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Postado em 26-08-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-08-2016 00:43

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O país que preferiu o arrivismo

A nação, em geral, não distingue um estadista comprometido com o futuro do país de um político vulgar, que marca sua trajetória pelo exercício da demagogia, sendo dele vítima constante.

Por exemplo, em 1960, preferiu o histriônico e irresponsável Jânio Quadros ao marechal Teixeira Lott, militar legalista que quatro anos antes garantira a posse de Juscelino Kubitschek.

Esse trecho da história todo mundo conhece: Jânio renuncia aos sete meses de governo, levando à posse do vice João Goulart e mergulhando o país numa crise que desembocou no golpe militar de 1964.

Vinte e nove anos depois, quando o Brasil voltaria a eleger diretamente um presidente, dois nomes foram lançados pelos setores populares: Leonel Brizola, exilado no golpe militar de 64, e Lula, forjado aqui, nas lutas sindicais.

Brizola passou praticamente 15 anos isolado do mundo, perdeu referências da sociedade brasileira, que sofreu mudanças profundas. Lula, importante liderança na resistência democrática, trazia a auréola do operário apoiado por intelectuais.

A profunda diferença entre ambos, porém, foi detectada nas primeiras falas. Brizola dizia: “Não sentarei naquela cadeira apenas para que outro não sente”. Lula mostrou seu estilo: “Brizola é capaz de pisar no pescoço da mãe para ser presidente”.

Venceu Fernando Collor, a candidatura que representava a continuidade política da ditadura. Brizola disputaria de novo em 1994, mas o eleitorado achou por bem colocá-lo em quinto lugar. Morreu com a dignidade preservada, como hoje se reconhece.

Lula foi derrotado três vezes, para, enfim, eleger-se por dois mandatos. O resultado de sua chegada ao poder é o Brasil de hoje, que seus acólitos e beneficiários teimam em pintar como um grande realização. Mas a história não volta atrás. Só nos resta ir em busca do futuro.

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