendo política”, explicou. Encontrava-se com senadores que ainda se mostravam indecisos, tentando arrancar os últimos votos necessários. Dos 81 senadores, 54 precisam votar pelo impeachment para que ele seja aprovado. As estimativas feitas pelos jornais calculam entre 48 e 52 o número de votos pró-impeachment. A expectativa é que o julgamento, a ser retomado `as 10h desta terça-feira, seja concluído na madrugada da próxima quarta-feira ou se alongue pela manhã.

Entre os argumentos explorados por ela estiveram: a crise econômica foi amplificada pela política, um impeachment sem crime de responsabilidade é golpe, um dos principais articuladores do processo de impedimento da presidenta da República foi o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) -e o fez por vingança. A todo momento, Rousseff disse ser inocente e alegou que os delitos aos quais responde não podem ser configurados como irregularidades.

Essa foi a primeira vez que um chefe de Estado foi ao Congresso se defender de acusações. O Brasil já passou por outros dois processos de impeachment. O de Getúlio Vargas, em 1954, parou na Câmara. E Fernando Collor, agora senador julgador de Rousseff, renunciou antes da votação no Senado, em 1992.

As estratégias de Rousseff para tentar ser absolvida eram defender um plebiscito para consultar a população sobre a reforma política e a redução do mandato presidencial, assim como ensaiar um mea-culpa. Neste segundo caso, ela até chegou a pedir perdão duas vezes, algo raro em nos quase cinco anos e meio que administrou o país. Na primeira ocasião, ela se desculpou pelo seu partido, o PT, não ter apoiado a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal. Na segunda, desculpou-se por não ter conversado tanto com políticos.

Em resposta ao senador Eduardo Amorim (PSC-SE) que cobrou mais diálogo, a petista disse: “Senador, o senhor receba as minhas desculpas por não ter atendido às suas expectativas quanto ao diálogo. É algo que eu tenho clareza: que é importante que seja feito”. Rousseff afirmou, contudo, que deixar de conversar não é razão para esse processo de impeachment, pois entende que não cometeu nenhum crime de responsabilidade.

Ao longo de toda a sessão, notou-se que a petista foi bem treinada por seus auxiliares e acabou sendo beneficiada pelo formato do interrogatório, em que a réplica dos questionadores era vetada. Cabia aos apoiadores do impeachment recorrerem à imprensa para fazerem o contraditório a ela. “Não conseguiu esclarecer nenhuma dúvida”, afirmou Ana Amélia (PP-RS). “A presidente perdeu a oportunidade de se explicar à sociedade”, reclamou Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). “Ela aproveita cada pergunta para fazer um discurso político”, concluiu Aécio Neves (PSDB-MG).
Assédio

Enquanto Rousseff falava, era observada, no início da sessão, pelo seu mentor político e antecessor, Lula, e por intelectuais como o cantor Chico Buarque e a filósofa Márcia Tiburi. O cantor e Lula foram bastante assediados, inclusive por parlamentares que queriam ser fotografados com eles. Entre os convidados da acusação, estavam representantes de movimentos sociais que estimularam os protestos a favor do impeachment como Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua, Revoltados Online e Nas Ruas.

Durante quase todo o dia, o plenário estava lotado. O ar condicionado em alguns momentos parecia não funcionar. Deputados federais, que têm livre trânsito no Senado, se aglomeraram nos arredores das mesas dos senadores para assistirem ao discurso da presidenta, de manhã. Quando a petista concluiu sua fala inicial, que durou pouco mais de 40 minutos, vários dos parlamentares, a aplaudiram e gritaram um lema da campanha (“Dilma, guerreira, do povo brasileiro”). Por conta dessa manifestação espontânea, o presidente do Supremo Tribunal Federal e coordenador dos trabalhos, Ricardo Lewandowski, precisou interromper os trabalhos por dois minutos.

Nesse discurso, Rousseff atacou Eduardo Cunha em ao menos nove ocasiões, disse que, ao contrário dele, não responde por “crimes de lavagem de dinheiro, por ter contas no exterior, nem tampouco por utilização indevida de legislação, aprovação de legislação ou por desvio de dinheiro público”. Ao longo das respostas aos senadores, ela citou o deputado afastado outras duas dezenas de vezes, pelo menos. Em síntese, ela disse que seus opositores “encontraram, na pessoa do ex-presidente da Câmara, o vértice da sua aliança golpista”. Na versão dela, ele só acatou a abertura do processo de impeachment por vingança, já que o PT votaria a favor da representação contra ele no Conselho de Ética da Câmara.

Um raro momento de descontração ocorreu quando Rousseff tratava, exatamente, do peemedebista. Ao responder que seu impeachment não era apenas uma manifestação espontânea das “ruas”, ela disse que parte das lideranças desses movimentos “eram as mais enfáticas e esfuziantes em tirar retratos com o senhor deputado Eduardo Cunha”. “A vida é assim, senador [Cássio Cunha Lima]: dura. Então, senador, não há como se falar da espontaneidade desse processo”. Houve uma risada quase generalizada no plenário.

Sem citar diretamente o nome do presidente interino, Rousseff também atacou Michel Temer (PMDB). “Se consumado [o impeachment], resultará na eleição indireta de um governo usurpador”. Citou ainda que a gestão dele não tem mulheres em seus ministérios, “quando o povo nas urnas escolheu uma mulher para comandar o país”. “É um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido e aprovado pelo povo em 2014”.

Do lado de fora do Congresso, os protestos contrários e favoráveis ao impeachment foram bastante tímidos. Enquanto na primeira etapa do processo em abril, na Câmara dos Deputados, mais de 100.000 pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios, dessa vez menos de 2.000 se aglomeraram no local. Conforme a PM, durante a noite, cerca de 1.500 estavam entre os apoiadores de Rousseff e 200 do lado de seus opositores. Durante o dia, enquanto ela discursava, esse contingente não passou de 150 nos dois lados.

FALA MEU REI!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

ago
30
Posted on 30-08-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-08-2016

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Uso da vice-prefeita não ajuda ninguém

Não se trata de saber se obras foram superfaturadas na Prefeitura ou se a fortuna do prefeito ACM Neto triplicou ilegalmente: o uso da hoje dissidente vice-prefeita Célia Sacramento com esse tipo de declaração enfraquece a campanha de qualquer adversário, até a da deputada Alice Portugal.

O motivo é que, muito além das pesquisas que fornecem índices a granel, está a avaliação extremamente negativa que “o mercado” faz da vice-prefeita, nas ruas, nos bares, nas filas de bancos e supermercados, nas participações em emissoras de rádio e nas cartas aos jornais, desabonando-a politicamente.

Eleições na Bahia do passado estão pontilhadas de “teleguiados”, candidatos que disputam apenas para cumprir papéis em favor de terceiros, como diz a imprensa que ocorre agora.

Mais recentemente, até um jornal foi usado para produzir factoides que alimentariam na TV a campanha de quem os pagava. O PCdoB, certamente, com sua história, não pode estar seguindo esse caminho.

Já era esperado

A propósito, na nota “Emoções e tensões”, do dia 7, após o inesperado rompimento e do lançamento da candidatura de Célia, este blog especulava: “…cresce a curiosidade por sua campanha e o que poderá dizer para afetar a imagem do principal adversário”.

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Vassourada

A inocência de Célia é comovente. Depois de romper com o prefeito e candidatar-se contra ele, queria manter nomeações que indicou na Prefeitura.

Lula no STF contra Moro

Os advogados de Lula protocolaram uma reclamação no STF pedindo que o petista deixe de ser investigado por Sérgio Moro, informa o Estadão.

O argumento é que uma apuração sobre ocultação de patrimônio e recebimento de vantagens indevidas já corre no STF.

Lula não estava em Brasília só para ajudar a companheira Dilma.

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